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Paz de Chrystian

Muito além do céu

07/06/2009 às 23h07


LIVRO
O rabino Benjamin Blech, professor de Talmude, caminhou pelas suposições e analisa a obra máxima de Michelangelo Buonarroti, a Capela Sistina - monumento à arte italiana. 
Benjamim Blech escreveu em parceria com o escritor Roy Doliner, uma profusão de símbolos cabalísticos, defendendo que Michelangelo foi um grande estudioso da religião judaica e que ali, no teto da capela, existem um sem fim de símbolos e histórias. 
O livro se lê em quatro dias, de tão interessante que é.
Fascina, inclusive, as tais suposições.
Os Segredos da Capela Sistina – As Mensagens Secretas de Michelangelo no Coração do Vaticano, de Benjamin Blech e Roy Doliner é editado pela Objetiva, tem 376 páginass e custa R$ 56,90.

Amor, felicidade

31/05/2009 às 00h31

Jonathan Coe: impossível não gamar em A Chuva Antes De Cair

LIVRO
A Chuva Antes De Cair é, antes de tudo, um excelente programa.
Neste romance, o excelente Jonathan Coe retrata a natureza fugaz do amor e da felicidade (não necessariamente nessa ordem), baseada no sólido legado transmitido de uma geração à outra. A derradeira tarefa da vida de Rosamond é descrever uma série de 20 fotografias que, juntas, contam um trágico passado familiar.
Com sua morte, Gill, sua sobrinha, descobre que a tia deixou essa herança para alguém chamado Imogen.
Consagrado escritor britânico da nova geração e também autor de A casa do sono, o livro é um mergulho, sem pudor, na história de três gerações de mulheres de uma mesma família.
E tudo costurado com muita inteligência, paixão.
Aliás, "paixão" é o caminho que escorrega pelo livro página a página.
DeSaboya.com AMOU!!!

Tangos com gosto de morte

24/05/2009 às 09h38


LIVRO
Parceria - eis a palavra que Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, dois dos maiores escritores argentinos, trafegaram entre si desde sempre.
Publicitários, os dois escreveram um conjunto de divertidos romances de suspense - uma espécie de Aghata Christie portenha dos mornos anos 1940, 1950 - e muitos dos quais com outros codinomes.
Um dos sucessos da dupla infernal, assinado como B. Suarez Lynch, acaba de ser lançado em português: Um Modelo para a Morte, originalmente escrito em 1942. 
A narrativa dos dois criou um mundo de ambientes fantásticos regidos por uma lógica peculiar e marcados por um realismo de grande verossimilhança. 
"Um modelo para a morte" chega às livrarias em um volume que acrescenta também dois outros pequenos textos, Os Suburbanos e O Paraíso dos Crentes. (O último, meu preferido)
Os livros, apesar das "mortes", são divertidos, interessantes e imperdíveis.

Um Modelo para a Morte; Os Suburbanos; O Paraíso dos Crentes, Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, Globo, 240 páginas, R$ 36

A jóia é ela

18/05/2009 às 19h45








JÓIAS
ESPECIAL

DeSaboya.com começa o sábado assim: jóia rara.
Ontem o site visitou a joalheria, bisbilhotou o ateliê, saiu encantado com tudo o que viu.
Tanto, que resolvemos publicar aqui, uma matéria especial com a deseigner que virou referência na cidade.
E que divide a história das jóias no Erre-Ene em... antes e depois dela.

A VIDA COMO ELA É...
Valéria Françolin vem construindo a sua arte desde 1991.
A mistura de prata, ouro, pedras brasileiras, pérolas e outros materiais menos convencionais como vidro, madeira, sementes e conchas é uma constante em seu trabalho.
Suas peças são confeccionadas de modo artesanal, com desenhos exclusivos e pequenas tiragens.
Valéria, ao misturar cursos, criar e expor suas peças no Brasil, Itália e Espanha, tem tido o seu trabalho reconhecido e publicado pela mídia com freqüência.

PEDAÇO DE MIM
A nova coleção é inspirada na sua filha Júlia, que estuda na Europa.
A junção de um amor que sempre existiu + saudade.
A saudade... pois pela primeira vez que a cria fica fora de casa, que as duas se separam.
Para Valéria, trabalhar com jóias é uma emoção, é um privilégio.
E com as pessoas então... mais ainda, com os sentimentos delas, "mexe com tudo".
"Porque é muito forte trabalhar diretamente com o cliente, relacionar-se com o outro... quando ela faz jóias, faz para alguém".
Ela conta que colocaria num porta-jóias tudo o que tem valor afetivo.
Sua inspiração surge no momento em que sente um frio na barriga, quando é provocada internamente, seja com o que vê ou com o que sente.
Existem quatro pessoas que são pedras preciosas em sua vida – seu pai Mauro, sua mãe Margarida e suas filhas Júlia e Marina.
A tendência é continuar a linha de brincos grandes, colares grandes e anéis gigantes mas, claro, usar tudo de uma vez, sem misturar.
Na nova coleção, as peças foram nomeadas. Tudo pensando na distância e na ausência de Júlia, que está na Alemanha.

UMA VIDA...
Paulistana, Valéria Françolin reside no Natal desde 1991 e é uma das mais prestigiadas designers do Nordeste, quando se trata de joalheria artesanal.
Procura por formas que traduzam o que uma pessoa é e o que melhor expressa sua forma de ser.
Encontrar as pessoas para entendê-las, senti-las, e então compor a comunicação perfeita na qual a imagem reflete o espírito. Exuberância, simplicidade.
Ferro, papel. Perceber e transformar.
Valéria conquistou um público que reconhece e admira a beleza dos elementos de criação, pois se sente parte deste processo, elaborando sua identidade interior e vendo surgir sua forma exterior, harmônica, verdadeira.
Formada em Comunicação Visual e Desenho Industrial, pela FAAP- SP, La Françolin foi editora de arte de revistas especializadas, porém, encontrou seu caminho como designer, após cursos especializados. Ganhou vários prêmios, entre eles o prêmio IBGM - Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos.

CAIXA POSTAL
Afonso Pena, 524 – Petrópolis.
Mais? 3221.3678

Casar pra quê?

12/05/2009 às 00h06

Se tem um assunto que a gente adora... é discutir a literatura latina.
E não há como bater-boca sobre tal caminho sem citar Sergio Pitol, um dos maiores autores mexicanos.
Nascido no terrível 1933, o romancista, ensaísta, diplomata e tradutor pouco conhecido no Brasil, mas muito elogiado pelos colegas literatos escreve como se fosse hoje.
Um exemplo dessa maravilha é o livro Vida Conjugal.
O romance um tanto cruel sobre as vicissitudes da vida a dois - e os percalços da vida casada, tratada numa espécie de paródia muito bem humorada do casamento, é algo por assim dizer... imperdível. 
Um casal ambicioso vive às turras durante 30 anos, fazendo o possível para ocultar suas origens humildes, a pobreza que cerca sua origem. 
Pitol dá um banho de literatura e o faz com a sabedoria dos deuses.
Vida Conjugal, Sergio Pitol, Companhia das Letras, 112 págs., R$ 32.
Foto: reprodução

A cara tailandesa do Rio

11/05/2009 às 10h00


Marcos Sodré e Sawasdee Fashion Mall: tudo na vida

O chef de cozinha Marcos Sodré é, sem favores, dos melhores da Cidade Maravilhosa.
E nos últimos dois anos revelou todo o seu talento na criação de um cardápio tailandês diferenciado e sempre renovado, em seu festejado Restaurante Sawasdee - Sabores da Tailândia, localizado no em Búzios, no Fashion Mall e no Baixo Leblon, no Rio.
Dividindo sua atenção entre o seu restaurante e apresentações de sua arte nos principais eventos gastronômicos e cursos de todo o Brasil, Sodré sempre busca surpreender seus clientes com pratos inusitados. 
E seu menu é algo de deslumbrante.
As misturas, as especiarias usadas: tudo é uma maravilha.
No início deste ano o Restaurante Sawasdee recebeu novas instalações e decoração num novo espaço de menu degustação, ampliando o número de lugares sentados e também oferecendo a oportunidade aos clientes de conhecerem vários sabores da culinária tailandesa, pelas mãos de seu chef e proprietário faz ao vivo uma sequência de dez pratos criados na hora por ele, que não estão no cardápio.
A carta de vinhos é bastante diversificada e luxuosa.
Vale, no final de tudo, pedir um chá de jasmim.
Além de maravilhosa, sua comida canta. E tem aqueles cheiros da nossa memória afetiva muitas vezes deixadas de lado. 

ONDE

Restaurante Sawasdee - Rua José Bento Ribeiro Dantas - 422 - Orla Bardot - Búzios - Rio de Janeiro - (22)- 2623.4644
Restaurante Sawasdee - Bistrô na rua Dias Ferreira 571 - Leblon . TEL.: (21) 2511-0057
Restaurante Sawasdee FILIAL II - São Conrado Fashion Mall - Estrada da gávea 899, 1° piso - nosso preferido.

Mergulho no melhor de Will Self

10/05/2009 às 02h01

DeSaboya.com é fã do escritor inglês Will Self.
Aos bem vividos de 47 anos, Self, que escreve com maestria sua obra desde os Anos 90s, quando dcescobriu-se, para alegria geral, tornar-se grande escritor.
Grande assim mesmo: de cara.
Ele, em "O Livro de Dave", imagina o que seria o mundo daqui a 500 bem vividos anos. Anos duros, aliás.
São duas histórias que chegam: a de um motorista de taxi cortando as ruas da capital inglesa nesse futuro apocalíptico e trágico e a de um garoto à procura (comovente) do pai. 
Prega a Bíblia que não se deve cobiçar a mulher do próximo. Will Self faz o seguinte, em "O Livro de Dave": a ordem é simplesmente não cobiçar a mulher nenhuma.
Esse é apenas um dos preceitos religiosos que passam a reger a humanidade depois de um colapso da natureza, segundo a imaginação de Self.
No romance, presente do nosso amigo leitor Assis Oliveira do Monte, sai agora no Brasil pela Alfaguara.
Uma preciosidade, seu texto.
O Livro de Dave, Will Self, Alfaguara, 451 págs., R$ 59,90

Para ver e se emocionar...

05/05/2009 às 11h01





Chocante!
Emocionante!
A exposição que marca a reabertura do centro cultural e o início das comemorações do Ano da França no Brasil... dói na alma...
Após seis meses de obras estruturais e de restauração, a Casa França-Brasil, um casarão lindo, no velho centro carioca, reabre suas portas imponentes com a exposição 28 milímetros – Mulheres/JR, do jovem e mundialmente famoso artista francês JR. 
A mostra é parte da série Women, iniciada na África em 2008. E é um alumbramento.

A EXPOSIÇÃO QUE ENCANTA
Em agosto de 2008, durante quinze dias, o artista filmou e fotografou mulheres do Morro da Providência, no Rio de Janeiro. 
Em seguida, colou suas imagens nas fachadas das casas do morro, brincando com vãos, portas e janelas. 
O resultado foi uma imensa instalação a céu aberto, formada por dezenas de fotos gigantes misturadas à paisagem da favela. Essa experiência deu origem à etapa brasileira do projeto 28 milímetros – Mulheres/JR, que conta a história dessas “personagens reais” por meio de relatos e imagens. Tudo muito lindo, mu lúdico.
Suas fotografias ampliadas ocupam as dependências da Casa e também a fachada de outros prédios e espaços públicos do Centro, transformando o espaço urbano na extensão de uma galeria de arte.
A montagem utiliza a tecnologia como elemento redutor das distâncias entre o morro e o asfalto. Uma casa da favela, feita de madeira e prestes a ser demolida, foi desmontada e reconstruída no interior do centro cultural. Na parte interna, além de fotografias, foi instalada uma câmera que transmite a imagem dos visitantes em tempo real para um telão instalado no Morro da Providência - morro onde nasceu, no início do século passado, o grande Machado de Assis.
Em uma das salas laterais da Casa, um artista nascido e criado naquela comunidade expõe suas obras: Maurício Hora, fotógrafo autodidata que emprega a arte para mostrar “o olhar da favela sobre a cidade”. Maurício já expôs seu trabalho no Centro Cultural José Bonifácio, da Prefeitura do Rio de Janeiro, e no FotoRio. Durante o Ano do Brasil na França, Maurício atuou como diretor de fotografia do projeto Favelité e levou o cenário da favela para o metrô de Paris.

JR, PORTA BANDEIRA DA VIDA 
JR tem 26 anos e utiliza espaços abertos, fachadas de residências, prédios públicos e outras construções como cenário para as suas obras. São fotos gigantes que, coladas nesses ambientes, unem-se à paisagem e produzem um resultado provocador, “atravessando” a visão dos transeuntes. O artista – ou “artivista”, como ele se autodenomina – encanta e levanta questões, valendo-se de uma linguagem absolutamente contemporânea. Ele funde arte e ativismo para reunir pessoas e quebrar paradigmas, apresentando o objeto fotografado livre de estereótipos ou interpretações. JR já mostrou seu trabalho em Londres, Paris, Barcelona, Bruxelas, Berlim, Gênova, Amsterdã, entre outras cidades.

Site do artista
www.jr-art.net

Perdidas na selva

03/05/2009 às 17h35

Linn Ullmann, Companhia das Letras: livro lindo

Que belíssima história de família, amor e reencontros.
São três irmãs que retornam à ilha onde passaram a infância e viveram um trágico episódio ressoa de forma familiar na história da própria autora, Linn Ullmann, filha única da atriz Liv Ullmann e do diretor Ingmar Bergman.
Bergman teve nove filhos com seis mulheres e as irmãs do romance também são filhas de mães diversas, o que acrescenta uma pitada ainda maior de autobiografia ao relato impressionante da sua filha. 
O livro encanta a cada página que segue - um presente da querida Celinha Mendonça.
Elas, as personagens, se reúnem ao redor do pai, um dos pioneiros na utilização do ultrassom, autoexilado na remota ilha. Linn escava em Uma Criança Abençoada os traumas - acho trauma uma palavra forte demais - da juventude com o poder das emoções adultas.
Uma Criança Abençoada, Linn Ullmann, Companhia das Letras, 360 páginas, R$ 49

Grandes?

27/04/2009 às 00h49

Para uns sim.
Para outros...
Quer desbravar a Segunda Grande Guera em mais de 500 páginas de pura história?
Os Três Grandes é um relato nú e crú dos caminhos seguidos por líderes daquele tempo.
O primeiro-ministro inglês Winston Churchill, o presidente americano Franklin Roosevelt e o soviético Josef Stalin. 
Se os três se parecem distantes? Jamais.
Queriam o fim do nazismo, mas depois encontraram outro motivo para "guerrear". Vale pelo relato histórico, mas às vezes é profundo demais, sem dizer nada..
Os Três Grandes, escrito pelo bom Jonathan Fenby, tem a Nova Fronteira como editora e custa R$ 89,90.

Sal, ficção, açúcar, vida

24/04/2009 às 00h44


A real e o ireal se misturam feito temperos ótimos no romance (inteligente e instigante) da sempre imperdível  Monique Truong, escritora nascida no Vietnã e criada nos Estados Unidos. 
Ah, ninguém é tão perfeito assim...
Como num caldeirão, Monique sai misturando os prazeres da gula com as aventuras do mundo e sai contando a saga do cozinheiro de Gertrude Stein e Alice B. Toklas, dois dos personagens mais emblemáticos da vida artística de Paris no começo do século 20 - e figuras super respeitadas quando o assunto é o prazer do garfo.
"A estreia de Truong como romancista parece mais impressionante e ambiciosa que a maioria dos primeiros trabalhos de ficção contemporânea", diz o Los Angeles Times. 
Vale o doce (e as vezes salgado) deleite!

Eternidade

16/04/2009 às 22h17

Chaplin subiu ao palco pela primeira vez aos 5 anos de idade, em 1894.
Grandes obras como O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940) e Tempos Modernos (Modern Times), deixaram uma saudade eterna daquele que sabia fazer rir e chorar sem sequer abrir a boca.
Sua primeira nomeação ao Oscar foi em 1929, ano do primeiro Oscar. 
Chaplin havia sido nomeado como melhor diretor de comédia e melhor ator em The Circus, mas a Academia de Hollywood decide desconsiderar e dar-lhe um prêmio especial pela "versatilidade e excelência na atuação, roteiro, direção e produção".
Em 1972, Chaplin, ainda no exílio, volta pela última vez nos EUA para receber um prêmio especial da Academia pelas “suas incauculáveis realizações na indústria do Cinema”. Chaplin foi aplaudido por mais de cinco minutos, em pé por todos os presentes, se tornando uma das maiores aclamações da história do Oscar.
O posicionamento político de Chaplin sempre foi de extrema esquerda. 
Inúmeras películas suas seguiram essa tendência, principalmente Tempos Modernos (Modern Times, 1936), que foi uma crítica à situação da classe operária e dos pobres em geral. É notória a implantação de conceitos Marxistas (Karl Marx, foi o fundador destes conceitos).
Chaplin ao dizer que iria viajar para a Inglaterra, em 1952 e foi ameaçado de confisco de seus bens pelo governo americano. Sua atitude foi surpreendente, sem questionar, disse que podiam vender tudo! 
Quando resolveu retornar aos EUA foi proibido pelo Serviço de Imigração, com a cassação de seu visto, devido a acusações de "atividades anti-americanas", na época do macarthismo, num processo encabeçado por J. Edgar Hoover. Charlie decidiu-se então por permanecer na Europa, escolhendo morar na Suíça.
E foi lá que ele morreu.
Aos 88 anos de idade, na Noite de Natal, de derrame cerebral.
Foto: reprodução

Michelle: EUA antes e depois dela

06/04/2009 às 08h56

Jornalista do Washington Post, Liza Mundy costuma escrever perfis políticos nos EUA.
E seu último "perfil" promete.
"Michelle", biografia da atual primeira-dama americana, recém-lançada no Brasil, é o tal. 
"Realmente, ela é mais crítica que Obama, mais pessimista", disse Liza em entrevista ao Jornal do Brasil. 
Liza conversou com muita gente, fez mais de cem entrevistas e pessoas que haviam tido algum contato com Michelle, mas não amizade. 
Obteve cópias dos livros escolares da primeira-dama, teses e documentos nos arquivos públicos dos Estados Unidos.
O resultado é uma biografia bem pesquisada. 
São enúmeros trechos de jornais e revistas sobre a biografada, que se revela simpática, boa mãe, e partilha sucessos do marido, bem como sua vida como jovem.
Formada em sociologia por Princeton e em direito pela Harvard, Michelle é produto da comunidade afroamericana.
Nascida em 1964 na Carolina do Sul, cresceu em South Shore, bairro de Chicago que passou por transformação com a chegada dos negros do Sul após a Segunda Guerra e a fuga dos brancos para subúrbios. A região que em 1950 tinha população negra de apenas 1% em 1970, quando Michelle tinha 16 anos, já era 96% composta de afroamericanos .
"Raça é sem dúvida a única maneira de entender ou pensar em Michelle", escreve Liza. "Barack Obama pode ser pós-racial, mas Michelle Obama não é. Existem pessoas que acreditam que sua presença na Casa Branca será mais significativa que a dele".

LOVE
O livro esquenta quando Michelle já como advogada de um escritório de Chicago se apaixona pelo estagiário Barack Obama, que ainda a chama de the boss.
A princípio, o considerava "uma pessoa estranha", que usava "paletós horríveis". Mas, indicada pelo escritório como sua mentora, não conseguiu resistir muito tempo.
Em geral, Liza retrata o lado bom da primeira-dama, mesmo sobre críticas por ter dito em público que pela primeira vez estava orgulhosa do país, e "não só pela eleição de Barack, mas porque vejo que o país está faminto por mudança."
"Fazem alarde por causa daquele comentário, e quando dou palestras me perguntam o que ela quis dizer", conta a autora. "Percebo uma divisão racial na reação das pessoas. Brancos ficam bastante incomodados, mas os negros sabem ao que ela se referia".
Para Liza, ainda é cedo para dizer como Michelle irá moldar o seu perfil como primeira-dama, mas prevê que ela continuará ativa."Ela terá uma atuação vibrante. É uma palestrante cobiçada e continuará sendo referência política quando sair da Casa Branca".
Com informações da Uol
Foto: reprodução

Para ler com o coração

05/04/2009 às 22h24

Quer melhor caminho do que esse?
Uma história de amor e idealismo simples assim: imperdível!
Paula Fox, uma escritora americana excepcional, que nasceu lá por 1923 ainda é pouco conhecida no Brasil (o que a gente lamenta profundamente), embora já tenha escrito mais de 20 livros infantis e outros seis para adultos e tais. 
Seu primeiro trabalho, Pobre George, de 1967, é considerado um clássico dos anos 1960 - e, quem não leu, merece um mergulho nessa e em todas as obras da doce escritora.
O livro narra a história de um professor de inglês idealista que resolve educar um jovem invasor de sua casa. 
Você nunca deve pensar nos personagens de Paula como heróis; ela sempre vai encontrar um jeito de desconstruí-los, desarmalos, postos à vida crua.
É um romance denso, tenso - e lindo!

Você não soube me amar

03/04/2009 às 00h20

DeSaboya.com a-mou!
A Blitz foi o buxixo dos Anos 80s.
Foi álbum de figurinhas, coleção de roupas (vendida na extinta Mesbla), série de televisão (inspirou a Armação Ilimitada), nome de comidinhas e até banda-propaganda de xampu. 
Mas, ainda que tenha influenciado uma geração inteira de jovens, artistas, músicos e gente feliz, não havia sido eternizada em livro - e o livro, que é uma maravilha, chegou para beijar toda uma geração de bacanas. 
A biografia ilustrada As Aventuras da Blitz, mesmo nominho do primeiro vinil da trupe de Evandro Mesquita (Meus vizinhos em Botafogo, no Rio de Janeiro) foi lançado em Sampa e já tem em Natal para vender - oba, que maravilha!
O autor é o jornalista Rodrigo Rodrigues, que apresenta muito bem o programa Vitrine da TV Cultura - que também é umáx!, é fã de carteirinha do grupo tudo na vida de bom. 
O jornalista colheu depoimentos de músicos Lobão, Ritchie e Fernanda Abreu, e os integrantes originais que fazem show até hoje: Evandro Mesquita, Billy e Juba. 
O livro é divertidíssimo!

Doce amargura

26/03/2009 às 18h11

Os dramas, as dores, a vida do inesquecível John Lennon - assim se desenha o livro John Lennon – A Vida.
Do jornalista Philip Norman, quase 900 páginas sobre a vida do beatle mais amargurado, personagem que merecia algo à altura das grandes biografias.
O texto, quase compulsivo, esclare os conflitos que fizeram de Lennon uma confusão só, repleta de inseguranças.
O trabalho é resultado de entrevistas com dezenas de envolvidos na trajetória do beatle que entrou para história pela música, pelas ideias e pela violenta morte. 
O livro (vale ler de verdade!) chega com uma alavanca de emoções. A partir do terceiro capítulo, um mundo de visões, sobre Lennon, é apresentado. Puro deleite - apesar da dor, aqui e acolá

INFORMAÇÕES INÉDITAS
Revelações exclusivas de Philip Norman

1. A tia Mimi, que criou o beatle, jogava as poesias e os desenhos de Lennon no lixo.

2. A canção Norwegian Wood foi composta para um caso extraconjugal de Lennon, a mulher do fotógrafo dos Beatles, Robert Freeman, nascida na Alemanha. O casal estava hospedado na casa de John e Cynthia.

3. O pai de John, o marinheiro Alfred, frequentemente vilanizado nas biografias do músico, aparece aqui como vítima dos caprichos da esposa infiel e do filho enfurecido, que, em certa ocasião, ameaça matá-lo.

101 mil histórias para contar

20/03/2009 às 12h32

Lindo ser, patrimônio da Bahia e do Brasil todinho, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, Dona Canô, 101 anos de vida, tem suas memórias registradas no livro: “Canô Velloso, lembranças do saber viver”.
Lindamente escrito pelo historiador Antonio Guerreiro de Freitas e por Arthur Assis Gonçalves da Silva, falecido antes do término da obra, o livro, com 214 páginas, é para... encantar. 
As lembranças mais fortes de Dona Claudionor Velloso (seu nome de batismo) são do próprio casamento, de mais de 50 anos, e da convivência com os filhos, netos e bisnetos. 
Segundo Guerreiro de Freitas, a matriarca acompanha de perto tudo o que está acontecendo com seus descendentes. 
E sabe de tudo sobre o que está acontecendo com todos os filhos. Se estão gravando, viajando, onde estão. 
O autor também destaca a importância de Dona Canô na vida da cidadezenha de Santo Amaro da Purificação, local onde nasceu e vive até os dias de hoje.
Muito respeitada e dona de um extenso círculo de amizades, D. Canô volta e meia está metida com algum tipo de mobilização pela cidade.
Já angariou fundos para reforma da principal igreja de Santo Amaro, mobilizou a população em apoio aos pescadores locais, organizou anualmente ternos de reis - dentre muitas outras ações -, transformando-se numa espécie de “embaixatriz” do município.
O livro foi lançado no Rio e em São Paulo: e é, simples assim: lindo de viver!!!

Um livro apaixonante

16/03/2009 às 08h46

E daí que trata-se de uma reedição?
A décima edição, para ser mais claro!
As crônicas do capixaba Rubem Braga (1913-1990), reunidas em O Verão e as Mulheres, merecem ser relidas sempre - pois são textos cheios de encantamento, alumbramento, conforto... 
Eterno, Braga era um mestre do gênero, que encontrou no Brasil, a partir de Machado de Assis, uma expressão única na literatura verde e amarela.
O livro é lindo, cheio de graça e amor...
Especialista em tratar da natureza, transportava para seus textos passarinhos, borboletas, cajueiros, amendoeiras e pescarias com a mesma desenvoltura com que falava das mulheres e do mar. "Rubem Braga dedicou toda sua vida a escrever para jornais e é um dos únicos autores, se não for o único, a ter sua produção literária concentrada exclusivamente em crônicas", informa o Jornal do Brasil. 
O Verão e as Mulheres reúne textos entre 1953 e 1955.

Para a vida cantar

15/03/2009 às 08h51

DeSaboya.com adora ler, você sabe!
Aí, descobriu um livro muito bacana, leu e superindica!
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry – ambos, criador e criatura, contêm mistérios que os estudiosos tentam desvendar ao longo de seis décadas. 
Saint-Exupéry (1900-1944) já era um aviador de grande experiência e habilidade na Segunda Guerra Mundial quando, em um voo a serviço das forças aliadas, foi abatido sobre o Mediterrâneo e desapareceu quase sem deixar vestígios (apenas em 2004 foram encontrados os supostos destroços do avião que pilotava, numa história cheia de mistérios). 
O livro, com seu texto poético e suas aquarelas infantis, exerce um fascínio irresistível sobre gerações de crianças e adultos desde que foi publicado, em 1943. 
Virou "the best" de Miss mas, bem antes disso, o Príncipe de Saint-Exupéry é uma história de vida imperdível para o mundo.
O biógrafo Alain Vircondelet conta a história da gênese da obra e investiga as circunstâncias nada felizes em que foi escrita, no autoexílio de Saint-Exupéry em Nova York, enquanto a França vivia os tempos inglórios da ocupação alemã e do governo fantoche de Vichy. 
O Pequeno Príncipe nasceu de um pedido do seu editor e amigo Eugene Reynal. "Remoendo as próprias angústias pessoais, Saint-Exupéry criou um personagem infantil, porém muito complexo", escreve o Jornal da Tarde. "Vircondelet teve acesso a um arquivo inédito que pertence à viúva do autor", informa o jornal. "A criança loira de casacão vagando por seu minúsculo planeta acabou sendo o testamento literário que Saint-Exupéry legou ao mundo", escreve o Guia da Folha.

A Verdadeira História do Pequeno Príncipe, Alain Vircondelet, Novo Século, 160 págs., R$ 29,90

Clara Camarão, apaixonante

07/03/2009 às 12h59

As histórias dos nossos Brasis, os encantos das nossas mulheres.
Índia brasileira nascida no início do século XVII, possivelmente da nação Potiguar, foi catequizada por padres jesuítas, na aldeia de Igapó. 
Casou-se com o chefe da tribo Poti, catequizado como Felipe e junto a ele adotou o sobrenome Camarão – tradução exata do nome Poty. 
Ao lado do marido combateu contra os holandeses em Pernambuco, liderando um grupo de guerreiras. "Armada de espada e broquel, montada a cavalo, foi vista nos conflitos mais arriscados (...) com admiração dos holandeses e aplausos dos nossos", diz Domingos Lorete.
Este grupo de mulheres ficou conhecido como as Heroínas de Tejecupapo, pequena aldeia da Zona da Mata pernambucana, que foi palco de uma das batalhas ocorridas contra a dominação holandesa. 
Conta a História que os holandeses se encontravam sitiados em Olinda, sem ter o que comer e obrigados a avançar para o litoral. 
A primeira aldeia era Tejecupapo, onde viviam no máximo duzentas pessoas. 
Buscando deter os estrangeiros, todos os homens da aldeia fizeram uma barricada na estrada e por serem em número muito inferior, foram totalmente liquidados. Ao chegar na aldeia, eis que os holandeses encontram um grupo organizado de mulheres guerreiras lideradas por Clara Camarão e pasmem, são por elas derrotados. Pela primeira vez, uma mulher, e ainda por cima índia, era considerada heroína no Brasil. 
Por seus feitos corajosos, foi-lhe dado o direito de ser chamada de Dona e de receber o hábito de Cristo, junto com seu marido, concedido pelo rei Felipe IV. 

CLARA, por Veneranda Araújo 
Apaixonada por Clara Camarão, fiz a música É a Mulher quem manda. 
Elino Julião, meu marido, gravou e cantou no Teatro de peito aberto, lindo, lindo... 
E as Potiguaras regravaram e ficou muito bacana. Veja a letra. 

É a mulher quem manda
É a mulher quem pinta e borda
Com a mulher a coisa anda
Com jeitinho ela concorda

A mulher manda e desmanda
E o homem comendo corda
Vejo a mulher mandar
Vejo a mulher provar

Talento e competência
No Brasil a potiguar
Tem o seu lugar por excelência 
Vejo Clara Camarão
Formava pelotão

Com flechas guerreava
Com a coragem infinda
Um batalhão de índias
Clara comandava
Luz divina não perde a razão
Poder que adoça o meu coração
A mulher empreende e procria
Multiplica, povoa a nação
É a força, a beleza, a vida
Consciência, emancipação.