Abraço em Deus
04/02/2010 às 10h35
De férias do mundo, não deixei de sofrer.
Aliás, nas férias a gente sofre mais. Porque o ócio nos permite esse caminho. E quando a alegria se transforma em demasia, a gente se pergunta: e o outro? Por que, por exemplo, o outro não come tão bem quanto a gente, não festeja, como a gente, a boa vida?
Carmas?
Deus?
An?
E nós soubemos, já à noite, do caos que se instalou no Haiti... dormir pra quê naquele doze de janeiro?
Como?
As notícias eram truncadas – mas o suficientes para arrastarmos nosso coração numa dor sem volta. Ah, como rezamos, àquela noite!
Um país já tão castigado por tiranos latino americanos... tantos irresponsáveis no poder, por tantos anos... e o país chamado de “Pérola do Pacífico” se transformou num inferno.
Em 1957 François Duvalier, o Papa-Doc, assumiu a presidência e implantou um regime de terror que durou até sua morte, em 1971.
O terrorismo político continuou sob o comando de Jean Claude Duvalier, o Baby-Doc, filho de François Duvalier.
Já na década de 1980, com a crise econômica e o empobrecimento da população, o regime de terror perdeu força, até que, em 1985, Baby-Doc fugiu para um exílio na França.
O país, então, estava morto, assassinado pela tirania irresponsável que corre as pobres Américas.
Entre 1985 e 1990, o Haiti procurou estabilizar sua situação política, mas uma sucessão de golpes militares impediu qualquer organização.
Pobre Haiti.
Pela manhã do dia 13, dona Zilda Arns virou outra dor em nossas vidas... ah, Deus, por que levá-la?
Mais de 200 mil mortos, diziam, já, àquela manhã, jornalistas da CNN... Estavam certos, os céticos.
Eu, sem abrir sequer o computador desde o dia 27 de dezembro, dia 31 de janeiro abri, rapidinho.
E encontrei um e-mail lindo enviado pela flor de gente Marília Bulhões, de Brasília.
Após a dor de oito dias preso sob o peso de mil escombros, sem luz, sem água, sem nada o que levar à boca, apenas Deus, eis que a vida grita. E essa cena, pelo resto de nossas vidas, vai gritar n’alma nossa.
Oito dias sem ver a sua mãe e sua família.
Olhos fundos pela desidratação, um sem fim de sofridão.
Não há lágrimas porque as crianças sempre guardam a esperança na vida, no colo, no abraço.
Não há dor porque a vida é ainda uma brincadeira para eles, diz o e-mail.
Por isso, quando se faz a luz, quando acaba o pesadelo.... sempre há um impressionante e caloroso sorriso.
De braços abertos para a vida e no aguardo do acalento da mãe, Kiki voltou para seguir a vida.
Uma pobre criança do Haiti, que, como todas as outras... come bolachas de barro. E sofre, e morre, e não.
É com o abraço dessa criança que eu abraço vocês... e canto que PAZ DE CHRYSTIAN voltou das férias.
Pelo menos PAZ...
Para você, para o mundo...
Nós descobrimos que Kiki, hoje, passa bem, Deixou o hospital de campanha ontem, três quilos mais gordinho...
Uma OnG norte-americana, a LIVE, sensibilizada, deu abrigo a ele, seus seis irmãos... e a pobre mãe, abandonada a sorte pelo marido dois anos atrás...
Hoje Kiki passa bem. Tem casa, comida, o aconchego e, num abraço lindo, os olhos de Deus.
Uma quarta-feira qualquer
24/06/2009 às 20h54
Não foi fácil atravessar essa quarta-feira, 24 de junho de 2009.
E por razões tão simples, será inesquecível para mim.
Como faço todas as quartas-feiras, fui ao Centro de Caridade São Francisco de Assis, em Ceará Mirim. E passei a tarde lá, entre crianças e cachorros abandonados.
E, melhor ainda, entre as boas energias do mundo.
E como faço todas as quartas-feiras...
Antes do Centro vou à casa de três crianças adoráveis, que vou chamar aqui de Zetinho, Juju e Loninho.
Os três têm um pai que, perdão, Deus, melhor seria não tê-lo.
Bêbado, alterna seu pobre comportamento entre brigas e agressões à mãe dos meninos e, por maldade, deixa faltar comida para toda a família.
A mãe, uma pobre coitada, perdeu o juízo do mundo, vive sem noção, ao vento, coração de pedra de tanto sofridão.
E sem comida, às esmolas da vida, eles vão levando seu fardo.
Três crianças que amo já faz tempo, que me pedem “abença, tio Cristo!” e que se jogam em meus braços todas as vezes que as encontro.
Hoje fui levar umas roupinhas usadas, presentes de amigos meus; bolo, cachorro quente e refrigerante. Foi o nosso São João. Ali mesmo, sentados os quatro à beira do caminho, rindo de nada, experimentando roupas usadas e comendo nosso lanche entre cachorros que chegavam, moscas e restos de chuva.
E, quer saber: senti-me, mais uma vez, nos céus.
Chique, meu caro, é isso: a vida crua, posta a sua frente sem máscaras.
E como a miséria, sempre tão íntima minha, me faz melhor a cada dia!
De repente Loninho se ajoelha no chão. Tomei um susto!
- Que foi, Loninho?
- Tô rezando, pedindo a Deus que o sinhô nunca abandone nóis!
No chão fui eu, àquele momento. Como se uma tora de madeira me atravessasse a alma desde os olhos, estupefatos, ali.
Me arrasei sem saber que o pior estava por vir.
- Tio Cristo, o sinhô pudia adotar nóis! Levá nóis pra morá mais o sinhô! Não quero mais morá aqui!
Ouvir isso, em qualquer circunstância da vida, dói uma dor sem fim. Mas ouvir isso de um menino de sete anos de idade dói além, aquém, outrora, até. Dois de volta, indo, vindo, como dói!
Convidei os outros dois para uma prece. E rezamos juntos. Foi assim, pedindo socorro a Deus, que consegui responder a Loninho.
E pedimos a Deus por paz, por comida, por uma vida melhor – coisa que toda criança deveria ter, mas não tem.
Nossos políticos roubam, são, na sua infinda maioria, uns ignorantes da vida, os debochados com o mundo.
São caricatos, ladrões, qualquer coisa.
Certamente não viram, nem jamais irão ver aquelas três pobres crianças de Ceará Mirim. E outras tantos a mingua, ao fim.
Nosso São João durou uma hora. Foi uma festa!
- Mas confesso a você: saí arrasado com tudo!
No Centro, ali ao lado, um alívio. Lembra de “Azulzinho”, o cachorro abandonado que jogaram água fervente e que por pouco não morreu? Estava no Centro São Francisco até hoje e...
Está de casa nova!
- Obrigado, meu Deus!
Mais um filho de Deus com um lar... Menos um cachorro abandonado... E logo ele, que sofreu tanto.
Hoje era o São João das nossas crianças do Centro.
Brinquei um bocado, soltei bombas, rolei no chão entre cachorros e bebês. Uma festa!
O lanche, presente de Renata Motta, de outros amigos também. E docinhos lindos de dois amores, Anna & Claudia.
Tudo tão bonito...
E chorei de novo. Tanta criança, meu Deus, atrás de um prumo, um rumo para a vida. E a vida... hum... cadê?
E nós ali, os voluntários... tão pouquinho nós fazemos... e tanta alegria criamos...
Deixei o Centro muito, muito sujo. Fedia a cachorro.
E a camiseta branca virou um molambo.
E me lembrei no meio do caminho que tinha reunião na Maxmeio.
E fui daquele jeito mesmo, desfigurado, escutando um CD de músicas Irlandesas, presente da minha amiga-poetisa Vivi Viana.
Flávio Sales e todos os amigos dali tomaram um susto.
Eu, feio, pode?
Estava. Horrível, por sinal.
E muito, muito sujo.
O novo site me foi apresentado hoje: lindo, moderníssimo – é... não tem quem pegue a gente! E muito menos a Maxmeio!
Estrearemos dia primeiro de agosto!
Aff!
Quantas mudanças na minha vida!
Um novo Jornal, o de Hoje, uma festa, dia primeiro, o site novo, um apartamento novo (finalmente ficou pronto) e... uma filha.
Quero Valentina com uma qualidade, que seja.
Que nasça solidária.
Abusada como o pai até pode – mas que lute, mesmo que com a força de uma formiguinha, por um mundo melhor para todos nós.
Cansei, hoje.
Foi um dia de emoções fortes – de dores fortes.
Tantas, que perdia força.
Vou dormir.
E sonhar que valeu a pena...
Que vale a pena viver.
Lição de vida
17/06/2009 às 16h12
Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.
Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido.. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria.
Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.
Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.
Por Adriano Silva | Revista Exame
Completo idiota
14/06/2009 às 11h40
Outro dia estávamos, eu e Keity, no Rio de Janeiro sem fazer... (quase) nada.
Aí fomos zanzar no Rio Design Barra, atrás de umas besteirinhas que faltavam para o enxoval da nossa Valentina...
Foi quando deu vontade, em nós “três”, de irmos ao cinema.
E fomos.
“O Exterminador” qualquer coisa, o nome do filme.
Aí...
Bem, já havia decidido, há muito tempo, que sobre minha vida...
Não quero notícias ruins.
Nem energias meio assim.
Mas fui um completo idiota em sair, da minha redoma de felicidade, para assistir ao filme.
Um caos, mortes, os Estados Unidos sob o fim dos mundos.
Que capacidade, dos Estados Unidos em se destruir!
O filme é um emaranhado de mortes, sangue e destruições. Só isso.
Uma bobagem atrás da outra. Só isso.
Fiz outra jura: jamais esses filmes em meus caminhos.
Quero a vida brotando, nascendo, sorrindo, de toda cor.
Nada de morte, gente fraca, desamor.
Quando a gente assiste a um filme assim, fica, sei lá, remoendo sentimentos ruins: medos, piedades, o mundo fim.
Preste atenção quando você diz “amor” – o eco dessa palavra a sua volta atrai, claro, boas energias.
Mas se você fala “ódio” é a energia dessa palavra que paira sobre você.
Com os filmes, as pessoas, as palavras: nesse mundo de meus Deus, tudo vibra.
Para o bem, para o não tão bom assim.
Exterminar? Ah... só a inveja, a falta de caridade no coração alheio, as guerras, a violência, a injustiça social...
O resto a gente ri.
E é feliz.
E, convenhamos, ser feliz é muito melhor!
Outro sangue
31/05/2009 às 00h01
Estava voltando da casa de amigos, os queridos pais de Carla Cantídio, hoje à noite, com meu amor reclamando do barrigão que doía um tantinho... quando vimos a cena.
Um casal, morto de apaixonado, numa moto, acredito eu – até pelas circunstâncias – a caminho de casa, na Avenida Afonso Pena, no Tirol.
Ele vestia um macacão branco.
Cheio de sangue.
Era açougueiro, certamente.
Ela um jeans, essas blusinhas da moda cheia de brilhos e rosáceos, um casaco amarelo.
E como se acariciavam!
Cada sinal que vermelho ficava, o verde se abria em beijos, amassos – e eu achei liiiiiiiiiiiiindo, aquele casal.
Tão sujo, ele.
Tão apaixonados, os dois.
Fiquei pensando no tal amor.
Que pode tudo.
Que em tudo crê.
Que tudo vence.
Quem pensem, ou não pensem.
O casal, que se desdobrava em amor... estava, àquele momento, distante de tudo, de todos, nem aí para o mundo. Como tem que ser o amor, aliás.
Pararam numa lanchonete – ah, quem se importa com quem vai olhar, se absurdar!
São pessoas decentes, que trabalham? Então que se dane o olhar que discrimina o outro.
Vale o amor.
Mesmo que seja entre um açougueiro, podre de sujo, voltando do trabalho...
E uma jovem apaixonada, toda colorida.
Limpinha, feliz, carinhos de amor.
E eu, bobo que só, jamais vou esquecer daqueles dois.
Nem do amor que vi ali, sobre uma moto, numa noite fria do Natal...
Dona inveja, minha amiga
24/05/2009 às 23h55
Sempre tive uma boa relação com a inveja.
Sempre tão íntima, tão próxima a mim, fiz da inveja a minha aliada.
Diferente do que muita gente diz: a inveja, ah, é minha amiga!
E não tenho nenhum pudor em confessar.
Talvez nosso primeiro encontro tenha sido quando eu... ah, tenho “ódio” desse assunto... fui eleito Bebê Johnson, com um ano de idade.
Sim: minha mãe fez com que eu pagasse esse mico, pode?
Fato é que venci.
E... uma mãe, de um dos participantes, se revoltou.
“Esse menino não poderia vencer nunca. Ele é um cabeção!” – minha mãe respondeu assim... “É para guardar as inteligências, que serão muitas, que o farão diferente”.
Nascia, aí, minha boa relação com a inveja.
Que vinha truculenta. E era recebida com amor. E ternura.
Aí...
Na escola, no Rio de Janeiro, até chegar ao Colégio de Belas Artes fui, sempre, líder de classe.
E namorei as mais lindas meninas... Hoje, amigas queridas... casadas, bem casadas, com dois filhos que... se chamam Chrystian. E, claro, sou muito amigo dos seus maridos.
E fiz as festas de aniversário mais animadas e criativas – é, àquela época já me exibia um bocado.
E sempre fui amigo dos melhores amigos...
E, fazer o quê?, construí minha vida sobre alguns alicerces – e felicidade, bom humor e abuso, assim juntos, foram alguns deles.
E... a solidariedade, que é minha prece diária, também.
Tem inveja que possa com tudo isso?
Cheguei à faculdade e... uma turminha que era doida para espalhar intrigas... simples assim: não a via.
Não gosto nem nunca gostei de gente pela metade.
Gente pela metade, pra mim, é gentinha...
Aliás, tenho outros lemas: não vejo, não leio, não ouço nada do que não me faça melhor, mais inteligente, especial.
E se por um acaso, por exemplo, existir alguém que adora falar de a, b ou c, escrever algo meio assim sobre Chrystian de Saboya: é perder tempo. Não leio.
E tem outra: não admito que ninguém chegue me contando. Simples: não ouço.
Não gosto de notícia ruim, nem notícia má.
Ah, tem inveja que possa assim?
Ouvidos foram feitos para uma boa música, para ouvir uma bela história de amor.
Os acostumei assim e eles não ouvem nada que não tragam boas novas.
Lembro-me de que, por exemplo, na faculdade, meu carro, um Mégane, à época, havia sido arrombado duas vezes na frente da instituição.
Antes que acontecesse a terceira vez, pedi autorização, ao reitor, para estacionar, quando vaga tivesse, dentro da faculdade.
Foi um sem fim de reclamações.
As pessoas não chegavam para brigar por seus direitos.
Brigavam pelo meu direito conquistado.
Meu carro continuou, até o último ano, dentro do estacionamento.
Não respondia, não ouvia... Pronto: e a inveja do outro se tornava minha aliada.
Aliada de pernas quebradas, a bem da verdade.
Com as festas que realizo – e que, sem modéstia, são as melhores, as mais felizes, as mais produzidas – outras invejas surgiram.
Na época em que me inspirei em Cazuza para desenhar a noite “Exagerado”, fui “denunciado” por duas pessoas do Natal – aliás, bem conhecidas.
Foi preciso uma carta, assinada por um padre, para mostrar que a festa, àquela época, construía casas para quem não tinha onde morar. E que eu não estava usando a imagem de ninguém...
Só estava homenageando meu ídolo, e nada mais.
Mas agi com toda tranqüilidade do mundo - até porque, não faço nada errado.
E Exagerado foi um sucesso!
Aliás, o meu primeiro grande e estrondoso sucesso!
As pessoas que mandaram – uma um convite, outra uma carta anônima, seguiram pela vida, postas à piedade.
Eu... rindo com a vida, agregando gente boa ao meu redor, fazendo o bem.
E toda festa que faço sinto seu peso, à minha vista.
Mas a encaro de frente – e no lugar de fazer disso um problema, tiro proveito, trago para meu lado e... dou umas boas risadas.
O problema da inveja é com quem sente - não com a "vítima".
O caminho da inveja é desejar o que o outro tem de melhor. Então, vê que louco... não é inveja!
É admiração!!!!!!!!!!!!!
Não é o máximo, pensar assim?
Quando resolvi colocar esse site... recebia, sempre, uns e-mails anônimos de uma pessoa que estudava comigo àquele tempo.
E-mails grosseiros, ingratos e malfazejos.
Até o dia que, com a Maxmeio, resolvemos rastrear certas agressões: e tudo foi descoberto. E as máscaras da inveja...
Eu segui feliz, realizado.
Agora...
Tadinhos...
Fato é que a inveja não me pega.
Nem prega.
Nem nega.
Nem nada não.
Não a sinto, nem a quero no meu coração – mas lhe dou as mãos sempre que preciso for.
E a transformo numa aliada para o meu – fazer o que? – sucesso.
Nunca se importe com a inveja, quero dizer, com tudo isso.
Confie na sua capacidade, siga em frente.
E até se você for varrer uma rua, seja o melhor varredor do mundo.
Os bons de verdade, a inveja não derruba.
Não ligue, não ouça, não veja.
Nós, na vida, só vemos aquilo que queremos.
Cabeça erguida, coração valente e nas mãos uma flor.
Ah, tem inveja que possa com o amor?
Tem?
Chegando a hora
17/05/2009 às 10h07
Nossa vida já mudou – e ela ainda nem veio...
Mudou quase tudo.
O racional, o emocional, o espaço da gente.
Colocamos nosso apartamento abaixo. Mudamos piso, subimos parede, derrubamos chãos, revestimos, pintamos – e, claro, um novo quarto para Valentina.
As prioridades, de uns meses para cá, são outras também.
A melhor TV, o lustre mais lindo – tudo só para Valentina.
Interessante, agora, essas descobertas.
E, quem diria, eu sonhando com mamadeira, pente, cueiros, berços, escovinhas...
Outro dia sonhei que ela estava na cama, conosco. Acordei com uma dor horrível nas costas. E percebi que passei a noite duro, na cama, com medo de me mexer e... bater em Valentina.
E eu, que sempre gostei de Casa Vogue, agora me vejo debruçado sobre quartinhos de bebês.
Resolvemos fazer tudo branco. Compramos o enxoval no Rio de Janeiro e me inspirei nas nossas duas poodles, Terezinha e Maria do Socorro, para o quarto de Valentina. Todo branco, as duas meninas pretinhas, tons de rosáceos bem secos aqui e acolá.
E ficou liiiiiiiiiiiiiiiiiindo. E já tem o cheirinho dela, da menina linda que Deus vai nos mandar de presente.
E por ela, mudou tudo, realmente.
E ela nem veio, ainda.
Meu amor com uma barriga enorme, tranqüila, a espera da vida.
Estranhos sentimentos chegam junto.
Não sei se mais sensível com o mundo – sensibilidade sempre foi um caminho muito meu – mas estou mudando, dia a dia.
Ver Keity com aquela barriga linda, sempre tão tranqüila, tão mansa... tão meu amor...
E nós dois, juntos e apaixonados faz 19 anos, a espera de mais amor.
Ainda cabe.
E queremos mais dois, pós Valentina.
Sentir tudo isso é uma maravilha!
(Mais) um presente de Deus, sempre tão querido conosco.
O amor é Azulzinho
14/05/2009 às 23h27
Estava a caminho de uma reunião na TP Publicidade, hoje à tarde, quando o telefone tocou.
Angustiado, o fotógrafo Canindé Soares, que além de excelente profissional tem uma alma boníssima, pedia socorro.
Para um cachorro, poddle com as minhas Terezinha e Maria do Socorro, com uma carinha triste por demais e o corpinho franzino.
Canindé havia o encontrado àquela hora, coisa de 17h, no Tirol.
Seus donos, sem nenhum amor no coração, teriam "jogado fora” o pobre cachorro. Assim, como se um lixo fosse.
Dei meia volta.
E fui à procura do cãozinho.
Na rua, vizinhos me contaram o que aconteceu.
“Seus donos não querem mais ele. Ele está muito doente”.
“Jogaram o cachorro fora quando ele mais precisava de cuidados e de amor”.
“Que ser humano é esse?”...
Por que?, como tiveram coragem e que atitude tão desumana foi essa, não me interessa.
Num mundo onde se esquarteja crianças tadinhas, onde se mata pai, mãe e filhos – o que dizer, que sentimento chorar?
O que queria era resolver a situação daquele cão – a margem da vida, graças aos seus donos inacreditáveis.
Uma cara tristíssima, coberto acho eu por dor e... iodo.
O chamei de todas as formas. Ele não veio.
Queria latir, não tinha forças. Nem ânimo.
Era um latido gélido, inaudível, de dor.
Na esperança de seus donos abrirem o portão, não saia de frente da casa, chorando um choro contido, desses que a alma, apenas, ouve.
Ah, meu Deus! Mais um cachorro abandonado na minha vida!, pensei...
E briguei com Deus!
"Mas homem, eu tão ocupado! Lá vem o Senhor colocando chafurdo na minha porta... É sempre assim. E lá vou eu! O Senhor fica aí no céu, no bem bom, eu correndo como um louco!"
E rezei um Pai Nosso, acho que para me redimir.
E lá fui eu para tentar novamente. E mais uma vez.
Até que decidi ir até a minha clínica veterinária, a caça do anjo Alexandre.
No Centro Veterinário São Francisco de Assis, seu Antônio, fidelíssimo escudeiro dos anjos Diógenes e Joana Darc, se prontificou a me ajudar.
Sem forças, “Azulzinho”, será esse seu nome, se rendeu ao meu amor.
Como converso com bichos como converso com gente – e olho nos olhos, como olho nos olhos de gente... ele de cara resolveu se apaixonar por mim.
E fomos os três: Azulzinho, seu Antônio e eu.
Na São Francisco de Assis, Joana o consultou.
Cheio de feridas, com uma infinidade de carrapatos e muito machucado, Azulzinho estava, desde a manhã, no meio da rua. Perdido, desorientado, sem rumo, sem prumo.
Não comeu nada, não bebeu água, não encontrou amor até se deparar com o olhar de Canindé Soares.
A uma hora dessas, dorme feliz – sem entender o que lhe acontece, certamente que não.
Tomou banho, foi tosado, fez exames e... comeu muito.
Agora dorme o sono dos justos. Daqueles que nada fazem para se deparar com a crueldade do ser humano. E encontram , o que é uma pena.
Sonha com dias melhores, certamente.
Sonha com o dia em que a humanidade terá a hombridade de respeitar os animais.
Seus donos? Não me interessam. Nem os seis, nem nada não.
Torço para que, na próxima encarnação, venham como cachorros.
E que Canindé Soares um dia os encontre na rua.
E me telefone.
Foto: Canindé Soares
Assumidamente careta
28/04/2009 às 12h00
Se tem uma coisa que acaba comigo é a tal separação...
Hoje soube de três.
Assim, de uma tacada só.
Sempre sonhei com o arquétipo do “amor eterno” e quando histórias de rupturas, sem pudor algum caem a minha frente, caio junto.
Sinto junto.
Amor tem que ser para sempre sim.
Amor tem que ter exagero sim.
E a tal cumplicidade, respeito sem fim, cumplicidade até sempre.
A modernidade deve ter destruído tudo isso.
Hoje se conhece agora e... cama.
E no dia seguinte, para que suspiros e encantamento?
Para que esperar um telefonema, uma mão que passa e treme, o coração em disparada?
Para que?
Não existe necessidade...
A necessidade é urgente, latente, como se fossemos bichos. E somos, insanos.
O amor foi se esvaziando ao longo da vida.
Foi-se indo.
Namorar, casar, separar: tudo tão rápido, feito uma estrela cadente, decadente sobre vidas e corações do mundo.
É o que se vê, por exemplo, entre artistas. Se casa e se separa com uma rapidez exagerada, um modelo a não ser seguido.
Não só uma plantinha precisa de tempo.
O coração, o corpo da gente, carece disso também: de tempo.
Atropelar sentimentos pelo tesão é atropelar a vida. E a vida, sem tempo, se perde no meio do caminho.
Sei lá se é por isso que tantos casais se separam...
Mas fato é que as pessoa precisa de tempo. E esperar...
E pensar...
E esperar...
Claro que me refiro aos casais da modernidade: que brigam por uma besteira e encerram histórias de amor que talvez fossem se desenhar, ao longo da vida, belíssimas...
Separar tão rápido pra que?
Calma, minha gente – coração, acreditem, também curte sonhar.
E fazer nada também.
Coração, mesmo batendo... acreditem, também para...
E ainda abrem um sorrisão
22/04/2009 às 12h41
Tenho andado muito em hospitais de uns meses para cá.
Eu, Keity e Valentina.
Aliás, o que vou contar aqui sempre me foi muito íntimo, muito cúmplice.
A pobreza sempre esteve mão na mão comigo porque, graças a Deus, solidariedade é uma bandeira minha, faz tempo.
Mas agora é na minha pele, na pele do meu primeiro filho.
Keity, que é saudável e tem uma vida mansa, tem feito muitos exames.
Disso, daquilo, daquilo outro.
Toda santa semana um médico, para respirarmos aliviados sobre a chegada sã, de uma filha tão sonhada.
Ontem, voltando do laboratório, eu, Keity e Valentina pensamos juntos nas pobres pessoas desses Brasis.
O Brasil do diminutivo, de escândalos vergonhosos da classe política, uma gente paupérrima sim: mas de alma.
Enquanto se mata Celso Daniel e não se descobre porque não quer...
Enquanto se afoga calouros em universidades...
Enquanto se arrasta criança pelo pescoço...
Enquanto tiroteio vira cena comum em Cidade Maravilhosa...
Enquanto se paga mensalões...
Mensalinhos...
E passagens aéreas viram uma vergonha nacional...
No Brasil falta respeito à saúde da sua gente.
Hospitais decentes, gente tratada com vergonha, com cidadania, com respeito, pelo menos.
Um povo tão pobre, políticos tão ricos.
Como fazem essas pobres grávidas que passam fome?
E quem precisa de uma ambulância, um curativo, uma cirurgia dessas que atravessa a alma?
Como vivem os pobres desse Brasil?
À deriva, todos nós sabemos.
A história de uma grande mulher
11/04/2009 às 00h01
O Museu de Dona Beja: mesmo com ausência de história o local emociona
Fonte da Jumenta, onde Beja banhava-se: virou atração de um hotel
Primeira casa de Beja, de onde foi sequestrada: hoje um hotel. Cadê a história?
A Flor do Beijo, que deu nome a feiticeira dos Araxás
O museu Dona Beja: nada é dela. Tudo cenário
Era tão menino que nem me lembro.
Aliás, minha memória é péssima. Quase ínfima, quase um traço. Esqueço tudo.
Mas era tão moleque que minha mãe, por exemplo, fazia cara feia quando eu grudava na Rede Manchete e assistia a Dona Beja, novela de grande sucesso na emissora, lá por 1986.
Cheguei a Beja – ah, o amor permite certas intimidades! – pelos braços de uma das maiores amigas da minha vida: Lib Maurey, uma carioca nascida em Araguari, nas Minas Gerais, tataraneta da Beja dos Araxás.
Lib sempre me contou histórias lindíssimas sobre Beja.
Mais tarde li Agripa Vasconcelos, um autor mineiro de extrema importância no cenário literato do Brasil dos 1900. Debrucei-me ainda moço sobre a obra de Agripa Vasconcelos, para mim, um dos maiores romancistas brasileiros. Foi ele, com Machado de Assis, que me fez um apaixonado pela literatura destes Brasis.
Beja – assim mesmo, sem o “i”, nasceu em Formiga, uma cidadezinha muito pequenina, no Norte dos Gerais, em 1800, pelo nome de Ana Jacinta de São José e mudou-se aos 15 anos para Araxá, linda cidade a 377 quilômetros de Belo Horizonte.
Amada de Antônio Sampaio, homem de família conservadora e tradicional de Araxá, Beja teve uma vida trágica e surpreendente.
Foi vítima do desejo de Mota, ouvidor da Coroa Portuguesa, em visita a Araxá.
Depois de presenciar a morte do seu avô, Beja é raptada e levada para a vila de Paracatu, onde o ouvidor morava em um casarão imenso, cheio de luxo para a época.
Lá, foi estuprada e teve a vida encerrada de sonhos e paisagens dos amanhãs.
Para vingar-se do seu algoz, Beja servia aos homens que a desejam em troca de jóias e ouro todas as vezes que o ouvidor estava ausente da, antes de Beja, pacata cidade.
Chamado pelo imperador a instalar-se na Corte, Mota abandona Beja, que a essa altura já era uma jovem mulher dona de uma grande fortuna.
Ela parte de volta para Araxá para encontrar sua grande paixão, Antônio.
Que, decepcionado, já não a esperava mais.
Sem compreender as atitudes de Beja, Antônio casa-se com Aninha, moça frágil e delicada que sempre o amou. Com a recusa de Antônio, Beja promete não amar a nenhum outro homem e funda a Chácara do Jatobá, um bordel refinado onde ela se transforma num mito como cortesã, escandalizando todas as famílias conservadoras de Araxá.
A chácara prospera, Beja se torna poderosa, envolve-se com João Carneiro, mas não consegue se desligar de Antônio, o homem de sua vida. Até que uma tragédia acontece.
Antônio manda-lhe dar uma surra. Beja, ao descobrir, manda matá-lo.
Por influência dela, Mota determinou a devolução para Minas Gerais das terras do Triângulo Mineiro, que tinham sido transferidas para a capitania de Goiás.
Foi em busca dessa história que cheguei em Araxá.
Lindo chão, cidade encantadora.
Mas que muito deve a Dona Beja.
Lá, o único museu que leva o nome da mulher que escandalizou um mundo medíocre do século XIX, na, então, preconceituosa Minas Gerais de 1800 e tantos, não tem lá tantas deferências assim.
O Museu Dona Beja, que abriga sobre cacos de madeira e atrativos quase inexistentes a história da cidade, nada tem sobre Beja.
Dizem, uma corrente dela. E uma balancinha onde, dizem também, Beja pesaria seu ouro...
E nada mais. Nada.
A cidade, que ficou conhecida aos olhos do mundo graças à história de Beja, muito deve a rainha dos Araxás.
E isso doeu. Profunda, verdadeiramente.
A prefeitura tem, sim, que dar um jeito.
Reconstruir a história, resgatar o mito, abraçar a mulher que levou Araxá para o coração de tantos.
Que se encontre a família, que se resgatem objetos. Que o museu de Dona Beja seja realmente dela. Somente dela.
Araxá tem essa dívida.
Mas amo Araxá, mesmo assim!
Fotos: Arquivo Pessoal
A noção que o ser humano perdeu
08/04/2009 às 15h43
Dois motivos acabaram com meu coração vagabundo hoje.
Um... a prisão do noivo de uma moça de Mossoró, por possível envolvimento com as drogas, no Ceará.
O outro... a prisão do noivo de uma moça de Mossoró, por possível envolvimento com as drogas, no Ceará.
O primeiro lamento profunda, verdadeiramente. Lamento com a alma sangrando – até porque os dois, acusado e jornalista estavam de casamento marcado para maio.
E... a droga é um caminho avesso a Deus, perto do fim, destruidor de almas...
Palmas, claro e sempre, para a polícia, que luta sem trégua contra esa dor.
E, acreditem: desde a hora que soube, só rezo.
E rezo, e rezo...
Mas tão lamentável quanto... é outra droga que inferniza a pobre humanidade: a fofoca.
Desde as primeiras horas da manhã eu soube do fato, através de um jornal de Roraima, onde tenho amigos e comentaram comigo.
Coração partido, fiquei quieto.
Não disse nada a ninguém até o primeiro telefonema, às dez da manhã.
E um atrás do outro – e um mais sarcástico do que o outro.
Mais inacreditável do que o outro.
- Soube da bomba?
- Será?
- Será?
- Será?
Meu Deus, quanta gente sem noção nessa vida!
Nem a Páscoa se respeita mais!
Primeiro: como é que pode existir um ser humano que pega um telefone para espalhar esse tipo de notícia – ou notícia ruim, qualquer uma que seja?
Como pode existir alguém que passe e-mails assim: “rindo” da dor alheia????
Chega a soar como mentira para meus ouvidos.
Se tem uma coisa que não suporto é gente que ri de gente.
É gente que se felicita com a desgraça alheia.
De gente que, agindo assim, é gente pela metade. Ou é quase nada.
E gente pela metade, gente má, gente que se diverte com a dor do outro é, para mim, um traficante também.
Mas de energias ruins.
Sem saber que a vida gira.
E que a próxima vítima pode ser a droga da sua vida.
Esse texto eu dedico a... Um ser doce, querido, do bem. Uma pessoa que luta para ser feliz, uma alma boa.
Não precisa dizer nomes... basta pedir a Deus que escute as suas, as nossas preces.
E que tudo dê certo.
Dará.
O Nariz de Valentina
30/03/2009 às 19h59
Estou vivendo, de verdade, a melhor época da minha vida.
Acabamos de chegar, eu, Keity e Valentina, de uma ultra-sonografia morfológica, para saber se estava tudo bem com o nosso bebê.
Está! Aliás, melhor, impossível.
Valentina tem todas as medidas normais, está um bolo fofo de gordinha, com saúde para dar e vender e...
Tem um nariz igual ao meu.
Ou seja: a menina já é um abuso!
- Emílio, homi, que nariz exibido é esse?
- Ah, Chrystian! É o seu nariz todinho! Quer dizer... hum... o dela parece ser mais empinado!!!
- Verdade?!
Fiquei me achando, claro!
Na ante sala, antes de fazer o exame com Emílio Hipólito, referência no Estado quando o assunto é mergulhar no útero da mulher - uma sumidade, realmente, encontrei com um pai.
E ri dele, vê que bobo.
É que o pai estava com um sorriso tão grande, mas tão grande - que eu ri. Muito.
Achei lindo. E engraçado, aquele riso todo.
Ele vinha do consultório do Emílio, e espera do DVD que trazia a história do seu filho e da sua mulher, com um barrigão imenso...
Mas ria muito.
Aí entramos.
E Hemílio passa álcool, tira álcool, vê tudo, bisbilhota tudo e... "Meus amigos, está tudo ótimo!".
Eu quase morro de felicidade.
E, claro, fiquei com o bocão aberto igual aquele pai que acabava de encontrar na ante sala.
Quer dizer...
Meu sorriso era maior.
Bobo, eu, né?
Quanto custa adoçar a alma?
25/03/2009 às 13h18
Numa boa, resolvi, com a vida bem mansa hoje, ir para praia. Ponta Negra, “Posto 7”, é meu pouso. Ali, perto do Manary, onde sempre aproveito para tomar sucos ótimos, um açaí divino e...
E eu vi uma senhora.
Negra da vida, negra do tórrido sol.
Estava vendendo cocadas. De toda cor. Usava uma roupa branquinha, aquilo, presumi eu, que um dia foi um traje de baiana.
Magrinha, carregava um tabuleiro pesado, imenso, cheio, vê que paradigma, de açúcar.
E de um em um pedia para comprar “as mais gostosinhas cocadas da praia”.
Ela tinha razão. Gostosinhas, vírgula: maravilhosas!
Dona Josefa de Jesus Oliveira tem 74 anos de idade. Teve, pela vida de meu Deus, 8 filhos.
Hoje cuida de um, especial – e de 6 netos. Sim, seis netos vivem sobre seus cuidados.
O marido “sumiu no mundo, faz tanto tempo que nem me alembro”.
Velhinha, dona Josefa, que teria mesmo que ter o nome de Jesus entre os seus, deveria estar em casa, fazendo crochê, vendo televisão, cochilando, botando nada para sua frente para cuidar.
Mas não: trabalha madrugada todinha. Só descansa terça, por que terça “é meu dia sagrado”.
E quando a madrugada vai, dorme um tanto. E acorda logo, vai para praia espalhar doçura, num ônibus que a leva de Mãe Luiza, onde mora faz “toda vida”.
- Meu filho, você pergunta muito”, disse, doce feito suas cocadinhas...
Ah, como amei ter conhecido, nesse dia de sol lindo, dona Josefa!!!
Percebi, através das mãos esquálidas daquela senhora, que é, claro, possível adoçar a nossa vida com muito pouco.
Eu hoje adocei ainda mais a minha com um real, uma cocada bárbara e a história de uma velhinha linda, encantadora, mágica.
Ah, vida boa e barata, essa!!!
Quem cochila, o rabo espicha
21/03/2009 às 18h47
O Cd, minha infinda alegria
É, eu sei: “quem cochicha o rabo espicha!”.
Mas... o texto é meu – aí, kkkkkkk!, faço o quem bem quero.
Estava eu em Salvador, a caminho de Morro de São Paulo, acho que cinco anos atrás.
Vocês sabem que adoro viajar, né?
Aí... um jantar (vocês sabem também que eu adoro comer) no Trapiche Adelaide, um restaurante divino, de extremo bom gosto e comida de fazer a alma suspirar.
E de repente ouvi, ao fundo, uma voz linda cantando.
E cantou mais uma vez.
E cantou de novo.
Era, perguntei ao maitre, uma cantora baiana que se chamava Virgínia Rodrigues.
Que voz.
Densa, mas tênue.
Forte, apesar de atingir sopranos inalcançáveis para um mortal. Mas de cara percebi: Virgínia Rodrigues não é desse planeta.
Que voz, meu Deus!
Ela cantava “Mimar Você” com um arranjo que, sinceridade?, deslumbrou minha alma anarquista.
E desde então perdi o sossego.
Um desassossego bom, como diria Guimarães Rosa, lá pelos Gerais.
Quem viajava, pedia para comprar o Cd.
Se viajava, procurava o Cd.
E nunca, aquele, em minhas mãos.
Núbia Dantas Costa, Luziane Paulino, Marina Elali, Larissa Borges, Leo Fialho, Kau Cavalcanti: ninguém nunca encontrava o bendito Cd.
E eu vagava...
E sonhava com Virgínia Rodrigues... que foi descoberta por Caetano Veloso durante um ensaio do Bando de Teatro Olodum, em Salvador, lá por 1997.
Depois de mais de vinte anos cantando em coros de igrejas, ela foi convidada pelo diretor Márcio Meireles para participar da peça “Bye Bye Pelô”, onde Caetano a viu pela primeira vez.
De origem humilde, Virgínia traz referências populares e líricas do que ouviu na infância... O resultado é que seu canto vagueia entre o erudito e o popular. É um canto com alma, alegria, “sofridão”.
E continuei procurando.
E de loja em loja, de cidade em cidade – e nunca.
Aí...
Certo dia estava no Recife, com minha amiga Juliana Rosado. Amiga desde sempre, aliás.
Fomos ver sei lá o que. Sem nenhuma pretensão, paramos na Saraiva, a beira do cais no Recife e... tomamos um café, comprei um livro italiano para Keity, descobri uma edição nova de “Dom Casmurro” e... fui até a sessão de Cds.
E quem olhava para mim?
O Cd de Virgínia Rodrigues, que eu procurava fazia 4 anos.
Ah, Deus! Como vibrei!
Comprei, voltei cantando, botei pra todo mundo ouvir: Ah... eu e meus exageros.
Foi como um presente dos céus, aquele encontro.
O Cd era “Nós”, gravado no Ano 2000. Mas ela gravou “Sol Negro”, em 1998, “Mares Profundos”, em 2004 e “Recomeço”, no ano passado.
Não precisa dizer que todos fazem parte da trilha sonora da minha vida, precisa?
Bem, com tudo isso quero dizer que... a gente, mesmo que demore um tanto no mundo, é feliz.
É feliz por esperar, por cantar, por reencontrar ou, no meu caso, encontrar.
A felicidade que senti à época do meu encontro com “Nós” foi tão forte, mas tão forte, que eu resolvi dividir com vocês – mesmo passados três, quatro meses.
Acredite: um dia, a felicidade chega.
E... se para você é um carro chiquérrimo, uma viagem para outros mundos, um colar de diamantes...
Para mim foi os Cds, todos, da negra linda Virgínia Rodrigues.
Minha felicidade é sempre assim: chega cantando.
E anuncia boas novas.
Quer mais lúdica missão na vida?
Devaneios sobre morte, abandono e ingratidão
20/03/2009 às 23h18
Confesso que não consegui digerir muito bem a semana que passou.
A morte do deputado Clodovil Hernandes me doeu por vários caminhos – e, acreditem, nunca fui fã dele.
Sempre o achei esnobe demais – e, como espiritualizado que se dizia ser, Clodovil sempre agrediu demais, polemizou sem inteligência, foi muito contundente em assuntos do tipo “fulano é gay”, “cicrana é prostituta” – e por aí vai.
Agredia, falava em amor ao próximo, agredia, falava em Deus.
Incoerente, muito, para mim ele sempre foi.
Clodovil, talvez, tenha, sem saber, procurado esse fim.
Um fim à sua maneira.
Quando morreu, lamentei bastante.
Não podemos negar: ele foi um grande homem. Ícone da moda brasileira, um apresentador que acertava vez ou outra, um deputado federal, apesar da responsabilidade de mais de 450 mil votos em São Paulo, apático.
Mas que foi um ser que cravou seu nome na história, ah isso foi.
Mas, Deus quis assim, Clodovil se foi.
E foi sozinho, num quarto de um apartamento, sentindo dores, talvez, de abandono.
O mesmo abandono certamente sentido quando seus pais biológicos o abandonaram ao nascer, 71 anos atrás.
E, de repente, senti um “descaso” no ar.
Como fizemos uma cobertura excepcional (se é uma coisa que não tenho é a tal da modéstia.
Principalmente porque sei que esse site é o site)... pois bem... na tarde da sua morte, terça-feira,17, passei horas a fio no computador.
Pesquisei a vida, a obra, as frases, o homem que se transformou no maior costureiro do Brasil.
Longe do exagero de Dener – e, mais recentemente falando, das cafonices de Ronaldo Ésper - nem sei se é assim que se escreve.
Clodovil, no corte e costura, foi o cara!
Aí... comecei a perceber que as chuvas que castigavam São Paulo àsquela tarde, para a imensa maioria dos sites brasileiros, por exemplo, eram “mais importantes” do que o falecimento de Clodovil.
Não era. Com o descaso do governo paulista, afogar-se na maior cidade do Brasil quando uma chuva cai, é lugar comum. A morte de Clodovil, não.
Penei, àquela tarde, para fazer a cobertura da sua morte.
E não chegava nada interessante, inteligente, que valesse a pena ler. Nem em sites, nem em agências nacionais de notícias.
E o tempo passou.
E eu, decepcionado, fiquei pensando com meus borbotões.
Terá sido pelas inúmeras brigas que burramente se envolveu?
Terá sido por que de alguma forma os jornalistas não se interessavam por Clodovil?
Terá sido porque ele “desconstruiu”mais do que construiu?
Terá sido porque muita gente se diz amigo e a bem da verdade não era, nem nunca foi?
Terá sido o quê, então?
Ainda não sei. Mas queria dividir essa angústia com vocês.
Aí veio o enterro.
E quase ninguém apareceu.
Como se morresse e... fim. A bem da verdade, até é. Mas no caso de Clodovil, não deveria.
E o enterro começou, terminou e... quase ninguém ao redor.
Achei, por exemplo, um absurdo, nenhum artista no velório.
Isso me doeu ferozmente.
Logo a classe, sempre tão unida?!
Clodovil lançou muitos nomes, grandes nomes passaram pelos seus programas, elogiaram seu talento, vestiram suas criações, foram saudados por sua verve sei lá como.
E na hora do adeus, só Deus.
Realmente morreu e pronto!
E tchau.
Em um dos jornais da televisão, se dizia: “200 pessoas no enterro de Clodovil”.
Vi Agnaldo Timóteo (mas não o considero um artista, perdão) e vi Vida Vladd, atriz, a famosa e simpática Ofrásia, que havia trabalhado com Clodovil apenas 11 meses, na Rede TV!
E uns políticos apareceram. Mas político, para mim, na sua imensa maioria – não merece lá tão bons comentários assim. Fato é que achei Clodovil sozinho.
O vi, aliás, só.
Teria, então, plantado aquilo?
Por que, meu Deus?
Morreu como veio ao mundo...
E morreu cheio de sonhos para realizar, cheios de ingratos a abandonar seus túmulos.
Morreu e pronto.
Aqui, mais uma. Não busquemos, na ingratidão, os caminhos da vida. Toda pessoa ingrata é uma pessoa feia, burra, pobre de alma.
Gente que cospe em pratos que comeu, gente que esquece o que foi feito quando precisava desse, daquele amigo, gente... ah, pela metade.
Clodovil merecia mais festa – mesmo que fosse no seu fim!
O Brasil ficou devendo essa.
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
17/03/2009 às 11h00
PAZ DE CHRYSTIAN abre espaço, hoje, para um texto que não é assinado por Chrystian de Saboya.
Mas que tem tudo a ver com o universo que o site escreve aqui, nesta coluna.
Sobre um psicólogo que varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'.
Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro.
Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou.. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!
Patrick Swayze, uma menina na Lagoa, a vida e o mundo de Deus
27/02/2009 às 18h29
Patrick Swayze: para sempre
Ah, me bateu uma tristeza...
Estava lendo o The Sun, agora pela web...
E de repente a notícia de que o ator norte americano Patrick Swayze, que está em fase terminal, lutando ferozmente contra um câncer no pâncreas, foi fotografado no Aeroporto de Van Nuys, em Los Angeles, embarcando em seu jato particular com a mulher Lisa Niemi e seu poodle, rumo a seu rancho no Novo México, onde ele estaria pretendendo passar seus últimos dias cercado de beleza e serenidade.
Magrinho, uma aparência triste demais... Swayze, perdão, Deus, não deveria, sei lá, passar por tanto sofrimento...
Na semana passada, Swayze não compareceu ao hospital Cedars-Sinai, onde recebia quimioterapia semanalmente, confirmando os boatos de que teria abandonado o tratamento por causa de seus efeitos graves colaterais.
Suas dores são tantas, que por vezes chora, diz uma outra matéria, no The New York Times.
Fiquei aqui pensando, cantando feito Cazuza: "Porque que a vida é assim?".
Assim sei lá como, que come, consome, mata por dentro.
Nossos ídolos, meu desde as matinês no Leblon, quando assisti Patrick Swayze pela primeira vez, em "Matador de Aluguel", não deveria desencarnar assim.
O espiritismo diz que o sofrimento purifica a alma.
Mas Patrick, que já fez tanta gente feliz com seus filmes, deveria, quem sabe, ter a alma purificadinha...
Por razões como essa, temos que pensar antes de pegar uma briga, de nos desentendermos com o mundo, de atirarmos pedras.
Aprendi desde muito jovem a não julgar.
E de um tempo pra cá ando mesmo tranquilão – e com o passar dos anos, mais manso, eu acho.
A receita é jogar para longe os ebós da vida, não espalhar notícias ruins, nem enviar e-mails meio assim, deixar de dar cabimento a gente traíra, pela metade, invejosa, fraca d’alma.
Para elas... preces. E adeus.
Para o mundo... rezas, sem fim. E caridade, amor, amor, amor.
Outro dia, passando pela Lagoa Rodrigo de Freitas, uma menina, lindinha, pedia esmolas num daqueles sinais insuportáveis do meu amado Rio de Janeiro, com uma camiseta sujinha no que um dia foi, talvez, um tom amarelado...
”Quero viver cem anos!”
Imagine só. Ela, ali pobrinha, querendo viver cem anos... mesmo no meio de uma guerra civil, encravada na injustiça social do mundo.
Imagine Patrick Swayze, que tão feliz fez tantos mundo a fora.
Imagine eu, pobre mortal...
Perdão, Deus.
Mas acho que tem gente no mundo que deveria, pelo menos, beijar a eternidade.
Tudo pode, o tal talento, o tal alento, o tal amor
10/02/2009 às 11h14
Como Tônia: Marjorie se reinventa. E encanta.
DeSaboya.com – você já leu aqui algumas vezes, é fã, daqueles de carteirinha, tudo o que lê curte e torce.
Ah, como o site – e o mundo todinho, né? – torcem por essa curitibana que chegou na Globo para ficar. E brilhar. E desenhar outras vidas que não a sua, em papéis que se eternizam por um motivo maior: seu talento... tremendo talento!
“Caminho das Índias” acabou de começar.
A nova novela de Glória Perez mostra um país mágico e trágico, uma cultura ora lúdica, ora absurda, com nós na garganta. Mostra amiga traída, dondoca louca, amores , abandonos e “gente doida”.
É nesse universo que vi, ontem, Tônia, a personagem atrapalhada de uma das maiores atrizes de sua geração.
Oclão, roupa balão, cabelo desgrenhado. E Marjorie Estiano, linda, já cheia de amor para dar... E de alegria para oferecer assim, de risos.
E não é que ela é ótima comediante!
Do outro lado da trama, Bruno Gagliasso. Um rapaz “abandonado” por uma família infinitamente mais “enlouquecida” do que ele.
Os dois, outro dia, se encontraram no escritório do pai de Tarso, o personagem de Galiasso.
Um esbarrão, uma história de amor se desenhando.
Ontem, no Rio, conversava com Roberto Carminate, diretor da novela, casado com Marina Elali, sobre “Caminho...”
- “Marjorie e Bruno (pia, a intimidade!) serão os personagens mais queridos dessa novela. Sei lá! Bateu uma química, uma energia diferente. Se dentro de uma tv fininha, cheia de fios e tecnologias o amor passa num olhar que seja, então, meu caro, aguarde cartas. E choros, soluços de amor. Ah, o amor...”
Curto televisão, vocês sabem.
Vi Marjorie pela primeira vez como uma vilã azeda, acho que se chamava Natasha, em Malhação.
Depois vieram as mocinhas Marina, de Páginas de vida e a sofrida Maria Paula, de Duas Caras, quando fez sua primeira protagonista.
Ah, e como fez bem!
Como trabalha bem!
Hoje, ao ver essa “menina véia” na televisão, me dá uma saudade do que deixei para trás em busca do meu grande amor... Saudade, apenas. Arrependimento jamais!
Ver Marjorie é sempre bom – faz aquele tal estado de encantamento chegar sem pudor algum.
Que ela e Bruno dêem show!
Que a história de amor entre uma “pobre menina feia” e um rapaz doente da cabeça, da alma... se transforme numa lição de vida para cada um de nós.
Que o amor, que supera tudo, cure vidas e almas.
E que encham de esperança os Caminhos... das Índias – e nossos também!
Viva o talento!
E viva Marjorie!
Ejaculação precoce
08/02/2009 às 11h24
Acho que estou voltando à vida, quase dois meses depois, mais elétrico do que nunca.
Ainda não reassumi meu site, porque ainda viajo por aí.
Mas percebi, de uns dias para cá, que ando piorado muito.
O melhor exercício da vida é você fazer pelo menos dez coisas ao mesmo tempo – quem escreveu isso certa vez foi Rimbaud, meu louco e preferido poeta francês.
E consigo, acredite.
Gosto de milhões de coisas sobre meu cabeção.
Até no sentido literal da palavra: cera, gel, fixador. Tem dias que uso tudo ao mesmo tempo, acredita?
Nem eu.
Mas de uns dias para cá o que tenho percebido em mim é a rapidez. Faço tudo muito rápido – e escrever então... chega a ser inacreditável.
No passado levava um dia para atualizar o site, por exemplo. Hoje, em três horas, faço tudo.
De Paz de Chrystian (devido às “reclamações” Paz vai voltar), até as notas do site.
Tudo muito rápido mesmo!
É como se “baixasse” um espírito em mim, sei lá. Como se não fosse eu.
Como se eu recebesse uma carga elétrica do universo e voasse em disparada.
Se é bom?
Adoro!
Aliás, curto – e muito, todas as bênçãos que caem sobre mim.
E não venha com essa de que não durmo. Depois das agulhas de Akira Yano, até dormindo estou. E muito.
E arrumei tempo para mais coisa ainda, mais festas (esse ano estou com a cabeça fervendo de idéias para nossos coquetéis, nossos eventos todos) mais devaneios, outros escritos.
Vê se agora meu livro sai.
Ta pronto, mas cadê tempo de tocar o barco?
Com tudo isso gostaria de dizer que a gente tem, sim, que ter pressa na vida.
Dormir demais, deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, fazer mais tarde – ou ficar parado, atrasa o mundo, o seu mundo.
Os mansos, acreditem, vencem pela metade.
E dormem no ponto.
Ser apático, sempre acreditei nisso, é ser pela metade.
E nada pela metade é tão interessante assim.
E quem disse que não?
05/02/2009 às 18h09
Desde que me entendo por gente, decidi, por ano, tirar dois meses de férias.
E me desligo de tudo – literalmente. É que sou do tempo em que as escolas davam férias de três meses - e os alunos aprendiam mais...
E não quero saber de nada.
Só meu mar, uns amigos escolhidos a dedo ao redor e, fazer o quê?, festa, muita festa! Tantas, que perdi a conta – e... para que contá-las, não é mesmo?
Foram – e estão sendo – dias de muita alegria.
Se no dia a dia já não falo com gente baixo astral, se não dou o menor cabimento para pessoas pela metade, se não leio quem escreve qualquer coisa, se risco do mapa os jilós da vida, e atendo apenas as pessoas com corações verdadeiros do outro lado da linha, nas férias aproveito para fazer tudo isso. Vezes mil.
Ah, felicidade...
Celular desligado, praia até o cair da noite, banhos na madrugada – e meu champanhe orange. É, na vida real também tenho lá meus exageros.
Desde o dia 17 de dezembro me joguei no Tibau – e para lá ainda vou, se Deus quiser, nas folias de Momo.
Desde o comecinho – o aniversário de Cleuze Fiúza, o aniversário de Letícia Ferreira de Souza, o aniversário de Zuíla Ramalho, o aniversário de Pedro Arraes de Mello – tudo lá em casa.
E os jantares assinados por Jorge Fernandes – hum...
E os grudes, as tapiocas de dona Erineide...
E as feijoadas, os chás, os cafés sem hora para the end, os hapy hours, os muuuuuuitos coquetéis assinados por Socorro Paiva, do Requinte que tanto amo.
Foram tantos dias de felicidade explícita, que (quase) estou recarregado para o novo ano que, sorry, para mim só começa lá por março.
Tibau é uma praia que amo. Amo até bem antes de mim. Desde o Coronel Vicente Carlos de Saboya, desde a casa da Tiazinha Maura Galvão de Saboya, que tem a mais bela vista daquele mar...
Tibau, apesar de ser um mar de abandono por parte do poder público, de ter seus morros de areia colorida devastados pelo “progresso” de uns, de não ter segurança, de ser suja... vale a pena.
Tem o mar mais morno que já vi na vida.
É a calmaria do Pacífico, com a vida abundante dos Atlânticos dos Brasis.
É uma praia linda – e cheia de surpresas. E, claro, cheia de amigos desde sempre. Aqueles que crescem junto, que acompanham vitórias, que não mentem, que tem alma.
Falando em alma...
Muito obrigado pelos e-mails. Desde o dia 17 de dezembro até ontem, mais de três mil. E todo mundo elogiando, muito, o novo site... Que ainda vai passar por mudanças...
E a nossa jornalista responsável pelo DeSaboya.com durante esses dias de pernas pro ar, quando a vida inteira parece sumir do mapa – e mergulhar por aí.
Muito obrigado a Verônica Garrido Roncari, com seu nome de star, que fez o que não pode para dar show.
E deu. Aliás, como nunca... Segurou a onda escrevendo bem, nada de erros, assuntos mis. Arrasou! Verônica é mais uma que segue conosco, a abrilhantar o site mais tchans do Rio Grande...
Idem, idem a Verona D’Moura, pelas festas, pelos frejes.
E... obrigado ainda por cada e-mail, cada recadinho, cada abraço.
Estou lendo um a um. Devagar, mas com toda a atenção do mundo...
Mais uma...
Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuitas novidades para 2009 – festas, gente do bem ao redor e o site, para variar dez tões, melhor, melhor, melhor.
Até pós o Carnaval.
Chrystian