Meu amigo Rodney
09/03/2010 às 22h18
Rodney e Ilnahra: a vida foi viver noutro lugar
Foi no amor da sua mãe, Lizete Andrade, que nasceu a nossa amizade.
Era uma festa, meus cinco anos como colunista de Mossoró no jornal Tribuna do Norte. Estávamos, eu e Lizete, na cozinha da festa, conversando, rindo de alguma coisa que agora não me recordo.
Rodney chegou. Ainda era noivo de Ilnahra, que o acompanhava, linda, sempre linda.
A festa se chamava Très Chic – certamente a mais “rica” que, àquela altura, Mossoró havia visto.
Exageros como perfumes franceses em toaletes lindamente arrumados; Faisão, Arroz Selvagem (uma novidade, 15 anos atrás), arranjos lindos de rosas vermelhas, muitas, coisa de 5mil botões. Era (mais) louco, à época.
E no meio disso tudo estava um dos grandes amores da minha vida, a Fada Lizete, mãe de Russel, Rodney e Renata.
E Rodney chegou manso, de cara estirou a mão.
E agradeceu o carinho que sentia por sua mãe.
- O que você faz por minha mãe é muito bonito. Disse, segurando o menu da festa com o nome do Maison Buffet, marco nas festas das terras de Santa Luzia.
Sempre curtimos, eu e a minha Fada, um certo ciúme que rolava nessa longínqua relação. Apesar da idade se aproximar, de sermos praticamente vizinhos em Mossoró, nunca fomos tão amigos assim.
Até aquela noite, sobre os trilhos da velha estação de trem erguida pela coragem e ousadia dos Saboya, cem anos atrás.
Àquela noite, senti, ficamos amigos para sempre.
Quando Rodney se casou com Ilnahra, o primeiro filho, a vida que seguia... estávamos sempre juntos de alguma maneira.
Nunca fomos de nos ver sempre. Mas sempre que nos víamos era uma festa.
- Diz cara!
Quando decidimos casar, eu e Keity – eu, principalmente – fui ao Maison Buffet um mar de vezes.
Lizete era, antes de tudo, uma lembrança terna da minha mãe, que morava no Rio de Janeiro; uma confidente junto com Goreti (Modas) Bessa Viana.
E lá, no seu escritório pequenino, conversávamos sobre tudo.
Àquela época, os meses que antecediam meu casamento, em 2001, só falávamos sobre esse “grande” acontecimento.
E muitas vezes dizia, rindo.
- Não, Fada, isso já teve no casamento de Rodney.
- Teve no casamento de Rodney? Quero não!
E isso virou uma piada secreta, dita sempre para aperrear minha Fada.
Quando casei, como todas as grandes festas da minha vida, meu casamento foi no Maison Buffet.
Lizete disse que seria impossível ser madrinha ao lado de outro querido, seu marido Renato Andrade, com uma festa para mil convidados acontecendo na sua casa de recepções.
Foi aí que tive a ideia de chamar Rodney e Ilnahra, como forma de homenagear Renato e Lizete.
E meus amigos foram nossos padrinhos de casamento...
Rodney sempre foi um lutador. Ah, Deus!, e como lutou na vida.
Morou no Rio de Janeiro, correu atrás do sonho. E venceu.
Conversando com Alexandre Capistrano, amigo nosso, a caminho do Aeroporto Augusto Severo quando fomos buscar Renato, Lizete e Russel, na trágica noite do acidente, ele disse... “Mesmo quando fazíamos uma grande farra, Rodney acordava cedo, ia estudar. Não perdia uma aula, um curso”.
Russel chegou a dizer, saudoso do irmão, na noite do penúltimo adeus, quando chegou em casa após o sepultamento.
- Rodney viveu tudo com muita intensidade. Tudo vivido era ao extremo, exagerado. Estudou muito, viveu muito, muita vida”.
Outra característica de Rodney, a tal intensidade.
Que quando cheguei em Natal, dez anos atrás, já era médico afamado, respeitado, aplaudido.
Era um homem de bem, íntegro, que venceu a custa de luta árdua, de trabalho incansável.
Ligou para mim quando foi escolher o nome do maior salto que deu na vida.
- Hospital da Visão, o que acha?
Adorei, disse, á época.
Quando Valentina nasceu, lá estavam os dois, sempre juntos, um só, em minha casa.
E assim vivemos, amigos verdadeiros.
No dia da sua viagem, estava organizando um evento quando meu telefone tocou insistentemente.
Tanto, que me vi sem chão, loguinho.
Resolvi atender Cantídio Neto, amigo do peito, que em voz trêmula pedia para eu checar se aquela notícia, do acidente de Rodney, era verdadeira.
Era.
Uma verdade sem dó, nem piedade, que atravessou a alma de todos nós. E parou tudo, nenhuma festa, vontade de nada.
Corri para casa, peguei Keity e fomos, sem dar uma palavra, para o Hospital do nosso amigo.
Encontrar dois amores nossos, Nevinha Gurgel e Ilnahra de Rodney, naquela situação, nos matou um tanto também.
E o resto da história todo mundo já sabe, sentiu.
Para os seus, que aqui ficaram, nosso amor em forma de abraços sinceros.
Para Rodney, que se foi, a certeza de que seu legado ficou.
Nas pegadas de Renatinho e Heitor, que como seu pai e sua mãe serão, também, homens de bem, d’alma boa, coração sem tempo de acabar.
Está escrito nas estrelas – e uma delas, vê que lindo, se chama... Rodney.
É nas adversidades que eu me encontro
12/03/2008 às 09h14
Sabe de uma coisa?
Estou adorando ser pai novamente!
É a minha segunda ninhada.
Os meninos de Maria do Socorro, minha poodle caçula, enchem de vida, preocupações e festa a minha já ouriçada vida – e eu adoro cada momento em que vivo com eles.
Às vezes – para não dizer infindas vezes... deito no chão, rolo pelo chão, brinco, damos cambalhotas.
E depois fico quietinho, observando.
Como Deus pode ser tão exibido, hein?
Como pode criar “pessoinhas” tão fofas, tão inocentes, especiais por demais?
- Deus, decididamente, é um danado!
Todos perfeitos. Outro dia cabiam, os três, na palma da minha mão. Hoje apenas um cabe, esparramado, sobre as linhas da minha vida.
São três meninos. É uma experiência nova, também, brincar com homem.
Sempre tive meninas. Desde as gatas Luana, Priscila... a Piquenes Kika...
Os meninos?
Um é extremamente parecido com Terezinha, mãe de Maria do Socorro, então avó do menino mais briguento de todos. Como briga com os irmãos, meu Deus! Puxou a quem mesmo, hein?
O segundo é imenso: gordo, guloso, está sempre na frente dos dois. Todinho eu.
O terceiro tranqüilo demais, adora passar o dia dormindo...
Três vidas. Cada uma no seu momento, no seu caminho. E todos tão diferentes!
Fico lembrando daqueles pais que dizem... “Nasceram da mesma mãe, do mesmo pai – e como são diferentes!”
É verdade, cada pessoa é uma pessoa.
Cada poodle também o é.
Cada um é cada um.
E a vida de cada pessoa – cachorro ou não – é uma história.
Por isso também temos que valorizar cada ser. Uma plantinha que seja...
Temos que tratar bem, ir além dos nossos limites para fazer o mundo melhor.
Não é demagogia. É fato.
Claro que muitas vezes não conseguimos. Não é fácil viver.
Mas, acredite, difícil mesmo deve ser complicar, não respeitar as vidas de Deus, não abraçar as adversidades.
Ser pai novamente tem me mostrado isso.
É, ficamos mais sensíveis quando geramos um ser...
Coisas que só Deus explica.
Sorte a sua
09/03/2008 às 11h37
Desde que me conheço por gente sinto-me assim: um homem feliz.
Amarguras, angústias, invejas, ódios, rancores, recalques, ingratidões: e outros caminhos bem íntimos de muita gente pela vida, nunca fizeram parte do meu coração.
Sou feliz e canto.
Também nunca tive grandes raivas.
Aliás, meu coração vagabundo não tem nenhuma personalidade. Nem memória. E aí, feliz, vou esquecendo...
Aqui se faz, aqui se paga?
Então deixo a vida cobrar as dívidas dos outros.
E se tem uma coisa de que não abro mão é, no final do dia, antes de deitar-me, rezar.
Aí agradeço, rezo novamente, amor, o friinho de um ar-condicionado – e o travesseiro disposto a receber uma cabeça (e os sonhos) de um cara que leva a vida na boa, que rema contra marés – e vence tempestades.
Que chora, que ri, que nada não às vezes.
Que passa os dias, perfeito que quer ser (ninguém é tão bacana assim), sem ferir ninguém, sem falar de ninguém – e esquecendo quem não merece, por exemplo, sequer um oi.
É impressionante: esqueço o nome, o telefone, apago e pronto. Azar de quem perde minha amizade. Porque eu sou o máximo!
Ai, ai...
E quem não curte estar ao lado de uma pessoa feliz?
Quem?
Sou, também, um cara normal – como a vida de todos nós é.
Isso é uma benção de Deus.
E é motivo de muuuuuuuuuuuuuuuitas alegrias também.
Comece sua semana cantando!
Agradeça a Deus por tudo, pela domingo, a segunda...
Até uma topada que leva!
Seja feliz...
A vida como ela é
07/03/2008 às 00h00
Ontem, finalzinho da tarde, estava passando pela Ladeira do Sol.
Linda, mar azul, imensidão: é um dos muitos momentos que percebo realmente que Deus existe: quando me deparo com o mar – e, no caso, a Ladeira do Sol de Natal.
Na frente do meu carro uma carroça velhinha, aos cacos, um homem levando a vida no galopar pouco ágil de um trôpego jumento e duas crianças, por cima de muitas madeiras, umas garrafas sujas – essas coisas com as quais a miséria transforma em pão.
E, tão lindo quanto o mar azul, ali aos meus pés, eram os sorrisos dos dois meninos.
Desliguei o ar condicionado do carro – deixei a vida entrar, o vento levar os papéis, sempre tão meus, empilhados, por onde ando.
Os meninos sorrindo, gritavam seus nomes: Francisco e Adão: ótima analogia daria os nomes!
E continuavam gritando, brincando, sorrindo muito.
Essa é a verdadeira alegria da nossa alma. Sorrir, apesar de tudo.
Não buzinei. Passei pelo menos uns 20 minutos atrás da carroça velhinha. Vendo, admirando, louco por uma máquina fotográfica: como seria lindo registrar aquele momento!
Não dei a mínima para o celular, que sempre toca – o que odeio!
Nem odiei, àquele momento.
Os meninos não paravam de brincar.
Eu segui minha vida, tão boa que é – eles entraram em Mãe Luiza, tão abandonada que é.
Talvez tenham chegado em casa com fome, cansadinhos de tanto lixo, corpo doído por sobre trôpegos galopes de um jumento arrimo de família.
Deus abençoe as crianças do Brasil!
Qual o significado de uma flor?
02/03/2008 às 17h43
Estava conversando com um amigo.
Amigo desde os tempos de moleque, coisa de 20 anos de amizade.
Ele reclamava do domingo.
E dizia: “Vivo tenso no domingo! É um dia insuportável, pois anuncia uma segunda-feira cheia de problemas para resolver, situações que aparecem”...
Aí eu contei uma história.
Sobre a mentira que falamos muitas vezes. Tantas, tantas e tantas.
Conheci uma senhora, dona Lúcia, três anos atrás.
Dona Lúcia era uma linda mulher. Tinha uma família feliz, um marido amoroso, uma casa sempre perfumada chique, elegante, essas coisas.
Uma das suas filha, todas as semanas, enchia o apartamento de flores coloridas.
”Flores atraem Deus”, ela costumava dizer...
Morava na praia, aqui em Natal.
Mas dona Lúcia adorava dizer.
- Não abro a janela do meu quarto. A claridade que vem do mar pode me dar dor de cabeça. Só de pensar, já sinto.
- Essas flores me dão alergia e dor de cabeça!
- Não vou a festa de fulana. Estou com a impressão de que terei dores de cabeça hoje à noite.
- Não como cereja. Me dá dor de cabeça!
E assim dona Lúcia, que ainda era uma linda mulher, foi deixando a vida passar. Não vivia aquele dia, o sol não entrava por sua vida... e não ia a uma, a dezenas de festas... E as dores de cabeça, mesmo sem existirem, iam consumindo sua vida.
E flores, ah, as flores... tão essenciais à vida, dona Lúcia não as via.
Hoje dona Lúcia realmente não pode abrir a janela do quarto.
A nenhuma festa dona Lúcia pode ir.
Cerejas? Ah, dona Lúcia não pode comê-las de verdade...
Nem flores podem tê-las.
Hoje dona Lúcia vive em um hospital. No escuro de uma penumbra triste e solitária.
A família, sofrida, está sempre ao lado – mas mesmo assim dona Lúcia vive solitária, sofridão.
Hoje dona Lúcia tem um tumor na cabeça. E caminha para a fase terminal da sua vida aos 46 anos de idade.
Eu tenho certeza: por sempre ter cantado uma dor de cabeça que nunca existiu. Ela mesma, hoje, acredita nisso. No poder que as palavras têm. No poder que a sua palavra teve.
Nós somos energia pura.
Se acreditarmos, por exemplo, que o domingo não vai prestar, que a segunda será insuportável... será!
Pobre Dona Lúcia... Para evitar a vida, uma dor de cabeça era criada.
E uma dor de cabeça realmente nasceu.
Sabe, amigo...
A gente tem mais é que viver. Viver muito e sempre, viver sem parar.
A gente tem que viver agradecendo, gritando para Deus que Deus é, sim, tudo na vida!
Suas palavras são sempre sábias, seus caminhos são sempre de luz. Seja lá quais forem.
Quanta gente, por aí, sequer o que comer tem.
E não tem mar.
Nem sol.
E cerejas nunca ouviu falar.
Flores... qual o significado de uma flor, para quem nunca ouviu falar no amor?
No meio da rua, basta olhar ao lado. Lá existirá uma pessoa que há dias não come, não dorme, não nada.
“Viver”, Guimarães Rosa um dia disse... “É muito perigoso...”.
Mas não há momento melhor do que esse.
O momento de viver!
Agradeça pelo domingo, pela segunda, por todos os dias, enfim.
Agradeça pela vida e viva cada minuto como se o último fosse.
Sempre pensando coisas boas, espalhando amor, fazendo o bem.
Aí, sim...
Sua vida, um dia remoto qualquer terá valido a pena...
Ojeriza
25/02/2008 às 16h36
Adorava filmes de terror, na minha adolescência.
Jason, Freddy Krueger, Stanley Kubrick , Carrie, a Estranha... O Exorcista, O Iluminado…
Eu e cindo d’Os Intocáveis – Léo, Kaú, Gustavo, Henrique, Kakau (meus eternos amigos cariocas)... não perdíamos um lançamento. Ou, no caso de muitos aí, os relançamentos.
À época, país mais livre, não existia filme proibido para 14, 16 anos. Aí... íamos a tudo!!!
Mas o tempo foi passando e eu fiquei com medo. Com muito medo.
Comecei a perceber, de alguns anos para cá, que a vida, literalmente, imitava a arte. E imitava da maneira mais torpe.
E fui deixando de lado, meu lado cinéfilo massacrado pela ‘serra elétrica’.
Hoje pai mata filho, filho mata pai. No real, todo dia.
E mãe joga filhinha no rio, viva, oh Deus!
E pai esquece o filho dentro do carro. E filho morre.
Hoje em dia as histórias de seqüestro, de assaltos e abandonos de um Rio de Janeiro enterrado no caos da violência, das guerras no Timor Leste, na Bósnia, no Iraque – tudo é real! E chega a ser infinitamente mais cruel do que os filmes.
Animais são degolados, gente é enterrada viva, crianças são arrastadas em um carro. A vida virou assunto banal.
Se mata por Sadan, se mata por satã.
Até por um par de tênis usado se mata.
Tão real que ultrapassa a realidade. Somos, hoje em dia, crudelíssimos na realidade.
Fui deixando de lado tudo isso. E, ah, como vivo em paz!
E minha paz não suporta violência. Não convivo numa boa com caminhos assim.
Parei, até, de ver filmes de guerras, de tiros sem fim, os Pulp fictions, os Kil Bill... da vida. Nada disso. Sangue, hoje em dia, me dá ojeriza.
Quero mais é mansidão!
Nada do que não me traga boas energias, nada do que não me lembre amor, eu leio. Nada! Pode ser uma coluna social – se não me acrescentar nada de bom, não leio, esqueço que existe. Consigo fazer isso, sabia?
Quero mais é paz.
E saber da boa vida, das pessoas que fazem bem ao mundo, daqueles que abraçam a caridade, daqueles que fazem sucesso sem tentar derrubar ninguém, de quem não mente a cada minuto que passa, de quem é ingrato, de quem rouba e mata – é... essa turma só precisa de oração.
Aliás, de oração, precisa o mundo.
E tenha certeza: energias ruins geram momentos muito, muito ruins...
O que é felicidade, meu amor?
18/02/2008 às 17h14
Fui pai.
De novo.
Talvez o correto fosse bisavô, já que minha poodle caçula, Maria do Socorro, é filha de Terezinha, minha poodle mais, digamos, velhinha...
Mas sinto-me pai – acho, talvez, mais “forte”.
Vocês acompanharam aqui todo o meu drama. Desde a primeira noite da minha Maria...
E aí, sexta, dia 15, à noite, chegaram meus três filhos.
A sexta-feira foi, realmente, um dia péssimo.
Acordei angustiado. Meu coração, não tem jeito, sempre anuncia antes, a vida que Deus manda em seguida.
Dez horas da manhã fomos: Eu, Terezinha (para dar uma força) e Maria do Socorro para o Centro Veterinário São Francisco, aqui na Romualdo Galvão, pertinho da minha casa.
Maria havia soltado, minutos antes, um líquido pela vagina – vi: era o primeiro sinal.
Fomos atendidos por Diógenes, sempre manso, tranqüilão e extremamente competente.
- Vamos aguardar. Vai ser hoje.
Maria estava com uma carinha de dor e de pânico ao mesmo tempo. Que criança gosta de estar sobre uma maca, num hospital?
Claro que ela não reclamava, mas eu sentia.
Aliás, ela não reclama nunca.
Fosse Terezinha, todos nós já estávamos rasgados, mordidos, arranhados e estressados.
Maria, não. É da paz...
Depois do pré-natal ela foi tomar soro, Diógenes pediu para eu voltar para casa.
- Vá. Você, aqui, atrapalha.
Isso já era uma da tarde.
Chorando muito, eu fui.
Em vão. Coloquei notícias aqui no site e voltei para a Clínica em meia hora. Fui proibido de abrir a boca. Maria do Socorro poderia ouvir...
Fui e voltei umas três vezes. Colocava notícias e voltava para a Clínica – para mim, a melhor e mais competente do mundo.
À noitinha, voltei pela quinta vez, fiquei de vez. Eram umas seis horas.
Passei o tempo todo com ela... Cansada, com dores horríveis e sempre me lambendo, dando amor...
Um dos cachorrinhos estava atravessado no útero, por isso não conseguia parir...
Eu já não tinha mais lágrimas. Estava um caco, cheio de dores horríveis – não bastasse, fiz uma cirurgia. Outro dia conversamos sobre essa cirurgia...
Passava das nove horas da noite quando decidimos finalmente que Maria seria cirurgiada. Fez cesariana, minha filha caçula. Que coisa!
Quase onze da noite... tudo bem!
Nasceram quatro pequeninos... mas a única mulher, que se chamaria Expedita Érica – homenagem ao meu amado sogro e ao meu cunhado, não sobreviveu.
Precisa dizer como me senti?
Chorei muito...
Era como se ali, uma etapa da minha vida, com essas duas cachorras, fosse se encerrando.
Mas precisava tocar a vida. No caso, a vida dos três meninos, homens como o pai – é, porque tataravô, no meu caso, nem caberia...
Um dos três, o menorzinho, ainda sofria muito. Foi preciso um cuidado todo especial com ele, que passou duas horas entubado, tomando oxigênio.
Maria do Socorro, que estava ainda sonolenta da cirurgia, ouviu minha voz. E um choro do tamanho do mundo, daqueles que atravessa nossas entranhas, correu a vida.
Fui ao seu encontro. Beijei muito, chorei demais.
Não ria de mim. Meu coração, caro leitor, sou eu todinho...
A essa altura meu telefone não mais parava de tocar. Mensagens chegando a todo instante, até visitas apareceram, na clínica para me ver.
Estava recolhido, cuidando dos meus novos filhos e acarinhando minha Maria, que voltava à vida...
A noite me guardava emoções densas, tensas.
Assim fomos para casa nós cinco.
Tudo estava arrumado para eles, com um “bercinho” ao lado da nossa cama.
Como não havia “visto” seus filhos nascerem, Maria do Socorro (todo cachorro é assim) não aceitava aquela situação. Não entendia, não queria estar ali e somente nos meus braços queria aninhar-se.
Tomei café, almocei e jantei ao mesmo tempo, meia noite, depois de colocar mãe e filhos na caminha que fiz para eles.
Aí, fui viver aquilo.
Coloquei meu travesseiro no chão, meu lençol.
Beijo em Keity, boa noite e...
A cada uma hora tinha que trocar uma bolsa térmica sob a caminha. Precisava mantê-los aquecidos, caso contrário, não sobreviveriam.
A cada meia hora tinha que pegar, principalmente o doentinho e alisar seu dorso. Muito, insistentemente.
A cada instante tinha que tirar Maria do Socorro que insistia em deitar-se, toda desajeitada, sobre os filhotes.
A cada instante engomava fraldas com ferro para colocá-las sobre os bebês...
A cada instante colocava-os para mamar.
E eles choravam muito...
Quando colocava os três nas minhas mãos, paravam de chorar.
Era fome de amor...
E assim o dia amanheceu.
Não preguei o olho, não dormi um segundo sequer.
Força?
Onde encontrá-la?
A força veio de Terezinha.
Como Maria do Socorro, ainda muito fragilizada com a cirurgia, anestesia e situações novíssimas não entendia nada, apelei para minha Tereza.
Coloquei-a sobre meu travesseiro e coloquei os meninos ali, com ela.
E ela, que é a pessoa mais estressada do mundo, ficou. Não se levantou para mais nada até oito horas da manhã. Ficou estática, aquecendo juntamente comigo, os filhos da sua filha, portanto, seus netos.
Até entre os animais, a solidariedade salva vidas.
E assim atravessamos o dia.
Apenas ao cair da tarde do sábado minha Maria entendeu: “esses meninos são meus!”
Conversei com Terezinha, que deu lugar à mãe.
As cenas parecem surreais, mas não são.
Surreal é não ser feliz. Eu sou.
O sábado, depois das quatro da tarde, foi uma maravilha.
Maria, os meninos, tudo em paz...
O pequenino, que precisou de todos os cuidados do mundo para não falecer, segue gordinho, esperto. Venceu, graças a Deus, a luta pela vida!
E assim vivemos até hoje... no maior amor...
É uma benção ter essas criaturinhas aqui, sob nosso coração, nossos cuidados, nossa casa... São dois muito pretinhos, outro champanhe - vá entender as coisas de Deus...
Hoje à noite começam as visitas. É uma forma de rever os amigos...
Quem aparece trás uma lata de leite por cachorro, come uns docinhos de Kyara Bezerra, joga um tantinho de conversa fora, ganha uma lembrancinha e assina o livro...
As latas de leite vou levar todas para minha creche, em Ceará Mirim...
Isso?
Ah... É felicidade, meu amor.
Para falar em saudade
13/02/2008 às 20h27
Foi no final de tarde, do meu último verão.
Sentada ao meu lado, enquanto eu via a vida me balançando numa redinha branca, de frente para o mar azul, Widinha.
Widinha nasceu Wilda Ferreira Marques, 86 anos atrás.
Chegou à casa da minha família como dama de companhia da minha bisavó, Brígida Galvão de Saboya, logo após seu casamento, em 1932, aos seis anos de idade.
E foi ficando.
Estudou, virou gente grande e, sempre, morou com a minha família. Aliás, Widinha é muito mais Saboya do que eu. Do que eu e do que outros tantos.
É, hoje, uma doce e teimosa velhinha. Lúcida, durinha e, naturalmente, com uma vida inteira de contos e histórias dos Saboya.
Estávamos conversando.
Eu, claro, querendo ouvir tudo o que ela tinha para dizer...
E ela começou a falar em Tiazinha. Minha tia-avó Maura Galvão de Saboya, falecida em 1998 e uma das pessoas que mais amei na vida.
Foi com Tiazinha que Widinha passou a morar, logo após o casamento com tio Analino Salgado, pai de José Carlos, Regina e José Edson de Saboya.
As duas tornaram-se irmãs. De sangue, de alma, coração.
Widinha sempre muito danada, astuta.
Tiazinha sempre muito tranqüila, amável.
Certa noite um ladrão, no velho casarão da Avenida Rio Branco, em Mossoró.
As duas, alguns empregados e... Widinha saca de uma arma e atira no ladrão. E ainda corre atrás dele. Ela deveria ter uns 70 anos, à essa época.
Danada? Essa é Widinha.
Tiazinha não... era medrosa, sonhadora, romântica e... chiquérrima.
Sempre brilhantes nas orelhas, solitários nas mãos velhinhas.
Ah, como sinto saudade...
Pois bem, voltemos ao Tibau...
Estávamos conversando e...
Widinha começou a chorar.
“Quando sua tia-avó faleceu, mudei-me para a casa de Alda, minha irmã. Mas todos os dias eu ia na casa dela. Abria a porta como se fosse a porta do céu. E chorava quietinha. Só eu e Deus.
Pegava uma velha vassoura que encontrava na área de serviço e varria cada um dos seis quartos da casa, as salas, a copa, a cozinha...
Varria, chorava, rezava... e saía varrendo...
E no outro dia voltava, varria novamente.
Era como se eu quisesse ver Maura, me encontrar com ela, conversar um bocadinho.
Muitas vezes sentia sua presença lá.
Ah, por que não bati tantas fotos ali? Eu, vocês, os meninos dela? Por que não fotografei a casa, a fachada?
Como me arrependo disso. Hoje olharia para a casa, sentiria menos dor”.
A casa está lá, ainda. Foi vendida e, graças a insensibilidade de quem a comprou, está totalmente modificada. Ah, como tem gente sem noção, nesta vida! Um casarão de 1938 - e o cara não preserva suas linhas. Insensível e... ah, esqueça!
Widinha, que sempre foi a razão em pessoa, desmoronou, pela primeira vez, na minha frente.
Seu choro era um choro estranho, um choro de saudade que vinha das entranhas...
De repente o céu chora também.
Uma chuva torrencial corre o Tibau.
E ela lembra de outra história.
“Quando chovia em Mossoró, eu e Maura colocávamos o maiô e íamos tomar banho de bica no quintal da casa. E tomávamos um bom whisky escocês, ríamos muito de tudo. Depois dormíamos o dia todo... ah, como era bom!”
Ao fundo, Zizi Possi cantava Chico Buarque de Holanda.
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Não, não... nada de coincidências. É Deus, mostrando sinais.
Uns percebem, outros não.
Entramos, com o volume da chuva, para casa.
Fomos conversar no meu quarto e...
Um cheiro de Colônia Eau de Ologne, o perfume preferido da minha Tiazinha tomou conta do meu quarto.
Era ela, certamente, que foi até Tibau, ali, nos meus braços e no de Widinha, dar um beijo em nossa alma.
À espera da vida
12/02/2008 às 15h24
Ah, que maravilha ver a vida sendo gerada aqui, na minha casa, diante dos meus olhos sempre ávidos, aflitos, em busca de!
Vou passar pela segunda experiência de ser, digamos, pai.
Terezinha, minha poodle mais velha, foi mãe quatro anos atrás.
Fiz um álbum lindo, que mostro sempre como prova da minha devoção pelos animais, bati fotos, fiz lembrancinhas que entregava às visitas... Visitas que traziam latas de leite quando vinham visitá-la. À época consegui arrecadar 54 latas de leite em pó, todas doadas para um orfanato, o Menino Jesus.
Mas o pós-parto de Terezinha foi um caos.
Teve sérios problemas e precisou, de urgência, fazer cesariana. Quatro horas de cirurgia que me deixaram em pânico – mas tudo deu certo, graças àqueles que canto como os melhores veterinários do mundo...
Pacientes, doces e competentes, Diógenes e Joana, do Centro Veterinário São Francisco de Assis são, esqueci de dizer: dois anjos também.
Terezinha, como não viu os filhotes nascerem, não acreditava que eram seus, aqueles pretinhos que cabiam, todos, na palma da minha mão.
Passamos, eu e Damiana, dez dias acordados.
Esquentávamos uma bolsa d’água a cada uma hora para colocarmos sob o bercinho (claro que mandei fazer uma caminha) e em cada instante segurávamos Terezinha para darmos de mamar para os quatro filhotinhos.
Terezinha, sempre temperamental, se aborrecia muito.
Que menina mais abusada!
Mas ela não podia se estressar. Estava toda ‘ponteada’, doída e, tadinha, não entendia muito aquilo tudo.
Aliás, nem eu.
Não dormíamos, não comíamos, eu não conseguia trabalhar.
E ainda ouvia uns dizerem: prepare-se, um dos filhotes não vai conseguir sobreviver.
Erraram. Sobreviveram os quatro: Maria do Socorro (em homenagem a minha sogra), Preta, Maria da Conceição (era 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição), Chrystian Júnior, o único homem.
Preta foi para os braços de Terezinha Menezes, Conceição virou filha de Dona Zélia – nossa secretária querida à época, Chrystian Júnior hoje é o filho mais velho de Damiana “lá de casa”.
E Maria do Socorro é a caçula da minha família. Uma cachorrinha tranqüila, super da paz, amorosa, que adora dormir sobre meu travesseiro e, extremamente apaixonada por mim... levanta-se as três vezes que o faço na madrugada. Eu fazendo pipi, ela olhando, quase dormindo em pé, abrindo o bocão num focinho branquelo...
Não vendo cachorros meus. Todos são dados àqueles que, como eu e minha Keity, amam os animais incondicionalmente!!!
Pois é... Maria do Socorro está grávida.
Depois do desespero de ver minha poodle transando, numa cena chocante, que me doeu a alma, agora aguardo os rebentos.
Ela está mais mulher, menos brincalhona e dorme o dia todo. Já pesadinha, não sobe na nossa cama, seu pedaço preferido aqui em casa. Mas basta olhar para mim. Eu entendo, conversamos com os olhos. E a coloco sobre a cama, seu porto-seguro.
Anda se achando, apesar da carinha sempre dócil.
Outra noite estava lendo, abajur a meia luz do meu quarto e de repente olhei de lado. Maria do Socorro estava na frente do espelho. Olhava como se uma mulher vaidosa das suas crias estivesse. Parava, fitava o barrigão, fazia uma cara de quem não entende lá tantas mudanças em seu corpo. Ao que tudo indica, como a mãe, ela está grávida de quatro filhotinhos.
Aqui em casa, tudo está sendo aguardado com muita ansiedade.
Vida, seja lá qual for... uma plantinha que seja, a gente tem que regar com amor, mandar beijinhos, abrir a vida para o sol entrar.
Oh "Veraneis" bom!!!
06/02/2008 às 16h23
Sempre amei Tibau.
Mais lindo mar dos potiguares tem, também, uma água tranqüila, quentinha, uns passeios intermináveis e inacreditáveis... Quer saber? Meu verão foi tudo!
Tomei muito banho de mar, reuni amigos todo santo dia e fiz da minha casa uma extensão do meu abraço.
Pela manhã, “Espumantes ao mar” – onde pelo menos dez amigos, todos os dias, tomavam espumante até o entardecer... Tem coisa mais chique?
Bem... chez longs, mesinhas, coller, o mar batendo – e, para os mais “simplinhos”: cerveja gelada, cana com siriguela, whisky.
Dias maravilhosos...
À tarde, muitos lanches: para as Linhares e para a família Lima – trupe de Canindé Alves e Ivanilda Linhares e de Nizinha Lima, respectivamente. Famílias que tenho amizade há uns 20 anos. Ai, novo!!!
Lanches? Ah, foram muitos, intermináveis...
Almoços, cafés da manhã: era um buffet!!!
Mas o burburinho mesmo foram as noites da nossa casa!!!
Tivemos, como chefs, vê só que prestígio... Rogéria Costa, Socorro Paiva, Kyara Bezerra, Carla Cantídio, José Antônio de Menezes, Jorge Fernandes, Tereza Cristina Fernandes Teixeira...
Cada um cozinhou muito, para alegria geral dos nossos alpendres.
E um risoto virava uma festa, uma cuca de banana virava uma festa...
Motivo? Ah, nenhum. E todos, ao mesmo tempo!!!
Foram noites de muita ferveção!!!
Festas – ou risotos, massas, carnes, frutos do mar... que terminavam, aqui e acolá, com muito banho de mar na madrugada...
Para abrir o verão, noite de massas by José Antônio de Menezes. Que suja a cozinha inteira, adora um pano de prato no ombro e faz as melhores massas do mundo!!!
Noite regada a muito amigos queridos...
Queijos e vinhos, noites de aves, noites de comidinha japonesa...
No meio do verão apareceram Zélia Pinheiro, Cleuze Fiúza, Têca Melo-Maravilha-Chuchu-Beleza, a flor Violeta Maia, Marilene Oliveira, Lilia Almeida, Solange Lira, As Vivi de Lili Gadelha Fernandes, Lúcia Spínola e Rubem Militão.
Elas e a minha imensa alegria!!!
Almoço pela tarde quando chegaram e... um Luau (sem lua – com nuvens dos céus do Tibau) quando a noite caiu. Encontramos até um seresteiro: Liduíno Som, do Tibau, que tocou todas e fez a gente dançar até altas horas. Quer saber: foi o máximo!!!
Turma que amo, as meninas fizeram da minha casa um exemplo de vida. E até banho de mar na madrugada rolou...
Na noite seguinte teve o aniversário de Wildinha – Wilda Ferreira Marques. Exatos 86 anos de idade e dona da história da minha família, quando nos Saboya chegou aos 6 anos de vida...
Minha velhinha amada... aí reuni toda a Saboyada. E tome festa!!!
E teve a chegada, logo em seguida, de Rogéria Costa e Kyara. As duas, mortas de saudade, foram passar um dia conosco. E “conosco” amou!!!
Reunimos amigos, fizemos a festa. E quando menos se esperava, lá vem um batalhão de mulher, para comer as delicinhas de Rogéria e Kyara.
Vinham do Chá-furdo, pilotado por Nelson Filho, na casa dos Menezes, no Tibau: Daniela Rosado, Aspásia Alves, Eveline Soares, Mara Maia, Íris Menezes, Edinê Soarres...
Aí... mais festa!!!
Ana e Paiva Lopes, Jorge Fernandes, Aldo Arraes e Rúbia Lima se juntaram a Rogéria e a Kyara.
E dias depois teve o Risoto by Jorge Fernandes. Que maravilha!!!
E teve risoto by Carla Cantídio duas vezes. Para abrir o verão e para Sami e Sandra Elali, nossos amados no final de semana que a casa bombou geral.
Foi a festa “Tchau, Verão”, que reuniu mais de 80 amigos numa noite maravilhosa, animada, feliz, dançante, deliciosa. Comidinhas by Requinte Buffet, que deu show!!!
E som tudo na vida!
E só gente amada!!!
Para fechar tudo...
Uma semana inteira de almoço e cafés para a Família Lima!
E uma festinha nada básica, em meio a uma tempestade de areia, para Eveline Soares.
Que, assim como Iemanjá, nasceu dia 2 de fevereiro – e ganhou da amiga-quase-siamesa Keity Saboya uma “jantinha”, by o chef Jorge Fernandes, que fez todo mundo dançar... Muito Scank, Renato Russo, Lulu Santos...
Turminha cabeça, essa!
Mais?
Muita alegria...
E um agradecimento especial àqueles que fizeram da minha casa um celeiro de amor e sol nestes dias de “veraneis”, como dizem uns filhos do Tibau.
Elenco por ordem alfabética
Alderi Martins e Aspázia Alves
Aldo Arraes e Rúbia Lima
Ana e Paiva Lopes
Andréa Rosado
Betinho Rosado e Mary Simone Barrocas Rosado
Cantídio Neto e Carla
Ceiça Marques
Claudia Rocha
Cláreth Sepúlveda Salomão e Marcia Rejane Maia Fernandes
Cleiber Moraes e Ceição Rosado
Cleuze Fiúza
Chico Leite e Luzia
Edione e Maria José Jales
Ednê e Eveline Soares
Eduardo Medeiros e Ruth Ciarlini
Eroscylma Vieira de Saboya
Euzamar Saboya e Vanuza Linhares Ramanho de Vasconcelos
Íris Menezes
Ivanilda Linhares
Jandyra Escóssia
Jorge Fernandes e Soraia de Xixico
José Antônio de Menezes e Terezinha
José Agripino e Felipe Maia
José Vasconcelos e Zuíla
Jurandir Filho e Valéria Escóssia
Kyara Bezerra
Leninha e Jordana Asfora
Lilia Almeida
Lucia Spínola e Rubem Militão
Luiz Cândido Vilaça e Tania
Maria Fernanda Linhares Oliveira de Saboya
Mary, Allexandre e Gabriela de Saboya
Marcelo Duarte, Daniela Rosado e Eduardo
Marconi e Ivana Linhares
Marline Oliveira
Maurício Delalíbera e Evalane Maia Fernandes
Marlene Maia Fernandes
Nelson Chaves e Iara Menezes
Nilson Brasil e Ione Menezes
Nisinha Lima... Mais Núbia, Rosana Miguilin, Vinícius, Lucas, Jacirene, Cosmilda e Francinalda
Raniere Kleber Lima de Oliveira e Fafá Linhares
Reno e Karina Vasconcelos
Rogéria e Lia Costa
Romano Vasconcelos
Rosalba Ciarlini
Ricardo Dias e Marta Crisleide
Socorro Ferreira de Souza e Paulo César
Socorro Paiva
Sami e Sandra Elali
Solange Lira
Tasso Rosado e Elizenir
Têca Melo
Tereza Cristina Fernandes Teixeira
Wagner e Claudia Regina Azevedo
Weber Chaves e Vera Escóssia
Wilda Ferreira Marques
Vânia Leite, Raíza e Fábio Fontes
Vilayne e Vileyde Gadelha Fernandes
Violeta Maia
Zélia Pinheiro
Zilda Vieira de Saboya
Ai Mouraria
07/01/2008 às 09h00
Lisboa, grande amor
Um cantinho da noite Lisboeta
Uma vista da praça do Comércio: lindo Centro de Lisboa
Um passeio de Elétrico é o que há
A Praça do Rossil... pórtico do Século XVII
Martinho da Arcada: restaurante tudo de bom
Linda Torre de Belém
Alfama, linda vida
Os Pastéis de Belém e...
... e única a fabricar os verdadeiros pastéis de Nata: divinos!!!
Fátima, no primeiro dia de 2008: fé que emociona
A Capela de Fátima: o coração dispara
A Azinheira de Fátima: de lá, a Virgem iluminava...
Precisa dizer mais alguma coisa_345x259
Cheguei!
Feliz, renovado – ah, como é bom viajar, redescobrir mundos!
Não fosse o medo de avião – devo confessar que já tive bem mais e... a saudade imensa das minhas cachorras Terezinha e Maria do Socorro... viajaria toda semana. Voar? Ah, faço a todo instante...
Mas 2007, para variar, foi especial: revisitamos o Chile e a Argentina, Salvador, São Paulo... conhecemos o inesquecível Peru, Cusco, Machu Pichu... e amamos estar em Porto de Galinhas, nos Pernambucos e Morro de São Paulo, na Bahia.
Para fechar o ano fizemos o caminho inverso de Pedro Álvares Cabral – e (re)descobrimos Portugal. Não toda a terra, naturalmente, mas muitos dos seus belíssimos caminhos...
Estivemos na Europa faz um ano e pouquinho. À época, passamos uns dias na velha Lisboa. E, treze meses depois, quanta diferença! Para melhor. O país está limpo, lindo, moderno!
Não fosse a grosseria dos portugueses – e a falta de educação da maioria... seria um país para se voltar toda vida.
Ai, mas como são grosseiros, como nos tratam mal!!!
Motoristas de táxis, garçons em hotéis, restaurantes, até comerciantes: brutos e... ah, sabe de uma coisa? Problema deles.
Só sei que com tudo isso eu amo Portugal!
Foi uma maratona: Lisboa, Óbidos, Batalha, Nazaré, Fátima, Alcobaça, Tomar, Coimbra, Porto... mergulhamos em cada cidade dessa. E como descobrimos coisas interessantes, lindas, de tocar a já doce alma! E como ficamos mais ricos de fé, de amor, de cultura, de Deus!
Para Fátima já havíamos ido. Mas voltar a Fátima é, sempre, uma benção de Deus. Que lugar mágico!!!
Os anjos esbarram na gente sem nenhuma cerimônia. É um local pragmático, de uma força sem igual.
A Basílica, com capacidade para dez mil pessoas, já foi erguida. À porta, uma estátua de João Paulo II. Tudo é lindo em Fátima... A Azinheira de onde os pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia viram a Virgem lá está... A capelinha erguida no local onde Nossa Senhora se amostrava... ah, como é lindo Fátima!!!
Mas vamos dar uma voltinha por Lisboa...
Moderna sem perder o fio da meada, o braço da história. Dessa vez paramos em Alfama, um bairro antiqüíssimo às margens do Rio Tejo com casarios muito velhos, roupas nas janelas e personagens que parecem saltar do início do século passado...
Voltinhas no Elétrico, um bonde que corre a cidade é um dos passeios imperdíveis.
Também um almoço no restaurante Martinho da Arcada, de frente para a Praça do Comércio, às margens do Tejo.
Mas de forma alguma vá a um restaurante chamado João do Grão, também no centro antigo de Lisboa. Péssimo atendimento em um local muito apertado.
Como anotamos com o sorriso tudo o que amamos... Eis a nossa lista de alguns passeios imperdíveis pela velha e linda Lisboa.
1) Vá comer no restaurante Bica do Sapato. O restaurante fica no Cais, lindo, charmoso e, não fosse o péssimo atendimento de uma recepcionista que fica à porta, seria ainda melhor. A comida é divina!
Coma Pastel de Belém na Pastelaria Belém, vizinha do Mosteiro dos Jerônimos, outro lugar lindo!!! Desde 1837, a pastelaria faz os melhores pastéis de nata de toda Lisboa.
2) Ande no elevador de Santa Justa, que liga a Cidade Baixa ao Chiado, um bairro sempre em festa. O Santa Justa foi desenhado por um aluno de Gustave Eiffel, sim, o mesmo da Torre, em Paris. Francês, o arquiteto, respeitadíssimo à época, era Raoul Mesnier du Ponsard.
3) Pegue o Elétrico e saia pela cidade sem nenhum compromisso.
4) Ande pela Avenida da Liberdade. Lembra a Champs Elise, em Paris. Cheia de arte, jardins, bons restaurantes...
5) Visite o Parque das Nações. Erguido para a Expo 98, é uma obra maravilhosa. O Centro Náutico do Oceanário é um passeio único.
6) Vá ver Lisboa do alto do Castelo de São Jorge, erguido no século VI antes de Cristo. Lá muitos artistas, cafés, história...
7) Passe uma tarde, entre pela noite no Chiado. Lá, Fernando Pessoa parece vivo estar em um café, a Brasileira, onde uma estátua em tamanho natural do poeta-luz se transformou em ponto turístico. Fonte do século XVII, azulejos do século XVI e ruas divinas para se dar uma voltinha...
8) Ah, as casas de Fado. Nós indicamos duas. Arcadas Do Faia e Casa do Fado. Uma fica na Rua da Barroca, 54, a outra na Rua do Chafariz de Dentro.
9) Vá rezar por sobre as ruínas da Igreja do Carmo, gótica, de 1755, a Igreja da Memória, de 1760... A Catedral da Sé, erguida em 1150 e a popularíssima Santo Antonio da Sé, construída em 1755 onde, diz-se em Lisboa, na casa onde o santo nasceu...
10)Visite o Mosteiro dos Jerônimos. Ápice da arquitetura Manuelina, ergueu-se para festejar os descobrimentos de Vasco da Gama. Lá, aliás, é o local onde ele está enterrado. Em 1501 começou sua construção. O local é uma maravilha do mundo: lindo, imponente, mágico. Ali em frente o Rio Tejo. Mais adiante A Torre de Belém, de 1521, um parque imperdível, praças, esculturas...
Onde eu um dia, deixei presa a minha alma
07/01/2008 às 08h00
A chegada a Vila: azulejos do Século XVII
Adultos viram criança em Óbidos
O antigo e o Medieval: juntos, cantando história...
O Pelourinho no primeiro plano e a igreja do Carmo: fé e escravidão não combinam...
Casas com suas plantas: vida em abundância
Vista mais linda, mais cheia de Deus...
Estávamos programados para chegar em Óbidos logo nos primeiros dias da viagem.
Mas alugamos um caro e fomos nos encantando por Portugal. Somente no dia primeiro de janeiro deste 2008 chegamos à vila acolhedora que fica no distrito de Leiria, a 90 quilômetros de Lisboa.
Fundada pelos Celtas em 308 antes de Cristo, no século I foi tomada pelos romanos e no século VII pelos Mouros.
Mas foi em 11 de janeiro, exatos 1140 anos atrás que o Rei de Portugal D. Afonso Henriques tomou a cidade dos Mouros para, em 1210, virar presente para a mulher de outro Rei, Dom Afonso II, Rainha Urraca.
A Vila de Óbidos é cercada pela cidade de Óbidos, que vive da agropecuária e, desde meados do século passado, do turismo.
A porta da Vila, revestida de azulejos portugueses, foi erguida em 1309 e abriga o Oratório de Nossa Senhora da Piedade. De cara, o coração dispara.
À direita, a sede da Sociedade Musical Obidense, onde em 25 de abril de 1974 uma reunião do Movimento dos Capitães desencadeou a Revolução dos Cravos, um basta dos portugueses à ditadura que culminou com um grande passeio dos rebelados, pelas ruas de Portugal, com cravos vermelhos “plantados” nas suas armas de fogo.
Visitar Óbidos e não parar ali, com a história tão próxima é imperdoável.
A cidade tem, ainda, um cantinho lindo que é a Capela de São Martinho, de 1331, a igreja de São Pedro, erguida no século XVIII e a Igreja da Misericórdia, fundada no Século XVI.
O Castelo de Óbidos, de 1153 é outro encanto. Aliás, para os Portugueses, uma das suas Sete Maravilhas do país.
Exemplo da fortificação medieval portuguesa, erguido sobre um pequeno monte, foi fruto de diversas intervenções arquitetônicas ao longo dos séculos e integra o conjunto da vila, que preserva as suas características medievais de maneira quase que cenográfica.
Suas muralhas cortam a cidade. Do alto, se vê o mundo – e o mundo, ali, é belo!
Lá, um pelourinho ainda “sangra”. No caminho de uma praça, linda... e de frente para igrejas que, à época, não entendiam tanto de Deus assim.
Ah contradições desta pobre vida!!!
Muitos pedaços chamaram nossa atenção em Óbidos... mas as casas cercadas por heras, uma planta que sobre as velhas paredes... como é lindo! As casas parecem ter vida própria. E, a bem da verdade, elas tem.
Na Ermida Nossa Senhora do Carmo, uma linda exposição. Nossa Senhora, São José e o Menino Jesus se transformaram numa belíssima mostra. O local, do século XVI, trouxe a cena do nascimento de Jesus de várias formas... dentre as quais... em forma do vidro, assinada pela artista portuguesa Maria Gonçalves, uma das mais renomadas vitralistas do mundo.
Falando nisso, Óbidos, a vila, se transforma no Óbidos Vila Natal durante dezembro, até seis de janeiro... Mostras, exposições, concertos, neve...
As crianças adoram. Os adultos se transformam.
Dos rouxinóis nos beirais
07/01/2008 às 04h00
Nazaré, lá de cima...
Nazaré, vista lá de baixo...
O sol se vai dentro do mar...
As velhas casas e seus laranjais: em todo lugar...
As gentes simples de Nazaré: passado e presente de mãos dadas...
Linda igrejinha de Nazaré: fé e o diabo do preconceito, no Pelourinho à nossa frente...
Passamos pouco tempo em Nazaré, uma cidade linda localizada na orla costeira, a pouco mais de uma hora de Lisboa, com uma população de 15 mil habitantes que... para as festas de fim de ano triplicam em gente, felicidade e muitos, muitos jovens.
Tem uma atmosfera diferente, um cheiro diferente.
A juventude, no último dia do ano, estava eufórica e feliz como se a vida terminasse ali. Ou, melhor pensar assim: como se a vida começasse naquele exato instante.
Um contraste com os senhores bem antigos, desfilando com seus trajes nem aí para modernidade e ou esperando a vida terminar de passar por sobre as velhas janelas.
Nazaré começou sua vida lá por 1514. Se para uns parou no tempo, para outros anda moderninha demais.
A cidade tem um sem fim de restaurantes maravilhosos, como o Vila de Nazaré, à beira-mar e uma vista, seja do despenhadeiro que corta a cidade, seja do mar, onde o sol nasce e se põe.
A cidade é, verdadeiramente, linda!!!
Amor que o vento, como lamento, levou consigo...
06/01/2008 às 23h57
Prato de A Quinta das Lágrimas - Porco com... reparem... Baião de Dois. Que, lá, chama-se Grellos
Quinta das Lágrimas: Onde o Rei chorou por Inês de Castro, ergueu-se o melhor restaurante de Coimbra
... E o rei chorou aqui...
Uma linda e trágica história de amor, fez nosso coração parar em Coimbra...
Uma cidade encantadora às margens do Rio Mondego.
De um lado, Inês de Castro. Filha ilegítima de Pedro Fernandes de Castro e uma dama portuguesa, Aldonça Suárez de Valadares.
Do outro o futuro Rei de Portugal, Dom Pedro.
Inês de Castro chegou a Portugal em 1340, integrada como aia no séquito de Constança Manuel, filha de João Manuel de Castela, um poderoso nobre descendente da Casa real Castelhana, que iria se casar com o príncipe Pedro, herdeiro do trono português. O príncipe apaixonou-se por Inês pouco tempo depois, negligenciando a mulher Constança e pondo em perigo as relações com Castela.
Aí começa um drama...
Tentando separar Pedro e Inês, em 1340 Constança convidou Inês como madrinha do seu primeiro filho varão, o infante Luís, já que, de acordo com os preceitos da Igreja Católica de então, uma relação entre um dos padrinhos e um dos pais do batizando era incestuosa. A criança não sobreviveu um ano, o que fez aumentar as desconfianças em relação a Inês, acusada de “matar” a criança.
Sendo o romance adúltero vivido às claras, o rei Afonso IV manda exilar Inês no Castelo de Alburquerque, na fronteira espanhola, em 1344. No entanto, a distância não apagou o amor entre os dois apaixonados, que continuavam a corresponder-se e trocar juras de amor eterno...
Em outubro do ano seguinte, Constança morreu ao dar à luz o futuro Fernando I de Portugal, deixando Pedro viúvo e livre. Frágil e triste, diz-se em Coimbra que Constança morreu por falta de amor...
Então Inês volta do exílio e vive com o futuro rei longe da corte. Juntos, tiveram quatro filhos: Afonso, João, Dinis e Beatriz.
Afonso IV tentou por diversas vezes organizar um terceiro casamento para o seu filho, com sangue real, mas Pedro recusou tomar outra mulher que não Inês. O velho rei receava a influência da família de Inês, os poderosos Castro, no seu filho e herdeiro; além disso, o único filho varão de Pedro e Constança Manuel, Fernando, era uma criança doentinha, e crescia a insegurança em relação a sua vida para que um dos saudáveis filhos de Inês de Castro pudesse ocupar o trono. A nobreza portuguesa também começava a inquietar-se com a crescente influência castelhana sobre o futuro rei.
Depois de alguns anos no Norte, Pedro e Inês haviam regressado a Coimbra e se instalado no Paço de Santa Clara, um Mosteiro lindo, que vale ser visitado.
A 7 de Janeiro de 1355, o Rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e, aproveitando a ausência de Pedro numa excursão de caça, enviou três capatazes para...
Os três se dirigiram ao Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, onde Inês se encontrava, e degolaram-na na frente dos filhos.
Aí conta a lenda que seu choro teria originado a cor avermelhada das águas que correm na Quinta das Lágrimas.
Hoje um hotel belíssimo, de muito charme e com o restaurante, o Quinta das Lágrimas, dos mais requintados de Coimbra, cercado por jardins e uma emoção diferente... Parece que o amor está ali, resistindo a tudo. E ao tempo, inclusive.
Por que Quinta das Lágrimas?
Era nesse local que o Rei Pedro ia chorar, todos os dias ao entardecer, a saudade de sua Inês.
Vem daí, sabia, o dito popular “Agora é tarde, Inês é morta!”.
Pedro se tornou o oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360, faz a famosa declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que havia se casado secretamente com Inês, em 1354 "em dia que não se lembrava".
O novo Rei perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para Castela. Todos foram apanhados e executados.
Pedro mandou construir dois túmulos. Os túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça são dos mais lindos que meus olhos já alcançaram.
O Rei, abalado com tamanha dor, promoveu a tétrica cerimônia do beija mãos.
Exumou o corpo da amada e fez toda a realeza beijar as mãos do cadáver...
Da severa voz saudosa
06/01/2008 às 23h35
O Pátio da Universidade de Coimbra: pouca coisa restou...
Uma das lindas e inesquecíveis vistas de Coimbra...
A Rainha Santa: descoberta maravilhosa
Quer saber? Amei Coimbra!
Apesar de a cidade precisar de muito, muito mais atenção por parte do governo. Muitos dos seus monumentos estão definhando. A história de séculos atrás virando nada...
Deu uma dó...
Mas, vamos combinar. Você acordar de frente para o Rio Mondega, não é pra qualquer um.
O local é liiiiiiiiiiindo, com uma paisagem que mostra casarios, montanhas, igrejas de anos e anos atrás.
Cidade de ruas estreitas, pátios, escadinhas e arcos medievais, Coimbra foi berço de nascimento de seis reis de Portugal e da Primeira Dinastia, assim como da primeira Universidade do País e uma das mais antigas da Europa, a Universidade de Coimbra, fundada em 1290.
Desde meados do século XVI que a história da cidade gira em torno da Universidade de Coimbra... e apenas no século XIX a cidade começa a expandir para além do seu casco muralhado, que chega mesmo a desaparecer com a reformas levadas a cabo pelo Marquês de Pombal. O que é uma pena...
Com a Universidade como referência inultrapassável, desta surgem movimentos estudantis. Muitos dos quais não resistiram ao passar dos anos, mas outros ainda hoje resistem com vigor.
Coimbra é uma sábia cidade – a Cidade do Conhecimento. A Universidade, que emociona em cada pedacinho visitado, é, também, responsável por infinda dor. O Fascismo, regime político que teve seu auge entre 1930 a 1945, derrubou muito dos antigos prédios da Universidade. No seu lugar ergueu-se prédios horrendos. E por este motivo, soubemos em Coimbra, a Cidade não é Patrimônio da Humanidade.
E foi em Coimbra que descobrimos uma santa linda.
E de sangue azul.
Isabel era filha do rei Pedro III de Aragão (aquele, de Inês de Castro) e de Constança da Sicília.
Casou-se por procuração com o soberano português D. Dinis em Barcelona, em fevereiro de 1288.
O Rei não lhe teria sido inteiramente devotado, e parece que visitaria damas nobres para os lados de Odivelas.
Apesar de tudo, Isabel foi deveras piedosa e passou grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Saia pelas ruas a distribuir alimento e amor.
Certa vez, nos contou uma guia em Coimbra, Isabel Marques, a Virgem Santa saía pelas ruas distribuindo pão quando o rei Pedro III, não querendo vê-la rodeada de pobres, perguntou o que Isabel fazia ali.
Ela disse que estava apenas tomando um fresco.
E de repente os cestos de pão que levava caem no chão e, na frente de todos, transformam-se em rosas. Lindas rosas...
O Rei Pedro III ficou estarrecido e toda a comunidade tomou conhecimento. Foi seu primeiro milagre...
Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de santa, tendo esta fama aumentado após a sua morte.
Pouco depois da morte do marido, Isabel recolheu a um convento franciscano em Coimbra, no Mosteiro de Santa Clara. Passou a vestir o hábito de Clarissa mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade).
Isabel faleceu em Estremoz, em 4 de Julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, sendo a viagem demorada havia o receio do cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador começou o ataúde a abrir fendas e por elas escorria um líquido.
Qual não foi a surpresa! Nada de mau cheiro e sim um aroma suavíssimo.
Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santificação.
Atualmente inúmeras escolas e igrejas ostentam o seu nome. É ainda padroeira da cidade de Coimbra, cujo feriado municipal coincide com o dia da sua memória, 4 de Julho.
Que me mentia, mas que eu adorava tanto...
06/01/2008 às 23h30
O Porto, ao amanhecer: paisagem de alegrar a alma
A Estação de São Bento
O prédio da Câmara Municipal do Porto, de 1544
O Porto, à noite.
A Casa da Música, ícone do Porto.
É na cidade do Porto onde me despeço do meu diário de bordo.
Foi nossa última paragem (portugueses adoram esta palavra!), nosso último encontro com o amor vivido na linda e inesquecível Portugal...
Amei o Porto!
Mais romântica das cidades, fica às margens do imponente Rio Douro e tem como símbolo a flor camélia. No Porto, cada jardim, cada cantinho da cidade existem camélias a florescer e encantar os poetas.
Tem origem num povoado pré-romano, a cidade tão linda que é. Na época romana designava-se Cale ou Prtus Cale, sendo a origem do nome de Portugal. No ano de 868, Vímara Peres, fundador da terra portugalense, teve uma importante contribuição na conquista do território aos Mouros, restaurando assim a cidade de Portucale.
Foi dentro dos seus muros, em 1111 que se casaram o rei D. João I com a princesa inglesa D. Filipa de Lencastre, um dos mais ricos do império àquela época. A cidade orgulha-se de ter sido o berço do infante D. Henrique, o navegador.
Vários pratos da tradicional culinária portuguesa tiveram origem na cidade do Porto. O prato típico por excelência da cidade são as Tripas à moda do Porto, prato histórico e que remonta à altura dos descobrimentos portugueses e que pode ser encontrado em muitos dos restaurantes da cidade.
Aliás, os restaurantes...
Ficaria aqui, enumerando dezenas.
Mas vá aos cais. Lá, às margens do Rio Douro existe uma centena, pelo menos. E todos igualmente divinos.
O Bacalhau à Gomes de Sá é outro prato típico nascido no Porto e popular em Portugal é tradição em cada restaurante da cidade. A francesinha é, da culinária recente, o prato mais famoso. Um sanduíche recheado com várias carnes ( de vaca, lingüiça, salsicha fresca e mortadela) e coberta com queijo e um molho especial ( molho da francesinha). O Caldo Verde, é também um prato portuense. A bebida que tem o nome da cidade é o Vinho do Porto, é produzido na região do Alto Douro (a mais antiga região demarcada do mundo). O vinho do Porto é exportado internacionalmente a partir das caves que se situam na margem esquerda do rio Douro, em Vila Nova de Gaia, um cantinho ao lado do Porto que, sinceramente, com o nome de uma ave já cantada por muitos poetas, é um local inesquecível...
A cidade tem pra lá de 300 mil habitantes, vive numa ferveção cultural e sobre os meses de junho a festa de São João, santo queridíssimo no Porto, se transforma numa festa bem parecida com a nossa.
Vê que lindo.
Por toda a cidade barraquinhas de ervas cultuam uma tradição no mínimo lúdica. Diz a lenda que, se você pegar um ramo de alecrim, cidreira, erva doce, manjericão... com as gotas do orvalho da noite de São João, 24 de junho, será eternamente feliz...
A cidade é, também, deslumbrantemente bela.
E se o assunto é ponte... não deixe de atravessar essas duas.
A Ponte das Barcas, de 1806 e a Ponte Maria Pia, construída entre Janeiro de 1876 e 4 de Novembro de 1877 pela empresa de Gustave Eiffel, foi a primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do Douro.
E falando em história... a Ribeira fica às margens do Douro e vale uma visita. Lá encontramos lojas antiqüíssimas, armazéns, brechós, frutos, especiarias. Alem de casas sobre arcos imensos e intermináveis e roupas sobre varais em eterno bailado...
Culturalmente falando a cidade também é um desbunde.
Museus, certamente uns cem. Do museu do Porto ao Museu (maravilhoso) de Arte Contemporânea.
E a Casa da Música, cravada sobre a Rotunda (nome dado às rótulas de estradas) da Boa Vista é a principal sala de espetáculos do Porto. Foi projetada pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas e construída como parte do projeto Porto Capital Européia da Cultura, em 2001. É um ícone na cidade.
Passamos lindos momentos ali. A descoberta do local por si só já é um encantamento...
Chegamos ao Porto com dois graus de temperatura e uma névoa infinda sobre nossos olhos.
Mas a cidade, tão linda e encantadora que é, acolhe a todos com um abraço quentinho, com uma boa taça de vinho do Porto e vistas que são um alumbramento para a alma.
Dramas, pólvoras e refazendo as paixões
23/12/2007 às 18h43
Todo ano é a mesma coisa.
Chega o Natal e eu me derreto.
Quer dizer... derretido, vivo sempre.
E, sabe de uma coisa?, seria um ótimo personagem para Janete Clair, a famosa novelista da Rede Globo de Televisão lá pelos idos dos Anos de 1970, 1980...
Mas que um drama é bom, ah isso é!
O drama, na vida, nos coloca em pé. Nos faz uma pessoa e redimensiona nosso tempo e nosso espaço, nos coloca prontos para a luta – e, querendo, vencemos.
E se vida boa é a vida do outro, drama bom é o nosso.
E, outro assunto. Como me emociono muito, sempre – e com (quase) tudo na vida, meus olhos jamais vão ficar desidratados. O que é uma vantagem. Até nos dramas, precisamos extrair o bem, o bom.
O Natal, por si só, já é um dramalhão – no melhor dos sentidos, claro!
E, a bem da verdade, o bom seria que essa época melosa, onde corações ficam mais amenos e o ser humano protagoniza menos maldades fosse todo dia.
No Natal, o Ano Novo chegando, pensamos no que fizemos, o que deixamos de fazer, no que podemos melhorar enquanto seres humanos.
E uma boa dica é fazer as pazes. O ano de 2007 foi assim, para mim. Saí “fazendo pazes” até com as paredes. Gente que a gente se desentendeu por besteira, gente que era tão amiga e que de repente se foi, gente, gente, gente...
Eu, que por muito tempo vivi como um ser intolerante, hoje me revelo relevando tudo.
E, vamos combinar: não existe melhor caminho para lavarmos a alma.
Saí perdoando, saí conversando, sai refazendo amizades.
Aí... como me sinto bem!
Isso é um exercício único – e, vou repetir: como faz bem!!!
Claro que não sou santo, nem serei jamais. Claro que tem gente que, com sinceridade, nem vale tanto a pena assim. Aí a gente reza. Reza muito. Deseja o bem para essas pessoas. Sabe como é, né? – aquela história da outra face. Fez o mal? Deseje o bem!
Deseje o bem.
Deseje o bem.
Deseje o bem.
Nunca, ninguém, na vida, será feliz seguindo caminhos outros, que não o do amor.
Vai, ainda dá tempo!
E isso vai lhe fazer um bem danado!Digite aqui
A primeira 'noite' de Maria do Socorro
15/12/2007 às 18h34
Não sei por onde começar.
Acho melhor começar pelo meu desespero.
Sabe de uma coisa? Quero que, na vida, demore muito a viver uma semana como essa que está indo...
É que não foi fácil atravessá-la. Organizei exatos cinco eventos. Imensos, diferentes, envolvendo muita gente. Site, coluna no meu Diário de Natal, almoços, jantares, minha vida e...
Ainda primeira noite de amor da minha poodle Maria do Socorro, a caçula aqui de casa.
Ah, como sofri!
Maria, como já contei aqui, é muito ameninada. Vive a vida a pular, brincar, adora correr pela casa arrastando uma boneca, a Filomena e chutando bolas com seu focinho branquinho, apesar de ser toda pretinha...
Jamais imaginei que Maria do Socorro mexesse com “essas coisas...”
Mas veio o cio...
Vamos à Via-crúcis.
Na segunda-feira ela foi fazer uma espécie de exame pré-natal com Joana D’arc Pires Soares, veterinária que, ao lado de Diógenes Soares forma a dupla mais apaixonante do mundo quando o assunto é cuidar de animais...
Ah, são de Acari, acho que por isso também são o máximo, não é Rosália Maria? Não é Thaisa Galvão? Mézia Araújo, Jesus de Miúdo...
Ah, como amo Acari por causa deles... e porque minha bisa, Brígida Galvão de Saboya nasceu ali...
Bem... exame feito, Maria do Socorro foi conhecer Juvenal.
Graças a Deus, Nossa Senhora da Guia ouviu minhas preces.
Ela não suportou Juvenal, um poodle assanhado e mal educado que, ao vê-la, ficou logo excitado. Deve ter ejaculação precoce, o tal do Juvenal.
Maria do Socorro quis matá-lo.
Eu também.
E o mais ridículo: foi logo lambendo minha caçula todinha, se jogando no chão... Tenho “ódio” de gente fácil!
Um ridículo, esse Juvenal!
Na quarta, outro namorado. Dessa vez Ted, um poodle ainda menor do que a minha Maria, que já é pequenina.
O Motel seria o Centro Veterinário São Francisco... Seria, mas mais uma vez não deu certo.
Ao Ted faltou atitude. Uma pegada, sei lá!
Mas segundo Joana, Maria do Socorro não relaxou porque eu fiquei lá, Claro!!!!, querendo saber de tudo.
Como deixaria minha caçula assim? Tenho, sim, que dar uma força. Uma força de pai, pensei.
Bem, não deu certo.
Hoje, então, finalmente, correu tudo bem. O grande dia.
Eu fiquei em casa chorando, rezando, de um lado para o outro.
E Maria do Socorro foi para a “clínica-motel” com nosso motorista.
Achei um absurdo deixá-la ir só, sem meus braços e afagos. Mas ordem de Diógenes e Joana é para ser cumprida.
E Maria foi...
A cada dez minutos eu ligava.
Os atendentes evitavam dizer meu nome. Dizendo, tudo iria por água a baixo. Tanto Terezinha quanto Socorro, ao ouvirem meu nome, não estando ao meu lado, piram. Pulam, ficam loucas! Só vendo para crer!
- Tudo bem!, diziam com uma tranqüilidade que me irritava.
- Como assim, tudo bem???!!! Tem um cachorro aí, sozinho, trancado com minha filha menor de idade!!!!
- Vocês têm coração? Eu tô aqui doente, sofrendo!!!
Mas...
De fato correu tudo bem. Pelo menos para Ted. Os dois transaram muito.
Para meu desespero, Maria do Socorro gostou.
Eu, sinceramente, não esperava isso da minha Maria do Socorro.
Quando me telefonaram para ir buscar, caí no choro...
- Deu tudo certo, seu Chrystian!
Lembrei da minha Terezinha grávida, arrastando o barrigão pela casa...
Da sua primeira e única cria, que resultou em cachorrinhos lindos, amados por todos nós...
E do nosso apartamento cheio de traves, placas de madeira e remedinhos, para que os filhotes não avançassem, não se ferissem...
Ah, Deus, a história se repete...
Daqui, já comecei a escolher os nomes.
Teobalda Mara é uma. Claro! Preciso homenagear o tal do Ted de alguma forma. Também tem um nome que eu adoro: Expedita Érica, para homenagear meu sogro e meu cunhado... É isso.
Para o Livro dos Nomes, já corri. Até o álbum, cor de rosa, eu tenho. Comprei na Arban, faz dois, três meses...
Que a vida venha!
E que minha casa, mais uma vez, transborde amor!
Eu, Keity, Terezinha, Socorro e... Deus, presente em cada pedacinho de todos nós...
Ah, que vontade de ser pai!!!
Estou vivendo um drama
09/12/2007 às 09h44
Estou vivendo um drama.
Aliás, o mesmo, pela segunda vez.
Terça-feira, dia 12 de dezembro, minha poodle Maria do Socorro, a caçula da família, vai cruzar pela primeira vez.
Eu estou em polvorosa. Verdade!
Maria do Socorro, tão menina e já mexendo com ‘essas coisas’...
Ai...
Lembro-me de quando Terezinha, sua mãe, foi cruzar pela primeira vez.
Levei-a ao veterinário, ela tomou banho, colocou laços vermelhos – a cor da paixão, para dar mais ‘clima’, perfumou-se todinha e... fomos ao encontro de Gabriel, um poodle branquinho, com cara de anjo e, para meu desespero, tarado.
Apresentei um ao outro e fiquei ali, como um pai preocupado, nos pés dos dois.
Eu, Terezinha se fazendo de difícil e Gabriel, o tarado.
De repente ele se entenderam, para meu desespero. E ela gostou ‘daquilo’.
Ah, caí no choro. Muito choro. Queria matar aquele cachorro que transava com minha filha sem nenhum pudor. E na minha frente!!!
Precisei sair da sala – era muito para mim. Ruí todas as unhas, fiquei, de verdade, chocado.
Desde então não suporto esse nome: Gabriel. E cachorros poodles, branquinhos, me dão ojeriza.
Voltei duas horas depois, a pedido do veterinário.
- Chrystian, por favor! Tereza precisa relaxar. Disse-me Diógenes Soares, médico das minhas filhas.
- Que absurdo! Deixar minha filha sozinha com este maníaco!
Foi o jeito!!!
Voltei duas horas depois e os dois estavam com as caras mais safadas que dois cachorros podem ter. Cada um deitado para um lado, mortos de cansados, línguas para fora...
Com Gabriel, claro que não falei. Fiquei com abuso, tadinho!
Mas ele veio em minha direção, balançando o rabinho e se derreteu de amores para o sogro. Ai, ai... todo genro parece ser igual.
- Terezinha, vamos!
Falei rispidamente.
- Vamos, vamos!
Para meu desespero, ela não se mexeu. Fiquei arrasado!
- Esse cachorro fez uma lavagem cerebral na minha Terezinha...
Depois de muita conversa (eu converso com minhas cachorras, minhas plantas) fomos para casa. Terezinha, que sempre foi muito elegante no portar-se diante da vida, estava mais. Sei lá, acho que foi esse lance de ‘virar mulher’. Do veterinário aqui para casa, não deu um pio. Foi sentada no banco da frente do carro e nem olhou para mim.
Eu estava duplamente arrasado: minha filha não era ‘mais moça’ e ainda poderia estar grávida!
Juro: passei dias arrasado, chorava vez ou outra... E no dia que descobrimos que ela estava grávida, chorei um mar de choro.
"Insuportável", ficou mais. Ninguém chegava perto dela!!! Só eu, seu amado pai!
Terezinha teve uma gravidez tranqüila até a semana de parir.
Nunca gostou muito de gente, é extremamente antipática – diferente de Maria do Socorro – e não permite que ninguém se aproxime de mim. As vezes até acho que Keity a ensinou ser desse jeito: possessiva e ciumenta, já que Keity não assume tais predicados...
Chegou a hora de parir!
Fomos eu, Dona Zélia – que a época morava conosco e amava Terezinha, e Damiana, a minha Damiana, que veio de Mossoró para cuidar do resguardo de Tereza.
Era 8 de dezembro, 17h.
Terezinha chegou a Clínica São Francisco de Assis, dos melhores veterinário do mundo Diógenes Soares e Joana D’Arc, muito nervosa. Acho que estava sentindo algo diferente, sei lá!
Eu, nem se fala.
Como os filhinhos não nasciam, fez uma cesariana.
Eu, avô, não suportei vê-la entrar na sala de cirurgia. E desabei.
Três horas depois Diógenes liga!
- Você foi avô de quatro lindos meninos – três meninas, um menino!
Chrystian Júnior, Maria da Conceição (em homenagem ao dia de Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro), Preta e Maria do Socorro – em homenagem a minha sogra amada.
Por dois meses sofremos um bocado aqui em casa.
Nos primeiros dias Terezinha não queria saber dos filhotes. Estava muito confusa, já que não viu os filhos saindo de si... Diógenes disse que eu tivesse calma, que tudo se resolveria...
Passamos duas semanas segurando Tereza para meus netinhos mamarem até ela se acostumar. E, a cada duas horas – de manhã ou na madrugada, trocávamos uma bolsa d’água quentinha, para aquecê-los no bercinho de vime, que mandei fazer.
Ah, e fiz um álbum também. Nele anotava tudo: peso, características, fotos e mensagens das visitas...
A minha casa virou uma festa. Todo dia chegavam os filhos dos meus amigos para visitar os netos de Chrystian e Keity...
Sim, eu que não perco tempo com nada, exigia: tragam latas de leite em pó, ao fazer a visita. Arrecadei, à época, mais de 50 latas que foram doadas para o Orfanato Menino Jesus.
Chrystian Júnior ficou com Damiana.
Maria do Socorro é o xodó de Dona Zélia, de quem queremos muito bem até hoje...
Preta ficou com Terezinha Menezes, que deu nome a minha Terezinha...
E Maria do Socorro virou nossa segunda filha.
E lá se vão quatro anos...
E a história, ah, meu Deus, se repete...
Lá vou eu passar os mesmos constrangimentos, as mesmas angústias, as mesmas agonias.
Terça-feira, dia 12, será o dia de Maria do Socorro conhecer o pai dos seus filhos e, absurdamente, fazer amor.
Tudo junto, o que acho uma temeridade!
E se não pintar clima?
E se ele não for carinhoso?
E se ela engravidar?
Sei não: acho o mundo hoje em dia muito moderninho demais para meu gosto.
E fazer como minha mãe sempre dizia...
Ah, depois que temos filhos perdemos o sossego.
Torçam por mim.
As canções que você fez pra mim
07/12/2007 às 09h11
Esse site me traz muitas alegrias. Verdadeiras, alegrias estranhas.
É, não sabia que computador – e o mundo “internético” tinham coração. Mas não é que tem!
Trabalhei muito ontem. Às vezes nem acredito como consigo dar conta.
Como alem de escrever (muito e o dia inteiro) faço muitos eventos.
Passo o dia em reuniões – todos os dias – definindo cardápios, shows, conceito de festas. Cada evento com uma cara, uma idéia. Nunca me repito e muitas vezes acho que vou pirar, com minha cabeça sempre fervendo de idéias, idéias, idéias. E, acredite: executo todas! Idéia numa folha de papel não é idéia.
Pensar e não executar é como pintar uma tela... em branco.
Ah, vocês não têm idéia de como é bom trabalhar com a felicidade, os sonhos alheios.
Outro dia uma amiga me disse: você é realizador de sonhos! Não é o máximo?
Pois bem: ontem foi um dia tirano – tirano no melhor dos sentidos.
Trabalhar dignifica um homem. E nos torna a pessoa – assim mesmo, com artigo definido.
Fui dormir coisa de onze horas. O que é um milagre, em se tratando de mim mesmo. Durmo, sempre, três da manhã. E acordo às oito. Sempre – quando não acordo sete, como hoje.
Acho dormir fundamental. Mas que é uma perda de tempo, ah isso é.
Pois bem. Hoje acordei com o sol. Eu e ele, sempre tão cúmplices.
Corri para o computador e... quase me acaba de chorar.
É aquela história: computador com coração.
Recebi, na madrugada, seis recadinhos no Contatos Imediatos do site.
Os seis me levaram às lágrimas de emoção, amor e felicidade!
O primeiro veio da Alemanha, de Maria Augusta Maia Marques Linsner.
Ah, como amo Gugu!!! E nem a conheço, pode? Ela me escreve sempre coisas tão lindas, que tocam minha alma vagabunda. Que poder, a Internet tem! Como aproxima as pessoas!
“Meu "tio Cristo" (achei ótima essa de um dos seus meninos da ponte lhe chamar assim...)
Estou aqui às lágrimas, confesso que fazia tempo que não lia suas crônicas. Estou nos últimos dias de Pompéia, antes da minha viagem ao meu amado país, minha bela cidade adotada: Natal.
Como diria seu Mané da Radio Rural de Mossoró (lembra da Hora da Coalhada?), "Nezinho dos Pneus, é como São Paulo: não pára!" Pois eu estou que nem Nezinho e São Paulo, não paro!
Pois... voltando às lágrimas... sou que nem você, choro até com propaganda de sabão em pó, ou de Gelol. (Não tem só que ser pai, tem que participar!)....
Li, reli e chorei rios, aliás, ainda choro. Suas crônicas tocam fundo na minha alma. De simples e sinceras à profunda meditação.
Adoro ler sobre suas obras de caridade, suas cachorrinhas, seu amor por sua mulher, sua fascinação pela natureza e por pessoas sangue bom.
Não vejo a hora de ver a ponte pronta.
Você me antecipa a emoção, já me vejo olhando a ponte e chorando que nem menino “veio” quando leva uma sova...
Meu querido tio Cristo, que Deus lhe abençoe e ilumine todos os dia. Que o Espírito Santo derrame suas bênçãos em você e sua família todas as horas... Dando-lhe sabedoria e coroando você com felicidade, harmonia e amor.
Aqui tem estado muito escuro. O sol aparece tímido e pálido para logo depois desaparecer. Sinceramente não sei como esse povo agüenta tanta escuridão”.
Maria Augusta Maia Marques Linsner.
Sabe de uma coisa?
Caso eu morresse hoje. Ou o DeSaboya.com morresse hoje... ah, deixaria esse mundo feliz, realizado, sorriso de queixa a queixá. Essa troca de energia, esse carinho que rola, o amor que invade PCs, telas de computador e teclados aqui no site... isso é lindo, minha gente!
Não tem preço que pague. Nenhum!
Maria Augusta é um amor. Sou gamado nela, no que escreve para mim, nas considerações que faz sobre o mundo.
Esse site tem alma, coração e um sorriso do tamanho do mundo. Graças a vocês também!
MAIS CINCO RECADINHOS
De Maria de Deus Ferreira, de Caraúbas, RN.
“Seu site me apresenta o mundo, me faz feliz!”
De Gustavo Shutts, de Toronto, no Canadá.
“Ler sobre Natal, as pessoas, os amigos que deixei aí me transformam em um homem feliz, com raiz e alma renovadas. Hoje descobri: não saberia mais viverr sem o DeSaboya.”
De Ana Maria da Silva Freitas, de Mossoró, RN
Todos os dias leio você. Todos os dias você me faz chorar. De felicidade e emoção. Como escreve crônicas lindas! Você, como costuma dizer... é de outro planeta...
De Soraya Ribeiro Carlos, de Patu, RN
Um dia quero me encontrar com você.
E chamar você de lindo, inteligente, iluminado. Acredite, carro Chrystian: muitas vezes estou deprimida e entro no site. Sempre saio renovada e feliz. Sem depressão, só com lágrimas de amor e felicidade. Você toca minha alma e me faz feliz!
De Augusto Torres, da Cidade do México, México
Diz Saboya! Conheci seu site deve fazer um mês. Quem me apresentou você foi Jorge Varella Albuquerque. Ele é, como toda minha família, daí de Natal. Mas mora em Oklahoma faz um tempão.
Que site massa!!!
Viciei, cara! Assim fico mais perto dos meus amigos, da minha família e da minha cidade! Você é o cara!
Valeu
Sou um idiota
04/12/2007 às 08h44
Estou numa fase nova na minha vida. Aliás, faz tempo que sinto-me assim: um idiota.
Melhor, acredite.
E ser idiota neste país de tantos absurdos não é nenhum demérito.
Estou alienado, caso prefira.
É que cansei. Literalmente cansei.
Desde a absolvição do senador Renan Calheiros pela corja do PT (outra grande decepção), parei de ler jornal, net – quando o assunto é política nacional e assistir aos jornais, jamais.
Estou numa fase Caras, Quem, Tititi. No máximo, a Super Interessante. Ou a Turma da Mônica que, ontem, comprei seis gibis.
Quanta sujeira!
Quanta corrupção!
Quantos absurdos!
O mensalão? Claro que Lula não sabia!
É, eu acredito em Papai Noel também.
O Rio de Janeiro se acabando numa guerra civil – e o governo federal querendo, a todo custo, empurrar a CPMF.
E o “apoio” de Lula ao lunático Chaves, existe coisinha mais ridícula?
E Renan ainda posa de bom moço.
E no Pará... bem, aí que quero chegar.
O que é aquilo, por caridade?
Será possível que a tal governadora Ana Júlia sei lá o que nunca ouviu falar que, no seu Estado, mulheres são jogadas em celas masculinas?
Ah, ela é do PT...
Como é que a polícia do Pará diz que a menina era louca, por isso estava ali?
Mentira: a Veja já disse (essa eu li) que quando a menina começou a reclamar dos maus tratos e estupros diários policiais cortaram-lhe os cabelos a faca...
É um país de mentiras, de farsas, de poder público asqueroso, esse nosso.
É um país de tantas injustiças que, ser idiota, para mim, foi a solução encontrada parar sobreviver nestes dias de Adeus 2007.