Abraço em Deus
04/02/2010 às 10h35
De férias do mundo, não deixei de sofrer.
Aliás, nas férias a gente sofre mais. Porque o ócio nos permite esse caminho. E quando a alegria se transforma em demasia, a gente se pergunta: e o outro? Por que, por exemplo, o outro não come tão bem quanto a gente, não festeja, como a gente, a boa vida?
Carmas?
Deus?
An?
E nós soubemos, já à noite, do caos que se instalou no Haiti... dormir pra quê naquele doze de janeiro?
Como?
As notícias eram truncadas – mas o suficientes para arrastarmos nosso coração numa dor sem volta. Ah, como rezamos, àquela noite!
Um país já tão castigado por tiranos latino americanos... tantos irresponsáveis no poder, por tantos anos... e o país chamado de “Pérola do Pacífico” se transformou num inferno.
Em 1957 François Duvalier, o Papa-Doc, assumiu a presidência e implantou um regime de terror que durou até sua morte, em 1971.
O terrorismo político continuou sob o comando de Jean Claude Duvalier, o Baby-Doc, filho de François Duvalier.
Já na década de 1980, com a crise econômica e o empobrecimento da população, o regime de terror perdeu força, até que, em 1985, Baby-Doc fugiu para um exílio na França.
O país, então, estava morto, assassinado pela tirania irresponsável que corre as pobres Américas.
Entre 1985 e 1990, o Haiti procurou estabilizar sua situação política, mas uma sucessão de golpes militares impediu qualquer organização.
Pobre Haiti.
Pela manhã do dia 13, dona Zilda Arns virou outra dor em nossas vidas... ah, Deus, por que levá-la?
Mais de 200 mil mortos, diziam, já, àquela manhã, jornalistas da CNN... Estavam certos, os céticos.
Eu, sem abrir sequer o computador desde o dia 27 de dezembro, dia 31 de janeiro abri, rapidinho.
E encontrei um e-mail lindo enviado pela flor de gente Marília Bulhões, de Brasília.
Após a dor de oito dias preso sob o peso de mil escombros, sem luz, sem água, sem nada o que levar à boca, apenas Deus, eis que a vida grita. E essa cena, pelo resto de nossas vidas, vai gritar n’alma nossa.
Oito dias sem ver a sua mãe e sua família.
Olhos fundos pela desidratação, um sem fim de sofridão.
Não há lágrimas porque as crianças sempre guardam a esperança na vida, no colo, no abraço.
Não há dor porque a vida é ainda uma brincadeira para eles, diz o e-mail.
Por isso, quando se faz a luz, quando acaba o pesadelo.... sempre há um impressionante e caloroso sorriso.
De braços abertos para a vida e no aguardo do acalento da mãe, Kiki voltou para seguir a vida.
Uma pobre criança do Haiti, que, como todas as outras... come bolachas de barro. E sofre, e morre, e não.
É com o abraço dessa criança que eu abraço vocês... e canto que PAZ DE CHRYSTIAN voltou das férias.
Pelo menos PAZ...
Para você, para o mundo...
Nós descobrimos que Kiki, hoje, passa bem, Deixou o hospital de campanha ontem, três quilos mais gordinho...
Uma OnG norte-americana, a LIVE, sensibilizada, deu abrigo a ele, seus seis irmãos... e a pobre mãe, abandonada a sorte pelo marido dois anos atrás...
Hoje Kiki passa bem. Tem casa, comida, o aconchego e, num abraço lindo, os olhos de Deus.
Um sol dentro de mim
07/11/2007 às 00h04
Deus está em todo lugar, eu sei.
Mas às cinco horas da tarde ele aparece, infindo, na Paraíba.
Em pelo menos uma dezena de barzinhos feito palafitas sobre a Praia do Jacaré, acontece um momento único, mágico, daqueles que fazem a alma se arrepiar de emoção.
Estávamos, eu e Keity, voltando de Porto de Galinhos, a cem quilômetros do Recife, ontem, hora do almoço.
Aliás, amamos estar ali, em Porto – como os Pernambucanos chamam aquele marzão...
Praia belíssima, restaurantes divinos, muita lojinha linda, passeios encantadores.
Mas foi ás margens do Rio Paraíba que meu coração ficou. E, lá, ainda está.
Na volta, entramos em João Pessoa. Amigos podem tudo. Bruno Braga e Ana e Daniel Leite e Flavinha também.
Aí dormimos lá mesmo, na linda, bucólica e, no melhor dos sentidos, interiorana João Pessoa.
Segunda, quase cinco da tarde baixamos na tão famosa Praia do Jacaré.
Lá, Jurandy do Sax inventou, mais de vinte anos atrás, o que hoje é, sem favores, um dos mais belos passeios dos Brasil de meu Deus.
A época ele reuniu amigos, festejou a vida. E, ao som d’ O Bolero, obra-prima de Maurice Ravel, composta em 1928, comemorou a vida ao descer do sol sobre o Rio Paraíba.
Naquele momento, tocado por Deus, Jurandy viu a possibilidade de transformar o pôr do sol em um dos mais encantadores momentos da vida.
E assim o fez.
O Bolero ao pôr do sol da praia fluvial do Jacaré é por assim dizer... lindíssimo.
Ontem, não foi diferente.
Ali, diante do sol despedindo-se da vida, músicos entoam por todos os bares a música de Ravel.
Juntos, ao mesmo tempo, todos os músicos, sem trégua, nem piedade. Saem tocando. Uníssono, Deus invade o coração da gente.
E até as pedras sujinhas de lama jogadas a beira do caminho choram de felicidade.
Aí gaivotas voam, o mar vai mudando de cor, o sol se pondo, o céu se indo, barquinhos, catamarans, iates de ricos, helicópteros, canoas pobrezinhas... ufa!
E os músicos tocam Ravel na nossa frente. Nós, músicos e o sol se pondo. É lindo!
E uma canoa atravessa o rio com Jurandyr e seu sax inebriando Deus e o mundo de amor...
É tanta beleza junta, tanta informação junta, que se extasia. Entrei em transe.
Eu, imagine aí, que choro até com propaganda de sabão em pó...
Por dentro, um choro de alma.
E agradeci por estar ali com meu amor, vendo, ouvindo, sentido os cheiros do rio, do mar, da natureza na sua forma mais lúdica de ser...
Foi um momento lindo da minha vida.
Que a todo instante agradeço a Deus por tê-la.
Minha, viva, emoção no ar.
Amei João Pessoa – e isso devo ao sol, aos meus amigos da Bruno e Daniel e ao mar.
PS
Visitem João Pessoa. É pertinho de Natal. Vale a pena pegar o carro, passar um final de semana ali... Um dia que seja. E por favor, não morra sem apreciar a beleza do Pôr do Sol sobre o Rio Paraíba...
Sou feliz e canto
31/10/2007 às 23h52
Foi um stress grande, meu dia hoje.
Para começar, a Internet, ontem, pifou.
E amanheceu fora do ar.
Portanto, para ser bem claro, comecei o dia puto da vida!
Depois da empresa que cuida da minha Internet me visitar duas vezes durante as primeiras horas da manhã...
Na frente do computador passei, certamente, dez horas do dia. Dez horas ininterruptas. Fiz o projeto de dois grandes eventos – que me tomaram o dia quase todo; escrevi o site o dia inteirinho (tudo, aqui, é escrito por mim!) e escrevi duas colunas para o jornal Diário de Natal - a de amanhã e a de domingo, que entrego hoje.
Fora tudo isso, a vida lá fora.
Coisas para resolver, contas para pagar – e treze cartas de agradecimentos aos treze patrocinadores da minha festa, a Dance Dance Dance, que foram entregues, todas, hoje.
Ai, ai...
Forças? Onde as encontro?
Mas o dia, de verdade, começou, para mim, coisa de dezessete horas. Foi quando sentei-me para comer. Um suco sete da manhã, um sanduba cinco da tarde.
Receita do Cervantes, em Copacabana, no Rio de Janeiro: alface, queijos, tomates e abacaxi. E um suco de limão – o melhor do mundo, que somente Rita aqui de casa sabe fazer.
Enquanto dava a primeira mordida, senti a presença de Deus.
Estava de frente para a televisão que, na Rede Canção Nova, rezava o terço.
Aí...
Comecei a chorar. Muito.
Cansado e feliz.
E realizado.
Meu dia, avaliado ali, diante da Ave Maria Cheia de Graça – e de um sanduíche carioca.
Ah, como sou feliz!
Tanto que, mesmo cansado de doer, ainda posso escolher o que comer, o que beber, sentar-me à mesa farta da minha casa e ouvir uma prece.
Rita, sabendo das minhas adorações, me chamou.
- Vale a pena o senhor interromper seu lanche.
Da cozinha da minha casa, o céu pegava fogo. Era um fogo lilás, cor de rosa, azul da cor do mar. Lindo céu, ao entardecer, por frações de minutos, consegue ser mais.
- Que lindo! Cantei.
Foi o cor de rosa mais belo do mundo, um fogaréu de emoções.
Voltei para comer o sanduba. Pedi outro.
E corri para me arrumar.
Quatro compromissos inadiáveis fez-me voar para a rua.
Saí ouvindo Nara Leão, no mais alto dos volumes.
Adoro saber que os porteiros do meu prédio acham que sou louco.
- Não é o máximo?
No meio do caminho liguei para outro amor: Vera Lucena, linda dama, proprietária da Arban. E pedi que Dona Vera mandasse deixar dois presentinhos lá em casa. Ainda passaria em dois aniversários. Dois Santos de nome Antônio. Um para Lúcia Spínola, outro para Ceição Menezes. Era aniversário das duas, que amo.
Quase dez da noite, cheguei ao Midway Mall.
Fui comprar, para minha casa do Tibau, fogão, geladeira, freezer – essas coisas que toda casa tem que ter.
Aí cheguei em casa.
Um copinho d’água gelada e... o computador novamente. Tenho que escrever a coluna do jornal Diário de Natal. E voltar a colocar notícias no site...
De repente um e-mail.
Do Rio de Janeiro, Neto Medeiros escreveu um texto belo.
Que fez minha alma cantar, chorar e agradecer a Deus novamente.
"Sofisticado Chrystian...
Não me canso de ver a sua pagina. É a primeira coisa que faço quando acordo, antes mesmo de fazer a minha caminhada no calçadão de Ipanema...
E tenho feito propaganda do seu site... imprimo em papel especial, simpáticas filipetas com o endereço do seu site...
Muitos amigos já elogiaram e está virando mania no meu círculo de amizades. Pensamos até em escolher um dia da semana pra discutir os seus pensamentos em "Paz de Chrystian".
Assim vou contribuindo pra o sucesso da sua página aqui no Rio... Sei que é pequena a minha colaboração, mas é muito importante para mim...
Pois sigo esse viés: tudo que é bom, é pra ser mostrado e admirado! E com o seu site não poderia ser diferente! Obrigado por você existir, obrigado por sua Arte!
Sou do Maranhão, morei em Mossoró por dois anos e amo essa terra aí..."
Beijo,
Neto Medeiros.
Diz aí: é para eu andar de joelhos todo dia.
Pelo stress, pelo sanduba carioca, por poder ver um céu tão lindo – e, ainda morto chegar em casa e, de um leitor que nem tenho tanta aproximação assim ganhar um presente tão especial...
Deus é o máximo!
Neto Medeiros também!
BOTÃO MÁGICO
18/10/2007 às 08h06
Tem sido assim, meus dias.
Acordo, não é de hoje, muito cedo. Coisa de sete, oito horas.
Corro para o computador. E escrevo, escrevo, escrevo: site (tudo, escrito aqui, é assinado por mim) e minha coluna no Diário de Natal – que, raramente, repete, uma, o assunto do outro.
Aí vou para os braços da minha festa.
Aí corro para o computador.
E volto para minha festa.
E computador.
E saio para resolver assuntos.
E volto para o computador.
Almoço e... computador.
Somos uma máquina, literalmente.
E é porque vou dormir três da manhã. Todos os dias...
E daí?
Daí que acordo Lino! Disposto, cheio de gosto pela vida, atrás do sol. Aliás, eu não acordo. Em salto!
Daí que, quando a gente faz o que ama – e é do bem, tudo dá certo.
E nestes dois assuntos, sou catedrático.
Amo escrever – e com a responsabilidade de ter o site do Rio Grande do Norte... minha ‘responsa’ aumentou.
E sou da paz. Não vivo de futrica, não suporto baixaria, ninguém, nunca, me ouviu pelos cantos falando de a, de b, de c e adoro essa bandeira: se não gosto, apago até o celular da minha agenda. E esqueço o nome.
Ontem, entre as mais de 30 mil pessoas cadastradas no site, um recadinho de Bruna Soares de Vasconcelos fez minha alma cantar.
“Como amo seu site! Viciei. Em tudo. Da sua coluna ao seu coração. Paz de Chrystian sempre me emociona tanto que eu estou, faz um ano, apaixonada por sua alma!”.
- Não é lindo?
Chorei, até – o que não é novidade, porque choro com tudo. Até a última propaganda do Sabão Omo fez-me ir às lagrimas...
Mas como é lindo esse carinho todo!!!
E voltando ao tempo e ao eterno dilema: “Como é que eu dou conta?”.
Muito simples! Não perco tempo com bobagens. Só leio o que me acrescenta, só olho para onde me fará bem, só paro e converso com gente que tem alguma coisa para o meu coração, só vou (quando o tempo dá) para lugares que me façam cantar... E pronto.
Não desperdiço meu tempo com besteira.
"Perco" meu tempo trabalhando, produzindo, vencendo!
Ontem, conversando com Marina Elali, ela me dizia que, no Rio, tem uma amiga do meio artístico que “comprou” um botãozinho. Acionado sempre que alguém fala mal dela, espalha energias ruins ao seu redor e descobre que, em vão tenta lhe fazer maldades...
É o botão do ‘foda-se!’ que é acionado.
Adorei a idéia!
Foda-se toda forma de injustiça, crueldade, toda gentinha, toda pessoa que, tadinha, vive a vida alheia, o caminho do outro. E que inventa uma coisa (qualquer uma) para tentar prejudicar (em vão) você... Foda-se os brutos, os ingratos, os plebes d’alma fraca.
Foda-se a corrupção, o político ladrão, a solidão.
E aí você vai apertando o botão...
Azar de quem não for seu amigo! E fale besteira! E perca preciosos tempos na vida...
É, sei que você vai dizer que, para um espírita, nada a ver o tal botão.
Vai dizer que palavrão é muito feio escrever no site...
Vai me criticar horrores.
Ah, nem todo mundo é tão perfeito assim. Graças a Deus, nem eu.
Por você eu largo tudo... carreira, dinheiro, canudo...
13/10/2007 às 01h05
Chorei muito ontem. Tanto, que nem coube em mim.
Foi um choro que veio d’alma, desses que os soluços viram uma sinfonia das entranhas.
Ah, como chorei!
No carro, desabei. Só eu e eu. E o CD da minha festa, gravado pelo DJ Luis Couto, com músicas que cantaram minha adolescência no Rio de Janeiro, com hits da moda e, claro, Cazuza.
Exagerado, jogado aos seus pés... eu sou mesmo exagerado...
Ah, uma saudade infinda, dessas que carregam a gente, tomou conta de mim.
Lembrei de Tio Dodôi e Tiazinha (Nestor e Maura Galvão de Saboya), dois velhinhos que passaram os últimos anos de suas vidas ao meu redor, cirandando, me ensinando a ser uma pessoa melhor... Ah, como os amei!
Na época das minhas festas, a casa de Tiazinha, uma velhinha elegante, sempre perfumada com colônias francesas e de cabelo impecável e dois dos maiores brilhantes que vi na vida, transformados em brincos.... virava uma festa.
Tiazinha foi casada com Analino Salgado, é filha de Vicente Saboya e Brígida Galvão de Saboya e morava numa casa i-men-sa, na avenida Rio Branco, em Mossoró.
Era muito chique. Ela, a casa, seu penteado.
Foi a mais doce das criaturas que conheci. Doce e firme. E teimosa...
Tio Dodôi era a “ovelha negra” da família. Deixou de trabalhar muito cedo. Queria “viver”, acredito. Nasceu com sérios problemas de saúde e, pela vida, submeteu-se a 38 cirurgias. E daí?
Daí que ele vivia.
Bebia, namorava, farreava, dançava como ninguém.
Para “matar” minha família de “desgosto”, foi Rei Momo dos carnavais de Mossoró, numa época em que a sociedade não vivia de bundas e subterfúgios. Comandava a folia com maestria. A cada ano viajava para São Paulo para comprar seus trajes. Era um exagerado...
A família tradicionalíssima; ele dando escândalo no carnaval: não é o máximo?
E uma das pessoas mais engraçadas que conheci na vida.
- Amorzinho (o chamava assim, quando queria alguma coisa), posso convidar fulano para minha festa?
- Não! Ele é muito mal pronto. Se comprasse o ingresso e ficasse dentro do carro, seria ótimo!
- E cicrana, o que o senhor acha!
- Aaaaaaaaaaaaave Maria! Nem pense nisso! Quando ela começa a dançar apodrece o salão. Tem um destempero, eu lá sei. E tem um... de fole!
Ouvir aquilo de um senhor de 68 anos era, para mim, a glória – e para Tiazinha era um Deus nos acuda!
- Vou entregar uns convites da sua festa para...
Ia para sua caminhada matinal com montão de convites debaixo do braço.
- Tio Dodôi, é muito cedo. Vai acordar as pessoas... (Ele caminhava, sempre, das seis às sete da manhã).
- O que importa? Acordar olhando para Nestor Saboya é uma benção. Feliz os convidados para a ceia do senhor!
E dava uma gaitada, e saía cantando Maria Betania, seu maior ídolo, depois de Chrystian de Saboya, naturalmente.
Quando voltava, sempre me trazia presentinhos. Sempre. Era impressionante. E vinha com comentários ótimos.
- Não entreguei o convite de fulano.
- Por quê?!, eu perguntava indignado.
- Ah, aquela mulher a cada dia está mais cafona!
Ou então...
- Desisti. Descobri que fulano tem um mau hálito.
Ou...
- Não combina com você.
Eu, sempre, aceitava...
Era um desbocado. Adorava um palavrão. Mas palavras feias, na boca de um velhinho, nem são tão feias assim.
- Tenho horror a pobre! Pobre pode viver sem um feijão. Mas sem uma derrota não vive!
- Pobre, para mim, é quem não tem alma.
- Vou para o Rio, passar o final de semana. Volto segunda!
- O carnaval é minha pátria!
- Vou namorar morrendo. Quem não namora, morreu faz tempo.
- Gay? E daí?
- Mamãe, mulher, tenha fé! (Quando chegava bêbado das farras, lá por 1960).
- Metade dos homens de Mossoró é mau falada. E a outra metade é afrescalhada.
- Não sento à mesa com gente falsa. Gente falsa fede.
Ontem passei o dia me lembrando deles dois...
Até que no sinal de trânsito da Hermes da Fonseca com a Alexandrino de Alencar, no Tirol, pertinho da minha casa, vi uma velhinha muito pobre. Toda rasgadinha, tinha um cabo de vassoura como muletas, tristinha, pedindo esmolas...
Ao me aproximar... Ah, como era “pobrinha”!
Sempre carrego cestas básicas no meu carro. E roupinhas, brinquedos, pirulitos. Às vezes, pareço aquele povo que vende “crediário” nas periferias, de tanta buginganga.
Pois bem: desci do carro, parei ali, no meio da rua mesmo.
Uns buzinavam, mas eu preferi ouvir o reclamar das aves, fazendo ninhos nas imensas árvores da avenida estressada, como se a vida, ali, tivesse dado um tempo.
Dei duas cestas básicas à velinha, pelo e osso.
E os dez reais que tinha na carteira, dei também.
- Como é seu nome?
- Maura.
- E o seu?
- Chrystian...
- Ai, vai, meu filho... o mesmo nome de Jesus?
Cristo, ela entendeu, certamente.
Maura era o nome da minha Tiazinha...
Fui deixar dona Maura em casa. Fomos conversando até chegarmos na favela do Japão, onde ela mora com seis netos menores. Dois trabalham “por aí”...
Os outros três são pequeninos.
Tomei café, comi um pão sequinho e fui embora.
Volto lá qualquer dia.
Deus, sábio que é, me deu uma grande amiga!
O décimo amigo
06/10/2007 às 18h24
Não pergunte-me por que.
A bem da verdade, não sou tão afeito a explicações assim.
Mas faz uns três dias que me lembrava de um amigo muito querido, que conheci no Colégio Santo Inácio e mais tarde estudamos juntos, carteira com carteira, no Colégio de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Frederico Feliz – que maravilha!, no sobrenome um caminho afortunado, era filho dos tios Edgardo e Francisca Feliz de Moura Brandão, tradicionalíssima família carioca, diretora de uma grande multinacional.
Apesar do “Feliz” no sobrenome, Fred protagonizou a mais triste história da minha vida.
Éramos, como já escrevi aqui, um grupo de nove rapazes. Os Intocáveis – assim todo o colégio nos chamava, eram a turma mais amiga que possa existir (aliás, continua sendo!). Eu, Leonardo, Gustavo, Marcelo, Kadu, Ricardo, Renato, Nando e Doka.
Fred não fazia parte desse grupo, que começou no início da nossa adolescência e foi se solidificando até nos tornarmos os melhores amigos do mundo.
Contido, quieto e triste. Fred sempre foi assim: sem amigos, nem olhos nos olhos.
De todos da nossa turma, era o mais tímido – e só ia para as festas se eu insistisse muito.
Tinha um olhar perdido no horizonte sem horizonte. Não vivia. Vagava...
Fred se vestia de preto. Todos o dias. Tinha cara de sono, às vezes de mau. Poucos se arriscavam a chegar perto dele. Sentávamos lá atrás, os últimos da sala.
Seu Carlos Alberto era o motorista dele e da sua irmã, Júlia. Um velhinho de cabelos muito brancos, tingidos pelo sofrimento de perder um filho, ainda moço e por uma vida que, não fosse tio Edgardo, seria ainda pior. Era um senhor tranqüilo, que adorava ouvir música clássica (foi graças a ele que me apaixonei por Debussy, meu preferido) e morava no Morro da Mangueira, Zona Norte do Rio de Janeiro. Um dia escrevo sobre ele...
Ah, como Fred dava trabalho!
Seu Carlos Alberto era proibido de deixar Fred na porta do Colégio. Sempre parava uma quadra antes, aos pés do Morro Santa Marta, favela erguida entre as mansões do bairro de Botafogo. Fred tinha vergonha de tudo. Até de chegar de motorista, numa escola que todos chegavam de... motorista.
Acredito que foi assim que seu fim começou a ser desenhado...
Certa vez tia Francisca me ligou. Fazia três dias que ele não saía do quarto.
Eu e Leonardo, o mais doce dos homens, fomos lá. Era uma tarde fria, no Rio de Janeiro.
Fred morava em Ipanema, à beira mar, em um dos mais caros metros quadrados do Rio. Tinha uma vida mansa, abastada – e intranqüila. Tinha demônios só seus e... naquele dia eu, que já desconfiava, e Leonardo, que duas semanas antes havia brigado comigo por eu ter levantado tal suspeita... descobrimos que Fred era usuário de drogas.
Nosso mundo caiu.
Por mais de quatro horas conversamos no seu quarto, de frente para o mar. Fred chorou muito, Leonardo nem se fala e eu, sei lá como, fiz-me homem grande, racional e não derramei uma lágrima. Pelo menos na frente de Fred, não.
- Não consigo mais sair!
- Quero morrer!
- Basta!
Essas frases quase monossilábicas ainda hoje nos perseguem. A todos nós, os amigos, Os Intocáveis.
Saímos dali e fomos para a praia. Leonardo era surfista nas horas vagas. Fomos à sua casa, na Ataulfo de Paiva, no Leblon e ele vestiu aquele aparato todo e... fomos, os três, para o mar de Ipanema ver a lua nascer.
Àquela época a orla do Rio não era iluminada. Mas ainda assim, naquele frio todo, arriscamos.
Sentamos à beira do marzão. E conversamos muito. Mais um tantão.
Eu, que sempre acreditei em vidas passadas, espíritos e visões do além, convenci Fred a procurar uma religião. Deus, sempre acreditei nisso, cura tudo. Ah, a fé...
Fred me garantiu que iria pensar, que daria um jeito.
Naquele dia dormimos os três juntos. Assistimos a um filme de terror – certamente Jason e suas inacreditáveis Sextas-Feiras 13 (nada pior, para o momento!) e passamos o final de semana juntos. No dia seguinte Tia Francisca fez um almoço divino e Raquel, que namorava comigo foi com Nanda, que namorava com Leonardo, para a casa de Fred. Passamos momentos maravilhosos...
Mas na segunda, tia Francisca ligou novamente. Chorava muito. Era dez da manhã e Fred não havia dormido em casa. Esperou sairmos no domingo à tarde e sumiu no mundo.
Tia Francisca mandou nos buscar e, graças aos espíritos, encontramos Fred na Pedra do Arpoador –para onde ele adorava “viajar” e ver o mar. Sabíamos disso.
Fred estava com dois caras que logo arrumaram pretextos e desapareceram com a nossa chegada. Eu, Leonardo e Marcelo, com Seu Carlos, ficamos absurdados. Fred estava sujo, muito sujo. E fora de si. Como nunca havíamos visto.
Fomos para minha casa. Não tivemos coragem de dizer o que havíamos encontrado para tio Edgardo e inventamos qualquer coisa.
Juntos passamos a segunda tentando trazê-lo à vida.
Em vão.
- Quero morrer!
Zoava como uma ladainha. Interminável, trôpega, outras vozes.
Naquele dia tive a certeza de que já era tarde demais.
A morte nunca foi tão presente na minha vida quanto naquela segunda de céu e cinzas no horizonte do Rio de Janeiro.
Daí em diante o fim foi se apresentando. Cada dia mais doloroso, cada momento mais triste.
Cerca de dois meses depois Robson, um amigo nosso que morava na Joana Angélica, também em Ipanema, havia sido seqüestrado e, encontrado morto pelos pais, fez nossa turma repensar a vida...
Fred, não. Continuava alheio.
E se drogando mais.
E mais.
Até que começou a roubar.
Saiu de casa, nunca vou esquecer, numa manhã fria do inverno chuvoso de 1997. E nunca mais voltou. Tio Edgardo entrou em profunda depressão até morrer no Ano 2000 (como fazíamos planos para o Ano 2000!), vítima de... tristeza. E de um ataque do coração aos 55 anos de idade.
Fred, um ano antes, foi baleado em um ônibus em frente ao Shopping Rio Sul, em Botafogo.
Estava roubando uma senhora quando um policial a paisana viu, reagiu e lhe atirou n’alma.
Já não morava mais no Rio, à essa época.
Quando Kadu me ligou contando, desmoronei. Estava morando com meus velhinhos em Mossoró (Maura, Wilda e Ernesto Galvão de Saboya, tios-avós) e dois dias depois estava no Rio.
Tia Francisca, uma das mulheres mais elegantes que conheci na vida, estava sobre uma cadeira de rodas aos 50 anos de idade. Júlia, que era linda, sofria de obesidade.
O apartamento da Vieira Souto já não tinha brilho, sequer vida respirava ali.
A droga acabou com tudo. Usou um menino frágil para engolir seu mundo. E matou uma família inteira...
Fred nos fez os mais caretas dos homens. Nenhum de nós, Os Intocáveis, sequer experimentou drogas na vida. Não se experimenta o que não presta, não se traga o que mata, não se cheira o que é conivente com a dor.
Depois de escrever esse texto um choro tímido me correu os olhos, invadiu-me a alma... Fui para as agendas antigas, rever fotos do nosso tempo de colégio. E chorei mais. Solucei desde as entranhas.
E acabei entendendo porque estava com tanta vontade de escrever sobre Frederico. Segunda, 8 de outubro, ele faria 33 anos de idade...
Drogas? Nunca!
Terezinha, Maria do Socorro e uma história de amor
30/09/2007 às 12h14
Faz um tempo que sinto uma enorme vontade de escrever sobre...
Minhas poodles.
Não sei porque – talvez o livro “Marley e eu”, de John Grogan, que conta a história de um Labrador e seu dono, um jornalista famosíssimo nos Estados Unidos, tenha me inspirado.
Ou...
Sei não. Acho que sempre estou inspirado.
Fato é que as pequeninas Terezinha e Maria do Socorro são meus amores, Dois grandes amores da minha vida.
Terezinha chegou 6 anos atrás. Foi presente de Marcelo Duarte, numa época em que andava “tristinho”. Minha Tiazinha (tia-avó Maura Galvão de Saboya) havia morrido, Tio Dodôi (tio-avô Nestor de Saboya) também. Andava sei lá, sem prumo.
Aí chegou em minha casa aquele bichinho lindo, fofo.
E de repente eu virei pai. Com todas as preocupações que um pai solteiro tem.
Sim!!! Era noivo da Keity!!!
Os medos de alma (passei a morar sozinho, num chalé muito fofo, na Nova Betânia, em Mossoró), fizeram com que Terezinha dormisse agarrada a mim. De alguma forma nos sentíamos protegidos. E, graças a ela, meus medos comprimidos.
Éramos uma família de dois.
E de repente um grande amor...
Quando me casei, lá estava Terezinha. Foi à recepção, fotografar comigo e com a Keity. Passou uns minutinhos – suficientes para dizerem que tinha entrado na igreja com minha cachorra. Pode?
Terezinha passou meia hora. Estava vestida de “noiva”, tem cabimento? E um vestido lindo, assinado pela estilista Luluça Praxedes. Ah, meus amigos, como sou trabalhoso!!!
Lembro-me da primeira doença de Terezinha. Pegou de um carrapato, sabe Deus onde. Foram momentos dificílimos, quase pirei.
Estava na faculdade quando Keity ligou.
Terezinha estava ao lado de um armário, no banheiro do nosso quarto e não permitia que ninguém chegasse perto. E fazia um barulho estranho... Cheguei em casa com a rapidez de um Concorde. E com o coração de uma gaivota.
Terezinha só permitiu que eu a tocasse. Estava sentindo muita dor...
Fomos, coisa de dez da noite, para um hospital. E lá passei quatro dias interruptos. Lembro-me que fui em casa duas vezes, apenas, para tomar banho. Comia no hospital, vivi no hospital.
E ao lado dela, grudado nela, conversando e rezando com ela. Desde então, antes de dormir, eu Terezinha e hoje Maria do Socorro rezamos.
Os médicos disseram que ela iria morrer. Meu mundo caiu.
E fiquei ainda mais próximo dela. Por duas noites ela dormiu no meu colo. As lágrimas saltavam sobre sua barriga magrinha, branquinha, seca...
No terceiro dia o veredicto. Ou ela defecava, ou seria sacrificada. Chorei como há muito não chorava. Tanto, que não cabia em mim. Aí eu rezei. Muito. Terezinha, cambaleando, foi para a rua comigo. Era uma, duas horas da madrugada de uma quarta-feira. Só eu, ela e uma vontade imensa de viver. Quando a coloquei no chão, pedi que ela tivesse forças e fizesse coco. Que tudo daria certo para nós dois...
Ela fez.
Meu amor, naquela noite, ganhou o mundo. No exato momento me ajoelhei. E agradeci muito a Deus.
Terezinha acordou no dia seguinte, uma sexta-feira, muito bem. Ninguém acreditava. Os médicos ficaram absurdados. Nós, não. O amor, ah, o amor... pode tudo!!!
Terezinha ficou grávida dois um ano depois.
E nasceram Conceição (em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, por ser seu dia, 8 de dezembro), Chrystian Júnior (por motivos óbvios), Preta (pela cor, um preto liiiiiiiiiiiiiiiiiindo e inigualável) e Maria do Socorro (em homenagem a minha sogra). Foram dias de festa! Liguei, passei mensagens e, claro, chorei muuuuuuuuuuiito!
Fomos eu, Dona Zélia e Damiana para o parto, que começou oito horas da noite, terminou início da madrugada. Foi necessário uma cesariana, já que os filhotinhos demoravam a chegar...
Tudo foi fotografado...
Já estávamos numa outra clínica. Foi na São Francisco, de Diógenes Soares e Joana (dois veterinários maravilhosos), que Terezinha deu à luz.
Os filhotinhos viraram estrelas na minha casa. Meus amigos foram visitar, fiz um álbum, ganhavam presentes (latas de leite em pó, que foram todas doadas para o Orfanato Menino Jesus).
No começo Terezinha não queria saber de nada. Nem dos filhotes. Como não os viu nascer, não acreditava serem filhos seus. Noites de sono eu e Damiana passamos. Os cachorrinhos cabiam, os 4, na palma da minha mão. Eram aquecidos com uma bolsa térmica trocada a cada duas horas. E eu segurava Terezinha no meu colo para que um a um pudesse amamentar.
Passamos, eu e Damiana, uns dez dias sem dormir...
Na hora dos filhotinhos irem embora...
Ah, como chorei!
Damiana ficou com Chrystian Júnior, Dona Zélia ficou com Conceição e Terezinha Menezes ficou com Preta. Só quem ama animal merece um filhotes do meu amor, pensei.
Essa história de se vender bicho, dos que parem em nossas casas, é coisa, sinto muito, de gente que não ama seus bichos verdadeiramente.
Eu fiquei com Maria do Socorro, a mais doidela de todas.
E Maria do Socorro, diferente de Terezinha, sempre foi destemperada.
Corria a casa toda, fazia xixi pela casa toda, estragou um tapete persa meu, que havia passado um ano inteiro para pagar, de tão caro.
Terezinha nunca gostou de ninguém. Era como se ela “se bastasse” em mim e em Keity.
Nunca foi simpática, agradável, nunca deu o menor cabimento para nada, nem ninguém.
Maricota não: gosta de todo mundo, se agarra com todo mundo, é uma simpatia.
Terezinha é gordinha, Maria do Socorro é magra.
Terezinha adora doce, Maria do Socorro adora salgado.
Terezinha adora viajar, passear de carro, Maria do Socorro sente náuseas.
Terezinha senta com as penas fechadas, Maria do Socorro senta com as pernas arreganhadas.
Terezinha gosta de dormir toda aberta, Maria do Socorro dorme como uma ostra.
Terezinha gosta de dormir atrás do meu travesseiro, Maria do Socorro tomou meu travesseiro.
Certa vez Maricota entrou no elevador e sumiu no nosso prédio.
Estava na praia, em Jacumã, com amigos meus do Rio de Janeiro. Eu, Nila, Julles... e Keity me telefonou chorando.
Chegamos em casa voando. Vasculhamos tudo! E Maria do Socorro não aparecia. Corria as ruas, gritei seu nome...
Apareceu três horas depois, numa escada na cobertura, chorando muito.
Foi um alívio!
O amor que tenho por estas duas cachorras ultrapassa toda vida. É amor verdadeiro, das entranhas. Pai e filhas, certamente.
Se vou dormir, elas vão junto. Se acordo para fazer xixi de madrugada elas acordam e ficam ao meu lado, esperando. Se sinto uma dor, elas grudam em mim. É impressionante.
Certa vez trouxe uma criancinha muito doente, muito “pobrinha” para ser tratada em Natal. Como não tinham ninguém, ficaram na minha casa, no quarto de hóspedes. Terezinha dormia na porta do quarto e ninguém ousasse chegar perto desta criança. Ela mordia. Com força e nenhuma piedade. Virou a guardiã daquele menino lindo...
Maria do Socorro? Pulava na cama, puxava a fralda, latia como se a criança fosse um bonequinho querido seu. E era.
O amor, acredite, contamina.
Ah, filhos! Quanto são apaixonantes – e quanto preocupam!
Enquanto nossos filhos não chegam, elas vão nos ensinando um tiquinho desse amor. Vão mostrando possibilidades, personalidades tão diferentes sob o mesmo teto...
Vão enchendo essa casa de vida e graça...
Ah, o amor...
As penas de ganso voam...
13/09/2007 às 23h58
Às vezes me acho doidão.
Sem nexo.
Nem noção.
Acredite na minha última: estava em Buenos Aires fazendo sabe lá o que e decidi: quero chegar em Natal e meu apartamento me receber novinho em folha. E pronto.
Aliás, quando quero alguma coisa...
Bem, liguei para Vânia Leite. A melhor das amigas. E fiz uns “pedidinhos”. Pobre, Vânia...
1º - Por favor ligue para Seu Severino e diga a ele que quero que tire to-dos os quadros de to-das as paredes e pinte o apartamento inteiro. Seu Severino é um pintor que me serve (quando dou as minhas investidas de arquiteto) faz alguns anos. “Quero que pinte tudo! E não me diga que o apartamento não está sujo... E quero que pinte meu quarto, a parede do fundo, do verde mais tenro que existir nas nossas vidas...”.
2º - Cubra o sofá do escritório de castor (nome mais chique para o marrom) e cubra um sofá da sala, pode ser o branco, de prata. Na Jocil tem o tecido...
3º - A próxima vítima foi a arquiteta Carla Cantídio. Arrume um eletricista e peça para ele dar uma geral no apartamento. Para trocar lâmpadas queimadas e... quero uma luz dentro das duas cristaleiras!!
Pronto: inventei uma reforma diretamente de Buenos Aires!
Pobres amigos, os meus... Padecem, literalmente, no paraíso.
Sim!!!
Esqueci o quarto item!!! Quero meu site todinho novo. Mais leve, cheio de borboletas, um céu azul clarinho, nuvens passando... Aí entrou em ação o super Flávio Sales, Manda-Chuva da Maxmeio – a empresa que melhor entende de no Rio Grande!
E assim foi feito...
“Mandão”? Sou não... Pelo menos muito, não. As pessoas me querem bem. E, como do bem também sou, tudo dá certo. E deu.
Do Aeroporto Augusto Severo sentia o cheiro da minha casa toda novinha... E com uma vontade louca para arrumar tudo!
Machu Picchu pirou meu cabeção, eu acho. Aquele mundaréu todo... e todos aqueles dias em Lima, Cusco... Tudo tão lindo, tão inesquecível...
Aí cheguei na Argentina leve feito o ar. Ou como uma pena de ganso, para não ser tão exagerado assim. E me deu uma vontade louca de mudar muita coisa na minha vida. Aliás, sempre fui assim. Mudo minha casa a cada estação. Todinha. Quartos, banheiros, salas. E a cozinha, claro. Por ano, pelo menos, umas quatro vezes. Pode acreditar.
É, acho que não sou tão normal assim...
O espiritismo diz que mudar as coisas de lugar, doar as velhas e colocar novas no lugar e sair limpando tudo, harmoniza o ambiente. Uma plantinha que seja...
Por isso, também, vivo rindo...
Minha casa linda, meu coração leve: quer melhor?
Energias renovadas significam força, fé, festa. Sim, festa para gente mesmo, para as paredes que nos acolhem diariamente...
Mas eu tô doido mesmo para fazer um jantarzinho aqui em casa. E estrear minhas novas energias...
Apaixonante
11/09/2007 às 00h01
Inacreditavelmente lindo, louco – e rouco, literalmente. Foi no Peru que o meu coração (o da Keity também) disparou. Que país surreal!
Lindo realmente. Lima é uma cidade absurdada. Um caos, gente gritando, buzinas, carros na contramão, pedestres que parecem não ter direção, muita fumaça, muito carro, muita gente. E tudo ao mesmo tempo. Sinal vermelho? E daí?
Mas Lima é uma liiiiiiiiiiiiiiiiiiiinda cidade, é o que vale cantar.
Seu centro é belo, imponente, seus prédios são majestosos, história há em cada dobrar. E muito descaso com a mesma, que faz doer a alma.
Lima tem muitas características. Por exemplo: não chove. Quer dizer, chove. Apenas 15 milímetros por ano. Pode? Pode, mas daí não tem árvore. Quase nenhuma no meio das ruas. Aí a poluição grita. Lima é, por causa disso, uma das cidades mais poluídas do mundo. Daí uma roquidão sem fim. Ah, que importa? Benallete nela!
Na cidade, nada de telhados em forma triangular. Todos os telhados são retos, como lajes. Se não tem chuva, para quê?
Também não existem canais, drenagens, bueiros. Não há necessidade.
Os carros, todos, são de doze. São automóveis antiqüíssimos. Inacreditavelmente velhos. Os táxis são, todos, uns cacos. São carros que não existem mais: Belinas, Corcéis, essas coisas. E tudo da década de 60, 70, 80, sei lá... São muitos, tantos que às vezes pensamos que só existem táxis por lá.
Muita gente “pobrinha”... e com o terremoto, que matou 500 pessoas um mês atrás, o país estava triste. Visivelmente triste. Em cada igreja (e as igrejas são lindas) existem barracas que arrecadam donativos para as vítimas – sem casa para dormir quentinho são mais de trinta mil.
Ah, que povo belo, bravo, varonil! No meio da sofridão, brota felicidade.
No Peru, as leis trabalhistas são muito atrasadas. Muito, realmente! As pessoas, em sua grande maioria, não possuem carteira assinada, não têm direitos trabalhistas, essas coisas. Trabalham de segunda a segunda, sem férias, sem nada não. Isso doeu. Muito. Injustiças sempre me doem.
Ainda assim o povo ri, muito!, ainda assim canta. Como canta!
Passamos, dos três dias por lá, um domingo em Lima. O Centro da cidade não fecha hora nenhuma. Domingo à noite lembra sei lá o que: é como se o mundo todo estivesse, ao mesmo tempo, no meio das ruas. Todo mundo ao mesmo tempo: andando nas praças, comendo nos restaurantes (que são ótimos!), comprando em lojas... Uma loucura!
Visitamos uma Praça. A Praça das Fontes. Foi um das mais belas imagens da minha vida. Treze fontes num mesmo local. Lindas, diferentes, iluminadas, imensas.
Estive num shopping – odeio shoppings em viagens. Acho um desperdício. Mas necessário!
Larcomar – que maravilha! O shopping é cravado num despenhadeiro, de frente para o sempre gélido Oceano Pacífico. E é de frente para o mar onde se come em restaurantes divinos, como o Vivaldino, que tem um menu estrelar. Lá se toma cafés, faz-se lanches, fuma-se um cigarro (como fumam!) – tudo de frente para o Pacífico. Há quem não curta aquela mansidão do Oceano. Frio, sem areia para pisar, só pedras... eu amo o Pacífico!
Lá visitamos o Museu do Ouro, um presente dos Incas para o mundo. Peças preciosíssimas, numa mostra que apresenta todo o poder, criatividade e ousadia da civilização que reinou na América do Sul, que deixou lições, exemplos e ousadias para o mundo.
Despedimo-nos de Lima com um show da cantora peruana Leo Amaya. O show foi no Sheraton. Uma maravilha!
Mas na manhã anterior visitamos a Praça do Amor. Lá, uma escultura de Henrique Flores. Linda, beijão. No local, casais, ricos ou pobres, batem fotos depois da cerimônia do casamento. É um encontro de corações... e a energia inspira, esperia - cai como um beijo de boca na gente.
Amei o Peru!
Condão
10/09/2007 às 23h59
De Lima para Cusco. Passamos alguns dias na capital do Império Inca, que pelo século XV dominava do Norte da Argentina ao Equador correndo pela Cordilheira dos Andes. Em Cusco, uma cidade cercada pela Cordilheira, nosso coração ficou.
A cidade é linda. É cosmopolita – com cerca de um milhão de habitantes ao redor. É Pré-Inca, Inca, Colonial, Republicana e Moderna. Tudo ao mesmo tempo. E com letras maiúsculas, claro!
Como todo pedaço colonizado pelos espanhóis, há a Praça das Armas – que de armas nada tem: uma catedral monumental, chamada de “Templo do Sol”, restaurantes charmosíssimos, museus, história viva e, claro, lojas. Muitas! O lugar é um desbunde de lindo!
Em Cusco, visitamos tudo. Passamos três, quatro dias lá. San Blas, por exemplo. É um bairro muito charmoso. Boêmio, cheio de artistas, fica num alto – e, como todo artista, não dorme. Tem ateliês em cada esquina, cortadas por ruas que, no máximo, passam um carro. Sempre muito velho.
Numa noite friíssima chegamos a San Blas. Que tem uma praça linda também, a igreja do Santo Blas e nos deleitamos no Pacho Panpa. Rústico e super romântico, o restaurante é aquecido por um forno imenso que fica no centro do estabelecimento. Estrelas no céu... ah, fazia tempo que não via estrelas... Poluição e fog nos impediam de vê-las, de tê-las.
Outra benção de Deus: todos os dias, dormíamos de frente para a Cordilheira dos Andes. E na manhã seguinte, tomávamos café de frente para as rochas novamente. Uma benção, realmente!
Vez por outra nos deparávamos com as Mulheres dos Andes. Todas fofinhas, com roupas coloridas, tecendo lãs de lhamas, que vemos a todo instante.
Em Cusco, também existem vários sítios arqueológicos do Império Inca. Pouco restou. Mas são, todos, imperdíveis.
Cusco virou, para mim, um dos meus pedaços preferidos no mundo...
E serviu para mostrar, mais uma vez, como todos nós somos tão pequeninos diante de Deus.
Deus existe
10/09/2007 às 23h48
No penúltimo dia da viagem ao Peru fomos à cidadela Águas Calientes, que fica a quatro horas de trem de Cusco e vive aos pés de Machu Picchu.
Na saída de Cusco, a inacreditável subida do trem pela serra, fazendo muitas manobras e zig-zags para superar o morro. O trem vai e volta, volta e vai... A paisagem é linda – isso cura qualquer enjôo.
Pelos morros, gente vivendo em casinhas muito simples. Por sobre a imensa maioria das casas dois touros de cerâmica e uma cruz. O bicho representa força, fé e sorte. A cruz é para dizer que ali moram católicos.
A viagem é muito bonita e o rio Urubamba nos faz companhia por todo o percurso, com suas grandes corredeiras e no meio do vale cercado pela Cordilheira dos Andes.
De lá, pegamos um pequenino ônibus e subimos até a entrada de Machu Picchu. Só assim se chega à velha civilização. De trem e de ônibus. Ao todo, umas cinco horas para ir, outras cinco para voltar. E daí? Daí que vale a pena. Cada minuto!
Emoção de encher os olhos de lágrimas ao avistar as ruínas de Machu Picchu. O coração dispara. E chorei discretamente...
Machu Picchu, por sua incomparável beleza e força espiritual que emana dos remanescentes arqueológicos, é privilegiada por fazer parte de um seleto grupo de monumentos no mundo.
A cidade foi uma fortaleza encravada na área mais inacessível (e inacreditável) dos Andes, escondida dentro da floresta tropical e construída com uma localização geográfica que combinava as montanhas sagradas, água corrente e um alinhamento celestial quase perfeito, especialmente para a passagem do Deus Sol.
A disposição das rochas, a excelência do trabalho em pedra e o grande número de terraços para agricultura num local tão inacessível, é impressionante. No meio das montanhas, 2450 metros acima do nível do mar, os templos, as casas, os cemitérios, tudo está distribuído de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias talhadas em rochas imensas.
Degraus de pedra levam a místicos templos feitos com blocos de granito branco, uns graciosamente montados sobre os outros, sem argamassa, no mais sofisticado estilo da arquitetura inca. Um trabalho tão perfeito que entre eles não caberia um alfinete sequer.
Para alguns pesquisadores, Machu Picchu teria abrigado uma espécie de convento para as Virgens do Deus Sol. Outros dizem que a cidade foi fechada quando o soberano Inka morreu (antigamente se escrevia Inca com “k”). No entanto, pouco se sabe sobre a sua finalidade e certamente nunca se saberá realmente o que teria levado os antigos habitantes de Machu Picchu a abandonarem sua cidade e levado tudo: roupas, ouro, história.
O certo é que, com todos os mistérios que ainda cercam essas construções, não há dúvida de que Machu Picchu foi uma cidade meticulosamente idealizada, que representou um centro geográfico sagrado para os incas e que hoje é a Quarta Maravilha do Mundo.
Machu Picchu, em quechua (segunda língua peruana) Machu Pikchu, "velha montanha", também chamada "cidade perdida dos Incas", foi descoberta pelo historiador norte-americano Hiram Bingham em 1911.
E lá em cima...
Uma pedra de um metro de altura, cravada noutra maior. Era ali que o Deus Sol era venerado. Dali saiam rituais de sacrifício (as crianças que nasciam doentinhas eram oferecidas ao Deus Sol) e cerimônias religiosas eram realizadas.
Eu, que acredito na energia do mundo, parei. A pedra se sobrepõe ao real. Passar a mão em volta da rocha nos dá uma sensação maravilhosa, do outro mundo, realmente.
É uma vibração, uma troca de energia que chega a assustar.
Uma energia maravilhosa tocou-me a alma. Minha somente não. De muitos, muitos que, como eu, lá do alto, caíram no choro de emoção.
Ah, como rezei a Deus ali. E como agradeci estar ali. E estar ali com o amor da minha vida, mão na mão, coração um só...
Como agradeci pelos amigos, pela família, por andar, poder ver, tocar o mundo...
Na volta pra casa, no caso um hotel de meados do século passado super charmoso, vimos a lua mais bela de todo sempre. Cercando as Cordilheiras ora com muita neve, ora rodeada de gente, ora verdinhas... A lua, Cheia, parecia nos beijar a face extasiada.
Ah, Deus, como sou feliz!
Estoy em esto Pais porque lo amo
20/08/2007 às 11h38
Eu vou para o Peru
Nestes dias antes de bater asas pela América do Sul, muita gente tem me questionado por que o Peru está entre os muitos roteiros desta viagem.
Como pode? Lima (a capital) está destruída por um terremoto!
Você não tem medo de morrer?
Por que o Peru?
Para falar a verdade tem uma turma que eu respondo. Outras, nem isso: sinto preguiça.
Aliás, como tem gente por aí que dá preguiça na gente, não?
Vou para o Peru, sim!
Quero ir porque acredito poder colaborar. Seja lá com que for. Um jantar, um presente que compre estarei colaborando, mesmo que minimamente com o país.
E levando energia boa, sorrisos e encantos para uma gente que tanto precisa!
Como podemos abandonar essa gente, tão nossa, logo agora?
Tremer, o país não vai mais. Pelo menos por agora...
Então eu tenho: temos mesmo é que ajudar – era o que deveria ter sido feito à época das tsunamis na Indonésia. Todo mundo foi embora, ninguém chegou. E até hoje o turismo padece. Quero ir no sentido contrário. Sou mais feliz assim.
Quando alguém precisa de ajuda, virar as costas é o primeiro sinal de que sua vida não terá um fim tão bom assim.
Por isso carregar amor, sempre, é o melhor remédio que há.
Que alarga o mundo. E Poe a criatura solta, feliz.
Vou levar meu amor ao Peru, Lima, Cusco, Machu Pichu...
E mandei até fazer uma camiseta: "Estoy en Peru porque me encanta"!
O amor contamina
18/08/2007 às 11h24
Ontem à noite chegamos, eu e Keity, muito tarde ao aniversário de Carlos José Mendes, casado com Márcia Maia – que nós dois queremos muito bem.
Saí da Festa do Advogado mais de uma da madrugada, em estado de êxtase com taaaaaaaantos elogios à produção do festão que, realmente, ficou belíssimo!
Por muitos motivos amei estar ao lado de Carlos e Márcia...
Mas um, em especial, cravou no meu coração inspiração para escrever...
Talvez Tatiana Mendes, casada com o jornalista Breno Perucci, nem tenha se dado conta de que uma frase sua mexeu comigo, meus anjos, meu coração vagabundo.
“Quando leio o que você escreve em ‘Paz de Chrystian’ saio com o espírito renovado. Foi graças a uma crônica sua, que falava em crianças e abandonos que eu fiz uma promessa... E que decidi ser uma pessoa solidária no mundo”.
Que liiiiiiiiiiiiiiindo!
Tatiana, quando vir a capa do site – e ler este espaço, totalmente dedicados a ela hoje... vai entender o que senti.
Por razões assim que eu passo pelo mundo espalhando o bem (claro que tenho defeitos e defeitos).
Mas prefiro ser do bem.
E escrever coisas boas.
E rezar em cada esquina, cada copo d’água que bebo, cada vez que passeio pelo meu apartamento, cada beijo no amor da minha vida que, tão logo encontrei no mundo.
E acordar cedinho, todos os sábado e ir beijar doutor Bartolomeu no Centro São Francisco, em Ceará-Mirim...
E passar todas as quartas-feiras a tarde inteira lá...
E dedicar, tanto minha coluna no jornal, quanto as notas, crônicas e declarações de amor deste site ao bem.
Pela vida, nada ruim ao meu redor...
Nem gente má.
Nem gente falsa.
Nem gente oca.
Nem gente que mente não.
E se aparece (e como aparece) esqueço tão rápido que... nada não.
Ao meu lado... só o coração.
Os meus, os seus, àqueles que amo!
O que Tatiana falou me fez ter ainda mais responsabilidade com meus escritos, meus ditos, os não ditos também.
Só quem ama e é sensível como Tatiana entende...
Que com tudo na vida tempos sim que termos responsabilidade.
Porque por menos que se acreditemos, o amor vai além.
I love You Baby
11/08/2007 às 18h24
Pronto! Como prometi, cá estou para falar no amor!
Sim, no amor!
Ontem fui à Carreta – um ligar “simplinho”, “popularzão”, para ouvir Adriana Cantar. Linda e doce, tem uma alma lilás, Adriana. Ela não canta, ela exorciza. No melhor dos sentidos, naturalmente.
Nesse assunto, chego já.
Liebe Barbalho, dileta amiga, me falou do show.
Eu, apaixonado por Adriana desde a minha época no Rio, de onde saí no comecinho dos Anos 90, fiquei sem acreditar...
E fui.
A Carreta é um local bem popular, ali na Engenheiro Roberto Freire. Como não tenho lá tanta frescura assim, fui. E, vamos combinar: por Adriana iria à lua, se preciso fosse. E daí?
Daí que...
O local é muito simples, realmente. Sem nenhum subterfúgio, noção ou indignação. É e pronto. Não tem gente fazendo pose, não tem gente pela metade. O que, nos dias atuais, é uma benção!
Para você ter uma idéia, quando Adriana cantou ... “Te amo, te quero... mesmo sabendo que você, não é mais, tudo o que um dia eu quis...” (sei todas as músicas!) uma moça do outro lado do salão se jogou no chão, se debateu todinha, gritou ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Achei uma maravilha, aquilo! Um ataque epilético de amor!
A música, certamente, havia marcado seus caminhos – e ela se jogou. Literalmente.
Viva a autenticidade – pelo menos para quem sabe tê-la.
Adriana cantou mais de uma hora. Ah, como gosto de Adriana!
Suas músicas lembram-me de uma época tranqüila do Rio de Janeiro. Eu e meus amigos (uns roque pauleira, eu baladas de amor...), minha vida começando a desabrochar. Com os olhos da cor do sol nascendo, Adriana encanta por tudo isso.
E eu, com meu coração vagabundo, sigo o sol.
De Mendelssohn, meu preferido, a Cazuza, de Caetano a Lupicínio Rodrigues, de Adriana e Betânia. Ah, vasto vagabundo coração, esse meu! Taí um dos meus segredos: meu coração é Rexona!!!
Sabe de uma coisa? Achei minha noite o máximo! Diferente, feliz, sensação de sonho realizado.
Tudo pode o amor!
Quando a Adriana, foi um enorme prazer... Tanto que amanheci obnubilado – “lesera” total. Flutuando tanto que nem escrever conseguia. O dia passou, segue passando – nem percebo. Estou extasiado.
Sim! Da Carreta fomos jantar, conversas, abraços e declarações de amor. Eu, Liege e "meu marido Wellington", Ronaldo Soares, Márcio Monteiro e Adriana e... o sol nascendo... no meio do mundo e nos olhos da Adriana...
Cheguei em casa 6 da manhã. Keity, quando souber, vai me matar!
Mas não me arrependo e ela sabe do meu sincero e verdadeiro amor. Que é seu...
Cafona? Pobre de quem não ama!
No rádio eu escuto uma canção
10/08/2007 às 09h33
Sou um cara que sempre me assumi diante da vida. Sempre!
De quem eu gosto, para onde vou, o que falo, o que escrevo, meus sentimentos, os ídolos meus. A sinceridade fez-me assim: um assumido para o mundo!
Ontem, na belíssima inauguração da nova Jocil, a querida Liege Barbalho gritou: “Vou mandar uma foto da Adriana, que vai fazer um show em Natal amanhã, para você colocar no site!”.
Na hora boiei. Não soube bem quem era...
Como pode? Logo eu?
Como assim... “logo eu?”?
É que sou apaixonado por Adriana – aquela cantora que vivia no Chacrinha, nos Anos 80, cantando... “Te amar é tão bom, tão bom, tão bom...”.
Estava virando homem, àquela época. Deixando cravos e espinhas na cara, a adolescência batendo à porta. Romântico que sempre fui, escolhi Adriana para embalar minha vida por muitos anos.
E foi “I love You Baby”, a primeira música do meu coração. Minha e da Raquel Solito, meu primeiro amor da adolescência, que conheci no Colégio de Belas Artes, o Liceu... acho que tinha 13 anos, por aí. Namorão. Ficamos juntos até os 17. Ah, precoce!
Mas como curto Adriana! Muito!
Lembro-me que uma vez levei meus amigos todos: Léo, Gustavo, Rique, Kadu e Brunão para um show da Adriana. Léo com Paula, Kadu namorava Priscila, eu Raquel. Foi tuuuuuuuuudo!
Cantei todas, curti tanto...
Os meninos, que nem davam tanto cabimento assim para Adriana... bateram fotos, sairam cantando por aí "te amar é tão bom, tão bom, tão bom..."
Ontem mesmo Kadu me ligou do Rio. No rádio do seu carro tocava essa música. A caminho do trabalho ele parou, aumentou o som e ligou pra mim. Rimos muito, cantamos juntos, bom amigo, meu Kadu.
O amor, meu caro, contamina.
Adriana também!
Há quem chame de cafona – mas cafona, na vida, é não ser feliz.
Cafona é não ser solidário, nem fazer o bem todo santo dia. Cafona, no mundo cão de hoje, é não acreditar em Deus. Cafona é não amar...
Vale tudo: pingüim por sobre a geladeira, flores de plástico na sala de estar, batom cor de rosa gritando. Vale tudo, realmente.
Só não vale não amar...
Adoro Adriana!
A candura que emana da sua voz, o brilho do seu olhar... e de como ela, mesmo sem saber, foi tão importante na minha vida... ah, não teria como não amar...
Bem... vou ao show, que é hoje!
Amanhã, juro, conto como foi.
Se voltar vivo, naturalmente!
Difícil é viver sem teu amor
Eu era tão feliz junto contigo
Há sempre alguma coisa
que me faz lembrar nós dois
despertando em mim
a saudade
No rádio eu escuto uma canção
Alguém está dizendo I love you baby
Me faz lembrar você
gastando todo o seu inglês
só pra me dizer
eu te amo
Eu sinto falta de você
Mas não perdi
ainda a esperança
de ter de volta o seu amor
eu continuo te amando demais
Te amar é tão bom, tão bom, tão bom
Te amar é tão bom, tão bom, tão bom
Confesso que tentei te esquecer
Saindo com alguém mas foi inútil
Ninguém tem o seu jeito
teus carinhos, teu calor
só você amor me entende
No rádio eu escuto uma canção
Alguém está dizendo I love you baby
E eu queria tanto
nesse instante ter você
só pra te dizer
eu te amo
Eu sinto falta de você
Mas não perdi
ainda a esperança
de ter de volta o seu amor
eu continuo te amando demais
Te amar é tão bom, tão bom, tão bom
Te amar é tão bom, tão bom, tão bom
O que fazer com tanta sinceridade?
27/07/2007 às 22h01
Ai, meu Deus! O que fazer com tanta sinceridade?
Defeito e qualidade, no meu caso, são íntimos por demais. Juntos, parecem um só.
Não consigo mentir – apesar dos anos de aulas no Teatro Tablado, de Maria Clara Machado, no Rio de Janeiro. Nem adiantaram as aulas intermináveis de interpretação com a professora Dina Moscowitch – ou as aulas de literatura com Nila Sanchez. Nada adiantaram. Decididamente não consigo fingir. Pelo menos na vida real: sou tão verdadeiro que me assusto comigo mesmo!
Às vezes atrapalha um bocadinho, tamanha transparência.
A bem da verdade vivo num mundo meio superficial, eu sei. A vida é bela, os ricos riem, as festas são maravilhosas.
Mas no meio de tudo isso: viva a verdade!
Se gosto, gosto – se não gosto nem vejo.
É um misto de abuso com exagerada sinceridade. Azar de quem não for, penso na maioria das vezes...
Mas que atrapalha, ah isso atrapalha!
Os outros, bem mais que eu.
Às vezes as pessoas se chocam – umas ficam horrorizadas. Eu fico igual.
Sinceridade pode até atrapalhar, mas não faz mal.
Falo o que quero.
Vou para onde quero.
Olho para onde quero.
Falo com quem eu quero.
Leio o que quero.
Converso com quem quero.
Escrevo o que quero.
Faço o que quero – isso tudo é sinceridade comigo, tá bom, mas com o mundo todo também.
A bem da verdade eu abro mão aqui e acolá.
Mas como eu e Keity – a quem devo todo amor pensamos muito igual, apesar de sermos totalmente diferentes, vou espalhando minha sinceridade pela vida.
Na dúvida, opte por ser verdadeiro.
Seu coração agradece.
Sua alma, feliz, agradece.
E o mundo, se não gostar tanto assim...
Ah, problema dele!
Nó
23/07/2007 às 10h28
Nesses dias tristes para tantas famílias envolvidas no acidente, segue abaixo um texto que foi anexado no mural de comunicação interna da TAM, um dia após a queda do Boeing, pelo marido de uma das aeromoças mortas.
SE O AMANHÃ NÃO VIER...
Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir
Eu aconchegaria você mais apertado,
E rogaria ao senhor que protegesse você.
Se eu soubesse que essa seria a última vez que veria você sair pela porta,
Eu abraçaria, beijaria você, e chamaria de volta,
Para abraçar e beijar uma vez mais.
Se eu soubesse que essa seria a última vez que ouviria sua voz em oração,
Eu filmaria cada gesto, cada palavra sua,
Para que eu pudesse ver e ouvir de novo, dia após dia.
Se eu soubesse que essa seria a última vez,
Eu gastaria um minuto extra ou dois, para parar e dizer: EU TE AMO
Ao invés de assumir que você já sabe disso.
Se eu soubesse que essa seria a última vez,
Eu estaria ao seu lado, partilhando do seu dia, ao invés de pensar:
"Bem, tenho certeza que outras oportunidades virão, então eu posso deixar passar esse dia."
É claro que haverá um amanhã para se fazer uma revisão...
E nós teríamos uma segunda chance para fazer as coisas de maneira correta.
É claro que haverá outro dia para dizermos um para o outro: "EU TE AMO",
E certamente haverá uma nova chance de dizermos um para o outro:
"Posso te ajudar em alguma coisa?"
Mas no caso de eu estar errado, e hoje ser o último dia que temos...
Eu gostaria de dizer
O QUANTO EU AMO VOCÊ,
E espero que nunca esqueçamos disso.
O dia de amanhã não esta prometido para ninguém, jovem ou velho...
E hoje pode ser sua última chance de segurar bem apertado, a mão da pessoa que você ama.
Se você está esperando pelo amanhã, porque não fazer hoje?
Porque se o amanhã não vier, você com certeza se arrependerá pelo resto de sua vida..
De não ter gasto aquele tempo extra num sorriso, num abraço, num beijo...
Porque você estava "muito ocupado" para dar para aquela pessoa, aquilo que acabou sendo o último desejo que ela queria.
Então, abrace seu amado, a sua amada HOJE.
Bem apertado.
Sussurre nos seus ouvidos, dizendo o quanto o ama e o quanto o quer junto de você.
Gaste um tempo para dizer: "Me desculpe"
"Por favor"
"Me perdoe"
"Obrigado"
Ou ainda...
"Não foi nada"
"Está tudo bem"
Porque, se o amanhã jamais chegar, você não terá que se arrepender pelo dia de hoje.
Pois o passado não volta, e o futuro talvez não chegue.
PRECE
19/07/2007 às 20h49
Não tive vontade de escrever. Nenhuma. Faltam-me palavras, larvas, hoje, são mais fortes do que eu. Nem eu, sei não. É como se um oco me invadisse a alma, é como se a alma penasse, é como se não tivesse mas nem alma não.
É o coração que me guia. E nem tenho outros órgãos. Nem cérebro, respiro sem pulmão.
E a dor, sempre tão distante de mim, tão utópica minha... desde a terça-feira 17 de julho de 2007, comecinho da noite, é a palavra mais parecida comigo, corre nas veias, umbilical umbigo, até o meu vagabundo coração.
Faltam-me forças, alicerce, chão.
E a vida esvaiu-se junto as famílias que, diferente da gente, hoje aqui, de frente para o jornal, a procura de vida, choram seus mortos.
Meu Deus, que país é esse?
Estamos de luto. Tristes sim. Por morarmos num país tão lindo e tão pessimamente administrado.
Tão rico, tantos pobres ao redor.
Tão cheio de gestores públicos corruptos, irresponsáveis, inertes.
O acidente com o avião da Tam acabou comigo.
De verdade.
Há dez meses do acidente que vitimou 154 passageiros no avião da Gol, o que foi feito - além de pronunciamentos ridículos e nenhuma atitude que realmente tenha valido a pena?
Por que o governo federal, que prometeu obras emergenciais no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, começaram pelo saguão? Saguão?! Sim - a pista do aeroporto, deteriorada pelo tempo - e por governos que não se incomodam com a vida alheia, ficou em segundo plano.
E a culpa, àquela época "caiu" por sobre os Controladores de Vôo. Claro - foi mais comodo.
Para que falarmos que o Ministro da Defesa nao defende, nem existe. Ou o que vamos cobrar de um governo que prometeu tanto - e decepcionou tanto?
A cada dia que passa, me resguardo mais, converso mais com Deus. Tanto que
às vezes até percebo. "Não agüento mais esse menino!", deve dizer Deus, sempre tão cúmplice me...
Assim, sigo mais na minha a cada dia. Evito brigar, me chatear, odiar sei nem o que é.
Por isso, a cada dia também, só me cerco de amor, de gente boa, de gente que brada carinho, afeto, dias melhores até em forma de clamor.
Vamos rezar. Por aqueles todos, meu Deus.
Os que foram, os que estão aqui, perdidos na saudade que atravessa, esmaga, petrifica.
Rezemos. Muito.
Deus sim, este não nos abandona jamais.
Alumbramento
13/07/2007 às 11h05
Corre uma sensação estranha dentro de mim, toda vez que termino de produzir – e de viver um evento. É como se no fundo achasse que não mereço tanto. Tanto sucesso, tanta felicidade derramada por sobre a minha vida, tanto tudo!
E não venha me dizer que faço por merecer, que sou solidário, caridoso. Isso é obrigação. Solidariedade, se o mundo entendesse realmente... é obrigação.
Por tanto, que será?
No carro, a caminho do show de Dodora Cardoso, que tem uma voz linda... conversava com minha alma gêmea Vânia Leite. Ele me contou uma historinha que me tocou a alma.
Que toda vez que toma água, agradece a Deus. “Quanta gente, pelo mundo, gostaria de tomar um copinho de água e não consegue, não tem” – disse Vânia com aquela voz elegante, quase inaudível, alumbrada de afeto. Taí. O simples fato de colocar um copo de água fresquinha na boca vira prece.
E quando deixei o show de Dodora e caí sobre este computador, me tremia todinho. Tremia de felicidades, da sensação tranqüila do dever cumprido. Tremia e agradecia a Deus. Tremia de Deus.
Como sinto Deus perto de mim. Não tenho cara: mas sou um beato. Desde sempre fui assim: um beato realmente. Lembrei de Widinha, Tiazinha e Amorzinho – perdão: no diminutivo o amor é muito melhor.
Wilda Ferreira Marques, Maura Galvão de Saboya e Nestor Galvão de Saboya e Silva, os três velhinhos da minha família que mais amei no mundo, me ensinavam, nas férias de julho e janeiro que sempre passei em Mossoró, vindo dos estudos do Rio de Janeiro, que a reza lava a alma, lava o coração por dentro – e nos coloca postos à luta novamente.
“Rezar surpreende. É um alimento, um alento, um acarinhar Deus!”, disse-me Tiazinha certa noite, balançando-se de cadeira no salão da avenida Rio Branco, centro da cidade de Mossoró, enquanto acarinhava o terço de pérolas de Biva, comprado numa destas viagens pelo mundo.
É impressionante o poder que a fé tem!
Voltando a ontem à noite. Quer dizer... de madrugada... depois da festa da Marel, liguei o computador. Aí a luz faltou na rua todinha. E voltou... Tomei banho agradecendo a Deus. Aprendi desde cedo que ao tomarmos banho, se rezarmos, lavamos o corpo e enxaguamos a alma. Escrevi até quatro da manhã. Site, coluna para o jornal, tratamento de fotos.
E aí apaguei. O computador não, ficou ligado. Ele pode.
Quando acordei hoje, oito e pouquinho, estava com o Evangelho Segundo o Espiritismo, escrito exatamente 150 anos atrás por Allan Kardec sobre meu peito. Rezei? Sei não. Devo ter rezado por dentro, caladinho...
E agradecido a Deus por tantas e infindas felicidades.
O que aconteceu ontem: a festa da Marel, Isaque Galvão cantando, aquele burburinho todo em meio a chuva torrencial que caiu sobre Natal... e ainda conseguir forças para escrever até quatro da manhã, é um milagre.
Deus, realmente, está em todo lugar.
Até na Marel ele deu uma passadinha...
E amou a festa.
O melhor lugar do mundo
08/07/2007 às 01h19
Hoje tirei o dia para arrumar minha casa. Aliás, quando tiro o dia para arrumar minha casa, “o dia vira uma semana”. Ah, como curto! Revisito cada cantinho – todos igualmente acarinhados e apaixonantes. Sento em todos os sofás, todas as cadeiras, os pedaços todos dos chãos. E vou inventando, reiventando, colocando para fora dos armários, sempre insuficientes, a história da minha família, já que herdei, muitas vezes por pura imposição minha, muito do que os Saboya, no passado, adornaram vidas e caminhos seus.
Esse exercício ecoa, não só na minha casa, mas dentro da minha alma.
E sigo cantando Cazuza, sempre a postos na minha sala, no meu carro, no meu coração. Hoje, mexendo nas minhas coisas encontrei um CD, antiqüíssimo, de Lupicínio Rodrigues. E tasquei no som. Ah, às vezes me pego com 80 anos...
Sabia?, Cazuza amava Lupicínio... Acho os dois o máximo! E deveras parecidos – pode?
Mas mudemos de assunto!
Casa tem que ter alma. Casa parecida com revista não é casa. É revista. E casa tem que ter todos os seus cômodos com vida. Todos – e em abundância. E você precisa, sempre, visitar.
Enchi a casa de plantas e flores. E o que mais gostei foi um vaso, bem sem graça, que comprei num supermercado cheio de mudinhas de plantas. Custou dez reais – para você ver que, dinheiro não é nada importante neste caso.
Aí fui colocando um vaso aqui, uma peça acolá – de repente estava tudo mudado. Acendi um incenso de rosas brancas, cantei Cazuza novamente – ah, como sou feliz!
Experimente. Mude uma parede que seja! Troque de lugar as cadeiras, o sofá, a geladeira – sei lá! Mas mude! A sensação que invade a gente é muito boa. De reviravolta, de novos ares, de vida.
E vida, sempre, é muito bom reinventar.
Inanimados? Quem disse que suas paredes não têm coração?
Contra-mão
03/07/2007 às 00h36
Gosto dos venenos mais tenros.
De morrer aos poucos
Virar sonho dos loucos
Ir contra o vento e...
Cantar o amor já rouco
Gosto das paixões mais loucas
Com mordidas no céu
Na boca
Até de apanhar
Gosto do sabor da vida
Boa cama gemida
Vou além mar
Mas não me importo que você me jogue em um precipício
Nunca liguei para isso.
Aprendi desde muito cedo a bater asas e voar