Eu não existo sem você
05/02/2010 às 19h49
Fomos, eu e Keity essa semana, renovarmos nossa carteira de motorista.
Juntos, como fazemos tudo há quase 20 anos.
Sim, sim... e lá se vão 20 anos.
Fiquei pensando, nós dois ali.
Ela sempre dona da situação, eu ali atrás, vendo o mundo ao seu redor.
Sou do tipo que não liga para carteiras. E se tem documento, se o cartão ta ali dentro, se falta algum documento... nunca me importei, acredita?
Então não sabia que minha carteira de motorista estava se vencendo...
- E se vence?!
Ela não responde, muitas vezes.
No DETRAN, em meio ao caos, percebi mais uma vez que não sou nada sem Keity. De verdade. Ou, na melhor das hipóteses, sou muito pouco.
Precisamos renovar também nossa carteira de motorista internacional, já que estamos voando esses dias...
- E a mesma daqui não serve?!
Aí passamos uma manhã no DETRAN, de mãos dadas, correndo de um lado para outro, com amigos nos orientando o que fazer.
Eu, nem aí, vi um cachorro abandonado e fui até o carro pegar ração – sempre tenho um pote de ração para meus bichos sem donos...
E ajudei um velhinho a entrar e sair do toalete...
E abri e fechei portas para um cadeirante que era obrigado a subir, descer degraus.
Foi um dia atípico, um calor insuportável, umas cenas nunca vistas.
E se você me perguntar sobre o caminho das pedras... não sei, não lembro, não nada.
Sim: fizemos uma prova. Ela, claro, tirou dez. O que, no seu caso, não é nenhuma novidade. Ela sempre tira dez...
Eu, morrendo de medo de ser reprovado, tirei 9.6 – o que, no meu caso, era uma grande novidade. Notas assim só em português, literatura e história, ao longo da vida.
E batemos fotos...
Se o dia foi uma maravilha, então.
Certamente que sim.
Me descobri mais apaixonado, mais feliz. E pela primeira vez me dei conta de que caminhamos para 20 anos de amor eterno...
Um amor que venceu barreiras, construiu sonhos – e, vê que bárbaro, até tirou carteira de motorista juntos.
Com que roupa eu vou, Tia Ivanilda?
05/02/2010 às 08h35
Eu, Tia Ivanilda e a roupa que virou uma prece
Foi na dor da saudade, que me apeguei, muitas vezes, por sobre o sol do Tibau.
Foi na morte, até. No fim, no que Deus, tantas vezes egoísta, levou...
Perdi três pessoas muito queridas nos últimos tempos...
A primeira foi Tia Ivanilda...
Lembro que, quando ela veraneou pertinho da nossa Casa das Ondas, muitas vezes a levava no meu carro para passearmos. Muitas. E aí falávamos sobre tudo. Sexo, boa vida, profissão...
Ivanilda Linhares sempre foi uma mulher a frente do seu tempo. Trabalhou no mundo, quando as mulheres honravam fogões e tanques.
Era mulher do rádio, uma voz liiiiiiiiiiiiiinda, imponente.
E virou minha “tia” logo que cheguei do Rio de Janeiro e nossas vidas se cruzaram.
Fizemos, juntos, parte do Movimento de Cristandade de Mossoró. E tantas vezes organizamos, juntos, eventos para as boas causas da igreja.
Certa feita fiz Tia Ivanilda vestir uma saia curtíssima, colocar uma peruca loura – fiz dela uma Hebe Camargo louca. E ela topava.
- Que pernas lindas, Tia Ivanilda!
- Cala a boca, menino!
Tia Ivanilda esteve presente no meu noivado, no meu casamento, em todas as festas que fiz – e foram muitas – em Mossoró.
Um grande amor que... três amos atrás, durante o verão, foi recebido na minha casa, para a “primeira” festa que ali fazia... era um chá, o Chá da Ivanilda. Presentes estavam suas filhas e Nizinha Lima, outro “velho amor”, com sua prole.
E Tia Ivanilda não comeu nada. Pode?
É que realmente ela não comia nada. Adorava uma bananada, um Nescau e tchau.
Lembrei que, nos seus 70 anos, fizemos um jantar e eu, sempre gaiato, servi... papa de Cremogema, de Aveia. Foi um riso só... os convidados comendo papa...
Mas... depois de um caningar muito, Tia Ivanilda comeu uns pães, uns docinhos... e tomou Nescau.
Foi nossa “última festa”, apesar de ter passado aquele verão inteiro levando-a de um lado para o outro...
Falava sobre meu casamento, pedia conselhos, ouvia suas histórias... Adorava aquele encontro ao cair da tarde, para comprarmos pão. Certo dia passamos mais de uma hora e meia andando de carro pelo Tibau...
Uma roupa, que adoro, usei pela primeira vez, no Chá da Ivanilda. Até foto batemos juntos.
E desde a sua partida, não usei mais aquela roupa. Guardei num cantinho do meu coração... e toda vez que olhava, olhos cheios d’água, vida saudosa estava, coração num aperto uníssono.
Até que nesse verão resolvi usar.
E usei três vezes. Uma delas para comprar pão.
E de uma hora para outra senti algo “estranho” no carro. Um cheiro diferente...
Era o cheiro da minha velhinha amada. Ela estava ali.
Passei um tempo grande andando de carro... sozinho... e conversando como se ela estivesse ali. E rezei muito, ela estava feliz.
Usei a roupa mais duas vezes.
E por duas vezes rezei por ela, para ela...
Não sei por que escrevi tudo isso.
Talvez uma declaração de amor; quem sabe uma homenagem...
Tia Ivanilda sabe quanta falta faz na minha vida...
Sei que muitas vezes ele visitou Valentina, abençoou.
Numa das vezes foi no penúltimo dia do meu verão...
Estava com a roupa de rosas azuis e vermelhas, com Valentina no colo. Íamos dar uma voltinha quando aquele cheiro me invadiu a alma novamente.
E Valentina sorria, muito, dobrando o riso para o que estava atrás de mim... E assim ficou mais de um minuto, rindo “pro nada”.
Tive certeza que era minha Tia Ivanilda novamente, a abençoar minha filha, minha vida, meu coração.
Abraço em Deus
04/02/2010 às 10h35
De férias do mundo, não deixei de sofrer.
Aliás, nas férias a gente sofre mais. Porque o ócio nos permite esse caminho. E quando a alegria se transforma em demasia, a gente se pergunta: e o outro? Por que, por exemplo, o outro não come tão bem quanto a gente, não festeja, como a gente, a boa vida?
Carmas?
Deus?
An?
E nós soubemos, já à noite, do caos que se instalou no Haiti... dormir pra quê naquele doze de janeiro?
Como?
As notícias eram truncadas – mas o suficientes para arrastarmos nosso coração numa dor sem volta. Ah, como rezamos, àquela noite!
Um país já tão castigado por tiranos latino americanos... tantos irresponsáveis no poder, por tantos anos... e o país chamado de “Pérola do Pacífico” se transformou num inferno.
Em 1957 François Duvalier, o Papa-Doc, assumiu a presidência e implantou um regime de terror que durou até sua morte, em 1971.
O terrorismo político continuou sob o comando de Jean Claude Duvalier, o Baby-Doc, filho de François Duvalier.
Já na década de 1980, com a crise econômica e o empobrecimento da população, o regime de terror perdeu força, até que, em 1985, Baby-Doc fugiu para um exílio na França.
O país, então, estava morto, assassinado pela tirania irresponsável que corre as pobres Américas.
Entre 1985 e 1990, o Haiti procurou estabilizar sua situação política, mas uma sucessão de golpes militares impediu qualquer organização.
Pobre Haiti.
Pela manhã do dia 13, dona Zilda Arns virou outra dor em nossas vidas... ah, Deus, por que levá-la?
Mais de 200 mil mortos, diziam, já, àquela manhã, jornalistas da CNN... Estavam certos, os céticos.
Eu, sem abrir sequer o computador desde o dia 27 de dezembro, dia 31 de janeiro abri, rapidinho.
E encontrei um e-mail lindo enviado pela flor de gente Marília Bulhões, de Brasília.
Após a dor de oito dias preso sob o peso de mil escombros, sem luz, sem água, sem nada o que levar à boca, apenas Deus, eis que a vida grita. E essa cena, pelo resto de nossas vidas, vai gritar n’alma nossa.
Oito dias sem ver a sua mãe e sua família.
Olhos fundos pela desidratação, um sem fim de sofridão.
Não há lágrimas porque as crianças sempre guardam a esperança na vida, no colo, no abraço.
Não há dor porque a vida é ainda uma brincadeira para eles, diz o e-mail.
Por isso, quando se faz a luz, quando acaba o pesadelo.... sempre há um impressionante e caloroso sorriso.
De braços abertos para a vida e no aguardo do acalento da mãe, Kiki voltou para seguir a vida.
Uma pobre criança do Haiti, que, como todas as outras... come bolachas de barro. E sofre, e morre, e não.
É com o abraço dessa criança que eu abraço vocês... e canto que PAZ DE CHRYSTIAN voltou das férias.
Pelo menos PAZ...
Para você, para o mundo...
Nós descobrimos que Kiki, hoje, passa bem, Deixou o hospital de campanha ontem, três quilos mais gordinho...
Uma OnG norte-americana, a LIVE, sensibilizada, deu abrigo a ele, seus seis irmãos... e a pobre mãe, abandonada a sorte pelo marido dois anos atrás...
Hoje Kiki passa bem. Tem casa, comida, o aconchego e, num abraço lindo, os olhos de Deus.
Um conto de Natal
24/12/2009 às 16h51
Coisa de 10 anos atrás, na minha chegada aqui no Natal, tinha um programa na TV Ponta Negra. Aliás, o melhor programa que a TV Ponta Negra já teve. Lindo, classudo, irreverente, feliz – e com um apresentador nada modesto....
Acabou porque cansei. Acabou porque cansei – e como enjôo de tudo o que não me agrada tanto assim... liguei para Priscila de Sousa e comuniquei que não mais queria trabalhar ali.
De onde guardo ternas recordações, amizades que duram até hoje... como Lídia Pacce, Ledson França e Januário Costa – de Saboya.
Fui como convidado da hoje prefeita Micarla de Sousa.
A história aconteceu assim...
Recebia muitas flores, muitas cartas, até pedidos de casamento... e numa delas uma menina, Gabriela, pedia de presente um bolo de 15 anos, Coca-Cola, umas coxinhas.
Eu achei a carta linda e lembro-me que passei dias chorando, aos soluços, como adoro, lendo e relendo a carta.
Aí resolvi fazer uma festa.
O meu Versailles entrou com o espaço e as delicinhas – mal sabiam que esse gesto se repitiria tantas vezes... Como o Versailles me ajuda nas minhas “caridades”!
Herta Guilherme foi a cerimonialista, Fátima Melo a fotógrafa, Juraci Lira fez o vestido, consegui uma viagem para Beto Carrero com a Harabello.
E a festa aconteceu. Lindamente.
Na semana seguinte conversei com um casal de empresários da cidade, que conseguiram uma bolsa no CEI (acho até hoje que eles pagaram os estudos de Gabriela nos dois anos em que ela lá estudou) e a menina, dois anos depois, passou no Vestibular para Medicina. Primeira colocada, vê que glória.
Gabriela, então, foi fazer Residência no meu Rio de Janeiro, “presente” de Francisca Mourão de Brito Cunha, uma velha amiga da família... pessoa do meu grande bem querer, que a abrigou por longos anos.
E, graças a Francisca, Gabi estudou para um concurso da Petrobras e... passou. Mais uma vez em primeiro lugar.
Ontem ela me ligou. E para seus braço eu fui. Ela, Dona Maria José e Seu Raimundo, seus pais, me aguardavam ansiosos para uma despedida.
Choramos juntos, choramos muito, revemos fotos. Eu ganhei uma camisa da Richard’s... uma chinela linda.
Gabriela é, desde o nosso primeiro encontro, uma das pessoas mais iluminadas que conheço. É determinada, apesar de tantos tombos que a vida lhe deu. É vitoriosa, minha gente.
Saiu da Comunidade do Japão para abraçar o mundo, para ser feliz. Há dois anos sustenta pai, mãe, as três irmãs...
E foi dessa família abençoada que fui, coração partido, me despedir.
Os seis voaram hoje para o meu Rio de Janeiro.
Vão morar na Bambina, em Botafogo, lugar, vê que lindo, dei o meu primeiro beijo na boca, na minha primeira namorada, Júlia. E onde estudei assim que cheguei no Rio, no Colégio Le Grand Rezende.
Ah, Deus, como sou feliz!
Como Gabriela e sua família me fazem felizes!
Como Deus é bom para mim!
Minha vida já valeu!
Gabi já venceu.
A festa de cada um
24/12/2009 às 16h31
Estávamos, eu, Keity e Valentina, preparando a última festinha aqui de casa.
Tudo muito tranquilo, espumante gelando, os garçons chegando...
Aí... fui passando pela vida, adorando ver o mundo, a caminho de alguma coisa no Midway.
Na Alexandrino de Alencar, um jovem casal festejava o primeiro ano do filho.
Como a casa é pequenina, todos foram felizes ali mesmo, na calçada, entre carros que desciam o Tirol a mais de cem por hora.
A mesa do bolo na garagem, o nome da criança, Matheus, preso ao gradio e... tudo lindo. Lindo de verdade, de alma.
Adorei ter vivido aquele evento, ter visto aquilo. Porque é na simplicidade do mundo, que os corações se encontram...
Essa família certamente não sabe, mas somos fãs dela. Pai e mãe sempre zelosos, gente que luta de verdade na vida – sempre os vemos, ao passarmos ali.
Mas adiante, jovens festejavam a vida numa... funerária.
A funerária é de dois senhores... como não podiam fechar o negócio, o jeito foi levar a turma para a festa. Fúnebre, jamais! Todos felizes, Coca-Cola, um bolo de chocolate imenso e... os caixões ao fundo, como se não importassem.
Ah, Avenida Alexandrino maravilhosa! E lúdica!
Ainda vi, ali pertinho, um grupo de evangélicos gritando. Aff!, como gritam! Estavam noutra festa, de uma igreja, pastores de calças de pregas e adoradores do Cristo brindavam com suco (claro) e falavam muito, riam muito e vez por outra ouvia-se Aleluia!!!
Cheguei ao Midway extasiado com a vida alheia. Como é bom a diferença do mundo, a diferença dos outros!
Fiquei feliz com o olhar que Deus me deu.
Cheguei ao Midway agradecido, feliz.
Como os pais de Matheus, as crianças da funerária, os evengélicos... viver, ah, é uma maravilha!
Para Veri
07/12/2009 às 16h55
Um carro, a mil por hora, passou por sobre meu velho coração, na madrugada de hoje.
Morreu Veridiano, um anjo bom... e que tanto amávamos.
Veri foi um dos presentes que o casamento de Karina e Reno nos deu.
Belo, inesquecível presente.
Veri nasceu mais de 40 anos atrás, sabe Deus onde.
Não teve pais, ganhou outra família.
Sabe Deus porque, seus pais preferiram não tê-lo.
E não nos cabe nada. Nem julgar, nem falar, só saudade. E muita.
Veri era uma pessoa boníssima – não porque desencarnou, como acontece com a imensa maioria na vida. Era bom desde sempre. Talvez pela rejeição do mundo, talvez pelo sofrimento trazido do berço que, so seu caso, sequer existiu.
Veri chegou à casa de José Vasconcelos Neto e Zuíla vai fazer 20 anos – ou algo mais ou menos assim.
Era a presteza em pessoa; a caridade em vida; a vida em risos.
Sua voz quase não existia e só depois de muito convívio conseguíamos entender suas falas moles, lentas, desmaiadas.
Arrumava uma casa como ninguém. Ah, e como cozinhava! Misturava tudo, fazia o melhor dos “machimelos” (era assim que ele chamava) e quando o assunto era empadas, fazia as mais maravilhosas do mundo.
Quando nossa Valentina nasceu, Veri veio para Natal. E passou um mês aqui em casa, cuidando da gente, da nossa filha que, como eu, Keity, Terezinha e Maria do Socorro logo se apaixonou por ele.
E como foi importante, nosso Veri em nossas vidas, nesse comecinho de Valentina!
Tanto, que sempre ligávamos... e avisávamos que queríamos ele aqui novamente.
Ah, Veri, como quisemos bem a você!
Que nos últimos seis anos viveu ao nosso lado quando compramos uma casa no Tibau, tantas vezes arrumou nosso lar... e quando Valentina nasceu, nas nossas festas.
Aí um carro vem, acaba tudo.
Claro que entendo, Deus sabe das suas – e o egoísmo divino, de querer os bons ao lado seu, é um sinal, um conforto, a hora chegada.
Veri partiu “acabando” conosco.
E hoje estamos assim: quase nada, um sopro de vida e saudade.
Morreu uma das pessoas que está, certamente, entre uma das que quisemos mais bem nesse mundo.
Por tão pouco tempo... e já tão dono da gente.
Triste, estamos todos nós.
Um beijo, Veri querido...
E saiba que, toda vez que entrarmos na casa de Zezinho e Zuíla, quando sempre nos esperava no portão... vamos rezar por você.
Para sempre!
Ouvidos para o bem
29/11/2009 às 23h37
Há anos tomei uma atitude na minha vida. De verdade, deve fazer uns 20 anos. Era moleque, ainda, mas desde então, esse é um dos lemas da minha vida.
Só leio o que quero!
Só faço o que quero!
Só olho para onde quero!
Só falo com quem eu quero!
Insuportável, eu, não?
Bem... Só leio aquilo que me faz melhor, maior, mais inteligente, capaz.
Como não concebo ninguém escrevendo errado publicamente – também acho gente burra uó!
Eis uns segredos do meu humor: essa redoma.
Ninguém – nin-guém – consegue me atingir – e acho esse, um sábio caminho.
“Vivem melhor, aqueles que não se importam com o menor da vida”, já dizia meu Machado de Assis.
Ou, como diria meu poeta Rimbaud “Sou feliz porque não olho para os sentimentos pequenos”. Rimbaud dizia isso, mas era infeliz.
Eu não.
Bem... esse assunto nasceu porque...
Quinta-feira, um desses blogueiros da vida, numa nota profundamente maldosa, agrediu um empresário da cidade.
Tão maldosa e desnecessária, a tal nota virou motivo, até, de comentário numa sala do curso de jornalismo da UFRN...
Tão infame.
A pobre mãe do empresário leu. Passou tão mal que faz três dias que está internada, pós um infarto causado pela... maldade humana.
Aí eu fiquei pensando... como pode existir gente assim?
Mas existe. Aos montes, aos tantos.
Mas não as conheço. Simples assim: não as conheço, não dou bom dia, sequer.
Gente assim merece distância – e piedade. E reza.
Gente assim, sinto muito, não é gente.
Por isso resolvi me proteger. E todos me conhecem tanto, que a ninguém, nessa vida, permito a ousadia de me contar coisas maldosas sobre seu ninguém. Sobre Chrystian, então, nem vem que não tem.
Muita gente já deixei de lado nessa vida, por causa disso.
Se é pela metade, adeus!
Se não conversa olhando no meu olho, adeus!
Se não é leal, adeus!
Se mente, adeus!
Se gosta de futricar sobre a vida alheia, adeus!
E, quer saber? A gente vive melhor assim.
Gente assim não soma, não contribui, é gentinha. E gentinha, sinto muito... é gente pela metade.
Pedir a Deus que a pobre mãe, que leu um absurdo daquele contra seu filho... fique boa.
E que o filho de Deus que escreveu tamanha maldade, encontre Deus, um dia.
Sábado fui visitar dona Chiquinha, uma velha senhora que mora perto da Comunidade do Curtume, onde eu a Igreja de Santa Terezinha já construímos um mar de casinhas...
Dona Chiquinha tem 76 anos de idade, faz suco e salgados para vender e os vende, acreditem, de bicicleta. Dois reais suco gelado e salgado quentinho. Hum.... e são uma delícia!
Bem... dona Chiquinha estava triste, balançando-se na velha cadeira de palhinha que foi da minha avó e eu resolvi dar para ela de presente.
- Que carinha é essa, minha amada!
- Carinha de tristeza, meu fi.
- Que houve?
- Uma mulhé amiga de uma comadre minha morreu.
Eu fiquei parado ali, sem ação. Quando pensei em dizer algo...
- Inventaram que a filha dela estava tomando droga num bar. Ela foi atrás da filha e um caminhão passou por cima dela.
- Meu Deus!
- Era mentira, meu fi. Rosa estava em casa, com o marido, que é alcoólatra. Uma moça distinta, amiga de todos aqui e agora sem mãe pro mode a mentira de uma pessoa sem Deus no coração.
Passei um pedaço, com ela, conversamos uns dedos de prosa, perdia a graça, ali.
Mais uma vez... o ser humano mentindo, criando, fazendo das suas.
Talvez se a mãe da Rosa não tivesse ouvido... estivesse viva. E certamente passaria um Feliz Natal com todos os seus.
SÓ OUÇA AQUILO QUE LHE FAZ BEM!
NÃO PERMITA QUE NINGUÉM VENHA LHE CONTAR MALDADES!
SÓ LEIA O INTELIGENTE, O BOM, AS MARAVILHAS DA VIDA!
Sem pecado e sem juízo
25/11/2009 às 23h54
Ando assim, meio sei lá, sem tempo pra nada.
Por isso sumi daqui.
Ando, de verdade, como nunca na minha vida, ocupadíssimo.
Aí hoje resolvi passar um tanto da tarde em Ceará Mirim.
Eu, meus velhos cachorros abandonados, minhas crianças. Rolei no chão, bunda-canastra, pegas, gritos, campeonato de cuspe a distância, bolo, Coca-Cola.
Joguei tudo para cima e... ah, como fui feliz!
Aliás, como sou feliz. E duvido que no mundo exista alguém assim, como se dizer... mais feliz do que eu.
Olho para trás e vejo que dei certo na vida.
Dei certo no amor.
Na minha profissão...
E continuo dando.
Claro que tenho lá meus problemas – que são mínimos, diante do mundo. E que tenho todos os defeitos do mundo, claro também.
Mas minha vida é um presente de Deus.
Vivo lendo, escrevendo, festejando. Agora debruçado sobre a obra contundente de Amos Klausner, um escritor israelense que é, já, para mim, um dos meus preferidos.
E entre livros e felicidade, festas. Muitas. Acreditas que, quando dia 26 de dezembro chegar, terei feito, em 2009, exatos 103 eventos.
Olhando para trás, agora nem acredito.
E cada um diferente do outro, cada convite lindo (salvo raras exceções), cada festa boa!!!
Mas, voltemos a minha creche, meus cachorros.
Hoje, Lulu, uma das minhas lindas do Centro de Caridade São Francisco de Assis, me disse baixinho.
- Tio Cristo, gostaria de ser ingual ao sinhô.
- Como Lulu?
- Feliz, tio Cristo!
Vocês não têm ideia de como meu mundo, ali, desabou.
Lulu é triste, realmente. Aliás, acho que sua única alegria sou eu. Pais nem aí, vida pobre, fome, dores do mundo – e tão novinha, meu Deus.
- Você é feliz, meu amor. Escuta, vê, pode correr, me tem... Pelo mundo, Lulu, existem pessoas que não podem fazer nada disso. E isso, acredite, é um presente de Deus.
Achei que ele riu, com o canto da boca mas riu.
Aí chegou Júnior, o mais apaixonante dos vira-latas. Grandão, derrubou meus cem quilos no chão. Foi uma algazarra. A criançada rindo, Júnior me lambendo...
Tião, um menino de olhar profundo, gélido, perdido no nada, me ajudou.
- Tio Cristo, levanta!
Como esse nome me pesa, meu Deus! Logo eu... Cristo!? Pobre Cristo...
- Obrigado, Tião!
- Lulu disse que queria ser igual ao senhor?
Ele fala bem, é articulado, parece mais velho do que seus doze anos de idade. Está sempre limpo, arrumado, calças, camisa de botão.
- É Tião, ela disse.
- Eu não queria ser igual ao senhor não!
Pensei: lá vem outra bomba.
- Por que, Tião?
- Se chatei não. Mas o senhor não tem um pingo de juízo.
Adorei.
Ri. Achei aquilo um belíssimo elogio.
Me limpei, bati as chinelas, pedi para alguém limpar meu óculos.
Aí Júnior correu pra cima de mim e me jogou no chão novamente.
Desisti. Bolei com ele ali, na abençoada areia do lugar mais lindo que existe no mundo...
O céu estrelado de Zuíla
26/10/2009 às 12h20
Outro dia eu, Zuíla Ramalho de Vasconcelos, José Carlos Pinto, Janete Martins e Rafaella Costa voltávamos da Casa Cor Ceará, quando meu carro, uma hora da madrugada, apagou geral.
E ficamos na estrada os cinco, mais o motorista Hugo Andrey, outro anjo de guarda.
Aí...
Zé Carlos Pinto deu uma risada.
Hugo, preocupado, saltou do carro abrindo todas as portas, motor, sei lá o que estava à procura.
Rafaela Costa ligou para a mãe, preocupada, mãos no colo, comunicando o fato.
Janete pôs-se a rezar, fervorosamente.
Eu, imediatamente, liguei para o seguro ainda dentro do carro.
E Zuíla... ah, Zuíla... saiu na maior calma, olhou para o céu e soltou essa... “Meu Deus, muito obrigado por estar aqui, vendo o mais lindo dos céus estrelados que já vi na minha vida”.
E deu uma risada que certamente chamou a atenção dos bons espíritos, das raposas que ali passavam, do mato sequinho que corria e vida.
"Meu Deus, que céu maravilhoso é esse?! Ai, como tô feliz aqui! E esse vento, quantas estrelas lindas"!, seguiu, suspirando.
Pára tudo!
Achei aquilo lindo!
Verdade!
Estava explicado, naquele momento, quem é quem diante do mundo.
Uns preocupados com a vida que às vezes segue cursos que nós não queríamos... sofridões, medos, desesperos... outros, como Zuíla, olham para o céu e agradecem a Deus.
Relaxei total, com a frase dita pela pessoa encantadora, que ao lado do respeitadíssimo Oftalmologista José de Vasconcelos Neto construiu uma linda história de amor, uma família que a gente ama, caminhos ilibados.
Aquela frase, naquele momento, me fez querer ainda mais bem.
E admirar mais.
Eu, um já apaixonado pelos céus, luas e estrelas, àquela noite fiquei mais.
Feito o livro de D.J. Conway, uma bruxa inglesa que eu adoro, que escreveu o maravilhoso “Livro Mágico da Lua” e que chama as estrelas de “minhas sacerdotisas”.
Zuília é assim: do bem, riso frouxo, gente que as pessoas adoram estar por perto.
O carro? O seguro chegou, uma hora depois. Fomos rebocados. Ela ainda admirada com os céus, cochilava, tornava a rir, contava histórias...
Ah... por que não fomos amigos desde sempre?
E por que não nos conhecemos melhores, antes?
Hoje quero bem grande. Vontade grande, até, de escrever.
É, eu sei... tudo tem lá seu tempo. Mas no caso de Zuíla... gostaria, de verdade, que a vida voltasse atrás.
- Liiiiiiiiiiiiiiiinda, é assim que a chamo, você é um grande presente em nossas vidas!
A velhinha do pano de prato
12/10/2009 às 09h13
Deixava o Banco do Brasil, essa semana, finalzinho da tarde, hora mansa, céu cor de rosa.
Apressado, para variar.
Bancos em greve, fila imensa. Queria retirar dinheiro... Não consegui.
Entrei no carro, liguei o ar condicionado, Lulu Santos no último volume e...
Meus olhos foram ao encontro de uma velha senhora.
Dona Dagmar vende panos de prato na Afonso Pena faz 20 anos.
Vende também no Centro da cidade, ali na Princesa Isabel, porta em porta.
Estava suadinha, cansada do mundo, já acostumada ao desprezo da humanidade.
Fiquei impressionado.
Como as pessoas não olham ao seu redor, não se compadecem do mundo, não enxergam, sequer, numa velhinha cansada da luta, a possibilidade da solidariedade.
As pessoas passavam por ela como se ela nada fosse.
E para essas pessoas certamente não era nada, a pobre Dagmar.
Que estendia as mãos lânguidas, oferecia seus paninhos e saia dali com uma cara tão triste com a reação, inexistente, das pessoas, que as cenas me cortaram o coração.
E se repetiam.
E se repetiam.
Pelo menos dez pessoas que riem tão encantadoramente para mim, fizeram-se de rogadas. E ignoraram a arte da velha senhora. E a velha senhora seguia vendendo seus paninhos.
Que absurdo!
Por isso também, o mundo já era!
E balas perdidas encontram corações de vida, e a fome grita e o moleque sem prumo, sem rumo na vida assalta, mata, morre.
As pessoas esqueceram de se solidarizar – ora, bolas, para o inferno se você não precisa de panos de pratos!!!
Naquela situação, a exerceria, até com um “não, muito obrigado”. Mas não desprezaria.
As pessoas são muito individualistas – e o mundo vai-se indo para um fim triste...
Procurei dinheiro, não achei nada.
Finalmente! Tinha uma nota de cinquenta reais na agenda!
- Ei!
- Quer um paninho, meu fi?
- Quanto é um?
- Três por cinco, quer?
- Quero dez vezes três por cinco!
- O sinhô tem um restaurante?
Eu pensei comigo mesmo... não, tenho um coração. E coração, meus caros, basta. Muitas vezes basta!
Ri e entreguei os R$ 50,00 reais.
- Deus abençoe o sinhô, meu fi.
- Deus abençoe a senhora também!
Não custa nada ajudar o mundo a ser melhor.
NADA!
Naquele dia, dona Dagmar, que deve ter uns 70 anos, voltou para sua casa melhor. Eu fiquei melhor.
Os panos de prato...
Bem, levei-os todos para o Centro de Caridade São Francisco de Assis.
Ah, meu Deus! Fiquei sem um tostão para comprar uns jornais!!!
Eu, os filhos que Deus me deu
10/10/2009 às 18h26
Vida Júnior e Didisso com tio Cristo
E na hora da prece... Deus em todo lugar!
Minhas lindas meninas...
Lara, Catita, Andressa e Lalinha
Neco e Larissa: viva!!!
Eu e Dedêu: especial, tímido e coração cheio de bondade
Felicidade na alma, que ri
Toco e Lalinha com Tio Chrystian
Existe riso mais lindo?
Acabamos de chegar de Ceará Mirim.
Lá onde Deus pintou de verde os mais lindos vales do mundo.
E de onde um anjo chamado Claudia Rocha comanda preces, abraços e amores por sobre vidas tantas.
Uma tarde felicíssima – uma energia forte correndo n’alma, a certeza que é possível sim fazer o mundo melhor.
Fizemos o Dia das Crianças do Centro de Caridade São Francisco de Assis. Mais de 200 crianças entre lanchino bom, festa, brinquedo pra todo mundo.
Ah, como fomos felizes! E somos!
Obrigado a cada amigo nosso que nos ajudou... com brinquedos bons, todos doados para as crianças que nasceram no entorno da Lagoa do Cosme.
Obrigado a Deus, pela oportunidade...
E a essas crianças apaixonantes – e donas de todo o amor do mundo!
Sempre que puder, ajude, abrace, faça alguma coisa.
Os céus mandam em dobro.
E você se transforma num ser mais feliz.
Deus, Didisso, Dádivas
05/10/2009 às 23h54
Vida traçada por um lado, fui obrigado – graças a Deus – a desviar meus caminhos hoje à tarde.
Troquei meu pedalar por sofrimento.
E alento, sei lá, ao ver que minha vida, espelhada na vida de tanta gente pobre desse país, é um presente diário de Deus.
E de shorts, olhos arregalados e coração quase inexistente cheguei ao Hospital Walfredo Gurgel.
O caos de sempre, para variar.
Atendentes de cara feia, sem nenhuma boa vontade e desinformações.
Depois de um dia de trabalho árduo, chegar ali é péssimo. Ainda mais péssimo, aliás.
Natal não tem sequer um hospital "decente".
Mas ficam políticos por aí querendo Copa do Mundo.
Absurdo!
Mas...
Claudia Rocha, da minha creche de Ceará Mirim, ligou avisando que um dos meus filhos, Didisso, havia se queimado. Cerca de 50% do corpinho lânguido, apesar da barriga imensa, estavam queimados.
Na felicidade de tomar leite, abraçou a panela fervendo.
Meu mundo desabou.
Sequer entendi como consegui chegar ao hospital.
Lá, depois de rodar atrás de informações, encontrei o médico e amigo Henrique Fonseca. Que me avisou como chegar. E fui.
Tremia tanto, que sabe Deus onde encontrei forças para ver meu pequenino.
Ao chegar a Centro de Queimaduras, que fica no antigo – e acabado hospital – me deparei com um monte (monte mesmo, é assim que são tratados os pobres desse país) de gente.
Sofrida, cansada, a procura de cura.
Um local sujo e feio, um guarda de pernas pra cima, um sem fim de dores do mundo.
Mas fui bem atendido. E subi as escadas, já que o elevador parecia ter medo de mim...
Didisso estava no corredor, mãos no chão, brincando com nada.
Quando me viu, ficou em estado de choque.
E fez xixi no calção velho e surrado com o emblema do Flamengo.
Estava sem camisa, com braços e barriguinha, costas queimadas. Muito queimadas.
Mas esqueceu de tudo e correu para meus braços, que tremiam muito.
Fiz-me homem grande, forte, segurei o choro.
E sangrei por dentro.
Por quase um minuto me abraçou tão forte que senti o queimar das suas entranhas.
Ah, Deus, como doeu!
Conversamos um bocado, ele contou em detalhes...
E ainda suspirou “Tio Cristo vai me levar daqui?”.
Engraçado como me sinto nessas horas. O peso do nome “Cristo” sobre minhas costas parece do tamanho do mundo.
E me sinto o próprio, muitas vezes.
Ser, na vida de tantos, a última esperança talvez, não é um fardo tão fácil assim de carregar...
- Não, meu anjo. Mas vou na rua agora, comprar um presente para você.
- O sinhô pode dormi aqui?
- Posso. Mas virei quando você adormecer. Durma logo, que Tio Chrystian vem em seguida.
Didisso, com dor, chorou um tantinho.
Limpei seus olhos sem viço, apesar de ser uma criança de 6 anos de idade... e, no chão, coloquei-o no meu colo.
Meu Deus, como tremia!
- O sinhô tá com frio?
- Muito!
- Vou pegar uma manta, quer?
- Não! Seu abraço me aquece.
E ali conversamos por uma hora.
Em seguida fui a uma loja. Comprei carrinhos, biscoitos, shampoo, cotonetes, escova, pasta de dentes, colônia...
E voltei para seus braços. E por mais um tempo brincamos juntos.
Aqui e acolá ele sentia vontade de chorar, mas segurava a onda.
Acho que ele, no seu infinito sofrimento, não gostaria que o visse às lágrimas.
Brincamos mais, comemos biscoitos.
Outras crianças chegaram. Tão tristes e sofridas quanto.
E ali mesmo no chão prometi voltar, trazer outras “besteirinhas”.
Deixei o Centro de Queimaduras aos prantos.
Ainda choro, quando me lembro.
Em casa, Valentina no colo, Terezinha e Maria do Socorro também, rezei quietinho pelas crianças do mundo. Pedi por Didisso, meu lindo menino.
E forças a Deus, para que amanhã me carregue em seus braços para os braços daquelas crianças...
Ajudem Didisso. Ele é pobrezinho, carente...
A primeira grande derrota da minha vida
30/09/2009 às 19h34
Eu e Azulzinho, de volta à vida, antes do fim...
Tenho lá tantos defeitos na vida.
Mas não sei perder.
Venci a vida inteira e perder para mim é uma ideia tão assustadora, sem noção do real que trago do mundo, que nem sabia, até domingo, como era.
O fato de me imaginar derrotado na vida é tão distante, que sinceramente não o alcanço. E jamais alcançarei.
Mas perdi, sábado.
E foi uma dor tão grande, tão oca, tão estranha.
Sim! Vou logo cantando: não sou assim por presunção, pedantismo ou coisas do tipo. Sou assim por acreditar muito em mim.
E diferente de muita gentinha que existe no mundo, não falo de pessoas, não fofoco, não perco tempo com o outro: canalizo minhas energias e minhas palavras em prol do construir, do agregar.
Discuto ideias, não vidas alheias.
Mas, enfim, perdi.
Lembram de Azulzinho, meu pobre cachorro abandonado, encontrado pelo fotógrafo Canindé Soares três meses atrás? Canmindé me ligou, avisou, fui buscá-lo numa rua do Tirol.
Passou um mês em tratamento.
Ganhou, de mim, todo o meu amor.
E no Centro Veterinário São Francisco, recebeu os melhores cuidados.
Foi curado de tudo.
Ganhou um lar.
Adoeceu.
Sofreu muito, sofreu ele, eu, então...
A semana passada foi complicada de atravessar. Azulzinho voltou para o Centro Veterinário de Joana e Diógenes e...
Foram três dias internado.
Um sofridão sem fim. Quando o vi, agarrei forte sem me importar com suas doencinhas, que poderiam, sei lá, passarem para mim.
Naquela tarde de sexta-feira percebi o fim, já.
Seu sopro de vida estava longe, quase inatingível.
Olhava para mim com um olhar de esperança, mas tão triste, tão só na sua dor.
Passamos duas horas juntos. Ele no soro, eu no choro da alma. Não, não! Na frente dele nenhuma dor. Sou meu amor...
Mas a alma é fraca. E chora nas entranhas.
Azulzinho, que foi jogado no lixo do mundo, de uma casa sem amor, não agüentou. Pegou doenças mis, foi medicado erroneamente e não agüentou a vida.
Precisou ser sacrificado.
Ah, Deus, logo eu, tão apaixonado pelos animais, com a decisão de deixar vivo ou não, um dos heróis da minha vida.
Herói sim! Como lutou pela vida, aquele cachorro!
E tão feliz foi, nesses três meses último. Um doidivanas, a correr nos meus braços, numa pressa sem trégua, como se o mundo, sonhava ele, fosse se acabar...
E acabou para o meu Azulzinho...
Que precisou, vejam que triste, morrer para parar de sofrer.
Rezem por ele.
E ajudem os bichos abandonados desse impiedoso mundo de meu Deus.
O outro lado da linha do trem
20/09/2009 às 10h52
Eu tenho uma dica infalível para você que persiste em viver na paz.
Ao ser provocado, reze.
Para quem o provocou, claro.
É simples?
Que nada! Complicadíssimo.
Mas possível, palpável. E melhor assim.
Jamais nós devemos permitir, por exemplo, que a energia ruim do outro nos contamine, nos desarmonize.
Faça como eu: sequer tome conhecimento.
E não permita que ninguém traga notícias que não sejam maravilhosas para você.
A vida passa logo, muitos problemas a resolver: E nada de perder tempo com o que não tem valor.
Ou por acaso você acha que a maldade do outro tem valor?
Claro que não...
Outro dia ligou uma colega, arrasada porque falavam dela sei lá onde.
- Ligaram pra mim, contaram tudo! Disse-me, aos prantos, pelo telefone.
- Ligaram porque você permite. Eu respondi.
E é verdade. O dia só é lindo – e será lindo – se nós acharmos.
E a vida só é linda – e será linda – se acreditarmos.
Não queira amizade com gente que fofoca, fala de a, de b e, quando você sai... de você.
Eu não perco tempo. Aliás, não tenho tempo.
Prefiro me perder nos livros, no riso da vida, no bom do mundo.
E no meu trabalho, que em 2009 deu uma guinada, revirou voltas e me fez melhor.
Vivo, sem favores, o melhor momento da minha vida.
Porque acreditei em mim, principalmente.
E porque perco tempo com o amor, com minha casa, os meus amigos.
Ora, bolas, até deixar de assistir jornais, deixei.
É que os políticos brasileiros me causam tanto asco, que cansei.
Então, sempre pense positivo. Até na hora de “ser agredido”.
E Deus vê tudo. Tudo!
Hoje, meu caro, Deus é on line. Fez, pagou. É tudo muito rápido. Como o mundo é rápido também.
Quem planta maldade, mentira, discórdia, guerras e desamores, tem a vida transformada num caos.
Então... reze para essa gente. Reze e não queira seu mal. Gente assim é gente doente, sem Deus.
E gente sem Deus precisa de amor. Muito amor...
Inclusive o nosso.
E... tem caminho melhor, mais fácil e verdadeiro do que a tal felicidade?
Patrick Swayze, uma menina na Lagoa, a vida e o mundo de Deus
14/09/2009 às 21h40
Ah, me bateu uma tristeza...
Estava lendo o The Sun, agora pela web...
E de repente a notícia de que o ator norte americano Patrick Swayze, que está em fase terminal, lutando ferozmente contra um câncer no pâncreas, foi fotografado no Aeroporto de Van Nuys, em Los Angeles, embarcando em seu jato particular com a mulher Lisa Niemi e seu poodle, rumo a seu rancho no Novo México, onde ele estaria pretendendo passar seus últimos dias cercado de beleza e serenidade.
Magrinho, uma aparência triste demais... Swayze, perdão, Deus, não deveria, sei lá, passar por tanto sofrimento...
Na semana passada, Swayze não compareceu ao hospital Cedars-Sinai, onde recebia quimioterapia semanalmente, confirmando os boatos de que teria abandonado o tratamento por causa de seus efeitos graves colaterais.
Suas dores são tantas, que por vezes chora, diz uma outra matéria, no The New York Times.
Fiquei aqui pensando, cantando feito Cazuza: "Porque que a vida é assim?".
Assim sei lá como, que come, consome, mata por dentro.
Nossos ídolos, meu desde as matinês no Leblon, quando assisti Patrick Swayze pela primeira vez, em "Matador de Aluguel", não deveria desencarnar assim.
O espiritismo diz que o sofrimento purifica a alma.
Mas Patrick, que já fez tanta gente feliz com seus filmes, deveria, quem sabe, ter a alma purificadinha...
Por razões como essa, temos que pensar antes de pegar uma briga, de nos desentendermos com o mundo, de atirarmos pedras.
Aprendi desde muito jovem a não julgar.
E de um tempo pra cá ando mesmo tranquilão – e com o passar dos anos, mais manso, eu acho.
A receita é jogar para longe os ebós da vida, não espalhar notícias ruins, nem enviar e-mails meio assim, deixar de dar cabimento a gente traíra, pela metade, invejosa, fraca d’alma.
Para elas... preces. E adeus.
Para o mundo... rezas, sem fim. E caridade, amor, amor, amor.
Outro dia, passando pela Lagoa Rodrigo de Freitas, uma menina, lindinha, pedia esmolas num daqueles sinais insuportáveis do meu amado Rio de Janeiro, com uma camiseta sujinha no que um dia foi, talvez, um tom amarelado...
”Quero viver cem anos!”
Imagine só. Ela, ali pobrinha, querendo viver cem anos... mesmo no meio de uma guerra civil, encravada na injustiça social do mundo.
Imagine Patrick Swayze, que tão feliz fez tantos mundo a fora.
Imagine eu, pobre mortal...
Perdão, Deus.
Mas acho que tem gente no mundo que deveria, pelo menos, beijar a eternidade.
Qual o melhor remédio para vômito?
13/09/2009 às 18h12
Descobri isso antes de ontem, quando cheguei, cansadíssimo em casa, depois de mais dois grandes sucessos: o coquetel da Cia do Mármore e o festão de 10 anos da Ponta do Sol.
Deitado, zapiei na televisão.
E percebi, de vez, que a imensa maioria dos políticos desse país de tanta malandragem me causam náusea. Que gentinha!
Há muito o assunto não me interessa – e quando assisto à TV, mais asco me causa, ainda.
E se os jornalistas trazem as notícias de Brasília, da Câmara dos Deputados, do Senado – passo mal.
Aí deixei de assistir.
Simplesmente por que sou bacana demais - ou me acho - para "me misturar" com qualquer um.
De verdade. Cansei dessa gentalha sem caráter, desses senhores donos do mundo e de toda verdade digo que, sinceramente, não os agüento mais.
CANSEI!
Resolvi ser “alienado”, passar um tempo assim.
Cansei de tanta mentira, tantos conchavos, tantas tramóias, tanta maldade.
Maldade sim.
Tais senhores, tais políticos, não sabem o que é não ter uma casinha para morar, a fome que bate feito oco quando o dia finda, um filho doente, na pedra fria de um hospital.
São hipócritas, demagogos, doentes, sem Deus.
Claro, suas exceções existem.
Mas estão cada vez mais distantes do real. Parecem, sei lá, uma tela de Matisse – não denegrindo meu preferido e indecifrável artista plástico.
Mas estou adorando ser alienado.
Assistir a novelas, ler meus livros todos, reler tantos, pasear sob a brisa da vida que sopra.
Discutir ideias, não gentes.
Discutir o mundo, as artes, “Caminho das Índias”, até.
E me preparar para "Viver a vida", do sempre ótimo Manoel Carlos.
Mas certos políticos... tô fora.
O Brasil virou um celeiro dessa gentinha.
E como gentinha é gente pela metade - e como gente pela metade não me interessa em absoluto...
Tô fora!
Melhor assim!
Um dia atrás do outro
31/08/2009 às 18h45
Passei um tanto da tarde hoje, num orfanato.
Tem que ser um leão, pedra no coração para andar nesses lugares onde parece que Deus pouco vai – apesar de estar presente em cada choro, em cada riso.
Orfanatos são, para mim, uma dor com começo, meio e fim.
Fim para uns, outros não. A dor continua nua.
E latente.
E errante.
Mas hoje, lá, encontrei duas vezes quatro irmãos. Resolvi rir, então.
Ah, Deus, se abandonar um filho já é um oco que corre na vida, imagine abandonar quatro?
Hoje existe uma lei que obriga uma única família a adotar todos os irmãos de sangue, jogados ao mundo sabe lá por quais motivos.
Sejam dois, três, ou no caso de Pedro, Hugo, Cícero e Taninha... os quatro.
Claro! Se já dói não ter pai e mãe – e todos os outros elos da vida, perder irmãos, como outrora se fazia, é outra dor tacanha, tamanha, daquelas que fura, tora as entranhas.
Aí, das oito crianças, divididas em dois grupos de quatro irmão...
Quatro estão a caminho de um lar.
Casa, comida, roupinha cheirando a Confort, quarto para sonhar, um bichinho de estimação, sei lá.
O que toda criança deveria ter ao passear pela vida...
Hoje, lá, dezoito me olhavam com aquele olhar pidão.
De que “quer ser meu pai?”.
Ou... “O senhor veio me buscar?”.
São olhares que atravessam você pela alma, dessas crianças.
Levei Terezinha e Maria do Socorro, brincamos um pouquinho, fiz o que tinha que fazer e sai de lá rezando a Deus.
E agradecendo por aqueles quatro irmãos terem encontrado uma família abençoada, que quer os quatro seus filhos.
E isso, minha gente, é lindo!
É gratificante.
E dá uma vontade imensa de comemorar aniversário, como hoje, mais cem vezes nessa vida.
E... procure um desses lugares. Que são muitos espalhados pelo mundo de meu Deus.
Orfanatos, abrigos, institutos, casa de animais abandonados.
A vida, ali, sempre precisa de assopros, afagos, amor.
Parte o mais terno sorriso da minha infância
12/08/2009 às 07h52
Quando passava minhas férias em Mossoró, quase trinta anos atrás, na casa dos meus “avós” Maura e Nestor Galvão de Saboya e Wilda Ferreira Marques...
Era com Paccelli e Ângelo Gurgel que corria pela Avenida Rio Branco, a caça de vida, de sonhos e, quem sabe, de um mundo que estava por vir...
Ângelo foi, ele, principalmente, meu querido amigo da época de moleque...
Nos separamos pela vida – ele seguiu seu caminho; eu o meu; a vida o dela.
Mas sempre nos víamos, aqui e acolá nos falávamos.
Ele encarnou Madonna, escandalizou Mossoró 25 anos atrás e, numa mega produção, nunca vista até hoje na cidade, fez o chão de Santa Luzia tremer todinho com sua arte ousada, sexual, transgressora.
Muitos não entenderam. Outros amaram. E eu fiquei ao seu lado.
Depois Ângelo virou Michael Jackson.
Outro escândalo, outra performance inacreditável.
E no costurar da sua vida – e da minha também – estava sua mãe.
Uma doce e terna senhora chamada Dione...
E foi com a voz embargada que Ângelo me ligou, ontem, quase meia noite.
Chorava um tanto, um choro de dor, de alicerce que parte e se vai.
Dione, a quem sempre chamei de Tia Dione... havia voado para o céu.
Uma vida de sofrimentos, um sorriso sempre lindo, uma voz sempre cantante.
Ah, como queria bem a minha Tia Dione.
Sempre tão fofa, tão minha, uma torcedora de todas as minhas paisagens.
Meu mundo caiu, meu choro lá vem.
Aos 69 anos de idade, tão boazinha, tão fofa...
E de repente o fim.
Vá entender o mundo, os desígnos de Deus, né?
Parei tudo na minha vida.
Estou viajando para Mossoró.
A última vez que falei com minha tia Dione foi para ela chorar baixinho, no meu ouvidinho... e agradecer um texto, lindo, não tenho pudor em dizer, sobre Ângelo e sua escandalosa Madonna, sucesso 25 anos atrás, revividos aqui, em Paz de Chrystian.
Agradeceu, se emocionou e falamos no tal amor...
Depois ela ligou quando Valentina nasceu.
E falou tantas lindezas...
E choramos juntos, quietinhos.
A morta da minha tia abriu um ocão no meu coração.
Deu uma saudade tão grande que...
Ah, perdi a vontade de escrever também.
Meu amor, ser de luz, por toda vida.
E até um dia...
Pra gente chorar de amor mais umas vezes...
Uma cesta básica, dor do mundo e um cara cheio de frescura
09/08/2009 às 19h46
Comigo acontece muito isso.
Uma consciência que pesa, que culpa, que dói por dentro.
E angustia.
Aconteceu outro dia.
Estávamos eu e dois amigos.
Um lanche no fim do dia, as resenhas sobre as famílias, as vidas, os suspiros de cada um.
Do outro lado da rua passava um jovem. Dois, aliás. Mas um, em especial, me chamou a atenção.
Franzino, bermuda surrada, camisa de botão. Tão magro que se contava costelas, espiava “os olhão”.
E um chinelo velho qualquer, que “torou” duas vezes e ele, rindo, ajeitava.
Nas mãos uma cesta básica – e na alma um dos maiores sorrisos que já vi na vida.
De repente ele começou a erguer a feira. E a beijá-la.
E de novo. E mais uma vez.
Do outro lado da Campos Sales eu ouvia... “Maravilha!”... “Deus seja louvado!”.
A gente ali, num “lanchinho de fim de tarde” que deveria ser algo em torno de cento e muitos reais...
E um irmão caminhando, cantando e louvando a Deus por causa de uma cesta básica de 30 reais, ou coisa assim.
Como vivemos num mundo discrepante, não?
Vivemos no antagonismo da vida, na contramão e nem percebemos – ou não queremos perceber.
Aquilo ali matou minha fome – que sempre é imensa.
E fechou meu dia.
Deu uma dor...
Um sei lá de sentir...
Enquanto em Brasília – e em quase todo lugar nestes Brasis – políticos roubam tanto, envergonham tanto, tanto nada fazem... o povo brasileiro segue a míngua, a margem da vida, tão cúmplice da fome.
Fiquei mal, àquela tarde.
Não por mim, que sempre ralo tanto e canalizo minhas energias todas para meu ofício e talvez por isso devesse me portar melhor, diante da miséria, minha amiga faz tempo...
Mas pelo mundo, que não vê, não olha, nem liga.
Ou pelos meus dois amigos.
Que ao verem meus olhos cheios de piedade e água soltaram essa...
“Saboya, deixa de frescura!”.
É frescura não – e vontade de um mundo melhor.
Pratodo mundo.
Nosso coração ganhou nome
10/07/2009 às 17h47
Vou, aos poucos, voltando à vida.
E a vida vem linda, aos braços meus.
Valentina, a vida que chega, joga a vida pelos ares, inversos, contrários caminhos.
Ah, felicidade, essa grande que me segue.
Que me segue desde sempre, que chega cor de rosa, pesando quase três quilos e trezentos, com 50 centímetros de muito amor.
QUINTA, 7 de Julho, seis horas da manhã
Acordamos seis da manhã, àquele dia.
Keity, primeiro, com a bolsa rompida.
Em seguida, Terezinha, nossa poodle que, desde a gravidez do meu amor “me abandonou” para dedicar-se mais à mãe. Para onde Keity ia – e vai – Terezinha a seguia - e segue - linda, preocupada, impressionante.
Em seguida, acordei-me, com a movimentação das duas no quarto.
E Maria do Socorro, nossa poodle cazula, seguiu dormindo até irmos à casa da nossa ginecologista, Celeste (não deveria ter outro nome, realmente) Menezes. E a bolsa havia rompido.
E, com tudo organizado há dois meses, fomos fazer outras coisas...
E Keity foi fazer uma escova. Pode?
Eu liguei para minha mãe, minha sogra, Vânia Leite e Sandra Elali – as quatro avós de Valentina, para nos acudirem.
E coisa de dez horas, fomos para maternidade.
A última imagem que me veio a alma foi o olhar de Terezinha, preocupada, com carinha de quem gostaria de, sei lá, ver a irmã nascendo.
E todos aqueles ritos.
Eu, acreditem se quiser, o homem mais tranquilo do mundo.
Peguei minha máquina, agarrei-me ao doce coração do meu amor e fomos os três para a sala de cirurgia - depois, é claro, de arumar o quarto, docinhos Anna & Claudia, dois grandes amores, flores poucas, até a cortina mudei - acreditem.
Lá, segui tranquilo. Nem nós, a garganta, se faziam presentes à vida, àquele momento.
E eu, que choro até com propaganda de sabão em pó, nem aí. Calmo, seguro, pronto pra vida, à luta.
Poucas lágrimas, coração em festa.
Ah, não queria que Valentina me visse chorando – o que pensaria do pai, pensei. E ri.
A abracei com um sorriso n’alma, daqueles que tomam conta do mundo.
Quatro horas da tarde nossa Valentina já estava na suíte A da Promater.
Linda!
Nasceu com o nariz antipático do pai, com a doçura e mansidão da mãe.
E perfeita, oh Deus!
Na loucura de providenciar tudo, esqueci de tudo. E de todos.
E Carla Cantídio ligou, chateada que só.
O leite demorou a chegar, outra preocupação natural de pais e filhos recém nascidos.
A bem da verdade, o leite ainda está demorando...
Mas virá, Deus já cochichou no meu ouvido.
Na Promater, apenas a família apareceu. E amigos bem íntimos, que souberam de outros poucos.
Passamos dias inacreditáveis ali.
Valentina, que puxou a mãe nesse aspecto, é um anjo. Dormiu tempo todinho, flor de gente e vida.
Em casa, aonde chegamos, tudo lindo, à espera da nossa menina.
E um cheirinho de bebê correndo a vida, que responde rindo.
É como se o mundo se resumisse a esses momentos. E assim segue, nossa vida.
Feliz...
Agradecer, aqui, a todos os nossos amigos. Todos.
Por tanto carinho, cartões indos, desejos de tudo na vida de bom...
E agradecer a Deus, sempre tão cúmplice meu e de Keity, por mais esse presente na nossa vida.