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Paz de Chrystian

A história de um anjo

30/07/2010 às 01h07

Essa bela história nos chegou por email.
É uma daquelas lições de vida que levamos para sempre no coração...
Uma senhora chamada Irena Sendler faleceu há dois anos (no dia 12 de maio de 2008), aos 98 anos de idade.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus sonhos iam além... Sabia quais eram os planos dos nazistas em relação aos judeus (mesmo sendo alemã)!
Irena levava crianças escondidas em caixas sujas de ferramentas e graxa na parte de trás da sua velha caminhoneta.
Também levava ali, atrás do dirigir a vida, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazistas, quando entrava e saía do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar daquele velho viralatas encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter esse trabalho, retirou, sozinha, com Deus, cerca de 2500 crianças salvas dos horrores nazistas.
Por fim os nazistas descobriram e a prenderam. Na tortura partiram-lhe ambas as pernas, pés e a prenderam brutalmente...
Depois de terríveis sofrimentos, sobreviveu. E terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido, reuniu famílias destroçadas, cravou seu nome na história.
A maioria dos pais havia sido levada para as câmaras de gás.
Para aqueles que tinham perdido pais e mães, Irina ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.
Mesmo passados mais de 60 anos desde a guerra, Irina permanece forte e viva na memória de todo um povo.
Quando lembrarem desse ajo, rezem a Deus. Agradeçam por essa luz.
E faça parte da história do mundo, escreva a sua sendo um ser caridoso...

Falso e desonesto

05/07/2010 às 00h07

Fiquei absurdado com a cena, que vimos ontem.
Coisa de 20h, ali ao lado do Natal Shopping, terra do nunca, se vende, a céu aberto, cerca de meia dúzia de “comerciantes”... CDS, DVDs e até bolsas Louis Vuitton.
E dois carros, de duas figuras da cidade, que posam de ricas, bacanas e com bom gosto, comprando, na maior cara de pau, uns DVDs e, acho eu, uns chaveiros Armani, com aqueles “Armanis” imensos, prateados.
Nada a ver.
Quem compra qualquer produto falsificado é conivente com o crime organizado nesse país.
E abraça regimes totalitários e tiranos como a China – onde cidadãos são tratados, até hoje, como escravos.
E trabalham em condições sobre humanas, e nada recebem – a não ser uma dormida qualquer, “um prato de quê”.
Vem de lá, na imensa maioria das vezes, esses produtos: roupas, tênis, sapatos, jóias, relógios.
Segundo uma italiana que faz sucesso em New York, quem compra produtos falsificados é... uma pessoa falsa. E pela metade, desconfortável diante do mundo.
Francesca Mindori vai além: quem compra produtos pirateados tem grandes chances de abraçar a desonestidade na vida.
Acredito.
Se, se apóia o crime, o contrabando, o tráfico... comprando o falso, o ilícito... se apóia também a desonestidade, claro.
E fica na cara. Por exemplo: quem não consegue distinguir uma bolsa Channel de uma mentira?
Como se percebe que não se percebe que, as falsificadas Louis Vuitton têm sua logo costurada – quando a real isso nunca acontece.
Aí ficam umas e tais por aí, desfilando essas bobagens como se a gente – e meio mundo não visse o que é real e o que é ficção.
Como comprar um CD pirata e... de repente não mais tocar?
O falso sai caro.
Caro para nosso bolso e... quem sabe um dia, caro para um filho nosso.
Não comprem, nunca, produtos falsificados.

A tal consideração

02/07/2010 às 09h21

O que é consideração, afinal?
Dormi pensando nisso, acordei pensando assim.
Existem dois caminhos fundamentais para fazer qualquer ser humano feliz: gratidão e consideração.
Os ingratos são, sempre, gente pela metade.
Os que não consideram também.
Portanto, gente assim, é gentinha. E não me cabe, nunca, sequer pensar, saber que existe.
A morte de um amigo me fez pensar sobre.
E pensei.
No que leva uma pessoa, por exemplo, a não ter consideração a outra? 
Por que o ser humano para festas e precisões sabe ligar, chegar junto e... na hora da dor, as costas virar?
Ou, muito cômodo: não tive tempo, não vi, não soube, não pude.
Existe uma frase que adoro cantar: nada do que me disser justificará.
Porque, na infinda maioria das vezes, as tais explicações são piores. Remendadas, mal dadas, sem amor.
E nada sem amor, sinto muito, me cabe também.
No caso da morte, a situação é pior.
Espera-se amparo, abraços, afetos. É que falta o chão e, muitas vezes, até um “reconciliação” cabe, que dirá um abraço, um telegrama, um telefonema que seja.
Considerar é ter o mínimo de respeito, também.
É amparar, é estar perto em todo lugar.
Quem considera repousa feliz. Não se amargura, acredite.
Quem considera conta amigos além dedos e mãos.
Quem considera não se desespera, nunca.
Quem considera encontra ombros, beijo, abraços.
Por isso, sempre, retorne ligações... retribua afetos, responda a e-mails, a mensagens de celulares. E agradeça, apareça.
Isso é, também, educação. Boa educação, aliás.
E, principalmente, não faça ouvido de marcador quando mais se precisa de você – e até quando pouco se precisa também ampare.
Lembre-se que os ingratos e aqueles que não consideram são, também, pessoas infelizes, envergonhadas, pelos cantos, olhos olhos longe dos olhos da gente. Não encaram.
E, sinceramente, não queira ter gente assim ao seu lado.
Nunca.
Os ingratos e os que não consideram são, também, atrasos de vida.

Triste história para contar

28/06/2010 às 21h05

Estava em Mossoró, última sexta, a caminho do enfadado jogo do Brasil contra Portugal.
Eu, Keity e Valentina deixamos o Hotel Thermas a caminho da casa de amigos minutos antes do jogo.
Na BR, ainda, de longe avistei um senhor caído no acostamento, entre matos secos e espinhos vivos... e uma moto, uma jovem com os olhos deitados por sobre o velho homem, uma cena que cortou a alma.
Decidimos parar.
Valentina, que balbuciava alguma canção certamente inaudível, parou.
E um clima tenso correu o carro da gente.
Estirado no chão estava um velho senhor, Francisco das Chagas, de 75 anos de idade.
A jovem, trêmula, pedia socorro.
- Encontrei ele assim, tremendo muito. Vamos ajudar!
Eu, olhos já cheios d’água, perguntei quem era, o que fazia ali, meio dia em ponto, calor insuportável...
- Meu filho, sou um homem de bem. Tô passando mal porque estou com muita fome.
Foi como se, ali, naquele momento, um mundo caísse sobre minha vida.
Perdi o prumo, o chão, abriu-se uma ferida em mim.
Saímos, eu e Keity, com nossa Valentina ainda quietinha como se entendesse a importância daquele momento, em direção a um posto de combustível.
Keity comprou água de coco, sanduíches naturais.
E voltamos para a BR, cruzamento com a Avenida João da Escóssia.
Ligamos, no meio do caminho para a Samu. Que chegou de pronto, sempre gentil e atenciosa. É, alguma coisa nesse Brasil há de funcionar. E a Samu funciona.
Lá mesmo, Seu Francisco comeu. Tão rápido, que em um minuto, não mais, havia devorado os dois sanduíches e dois copos de água de coco.
De repente, melhorou um pouco.
Tomou remédio dado pela Samu, com muita dificuldade ficou sentado.
Tempo o suficiente para receber o amparo de outro jovem. Um rapaz nos viu, parou o carro, uma caminhonete velhinha e ofereceu ajuda.
Na conversa ali, sol a pino, descobrimos outras.
Seu Francisco é viúvo, toma conta de três tias velhinhas e é muito pobre. Mora no meio dos matos perto de Natal.
Vinha do Aracati, Ceará, depois de organizar um roçado.
Mas não recebeu dinheiro por isso.
- O dono de lá desapareceu e eu passei três dias de muita fome. Como ele não chegava, decidi vim imbora. E saí de Aracati faz uma semana. Andei muito a pé, peguei carona em carroça, em caminhão até chegar aqui...
Seu Francisco não tinha um dos pés, o esquerdo. É diabético, se sustentava numa velha muleta remendada com fios e cordas.
Tinha, àquela hora, a total expressão do desespero, do abandono.
“Sem comer há quase uns dias, encontrei um saquinho de farinha perto de um posto, antes de sair de Aracati – explicou para a Samu, com muita dificuldade ainda.
“E fui comendo as hora que deu”.
O mundo cheio de tantos ruins, seguiu seu curso.
Seu Francisco melhorou. Era fome, realmente.
A fome que mata os Brasis – enquanto políticos corruptos correm a vida, num curso na contra mão do bem, do bom, do razoável.
O coloquei no ônibus, de volta para Natal.
Antes disso, os dois jovens, aqueles que pararam ao lado de Seu Francisco, na BR, sol tão quente, rasparam as carteiras e deram, juntos, uns vinte e poucos reais. A cena me comoveu.
Eu também raspei minha carteira. Dei tudo o que tinha – até na hora de ajudar, temos que ser exagerados... ainda umas roupinhas, que sempre as levo no carro... Mas ele vestiu uma camiseta de Stanley Carlos, filho de Socorro Carlos, para onde corri, deixei minhas mulher e filha e corri novamente para seguir meu abraço em Seu Francisco.
Antes, ainda, lhe dei um banho, na rodoviária mesmo. E chorei por dentro, penalizado, arrasado com a história daquele pobre homem brasileiro.
E passei sobre a velha pela carcumida de sol, lavanda Johnson, sempre as levo no carro.
Ele foi.
Talvez nunca mais o veja.
Mas jamais esquecerei daquele velhinho lindo, sofrido, tantas histórias para contar... e uma vida como tantas outras, ao relento do mundo.

Sou feliz e canto

10/06/2010 às 23h35

Tenho pensado, muito, na minha felicidade.
De como Deus sempre foi condizente – cúmplice meu.
E de como continua sendo.
Aliás, hoje, mais do que nunca.
Sou realizado desde sempre, na minha vida que, tinha dezesseis anos de idade quando decidi, lembro-me bem desse dia, iria tomar as rédeas do meu destino.
Estávamos, eu, meus amigos Kaú e Leonardo, na praia do Leme.
Sei lá porque, estava meio triste.
Uma gaúcha. Eu doido por ela, ela nem aí.
Aí, quando ela quis, estava eu apaixonado por Raquel.
Fiquei mal, à época. E pensando com Jonh Costilll, na bifurcação da vida.
Desse história trago, até hoje, todos eles.
Vez por outra um olá.
Mas sempre boas lembranças para recordar.
Ontem nos falamos. Eu e Renata Sodré Mourão, a gaúcha que mora, hoje, com os filhos nos Estados Unidos, onde é consultora de uma empresa imobiliária.
Rê estava tristinha.
Separou-se de um marido que, sempre disse, não era o cara.
Pena ela ter passado 17 anos para entender.
Choramos um tanto, saudosistas que somos.
E falamos sobre aquela tarde, no Leme. Ela atrás de mim, eu dando um fora, os meninos pegando onda, Raquel chegando e flagrando uma discussão.
Aí... rimos.
Deus é, sempre, muito bondoso.
Até quando nos faz chorar, Deus grita pra gente se tocar, repensar, melhorar. Uns entendem seus recados.
Mas temos que fazer a escolha certa. Não em relação a mulher, a homem.
Mas em relação ao mundo.
Para que continue a nos guiar, é preciso entendermos seus conselhos.
Ouvidos sempre abertos, olhos a frente do coração.
Deus está a todo instante, nos mostrando que caminho é melhor percorrer.
Eu, desde moleque, soube que seria especial, no mundo, o lugar que Deus me deu.
Poderia estar na Globo – e certamente estaria, já que talento para interpretar sempre tive.
Seria ator, certamente.
O Tablado e a Casa das Artes de Laranjeiras, de onde saí formado aos 18 anos de idade - meus mestres, o Damião Carlos Wilson, e a russa Dina Moscowith... sempre disseram que seria.
E depois o Colégio de Belas Artes...
Mas conheci Keity num circo, em Mossoró.
Eu acabava de chegar para umas temporadas de férias do Rio.
Aí meu coração olhou estranho pra ela.
Eu Carioca; ela filha de juiz.
Eu de bandana no pescoço, macacão branco, ouvindo Cazuza... ela, cabelo pós moderno – mas caretinha.
Aí começamos a namorar. Isso 18 anos atrás.
E nos apaixonamos, desde então.
Noivado, casamento lindo, Valentina. Temos uma história só nossa. E linda.
Larguei tudo no Rio, um futuro promissor, a vida das artes que, certamente que sim, seguiria.
Mas foi Deus, me mostrando outro horizonte.
E me joguei.
Se me arrependo? Nenhum pouco.
Profissionalmente me realizei. Sou muito bom no que faço (não sou afeitos a modéstias), faço diferente e melhor e faço com... amor. Cada projeto que me envolvo é uma descarga infinda de amor.
E aí vou dando certo no mundo.
Leio muito, corro atrás, fico sem dormir. Pago preços altos. A inveja, por exemplo. Mas não me incomodo. Não ouço, não leio, não frequento, esqueço.
E venço.
Os invejosos, aqueles que falam bobagens a nosso respeito, gostariam de ser a gente. Nos amam. Mas... não conseguem, aí viram inveja.
Não tenho tempo para perder com o menor da vida.
Ralo muuuito, horas na frente do computador, pré-festas, festas (as melhores e mais criativas) pós-festas: é tudo muito, na minha vida.
Com isso... tenho certeza. Olho para trás e vejo que fiz a escolha certa.
Que trilho o caminho do bem.
Que ouço.
Que nada me detém, nenhum mal me pega, ninguém me derruba.
Desde moleque aprendi assim.
A escolher e a seguir.
Desde muito jovem decidi ser feliz na vida.
E assim vou eu – o homem mais feliz e realizado do mundo.

Eu e a morte

18/05/2010 às 01h01

Tenho me visto, vez ou outra, pensando na morte.
Calma! 
Isso nada tem a ver com assuntos depressivos, tristes, fim.
Pelo contrário.
A vida, que tem me levado pessoas tão queridas ultimamente... me apresenta, também, a morte de outra maneira.
E, se é que é possível, da maneira mais lúdica que existe.
Nunca tive medo da morte.
Já tive medo de alma. Tenho medo de avião.
Mas morte não, nunca me assustou.
Talvez por acreditar, desde sempre, que a morte é um recomeço, ou um começo de algo melhor.
E se aqui só plantei o bem – e ra-ra-men-te fiz mal a alguém, naturalmente que serei apresentado à morte de uma forma sublime. Ou terna, acredito.
Fato é que não tenho medo.
Claaaaaaaaaaaaro... adoraria ver minha filha crescer, minhas cachorras alegrando minha casa e passaria o resto das minhas vidas beijando Keity.
Mas se ela vier – e virá um dia, virá na sua hora.
Não adianta questionamentos, sofrimentos.
Talvez saudades, mas tristezas nunca.
Morte, minha gente, não combina com tristeza.
É uma passagem para algo melhor, é vida do outro lado do horizonte.
Medo? Não tenha. Encare-a.
E verás que morrer – ou desencarnar, como prefiro chamar, é, só, um chamado de Deus.
E tudo sabe, nosso Pai.
Sabe quando nascemos, que horas e porque vamos.
Inveja, ódio, guerras, gente má, fome, a AIDS dizimando a África, as focas inocentes mortas a pauladas no Canadá, os políticos corruptos, as crianças abandonadas, os velhos em azilos, a injustiça social – isso sim mete um medo danado.
É ruim, é profunda e verdadeiramente doloroso.
A morte... não!
Sempre que lembrar-se dela... lembre de Deus, seu abraço num recomeço cheio de luz para sua vida. Sua nova vida...

Os negros albinos da África, rezemos por eles

02/05/2010 às 20h40






Existem muitos abismos no ser humano.
Um, hoje, me veio à vida.
Desde que li sobre os órfãos da AIDS de Uganda, a África, sempre tão absurdamente impiedosa com suas gentes, não me sai da cabeça.
Sobre o Albinismo, do latim “ALBUS”, que significa branco, é uma condição genética herdada, caracterizada pela ausência de melanina na pele, nos olhos e no cabelo.
E assim várias raças são afetadas no mundo.
Mas na África... ah, pobre África, a dor é outra.
A mais pura ignorância, da superstição e do preconceito social incrível, tornam os albinos africanos pessoas marginalizadas e prisioneiros dos que acreditam que certas partes do seu corpo trazem boa sorte.
Logo após o nascimento, essas crianças são rejeitadas.
Pais, muitas vezes, jogam-nas no lixo. Simples assim.
E as mães são responsáveis pela condição fragilizada da criança.
Muitas, acreditem, são apedrejadas.
As pobres crianças nascem muitas vezes ao vento da sorte, ao sopro da piedade.
E têm dificuldades no aprendizado, não enxergam o quadro negro. Professores e colegas os discriminam e insultam essas crianças.
Encontrar trabalho é difícil. Adultos, seguem marginalizados, à margem do mundo, no submundo da vida trôpega.
Sofrem problemas de visão e o sol africano inclemente lhes causa sofrimento, úlceras, câncer, queimaduras, morte.
Não é fácil ser albino na maioria dos países africanos, muitos dos quais, particularmente nas zonas rurais, explicam a sua falta de pigmentação por uma maldição que paira sobre a família.
Existem mais albinos na África do que em qualquer outro lugar no mundo, vê que “impiedoso é Deus”, às vezes.
Enquanto na Europa a taxa de albinismo é de um para cada 17.000 pessoas, na África chega a 2.000 ou 5.000, dependendo do país.
Uma em cada 10 pessoas é portadora do gene.
Eles dão “peças cobiçadas” pelas bruxas.
As pernas, os braços, pele, língua e cabelos de albino valem milhares de dólares.
Os curandeiros os utilizam para “curar doenças” e para prometer fortunas. Uma das crenças africanas mais arraigadas garante que se você beber o sangue de um albino vai ganhar muito dinheiro.
E por isso que organizações internacionais abriram acampamentos especiais, onde os negros albinos podem viver com maior segurança.
O governo da Tanzânia proibiu o curandeirismo, para impedir a caça de mais albinos. Mas a questão é... o que acontece no resto da África?
Algumas ONGs estão trabalhando muito para chamar a atenção para estas redes criminosas.
Feliz a nação cujo Deus é o Senhor!
Vamos formar uma corrente de preces, espalhar essa dor, fazer com que Deus mude-se, com todos os anjos, para a África.
Que não precisa de uma Copa do Mundo...
Precisa de ajuda, de abraços, de dinheiro para erguer-se grande.
Deus ampare essa gente.
Que a gente, longinquamente... ama. 

Com informações do Livro "Negros Albinos".

Você sabe o que é o amor?

24/04/2010 às 18h37

Cantídio, Clara e Carla: exemplo

Thiago, Karla Lopes, Rafaela e Aldir Araújo: exemplo

Duas famílias me tocaram o coração, nestes dias de outono.
E fiquei aqui pensando como escrever sobre Cantídio Neto e Carla.
E sobre Aldir Araújo e Karla.
Quatro pessoas que admiro desde a alma...
Que, vê que interessante, canta quando os vê.
Sempre quis, para minha vida, uma “vidinha medíocre” – aqui, licença ao poeta Arthur Rimbaud...
“Meus fogos me comem a alma
Me atropelam a calma
Me levam para o fundo
Mas na verdade o que sempre quis foi ser medíocre
Ter casa, família amada, e um cachorro para passear no final da tarde”.
“Medíocre”, aqui, tem outros sentidos.
Sentidos de paz, sensação de vida mansa, de vida boa, de cumprimento, sei lá, aos desígnos de Deus.
Cantídio Neto, dileto amigo, sempre foi uma fonte de inspiração. Bem casado, homem correto, íntegro e dono de uma família abençoada.
Aldir Araújo também. Tal e qual.
Sempre achei, muitas vezes quieto no meu canto, esses dois, dois exemplos de hombridade.
Acho bonito quem é assim.
E sigo.
Cada um com dois filhos. E cada um dos filhos tão especiais quanto.
Num mundo onde famílias são jogadas de janelas – ou mortas por filhos, pais e mães, gente assim é uma benção, um presente de Deus.
Esses dois casais são.
Ainda pessoas do bem, herança de famílias do bem, de gente honrada, gente sã.
Sempre quis dizer isso aos quatro.
Mas as vezes falta tempo, o vento leva, a gente deixa pra lá.
Culminou com os 15 anos de Maria Clara e Rafaela – um dia atrás do outro, noites e noites atrás, filhas de Cantídio e Carla, de Aldir e Karla.
Fui as missas, as festas. Adorei ter vivido aqueles momentos, ter me emocionado junto, ter chorado junto, ter rido junto!
Aí eu usei as meninas, lindas e afetuosas, para declarar amor a quem, como Cantídio e Aldir levam, no punho firme e no sorriso farto, a verdadeira obra de arte de se criar... uma família.
Viva vocês!

O Brasil da Copa do Mundo, das Olimpíadas e de políticos irresponsáveis

08/04/2010 às 00h22















O Brasil da Copa do Mundo, das Olimpíadas e de políticos irresponsáveis
Todos sabem do meu amor incondicional pelo meu Rio de Janeiro...
Mas ando, sinceramente, revoltado.
Com o que se vê na imprensa, a morte gritando, mais de 150 vidas ceifadas e um Estado que de laico não tem nada, comandado por senhores feudais, surreais.
O Brasil, meus caros, padece.
O povo brasileiro padece.
E o Rio de Janeiro, terra mais linda do mundo, chora.
Quantos absurdos!
Quantos governos passaram e nada fizeram!
Quantas obras em vão, demagogias e cães nas cenas de tantos doutores políticos que... nada fizeram!
Quanta dor!
Até quando vamos nos deparar com cenas absurdas como essas?
Como é que um país, que vira isso que vocês acabaram de ver... se permite querer Copa do Mundo, Olimpíadas?
Que competência o Brasil tem para tal?
Por que não arrumar a casa, dar comida, casa decente, educação para essas gente todas, sobreviventes de esmolas como as “bolsas” do governo federal.
E essas vidas, quantas vidas ainda morrerão em vão?
Quantos políticos ainda colocarão dinheiro em pastas, meias, cuecas?
Rezem belo Rio, pelo Brasil.
Já que votar, vocês não sabem.

As fotos, que cortam nossa alma, são da Uol...

A Páscoa pelo avesso

05/04/2010 às 08h35

Não é mais assim.
Aliás, na imensa maioria das vezes, Deus ficou de lado, a margem, esquecido do mundo.
E certamente por isso também, o mundo já não é lá tão mundo assim.
Sobre a Páscoa, nossa conversa de hoje.
É que andava tão travado, ainda tão ressentido pela partida no meu amigo Rodney, que perdi a vontade de escrever, por uns dias, meus devaneios de Paz de Chrystian.
Voltando à Páscoa, minha decepção.
Sempre é uma Semana muito querida, a Santa de Jesus Cristo por sobre minha vida.
Primeiro porque relaxo do mundo, sumimos do mapa e repensamos um punhado de coisas.
Mas dessa vez foi diferente. Foi mais feliz, graças à Valentina... e mais pensativa, graças ao pobre mundo em que vivemos.
Passamos uma semana inteira no Tibau. Casa linda, cheia, amigos tempo todinho e as duas festas que fizemos, “A Páscoa da Valentina” e a “Paixão de Chrystian”, nasceu com o objetivo maior de arrecadar... SOLIDARIEDADE.
E não pensem que sou um santo, por isso. Nem que faço isso para “aparecer”.
Já apareço mesmo, sem subterfúgios.
E santo nunca quis ser.
Mas se tem uma caminho que não me privo nenhum dia da minha vida, é o tal caminho da solidariedade. E acredite, por isso, principalmente, vou brilhando na vida...
Conseguimos, com a Páscoa da Valentina, arrecadar 227 Ovos de Páscoa, todos doados ontem mesmo, na pobre e abandonada Tibau.
Com a Paixão de Chrystian, um jantar bem ótimo, arrecadamos 132 quilos de feijão, era o “ingresso”.
Uma forma de reunir queridos, festejar a vida e fazer o bem!
Mas o mundo, aquele, segue pior, agonizante.
Numa casa perto da minha, umas sessenta pessoas se “divertiram”.
Churrascos de quinta a sábado, passando pela Sexta Santa... e forrós insuportáveis, moças dançando sobre mesas, bêbados por todo lugar. E muitos palavrões.
Que pensamento Cristão tem pessoas assim?
Na pobre cidade do Tibau, o prefeito foi cassado em plena a Quarta de Trevas. E teria sumido com mais de 150 mil... em plena Semana... Santa!!!
Festas? Muitas! Dane-se Deus!!!
Forrós, bares cheios de bêbados, coisa e tal. Música, bebedeira, fins.
De verdade, Deus deve estar decepcionado.
Porque a Semana Santa tem outros valores, outros senões, nestes mundos de tão pouca fé, de tão poucos inteligentes e gratos aos céus.
O mundo esqueceu, se foi.
E tome porres homéricos, tome falta de preces, de Deus. Acho que sequer rezar, gente assim sabe...
No Domingo de Páscoa, enquanto distribuía Ovos de Chocolate entre Tibau e Grossos, bares abertos, som nas alturas, mulheres sem vestes e crianças ao redor.
Ainda cruzamos com dois motoristas: carros cheios de crianças e... direções alcoolizadas.
O mundo perdeu seu prumo, seu rumo na história.
Por isso, tantos com câncer, tantos deprimidos, tantos pais sem noção dos seus filhos, a droga correndo a vida, tantos fins.
E a natureza revoltada, as pessoas esquecidas e a vida tão cúmplice do ponto final.
E...
Numa casinha de taipa paupérrima, perto de Marismar, dona de um restaurante simplinho que fica na Barra, em Grossos, minutinhos do Tibau, deixamos uns ovos.
E o espanto de uma menina de olhos fundos e esbugalhados, barriga imensa, amarelinha... resume bem tudo isso aqui.
- Linda, um Ovo de Páscoa para você.
- Ovo de quê?!
- De Páscoa, de Chocolate!
- O que é isso?!, gritou a lânguida menina de dez, onze anos de idade.
- Quem mandou?, disse a pobrezinha já com um discreto sorriso nos olhos.
- Foi Papai do Céu!
- Ah, sim! Estava agora mesmo rezando, conversando com ele...
A mãe, presumo eu, chegou perto daquele carro grande, já agradecida. Trazia uma Bíblia nas mãos e nos deus uma prece.
Era o Salmo 23, meu preferido.
“O Senhor é meu Pastor e nada me faltará”...

Meu amigo Rodney

09/03/2010 às 22h18

Rodney e Ilnahra: a vida foi viver noutro lugar

Foi no amor da sua mãe, Lizete Andrade, que nasceu a nossa amizade.
Era uma festa, meus cinco anos como colunista de Mossoró no jornal Tribuna do Norte. Estávamos, eu e Lizete, na cozinha da festa, conversando, rindo de alguma coisa que agora não me recordo.
Rodney chegou. Ainda era noivo de Ilnahra, que o acompanhava, linda, sempre linda.
A festa se chamava Très Chic – certamente a mais “rica” que, àquela altura, Mossoró havia visto.
Exageros como perfumes franceses em toaletes lindamente arrumados; Faisão, Arroz Selvagem (uma novidade, 15 anos atrás), arranjos lindos de rosas vermelhas, muitas, coisa de 5mil botões. Era (mais) louco, à época.
E no meio disso tudo estava um dos grandes amores da minha vida, a Fada Lizete, mãe de Russel, Rodney e Renata.
E Rodney chegou manso, de cara estirou a mão.
E agradeceu o carinho que sentia por sua mãe.
- O que você faz por minha mãe é muito bonito. Disse, segurando o menu da festa com o nome do Maison Buffet, marco nas festas das terras de Santa Luzia.
Sempre curtimos, eu e a minha Fada, um certo ciúme que rolava nessa longínqua relação. Apesar da idade se aproximar, de sermos praticamente vizinhos em Mossoró, nunca fomos tão amigos assim.
Até aquela noite, sobre os trilhos da velha estação de trem erguida pela coragem e ousadia dos Saboya, cem anos atrás.
Àquela noite, senti, ficamos amigos para sempre.
Quando Rodney se casou com Ilnahra, o primeiro filho, a vida que seguia... estávamos sempre juntos de alguma maneira.
Nunca fomos de nos ver sempre. Mas sempre que nos víamos era uma festa.
- Diz cara!
Quando decidimos casar, eu e Keity – eu, principalmente – fui ao Maison Buffet um mar de vezes.
Lizete era, antes de tudo, uma lembrança terna da minha mãe, que morava no Rio de Janeiro; uma confidente junto com Goreti (Modas) Bessa Viana.
E lá, no seu escritório pequenino, conversávamos sobre tudo.
Àquela época, os meses que antecediam meu casamento, em 2001, só falávamos sobre esse “grande” acontecimento.
E muitas vezes dizia, rindo.
- Não, Fada, isso já teve no casamento de Rodney.
- Teve no casamento de Rodney? Quero não!
E isso virou uma piada secreta, dita sempre para aperrear minha Fada.
Quando casei, como todas as grandes festas da minha vida, meu casamento foi no Maison Buffet.
Lizete disse que seria impossível ser madrinha ao lado de outro querido, seu marido Renato Andrade, com uma festa para mil convidados acontecendo na sua casa de recepções.
Foi aí que tive a ideia de chamar Rodney e Ilnahra, como forma de homenagear Renato e Lizete.
E meus amigos foram nossos padrinhos de casamento...
Rodney sempre foi um lutador. Ah, Deus!, e como lutou na vida.
Morou no Rio de Janeiro, correu atrás do sonho. E venceu.
Conversando com Alexandre Capistrano, amigo nosso, a caminho do Aeroporto Augusto Severo quando fomos buscar Renato, Lizete e Russel, na trágica noite do acidente, ele disse... “Mesmo quando fazíamos uma grande farra, Rodney acordava cedo, ia estudar. Não perdia uma aula, um curso”.
Russel chegou a dizer, saudoso do irmão, na noite do penúltimo adeus, quando chegou em casa após o sepultamento.
- Rodney viveu tudo com muita intensidade. Tudo vivido era ao extremo, exagerado. Estudou muito, viveu muito, muita vida”.
Outra característica de Rodney, a tal intensidade.
Que quando cheguei em Natal, dez anos atrás, já era médico afamado, respeitado, aplaudido.
Era um homem de bem, íntegro, que venceu a custa de luta árdua, de trabalho incansável.
Ligou para mim quando foi escolher o nome do maior salto que deu na vida.
- Hospital da Visão, o que acha?
Adorei, disse, á época.
Quando Valentina nasceu, lá estavam os dois, sempre juntos, um só, em minha casa.
E assim vivemos, amigos verdadeiros.
No dia da sua viagem, estava organizando um evento quando meu telefone tocou insistentemente.
Tanto, que me vi sem chão, loguinho.
Resolvi atender Cantídio Neto, amigo do peito, que em voz trêmula pedia para eu checar se aquela notícia, do acidente de Rodney, era verdadeira.
Era.
Uma verdade sem dó, nem piedade, que atravessou a alma de todos nós. E parou tudo, nenhuma festa, vontade de nada.
Corri para casa, peguei Keity e fomos, sem dar uma palavra, para o Hospital do nosso amigo.
Encontrar dois amores nossos, Nevinha Gurgel e Ilnahra de Rodney, naquela situação, nos matou um tanto também.
E o resto da história todo mundo já sabe, sentiu.
Para os seus, que aqui ficaram, nosso amor em forma de abraços sinceros.
Para Rodney, que se foi, a certeza de que seu legado ficou.
Nas pegadas de Renatinho e Heitor, que como seu pai e sua mãe serão, também, homens de bem, d’alma boa, coração sem tempo de acabar.
Está escrito nas estrelas – e uma delas, vê que lindo, se chama... Rodney.

Suiça, a primeira parada

01/03/2010 às 07h07

Tudo congelado, até a água da Fonte da Vida, no Centro de Zurich

Torre da Grossmunster: 870 depois de Cristo

Escola de Zurich: Churchill e a unificação da Europa

Winston Churchill, em 1948: premonição

Jardins alugados durante a primavera: curiosidade

Paisagens em branco e preto

O Parque do Lago Zurich: neve a perder de vista

Neve, neve, neve...

Nunca fui lá tão fã da Suíça
Um país meio gélido, sei lá.
E não me refiro aos dez graus negativos que ali pegamos, nem as fontes da cidade jorrando gelo... Mas sempre achei a Suíça um país de alma pálida.
Mas... andei mudando de perspectivas e visões após uns dias em Zürich.
Linda, tem como maior bandeira a liberdade.
E gentes livres, outros horizontes.
Soube, por exemplo, que na Suíça um questionário é enviado, a cada dois meses pelo governo, acerca dos anseios do seu povo, para a população.
Aí se responde que sim, que não.
Aí os governantes criam leis, alteram outras, por aí vai.
Uma democracia direta, clara, nada escusa.
E passear por Zurich vale a pena. O povo é amabilíssimo. E extremamente educado.
A mulher ao lado da calçada, o homem ao lado da rua – como canta a boa educação desde que me entendo por gente.
A mulher sempre na frente, essas coisas lindas de se ver, de se viver – e que fazem toda a diferença.
Cotovelos sobre mesas? Jamais!
Ah, e como é bom gente educada.
Não se vê lixo no chão, restos de cigarro, coisa e tal. Aff! Como fumam! A tal lei anti-fumo, cantada aqui no Brasil, lá ainda não. Os restaurantes, por exemplo... todo mundo fumando junto...
Em Zürich visitamos a "Grossmünster" (igreja grande), que no comecinho abrigou um convento, construído por volta de 870 DC.
A catedral foi construída (entre 1100 e 1220), as margens do Rio Limmat.
Durante a Reforma Protestante, o reformador Huldrych Zwingli conseguiu retirar da igreja, em 1524, seus altares e outras imagens religiosas – a ideia, à época, era aproximar a vida dos fiéis da vida de Cristo. Portanto, todas as ostentações foram retiradas das igrejas.
Mas foi lá por 1969-1970 que a Grande Igreja ganhou vitrais deslumbrantes de Marc Chagall, um russo de alma linda – francês por opção -, arte viva e vida pulsante, que marcou época na história das artes pelo mundo.
Ver seus vitrais foi uma emoção, foi mágico, emocionante.
Ali ao lado, outro marco. Uma pedra representa um discurso que Winston Churchill proferiu, em 1948, pela unificação da Europa.
Numa época em que nunca se imaginava a tal – e benéfica – União Européia.
Passear pelas ruelas ao seu entorno, seus antigos cabarés e um cafezinho à margem do Rio Limmat é uma delícia.
Outro passeio imperdível é pela estação de trem.
Um prédio fantástico de 1871, assombrosamente gigantesco, com gradios assinados por mestres como Vitranz Gurchè é a maior de toda a Suíça.
Flores, gente correndo, muitos fumando – e restaurantes di-vi-nos ao redor fazem dessa parada um passeio imperdível.
Também pelas ruas, sem prumo, sem rumo na vida, entrando e saindo de paisagens ora antiqüíssimas, ora modernas por demais.
Mas existe um tal de "Altstadt"- Cidade Velha, onde as ruas íngremes de paralelepípedos, as casa antigas e os pubs conferem um ar meio blasé à cidade.
Como a famosa rua Niederdorfstrasse, que parece estar sempre em festa, com seus vários restaurantes, tailandeses, portugueses, franceses, italianos.
Uma curiosidade. Como a cidade tem construções com pouco espaço - pelo menos em se tratando de uma classe não tão abastada assim, muita gente aluga... jardins. Era inverno, na nossa estadia e os jardins estavam cobertos de neve.
Bem... Foi bom mudar de opinião. Linda, essa Zürich. 
Fotos de Chrystian de Saboya

O carnaval, uma cidade fervente, uma Catedral belíssima, Beethoven para finalizar...

01/03/2010 às 07h06

Freiburg: assim chegamos a Alemanha

O Martinstor: Século XIII

Freiburg: cidade linda, secular

A igreja de Freiburg: obra de 1200 a 1350, estilo gótico, 115m de altura

E a Floresta Negra ao fundo: neve por todo lugar

As Lendas de Alice, em plena Freiburg...

Em Freiburg: no carnaval vale mesmo é fantasiar-se

Carnaval de Colonia: maravilha de gente, jovialidade e... aff, como gritam!

A Catedral de Colônia: 600 anos para ficar pronta

Caterdal de Colônia: renda

Um dos altares: Paixão de Cristo

Os vitrais... boa parte a Segunda Guerra Destruiu

Restos MOrtais dos TRês Reis Magos: emoção à flor da pele

Beethoven: por todo lugar, claro!

Münster Cathedral: monumento datado de 1150

O centro de Bonn: tudo lindo, limpo e, surpresa... um amarelão

A última imagem de Bonn: nevasca

O GPS gritando, a neve caindo... e a gente segue a vida

 

Beethoven (e não Bethowen)
Van Gogh (e não Van Gohg)

Foi em Colônia, na Alemanha, que passamos um carnaval maravilhoso.
A cidade é a quarta maior da Alemanha, e a maior do estado de Renânia do Norte-Vestfália – uma das mais felizes também.
Deixávamos para trás, naquele sábado de carnaval, Freiburg, uma cidadezinha cravada ao Sul da Alemanha, onde Keity visitou o Instituto Max Planck de Direito Criminal – o centro de ciências criminais mais importante da Europa.
Aliás, que cidade linda! São, certamente, os mais simpáticos dos alemães. Nada de sisudez, caras trombudas, abusos só os meus.
Um frio maravilhoso, dez graus abaixo de zero, eu acho. Muita neve... e um carnaval animadíssimo. 
O folclore popular nos ensina que Freiburg é a cidade mais quente e ensolarada da Alemanha. É verdade, apesar do frio latente que enmcontramos ali.
Aos pés do rio Dreisam, a cidade é cercada por montanhas. Ali foi travada, em 1644, uma das batalhas mais cruentas da Guerra dos Trinta Anos, vencida pelos marechais franceses Condé e Turenne. 
E o Carnaval dali? Uma animação sem fim. Muitos jovens no meio das ruas. Na sexta-feira de carnaval jantamos num restaurante maravilhoso, bem alemão e... garçons, fregueses, todos dançando horrores.
Bem, falando em carnaval... pegamos o carro e fomos para Köln – assim se escreve Colônia em Alemão...
O carnaval?
Bem, as pessoas se fantasiam e vão para o meio das ruas. E se encontram, se abraçam. É uma maravilha e basta ter dez toes de bom humor para amar.
Na Estação de Trem Central, cercada de teatros, bons hotéis e restaurantes bem ótimos, mil trens por dia chegando e se indo...
A sua volta, uma festa sem fim. Cultura pulsante, desfile de carros alegóricos, uma parada que dura 7 horas maravilhosas...
Mas o mais belo estava por vir.
A Catedral, em alemão Dom, levou 600 anos para ficar pronta. Só a sua história já emociona, dói n’alma.
A construção da igreja gótica começou no século XIII (1248). Tem duas torres imponentes, com mais de 157 metros de altura.
Quando foi concluída em 1880, era o prédio mais alto do mundo. 
A catedral é dedicada a São Pedro e a Maria.
Foi construída no local de um templo romano do século IV – onde é possível, acreditem, ver os restos em pedras monumentais.
Na Segunda Guerra Mundial, a catedral acabou recebendo muitos ataques das Forças Aliadas... mas não caiu; a reconstrução foi completada em 1956.
Alguns vitrais foram destruídos, e estão lá, a mostra, outros, de renomados artistas plásticos do Pós-Modernismo.
No interior da catedral está guardado o relicário de ouro com os restos mortais dos Três Reis Magos Baltazar, Melchior e Gaspar – outra grande emoção, um abraço na minha cidade Natal, saudades do mar, do sol que, àquele dia, fazia mais de dez dias sem aparecer, tamanho o torrão de nuvens nos céus.
Colônia tem 31 museus, entre eles a destacar o Museum Ludwig (Arte moderna e contemporánea), o Wallraf-Richartz-Museum (Arte do medieval até o século XIX) e o Römisch-Germanisches Museum (Artesanato da época romana), com varias construções subterrâneas da época do império romano. Todos são muito bons, super ilustrativos e cheios de curiosidades. Existe ainda o Museu da Cidade, onde conhecemos a história dali... lindo, emocionante!
Na Alemanha ainda fomos para Bonn.
Que foi, num passado não tao distante assim, a capital da República Federal Alemã entre 1949 e 1989.
Atualmente em Bonn permanecem algumas embaixadas e algumas estatais alemãs como a Deutsche Welle, a Deutsche Telekom... aff!, os nomes são sempre complicadíssimos ali. 
Beethoven nasceu em Bonn, em 1770. E a música está ali, presente em tudo. Por exemplo nas paradas de ônibus, onde a música de Bethowen é obrigatória – não é o máximo?
Ou no Bistro... (que diferente do que acreditávamos... é uma palavra alemã, e não francesa. À época da Segunda Guerra, quando a Alemanha invadiu Paris, os soldados alemães se referiam a ‘bistrot’ como todo aquele lugar com refeições rápidas).
O Bistrt Cafe da Deutsche Post, onde almoçamos certo dia olhando para a atriz Elizabeth Hunt. Amei aquele climão, a comida divina, essa aura européia.
Nos despedimos da Alemanha... 
Eu, naturalmente, me achando.
Fotos de Chrystian de Saboya

O amor, a dor do nazismo e uma cidade encantadora

01/03/2010 às 07h04

Love. Simples assim.

Uma cidade de que salta aos olhos

Azuleijos do Século XV: visão que encanta nos velhos prédios da cidade

O Canal Veiringer: vista todos os dias, ao amanhecer

Arquitetura do século XVI, XVII... por todo lugar

A Casa de Anne Frank: silêncio, nó na gargata, nunca mais

Anna Frank, em postais vendidos pela fundação que leva seu nome: perpétua

Plaquinha da Casa Anne Frank: para ela, todas as nossas homenagens

Holanda foi o país onde mais passamos tempo, dessa vez.
Andamos suas quatro maiores cidades (Amsterdam, Denhaag, Ultrech e Rotterdam), percorremos caminhos inversos, fomos felizes... e Amsterdam gamou geral.
Que lugar lindo!
Fundada em 1275, a cidade é de um charme sem igual.
Cercada por canais, com mais de 1.500 pontes, pontezinhas e passadeiras, a cidade tem canais por todo lugar...
Mas antes disso, uma dor infinda.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha invadiu os Países Baixos no dia 10 de maio de 1940 – e esse trauma está por todo lugar.
Os nazistas tomaram o controle do país depois de cinco dias de luta sangrenta, mar de sangue, outras mortes.
Os alemães instalaram um governo civil nazista em Amsterdam, que se encarregava da perseguição aos judeus.
Os neerlandeses que ajudaram e protegeram as vítimas foram também perseguidos. Mais de 100.000 judeus foram deportados a campos de concentração e a cidade esvasiou-se numa imensa dor.
E é sobre essa dor que falamos agora...
Entre os judeus, Anne Frank.
A menina que refugiou-se com a família, pai, mãe e irmã e outro casal com um filho pequeno num sótão de Amsterdam e transformou sua história num livro tristíssimo, tem, hoje, um museu só seu, à Rua Prinsengracht, à margem do Canal Frank, como chamam os moradores dali.
A velha casa onde morou – e onde “mergulhou”, nomeclatura usada para os refugiados de Hitler, transformou-se num museu.
E, para mim, sempre tao à flor da pele, foi um dos lugares mais tristes – e emocionantes – que vi na vida.
A Casa de Anne Frank é sombria, conta histórias muito tristes dos dois anos em que viveu “mergulhada” e relata o terror do nazismo, suas atrocidades, injustiças absurdas.
À nossa frente, na fila de entrada para o museu, uma família de judeus. Pai, mãe e quatro filhas pequenas estavam tão angustiados que fiquei eu imaginando como seria a reação deles, ao entrar na casa que, a pedido de Otto Frank, pai de Anne, não tem um único móvel, apenas instalações, videos, dores, nós n’alma. 
"Minha vida está vazia. Quero que essa casa asim permaneça", declarou Otto Franf, certa feita.
O casal e as filhas, vi mais adiante, haviam desistido de proseguir na visitação. A mãe saiu chorando.
E, ali, eu acabei de me acabar. Pouca gente percebeu – mas a cena chocou.
Somente 5.000 judeus sobreviveram a guerra em Amsterdam.
Um dos sobreviventes dessa hiostória foi Otto Frank, pai de Anne, que morreu à mingua, de tifo, em março de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.
Otto Frank sobreviveu ao campo de extermínio de Auschwitz e faleceu em 1990, após criar a Fundação Anne Frank.
Que dor...

Finesse, arte, sexo e drogas em Amsterdam

01/03/2010 às 07h03

A noite cai em Amsterdam: convite ao belo

Uma cidade inteira construída sobre canais, 1500 pontes... e a visão do paraíso

O estacionamento de bicicletas erguida sobre o Rio Amstel

O Singel 404, melhor café de Amsterdam

A imponente Igreja dos Santos: renda, fé e arte viva

Van Gogh, Flor da Amendoeira: presente para o sobrinho, que havia nascido: meu preferido

O Museu da Tecnologia: Navio sobre o grande mar

O Restaurante Abelhamel: Guia Michelin

O Distrito da Luz Vermelha: impossível não se emocionar

Mas Amsterdam tem lugares que tocam nossa vã alma de outras maneiras. Como o Museu Van Gogh, por exemplo. Diante das suas telas, da sua história, impossível não se emocionar também – mas de outra forma, a melhor da vida.
São tres andares de arte, onde é possível passar um dia inteiro deleitando-se... Ao seu redor existe um belíssimo jardim, com pistas de patinação no gelo, o Museu Nacional - que mesmo em obras encanta pela sua magnitude e por seu acervo deslumbrante... 
Restaurantes maravilhosos, encontramos em Amsterdam – como o Abelhamel, na Binnen Wieringer. Apontado no Guia Michelin como um dos melhores da Holanda, o restaurante tem um menu di-vi-no.
E são tantos, muitos outros.
Existe um, o DAL, também indicado pelo Michelin, que a comida é servida em louças do Século XV – lindo, charmoso e elegantérrimo.
Ou o mais descolado Sluizer, no número 41 da Utrechsestrat.
Os famosos coffees shops, onde maconha é servida pelos garçons, não assombra. É tudo muito discreto, a droga liberada e você, talvez por isso, não veja tanta gente assim, “dando um tapa”.
Não entrei em nenhum deles – careta assumido; nem nunca a fim de tal, tais drogas, outras tantas.
Mas nada que assombre – tudo muito normal.
E lindo!
Fantasias sexuais de lado, dor maior foi o que encontrei no famoso Distrito da Luz Vermelha.
Amsterdam tem orgulho de si própria - e com toda a razão do mundo!
Tem uma atitude totalmente liberal e – palavra mágica nos dias de hoje, to-le-ran-te, aceitando o fato de que as pessoas possam estar no negócio da prostituição, das drogas e da tal pornografia. E daí?
Então, em vez de ter uma atitude onde a punir é a palavra chave, Amsterdam tolera, aceita, não reprime.
Aprecie a honestidade de tudo, pois não irá encontrar em mais lugar nenhum no mundo, tais caminhos.
Existem três Red Light Districts de Amesterdam – mas o “melhor” deles fica na área de Walletjes (entre a Estação Central e Nieuwenmarkt).
Lá, mulheres ficam em vitrines durante todo o dia (não trabalham apenas de três da madrugada às seis da manhã). E se vendem para quem quiser – e pagar programas muitas vezes rapidinho, que oscilam entre dez e cem euros – coisa de trinta, trezentos reais. Naturalmente existem outros valores, Lá é possível pagar 100 euros por uma noitada.
As moças são, geralmente, lindas. Loiras, na imensa maioria das vezes. Aqui e acolá uma morena, uma gordinha. Todas expostas à venda – é incrível de ver. E deprimente, por outros ângulos da vida.
Muitas casas de sexo explícito. Muitas. E muitos sex-shops, muitos! Um sem fim de teatros eróticos, cabarés – e um policiamento ostensivo, soberbo.
O local é diferente de tudo o que já vi, surreal, até.
Mas vale ver – sempre com a tal bandeira da tolerância em punho.
Uma das provas disso é que existem, em Amsterdã, mais de 150 nacionalidades vivas, viventes, espalhando culturas por entre uma cidade pra lá de plural. 
Fotos de Chrystian de Saboya
* Fotos 1 e 2: reprodução
* Foto 3 de Karina Vasconcelos

Apoteose

01/03/2010 às 07h02

Ponte Erasmus: segura de um único lado

As Cubics Houses: inacreditáveis

Euromast: visão deslumbrante

Prédio comercial: descolando-se

O Tulip In: vão de 20 metros

O antigo e o moderno se beijam

O museu Boijmans van Beuningen: antiga fábrica

Fim de tarde no museu Boijmans van Beuningen: como se estivéssemos diante de uma tela

O nazismo nos perseguiu, também, nesses dias de pernas para o ar na Holanda, onde visitamos suas maiores quatro cidades.
De Ultretch a Amsterdam, passando por Bonn e Den Haag...
Totalmente destruída na Segunda Guerra Mundial, Rotterdam deu a volta por cima.
E sua história, do caos à glória, é sua maior beleza, sua bandeira.
A cidade é a mais cosmopolita de todas – edifícios altíssimos, curvas e formas inacreditáveis, imensos vãos, museus maravilhosos e lindas histórias para se viver no contraste com o moderníssimo da vida concreta.
Rotterdam é mundialmente conhecida pela sua arquitetura arrojada, desbravadora, a frente do seu tempo.
Não é nada difícil encontrar estudantes e arquitetos inquietos, perambulando por seus muros, vidas, colunas imensas e... ex-tre-ma criatividade.
Ali, o novo e o antigo se encontram, sem pudor, em perfeita harmonia.
Em Delfshaven, a guerra perdeu-se no oco da luta. E nada foi tão destruído assim – diferente do resto da cidade, que afundou em bombas e sangue.
Lá, encontramos a arquitetura típica holandesa, da época medieval.
A origem desse lugar é histórica... data do Século X. E estar num lugar assim, tantos séculos atrás, já é o máximo!
A arquitetura de Delfshavena é a mesma do século XVII, pequeninos resquícios do Século X, com ruas em ladrilhos, uma antiga fábrica, igreja com relógio de sol e um moinho – é tudo tão lindo, tão especial, com um ar de melancolia...
Rotterdam recebeu diversas influências de diferentes movimentos do começo do século.
O movimento De Stijl (O estilo) valorizava as cores, linhas e simplicidade, com destaque para o pintor Mondrian, louco e apaixonante.
Em Rotterdam, o movimento trouxe alegria e cores para prédios e esculturas que podem ser vistas até hoje.
Outro estilo que marcou a cidade foi De Nieuwe Zakelijkheid, característico dos Anos 1930, como a Erasmus House, projetada pelo famoso arquiteto Willen Dudok. 
O movimento modernista Nieuwe Bouwen, também dos Anos 1930, deu à incipiente Rotterdam do início do século a inspiração moderna que é sua marca.
A cidade não somente respira o novo, o moderno – mas o vive!
Quem visita Rotterdam, se encanta com ponte Erasmus, por exemplo, e pelas linhas inovadoras dos prédios no seu entorno.
A ponte Erasmus, de Ben van Berkel, é o ícone da cidade - deslumbrante, inacreditável, erguida em 1996, toda suportada num único lado.
Aliás, o maior pensador da Holanda, Erasmus tem seu nome estampado em todo lugar.
Humanista do Século XV, foi uma das figuras marcantes do Renascimento. 
Conservou, não obstante, a característica medieval de escrever em Latim – que abuso! - e não em sua própria língua, o que o fez brilhar ao lado de grandes como Dante e Petrarca, Chaucer, Camões, Lutero – de quem rompeu definitivamente por não concordar com suas ideias.
Erasmo criticava igualmente a pretensão dos protestantes e a arrogância dos católicos. Acreditava no espiritualismo cristão, no espírito tolerante e no amor ao conhecimento.
Não deixe de visitar o teatro Luxor, um referencial.
Outro lugar que encanta são as Cubic Houses, erguidas em 1984. Assinadas por Piet Biom, trazem 39 residências em forma de cubos ainda hoje habitadas – apenas uma é aberta para visitas. As Casas Cubistas de Rotterdam foram inspiradas na fase cubista de... Picasso. O máximo!
A biblioteca de Rotterdam, que também chama a atenção pelas suas formas: oito andares decrescentes em formato de pirâmide e com tubulações amarelas em volta do prédio é outro lugar que “choca” pelo abuso dos traços.
Para ressaltar a importância que Rotterdam presta a sua arquitetura, o Instituto de Arquitetura de Rotterdam oferece excelentes exposições para interessados no assunto.
E como nascemos virados para os céus... chegamos em Rotterdam no dia do Vernissage. 
E fomos. O local tem uma livraria de arquitetura que é o sonho de consumo de qualquer mortal.
E a exposição... mostrava as possibilidades de reformas e ou construções de prédios da cidade. Com direito a votos e maquetes deslumbrantes.
A lista de restaurantes é maravilhosa. Para todo gosto, de todo lugar.
Tudo muito lindo, muito chique – e, claro, moderníssimo.
Mas se fosse dar uma dica para você... não deixe de visitar o Museu Boijmans van Belningen. O local tem obras de Matisse, meu preferido... de Picasso... de Rik Wouters, uma pintora do início do Século passado que não conhecia e... gamei.
Depois de três andares de arte, um pouco mais do que meio dia dá para ver tudo... tomar um cafezinho em frente ao jardim (belíssimo) do museu... fontes, instalações... é um programa do outro mundo.

Paris de Chrystian

01/03/2010 às 07h00



Uma Paris diferente... outros ângulos, outros ritmos.
Chrystian de Saboya resume em fotos as belezas da Cidade Luz. São seis lugares, vistos com... outros olhares, os olhares e a sensibilidade de Chrystian.
Em GAMEI. Corre pra ver!
Fotos de Chrystian de Saboya

RUY PEREIRA DOS SANTOS, por Marília Bulhões

25/02/2010 às 09h28

DeSaboya.com publica, aqui, um belíssimo texto assinado pela artista plástica e iluminado ser... Marília Bulhões.
Sobre respeito, admiração, um anjo que se foi a caminho dos céus.
Tão belo quanto sua dona, o texto que homenageia Dr. Ruy merece ser lido, cantado, espalhado como flores aos vento norte.

"Conheci Dr. Ruy no ano passado, depois que retomei as minhas atividades profissionais no Gabinete Civil – no Escritório de Representação do nosso Governo, em Brasília-DF, após quase seis anos no exterior.
Ele era presença marcante aqui no nosso Escritório, onde testemunhamos a sua luta incansável em busca de benefícios para a Secretaria de Educação, para o Rio Grande do Norte.
Um obstinado pelo trabalho e pessoa sempre muito atenta, quando soube que o meu esposo era funcionário de carreira do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), veio conversar comigo e me pediu pra ajudá-lo. Ele precisava de uma assinatura fundamental para a liberação de verbas significativas para a Educação, em processo que se encontrava sob análise na Agência Brasileira de Cooperação – ABC, naquele Ministério. Explicou-me da importância do projeto, detalhou todo o conteúdo com tamanha convicção e seriedade que, de imediato, me convenceu.
O Ministro-chefe da ABC, que definiria o rumo daquele assunto, é colega do meu esposo, um diplomata como ele, pessoa próxima. Assim, naquele mesmo dia consegui uma audiência e o meu esposo, gentilmente, deixou os seus assuntos para me acompanhar.
Contagiada pelo entusiasmo e munida das explicações prévias de Dr. Ruy sobre o projeto, usei de todos os argumentos em prol da aprovação do mesmo. Por fim, o Ministro assinou a autorização. De lá mesmo, liguei para Dr. Ruy contando o resultado. Não preciso nem dizer do seu contentamento.
Soube depois, pelo próprio Secretário Vagner Araújo, que ele foi ao Gabinete Civil contar o feito, no intuito de registrar, com a retidão que lhe era peculiar, o meu esforço. Gesto que poucos têm.
Foi assim que Dr. Ruy e eu nos aproximamos. Depois desse projeto, vieram outros assuntos e tudo com ele fluía muito facilmente, pois era muito preparado, organizado e bem assessorado por sua equipe.
Passamos, também, a conversar mais, em suas passagens pela Capital, sobre assuntos diplomáticos e protocolares, pois ele gostava de saber das minhas experiências no exterior, como funcionam as nossas Embaixadas, Consulados...
Estive com Dr. Ruy em Natal em janeiro passado. Ele estava muito abalado com a morte do seu pai. Mesmo em meio à sua dor e tristeza, recebeu-me em seu Gabinete com muita distinção, para tratarmos de assuntos meus naquela Secretaria. Conversamos informalmente e ele, muito emocionado, me contou, também, sobre a sua mãe, a sua família, da sua vida cheia de lutas e, por fim, de como fora avisado da morte do pai. O ocorrido estava bem recente.
Antes de sair da sua sala, ele me abraçou e disse para assessores próximos: "Marília é nossa Embaixatriz!" E acrescentou: “Aproveite bem as suas férias, porque depois do carnaval teremos muito trabalho nos corredores palacianos”. Este foi o nosso último encontro.
Passado o carnaval, estou eu pensando o quanto tudo é efêmero. A sua morte me deixou muito triste".


Marília Bulhões
Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010

O bem, sobre todas as coisas

10/02/2010 às 08h11

Uma entrevista, de Ana Sharp e Oscar Quiroga, dois dos mais respeitados místicos dos Brasis, me fez pensar um bocado sobre um assunto recorrente na minha vida – e que outras vezes conversamos aqui.
Eles diziam, em alto e bom tom, que o bem atrai o bem.
É inevitável.
E disseram mais. Que essas catástrofes mundo a fora, tem como “grande culpado” o homem, o cinema, até... os maus pensamentos.
Por exemplo: essa mania de os filmes nos Estados Unidos “destruírem” o mundo.
Fica, em volta disso tudo, uma celeuma. Uma celeuma de pavor, de dor, de destruição. E isso cresce, na medida em que os filmes dessa “natureza” se espalham, sem pudor, pelo planeta.
Aí, dentro da gente, nasce uma sensação ruim, estranha, rude, de fim, sei lá.
E a energia se materializa, inspira, mata.
No final do ano passado, quis muito assistir a 2012.
O filme, que narra o fim da humanidade a partir de uma previsão dos Maias, povo extremamente inteligente, cravado nos primórdios da humanidade, é uma facada n’alma.
Mas não fui. Nem irei. Nunca.
Gostaria de assistir ao filme pelos efeitos especiais, somente. E para ver essa união dos Maias, nascidos entre Guatemala e México, lá pelo Século IV antes de Cristo, por entre as florestas tropicais e donos de uma assombrosa inteligência.
Mas não fui. E todos os assuntos que rondavam o filme, fazia questão de me ausentar.
Acho que também cansei dessa incontrolável mania dos EUA em destruir a vida, bombas, guerras, arranha-céus no chão.
Fato é que não fui.
E com isso recorro a um dos pilares da minha vida: só olhe para o bem, o bom, o belo da vida.
Dessa lista, naturalmente, exclui-se a solidariedade, a compaixão, o abraçar o mundo carente, a vida que grita por socorro. Para esses caminhos, olhemos sempre!
Mas acredite nisso como um dogma: o ruim, atrai o ruim.
É por isso, por exemplo, que quem se droga anda com quem... se droga.
Que quem fofoca, sempre tem fofoqueiros a seu redor.
Que quem mente, sempre tem a mentira como companhia.
E quem é do bem, sempre atrai boas novas.
Que quem é feliz, só atrai felicidade...
Enfim, diga com quem andas...
Por isso a gente tem que banir essas gentes, fraquinhas, da nossa vida. Gente assim não serve para absolutamente nada. Uma prece ao longe, adeus.
Pensar negativamente atrai, acreditem, o negativo.
Por isso... só olhem para o que faz bem ao espírito, principalmente. Ele sim, sofre com nossas escolhas – boas ou não.
E só leiam aquilo que faz bem a mente... que faz você crescer.
Jogue no lixo, nas profundezas do mar, os sentimentos meio assim. Caminhos como a tal inveja, jamais sinta... ah, como faz mal.
E seja grato com quem lhe estendeu mãos um dia, seja fiel aos seus amigos. Não fique por trás denegrindo pessoas, não minta, olhe nos olhos da vida... quem conversa conosco sem olhar nos olhos, não serve para ser amigo. Nem vento por sobre nossas vidas.
Os Maias, claro, tinham razão.
Viva o bem, sempre!

Um passeio inesquecível...

06/02/2010 às 16h31

A Igreja onde Edna quer se casar: passa lá preu mostra pro sinhô!

Lindas residências se vê aqui e acolá

Casas dos Anos 1960: ainda em pé

Casarões de Santo Antônio: relíquia

Serrinha se mostra, linda, pra gente ver

Crésio, as flores que levamos para Crésio dar a Edna e Edna: histórias da vida

Por fim o velho cajueiro: Deus está em todo lugar. Mais lá.

Conheci Edna faz uns poucos anos.
Anjo da guarda da casa da amiga Vânia Leite, essa moça brejeira de pele morena, cabelos de caracóis e sorriso lindo me cativou com sua felicidade.
Aparentemente nenhum motivo para tal.
Perdeu a mãe muito menina, foi criada pela madrasta com mais seis irmãos, viu a vida passar entre roçados, trabalho árduo, sol a pino.
Aí, sei lá como, chegou à casa de Vânia. Os bons, acreditem, atraem boas pessoas.
E de lá veio para os nossos braços.
Edna passou o verão conosco. Tomava conta da nossa casa, ninava Valentina quando Gerlane, babá querida, se ocupava com outras cenas.
Arruma uma casa como ninguém – e tem a melhor de todas as risadas da vida!
Edna foi nos conquistando dia a dia. E rapidinho.
Tem histórias ótimas do seu interior, um lugar chamado Góis, cravado por entre pedras e matos de Serrinha, pobre cidade potiguar, vizinha de Santo Antônio do Salto da Onça, para onde fomos hoje, passar o dia e deixar Edna, que entrou de férias.
Eu, Vânia, Valentina com a babá Gerlane, nosso Hugo e... Edna.
Fomos almoçar lá.
Foi uma semana de expectativa.
Edna mandando os meninos, quatro irmãos menores tomarem banho, o pai caçar frutas, a madrasta, que é uma simpatia e a quem Edna rende todas as homenagens, fazer um almoço para nos receber.
Quase noiva, Edna falava muito em Crésio, seu namorado há cinco anos.
- Se ele não me pedir em casamento, acabo tudo!
Dizia, sem cerimônias, no verão.
- Quero casar, seu Chrystian! Quero casar!
De cara disse que faria a festa! E farei! Ela se empolgava com meus devaneios sobre o sim da sua vida.
Hoje amanhecemos o dia cantando, para variar, e fomos.
Um passeio maravilhoso, cheio de felicidade e descobertas...
Nunca havia estado ali. 
Monte Alegre, Brejinho, Santo Antônio do Salto da Onça, Serrinha. A paisagem, com a chuva caindo ainda timidamente, é encantadora.
Muitos casarios antigos, fazendas como se recortadas do passado fossem, um sem fim de pedras imensas correndo ao redor da estrada.
E muita pobreza. Crianças pequeninas esperando esmolas de quem passa em carrões, outras tantas estendendo as mãos a procura de um auxílio por taparem os buracos da estrada (que são muitos) com as mãos...
E tanta dor nos seguiu.
Absurdado, parei em cada criança dessa, chorei choro de dentro d'alma. 
Tinha bolo, sucos, umas moedas e tantos no carro. Cada história vi.
Mas, enfim, chegamos a Santo Antônio.
Uma cidade lindinha. Bem interiorana, cheia de belas paisagens, casas que resistem a vida e ao mal gosto de prédios moderninhos...
Foi um abraço, uma volta ao tempo.
De lá para Serrinha.
E de Serrinha para o Góis, terra de Edna.
Ao chegamos um mar de crianças nos seguiu. O carro parecia ser a maior novidade dos últimos anos. E era. Soube, depois, que carro ali fazia tempo que não aparecia.
Paramos para conhecer Crésio, que se derreteu ao ver a noiva saudosa e difícil.
- Vai pra lá, Crésio!
Ele, meninão, ria.
Conheci seu pai, sua madrasta fofa, os quatro irmãos. Um deles, de doze anos, corpo franzino, trabalha desde os seis, numa fazenda ali perto. E monta um cavalo como gente grande, um danado, uma estrela em meio ao sertão, de nome Quininnim.
Comemos muito, sobre uma mesa posta ali, ao vento, sob um velho cajueiro, no quintal da família. Pratos azuis, Colorex, toalha puída, tudo feito com muito amor.
E passamos uma tarde maravilhosa!
Crésio chegava perto, ela pedia para sair!
- Ele só vai bulir nimim quando casar!
Antes disso...
- Sai, Crésio!
Ele saía. Rindo.
Calor? Não vimos passar.
Rimos muito, descobri outro mundo, sempre tão íntimo meu, dessas andanças que divago na vida.
A casa de Edna, amarelinha, tem luz faz um tantinho de tempo.
- Antes era na luz de lampião, um escuro de dar dó.
Ainda não tem água, sem tantos agrados assim.
Mas é, certamente, uma das mais belas casas que já vi na vida. Tudo muito pobre, muito limpo, mãos lavadas em cuias, torneiras que não saem nada, TV quase inaudível, com o péssimo sinal, um roçado ali perto, trabalho árduo, outras muitas histórias de opobreza, por entre vizinhos tão ou mais carentes.
As plantas, acreditem lindas, só vêem água quando Deus manda...
Galinhas passam, visitas chegam para ver o movimento, o vento sopra quente, aquecendo olhos e corações.
Foi, sem favores, um presente para mim, os meus amigos, minha filha... ver tudo aquilo.
E no meio do nada, do pouco – uma gente feliz, disposta pro mundo, rindo pra vida.
A tarde caiu e voltamos para Natal.
Tão felizes...
Edna ainda comentou, ao se despedir.
- Muito obrigado por tudo. Foi um grande prazer ter vocês aqui, na minha casa. Fiquei muito feliz. Eu e minha família agradecemos muito, viu?
E encheu olhinhos d’água.
Mal sabe ela que... nós ganhamos um presente inesquecível, nesta sexta de comecinho de ano...