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Paz de Chrystian

Meu amigo Rodney

09/03/2010 às 22h18

Rodney e Ilnahra: a vida foi viver noutro lugar

Foi no amor da sua mãe, Lizete Andrade, que nasceu a nossa amizade.
Era uma festa, meus cinco anos como colunista de Mossoró no jornal Tribuna do Norte. Estávamos, eu e Lizete, na cozinha da festa, conversando, rindo de alguma coisa que agora não me recordo.
Rodney chegou. Ainda era noivo de Ilnahra, que o acompanhava, linda, sempre linda.
A festa se chamava Très Chic – certamente a mais “rica” que, àquela altura, Mossoró havia visto.
Exageros como perfumes franceses em toaletes lindamente arrumados; Faisão, Arroz Selvagem (uma novidade, 15 anos atrás), arranjos lindos de rosas vermelhas, muitas, coisa de 5mil botões. Era (mais) louco, à época.
E no meio disso tudo estava um dos grandes amores da minha vida, a Fada Lizete, mãe de Russel, Rodney e Renata.
E Rodney chegou manso, de cara estirou a mão.
E agradeceu o carinho que sentia por sua mãe.
- O que você faz por minha mãe é muito bonito. Disse, segurando o menu da festa com o nome do Maison Buffet, marco nas festas das terras de Santa Luzia.
Sempre curtimos, eu e a minha Fada, um certo ciúme que rolava nessa longínqua relação. Apesar da idade se aproximar, de sermos praticamente vizinhos em Mossoró, nunca fomos tão amigos assim.
Até aquela noite, sobre os trilhos da velha estação de trem erguida pela coragem e ousadia dos Saboya, cem anos atrás.
Àquela noite, senti, ficamos amigos para sempre.
Quando Rodney se casou com Ilnahra, o primeiro filho, a vida que seguia... estávamos sempre juntos de alguma maneira.
Nunca fomos de nos ver sempre. Mas sempre que nos víamos era uma festa.
- Diz cara!
Quando decidimos casar, eu e Keity – eu, principalmente – fui ao Maison Buffet um mar de vezes.
Lizete era, antes de tudo, uma lembrança terna da minha mãe, que morava no Rio de Janeiro; uma confidente junto com Goreti (Modas) Bessa Viana.
E lá, no seu escritório pequenino, conversávamos sobre tudo.
Àquela época, os meses que antecediam meu casamento, em 2001, só falávamos sobre esse “grande” acontecimento.
E muitas vezes dizia, rindo.
- Não, Fada, isso já teve no casamento de Rodney.
- Teve no casamento de Rodney? Quero não!
E isso virou uma piada secreta, dita sempre para aperrear minha Fada.
Quando casei, como todas as grandes festas da minha vida, meu casamento foi no Maison Buffet.
Lizete disse que seria impossível ser madrinha ao lado de outro querido, seu marido Renato Andrade, com uma festa para mil convidados acontecendo na sua casa de recepções.
Foi aí que tive a ideia de chamar Rodney e Ilnahra, como forma de homenagear Renato e Lizete.
E meus amigos foram nossos padrinhos de casamento...
Rodney sempre foi um lutador. Ah, Deus!, e como lutou na vida.
Morou no Rio de Janeiro, correu atrás do sonho. E venceu.
Conversando com Alexandre Capistrano, amigo nosso, a caminho do Aeroporto Augusto Severo quando fomos buscar Renato, Lizete e Russel, na trágica noite do acidente, ele disse... “Mesmo quando fazíamos uma grande farra, Rodney acordava cedo, ia estudar. Não perdia uma aula, um curso”.
Russel chegou a dizer, saudoso do irmão, na noite do penúltimo adeus, quando chegou em casa após o sepultamento.
- Rodney viveu tudo com muita intensidade. Tudo vivido era ao extremo, exagerado. Estudou muito, viveu muito, muita vida”.
Outra característica de Rodney, a tal intensidade.
Que quando cheguei em Natal, dez anos atrás, já era médico afamado, respeitado, aplaudido.
Era um homem de bem, íntegro, que venceu a custa de luta árdua, de trabalho incansável.
Ligou para mim quando foi escolher o nome do maior salto que deu na vida.
- Hospital da Visão, o que acha?
Adorei, disse, á época.
Quando Valentina nasceu, lá estavam os dois, sempre juntos, um só, em minha casa.
E assim vivemos, amigos verdadeiros.
No dia da sua viagem, estava organizando um evento quando meu telefone tocou insistentemente.
Tanto, que me vi sem chão, loguinho.
Resolvi atender Cantídio Neto, amigo do peito, que em voz trêmula pedia para eu checar se aquela notícia, do acidente de Rodney, era verdadeira.
Era.
Uma verdade sem dó, nem piedade, que atravessou a alma de todos nós. E parou tudo, nenhuma festa, vontade de nada.
Corri para casa, peguei Keity e fomos, sem dar uma palavra, para o Hospital do nosso amigo.
Encontrar dois amores nossos, Nevinha Gurgel e Ilnahra de Rodney, naquela situação, nos matou um tanto também.
E o resto da história todo mundo já sabe, sentiu.
Para os seus, que aqui ficaram, nosso amor em forma de abraços sinceros.
Para Rodney, que se foi, a certeza de que seu legado ficou.
Nas pegadas de Renatinho e Heitor, que como seu pai e sua mãe serão, também, homens de bem, d’alma boa, coração sem tempo de acabar.
Está escrito nas estrelas – e uma delas, vê que lindo, se chama... Rodney.

Só sinto inveja do vôo do urubu

15/02/2007 às 18h50
Que palavrinha mais sem graça, essa: inveja. Vamos combinar: já viu alguém na vida que, com muita inveja no traçado conseguiu chegar em algum lugar? Inveja é retrocesso, é caminhar para trás – é fazer da vida um emaranhado de energias ruins. Quem sente inveja morre todo dia um bocadinho. Sem ver, nem porque, fiquei pensando em como fui apresentado à inveja... Foi numa festa que fiz na fazenda de um tio querido, Rútilo Coelho, em Mossoró. “Mossoró, meu amor” foi inspirada em 1830 e no Romantismo enquanto movimento cultural e social. Um colunista chegou, perguntou se ali tinha umas 300 pessoas e, quando respondi que havia 800, seus olhos brilharam o brilho mais opaco que vi na vida. Além de invejoso, péssimo matemático. Ai, ai... Claro que, naquela noite, quando vi a inveja tão próxima a mim, não me dei conta. Fiquei pensando, apenas, no que aquele colunista se transformaria. Mas também não dei o menor cabimento. Sorri, saí. O colunista continuou indo às minhas festas, contando meus convidados que, a cada ano, aumentam. Fazer o que? Nasci pra brilhar. Aliás, todos nasceram. Mas uns brilham, outros ficam de olho na vida do outro. E não caminham. O tal colunista? Nunca mais ouvi falar... Ontem, por elogiar um outro colunista, um colega seu caiu em fúria. Pobres colunistas, esses. Claro que sorrateiramente, como agem os covardes – e os invejosos. Mandou e-mail tomando satisfação: pode? Pode sim! A inveja tudo pode. É como o amor, mas segue o caminho inverso. Inveja de uma nota? Meu Deus, como as pessoas são pequeninas! Desde sempre decidi que, na minha vida, faço o que quero, ando com quem quero, sou eu e pronto. Mas me sustento, me suporto e, pode acreditar: como trabalho! Tanto que nunca quis ser outro que não eu mesmo. Nunca quis ser outro colunista, por exemplo. Venci (e venço todos os dias), porque trabalho. Não me dou contra do outro, do trabalho do outro, do que o outro escreveu. Aliás, nesse meio, tem gente que não leio há anos. Não me interessa, simplesmente. E pronto. Inveja? Nunca na minha vida. De nada! Ah, lembrei-me de algo que realmente faz-me morrer de inveja: existe coisa mais linda na vida do que o vôo do urubu? Não voa, baila no ar. É o mais lindo das aves, é o vôo mais introspectivo, até. Pronto: disso tenho inveja sim. Somente. Talvez por isso também tenha chegado tão perto do céu.

Pernas pro ar

08/02/2007 às 00h00
Resolvi jogar tudo pra cima hoje. Aliás, vez por outra jogo. E tchau. Só não consegui uma coisa ainda: desligar o celular. Que toca. Que toca. Que toca. Vozinha, antes de morrer, me disse uma vez assim: “Quem inventou o celular foi o coisa ruim!”. Deve ter sido mesmo. É ótimo, mas como perturba! Mas esse texto não é para falar no celular. É pernas pro ar... Pois é... Acordei com uma vontade imensa de nada. Escrevi um pouquinho, vi o site – e fui tomar banho de mar, coisa que adoro fazer. E nadei muito. Depois fui tomar um banho de piscina no Pirâmide – que, hoje, parecia um escritório da ONU. Tinha de alemão a japonês. Como o mundo é interessante... No meio de tudo, uma mulher com voz de gente morta, reclamando do sol forte. Magrinha, com uma canga sem cor, um biquíni sem graça e um cabelo de malasombro. Assim mesmo: malasombro. Não dei ouvidos – apesar de ter dado. E fui nadar mais. E nadei por mais uma meia hora, cinqüenta minutos. Quando voltei ao Pirâmide a tal senhora reclamava que a sauna estava muito quente. An? Sauna quente!? E era para estar como? Decididamente tem gente na vida que veio para nada não. Ou para muito pouco. Não veio para pernas pro ar, certamente. Tem coisa mais chata do que gente que só reclama? Ai... me dá logo azia. E saio de perto. De repente uma amiga liga. Rúbia Lima é meu xodó desde sempre. Conversamos muito. Rimos muito. Aliás, sempre rimos muito. “Eu queria estar aí!”, cantou Rúbia que estava em Mossoró, trabalhando. Rúbia estava. Onde raia o sol, existe amizade, gente que a gente ama. Onde raia o sol tem vida. Meu dia anunciou, ali, que seria o máximo. E realmente foi! Está sendo. Como é bom jogar tudo pra cima às vezes! E a tal senhora reclamona? Ah, deve estar falando que o céu está cheio de estrelas agora, finalzinho da noite. Azar o dela.

Luiz Aquino tem o pó do Pirlimpimpim

04/02/2007 às 01h14
Acabei de chegar dos braços de Luiz Aquino, uma das maiores inteligências de Mossoró que, dodói, faz tratamento entre Natal, São Paulo e os céus. Luiz, que ao lado de Vânia de Holanda Leite gerou uma família linda e na casa de Eve Freire de Aquino, a irmã mais antipática que tem – e a que mais amo, não fosse Lidérica... passa uma chuva em Natal, está, sim, muito bem. Vai lutando pela vida, o Luiz de todos nós. E, tenho certeza que sabe, vai vencendo. Inteligente já disse, inteligente vou repetir. Conversar com Luiz é receber uma aula. Não, não! Nada dos pieguismos ou das racionalidades que cercam o conceito da palavra “aula”. Nada disso. Luiz tem um giz na vida – apesar do seu traço não se apagar com nenhuma facilidade. Conversa falando do mundo, volta ao passado de Mossoró, analisa o futuro, brinca com o presente frugal, utópico, até. E com tanta rapidez, tanta lucidez, tanta sensatez, que vai inebriando a gente. E vai encantando também. Adoro pessoas que trazem condões na fala! Mas Luiz há muito deixou de ser uma pessoa. É, no artigo definido, a pessoa. O tipo de gente que, quando passa, redimensiona o tempo, nosso espaço. Não, não vai nem tão cedo. Vai ficar muito mais aqui, lado da gente, pedaço da gente. Porque Luiz precisa encantar mais, fazer mais gente feliz, sorrir na gente ainda mais. E precisa espalhar por aí suas histórias ótimas, seus repertórios de vida em flor, de personagens e Grécias, de Tibau, Mossoró, da Via Láctea, enfim. Luiz é um presente que Deus manda vez por outra para viver entre nós, pobres mortais.

Over the rainbow

02/02/2007 às 19h36
Assisti, ontem à noite, ao filme “O mágico de Oz”, na tv a cabo, nesses canais empoeirados, cheirando a naftalina. Com direção de Victor Flaming e com Judy Garland impagável como Dorothy Gale, o filme, de 1939, é uma preciosidade. Inocente, lindo, colorido, encantador, fábula surreal. Tudo o que o mundo não é hoje. E inocente até na forma de fazê-lo. No meio do caminho Dorothy encontra o Leão. E o rabo do leão pendurado, para conseguir o efeito de ficar para cima, por um fio de nylon. E nós, espectadores, conseguimos ver. Não é uma maravilha? Os erros de continuidade também são máximo!Os cortes, a edição... Ah, mas estamos falando de 1939... Não é erro, é poesia – se é que você me entende. O mundo hoje corre tanto, grita tanto, atira para tantos lados... que até “Oz” sumiu. E sumiu a magia, a vida na calçada, o abraço no outro. As pessoas, hoje, buscam outros caminhos. E filho mata mãe. E mulher mata marido de milhões. E o planeta se aquece tanto que vira desesperança. E políticos roubam. E os mesmos políticos são eleitos. E reeleitos. E assim seguimos. Adoro dizer assim: reze, reze muito. E seja solidário. Com o outro, com a Terra. Dê bom dia, deseje o bem, não jogue lixo pela janela do carro. Ta vendo como é fácil demais fazer a diferença? Gentileza gera gentileza... Sejamos mais tolerantes... Quem sabe um dia o Mágico de Oz, com seu poder infindo, nos salve. E volte a nos fazer felizes... Já não somos tão felizes assim: não sejamos hipócritas, por favor!

O que é amizade, afinal?

17/01/2007 às 23h20
Costumo dizer que do Rio de Janeiro, onde estudei dos três aos 18 anos de idade, só sinto falta dos meus amigos. Leonardo, Kaú, Pedro, Gustavo, Renan, Roberto, Renato, Michel, Cabé e Chrystian eram inseparáveis: na farra, na vida, na alegria e na tristeza, na saúde a na doença. E olha que “antigamente” era muito mais complicado ser amigo meu: imaturo, extremamente briguento, vivia sendo suspenso do colégio, era ainda mais intolerante, ainda mais exigente. Verdade mesmo? Era mais insuportável! Mas amizade verdadeira tem lá suas labutas: e a dos meninos era eu. Eram dois grupos: do Colégio de Belas Artes e da praia do Pepê, na Barra, onde comecei a freqüentar depois dos 16 anos com uma galera bem ótima, divertida, feliz da vida. Éramos chamados de “Os federais” – ou “Os intocáveis”. Nomes dados por mim, naturalmente. Por que? Porque ninguém chegava perto, para entrar um cara novo na turma tinha reunião – e eu, naturalmente, nunca concordava com a chegada de mais ninguém. Cebé foi o último que chegou. Eu deixei. Andávamos juntos, tínhamos namoradas que eram amigas umas das outras – a vida era o máximo!, e nós nem nos tocávamos disso. Ai, nostalgia... Hoje sinto falta. Com Leonardo, que mora no Rio, falo sempre. Com Gustavo também, apesar de morar com a mulher e três filhos lindos (um deles chama-se Chrystian), na Austrália e com Carlos Alberto, o Cabé, que também se casou, de artista plástico virou médico conceituado e mora com a mulher e dois filhos (o mais novo chama-se Chrystian), em Nebrasca, nos Estados Unidos. Por aqui os amigos homens são poucos. E existe tanta decepção, uns mentem , outros são pela metade, tem uns que se mostram ser e são pouco – eu vou me afastando. Até que esqueço nome, apago número do celular. Comecei escrevendo aqui que era difícil ser amigo meu no começo da vida. Hum... Pior talvez seja mesmo hoje. As pessoas hoje em dia são pela metade. Não sou afeito a nada pela metade, a ninguém pela metade. Um pequeno deslize até suporto – mais, não. E amizade hoje em dia, sinceramente, não é tarefa tão fácil assim de ser construída. O mundo é outro, as pessoas são poucas. E tudo é tão rápido que, de repente, passou. Sinto falta dos meninos, das bebedeiras intermináveis (apesar de sempre beber Coca-cola, somente), só homem conversando putaria, zoando, fazendo nada. Às vezes queria voltar no tempo. Mas só às vezes mesmo. Os Federais fazem falta; Os Intocáveis também.

Tudo depende do seu olhar

15/01/2007 às 16h59
Nessa tragédia toda que aconteceu em São Paulo na sexta-feira da semana passada, além da imensa dor de ver vidas e histórias caindo em um buraco... A entrevista de Maria Salizete da Silva, uma senhora de 78 anos de idade, me chamou a atenção. E tocou minha alma. “Não me incomodo de perder tudo. Nesta casa estão 40 anos da minha vida, meus móveis do casamento, minhas fotografias... Mas não estamos eu, meus filhos, meus quatro netinhos. O que me dói nessa tragédia é saber que nesse buraco tem vida, vida que passou, vida que morreu. Isso sim dói na gente. Isso sim vale a pena sofrer. Se der tudo certo, móveis novos em compro, faço uma prestação aqui, outra acolá e resolvo. E fotografias bato outras. Nunca liguei para os anéis. Prefiro os dedos, as almas dos dedos. O repórter perguntou se ela não iria sentir saudades... E aí veio outra lição de vida. “Saudades vou sentir dessas pessoas que foram soterradas. Não, não conhecia nenhuma, mas sentirei falta delas no mundo, sentirei piedade de suas famílias que muito sofrem – isso sim meu filho é uma tragédia”. E continuou... “Minha casa? Adorava – mas não é meu pedaço mais importante. Mais importante em mim é ver o mundo feliz. E São Paulo, terra que nasci e que gosto muito, está sofrendo. Morreu um bocadinho, minha São Paulo com essa tragédia”. Precisa dizer mais alguma coisa?

O outro lado do mundo

13/01/2007 às 18h55
Amanheci hoje com uma vontade imensa de nadar. Ter aquela sensação de que o mar é só meu, rodar por aí. E assim fiz: quase Ponta Negra todinha, de uma ponta a outra, como atleta fosse, antes das sete da manhã. Ah, se magro fosse: bateria toda a costa... Mas essa é outra história. De longe da areia, só eu, uns vendedores que chegavam, quatro velhas jangadas voltando do mar, uma ou outra criança pegando o sol de Natal. Somente. Entre uma braçada e outra, a beleza do Morro do Careca, a “franja da escosta-campim-rosa-chá”. Como essa cidade é linda! E como lhe falta amor também. De longe, se via os rasgos de esgotos a céu aberto: culpa da invasão mobiliária, dos hotéis, da insensibilidade do homem, da inércia do poder público. Mas mesmo assim nadei. E amei ver Natal do outro lado, o lado de Deus, da natureza brava lutando para não morrer à míngua, à merda, à falta de ar... Mas Natal é linda mesmo assim. Do mar, do ar, de tudo enfim. Natal é linda sim! Só precisa de mais carinho, mais amor por aí...

Retrocesso

06/01/2007 às 10h12
Achei um absurdo. E lamento chegarmos no ano de 2007 assistindo pela televisão – e até mesmo que não assistisse, a uma cena de enforcamento. Sei que Saddam Russein causou infindos males à humanidade, ao seu pobre país. Mas daí a ser enforcado em “praça pública” foi demais. Demais porque tal “condenação” é grotesca, asquerosa, uma afronta ao mundo, seus novos caminhos, à modernidade da vida. Demais porque não estamos no ano de 1700, nem tampouco caçando bruxas. Lamentei pelo mundo, pobre mundo, o “assassinato” de Russein. - Foi assassinato sim! Violência não se cura com violência, a morte não justifica outras – e o mundo, que se diz tão avançado, não deveria se render a esses retrocessos. Foi uma volta para trás. Um caminho volver, a morte de muitos também. De todos esses países que se acham, a França foi o único a declarar com inteligência o que havia achado de tamanha brutalidade. “Que o Iraque, diante do enforcamento de Saddan Hussein, olhe para o Futuro”. Certamente dizendo que, há séculos, quando passava por situações tão parecidas, foi isso que fez. E talvez por isso também se transformou na Nação que é hoje. Eu prefiro pedir piedade – “Senhor piedade, pra essa gente careta e covarde”.

Onde o coração faz morada

24/12/2006 às 10h11
Desde muito tempo gosto de Natal, fim de ano, feliz Ano Novo! Desde que sou gente, para falar a verdade. E tem duas culpadas nessa história toda: Tiazinha (Maura Galvão de Saboya) e Tia Maury de Almeida Castro e Saboya. As mais remotas aparições das noites de Natal que trago no meu coração vagabundo são das minhas duas velhas tias-avós-mães. Com Tiazinha passei muitas festas de Natal em Mossoró, nas férias. Acordava e lá estava meu presente, aos pés da minha cama, com o cartão do Papai Noel. Com Tia Maury passávamos todos em São Paulo, na Jaú do Jardim Paulista, último andar de um prédio charmosíssimo. Começava, à essa época, de brincar de adolescente. Hoje o Natal das minhas duas famílias é, sempre, na nossa casa. Com todos os rituais a que temos direito. Passamos, eu e Keity, o mês inteiro arrumando a casa curtindo cada detalhe, vendo a vida passar. E fazendo parte dela. Recebemos a família em um abraço uníssono – e fraterno. Como deve ser. A noite do dia 24 é, realmente, especial. Por isso também jamais deixo a minha casa para boates, badalos, coisas que temos o ano inteiro. Juntos ficamos até as horas chegarem – mesmo que as horas cheguem cedo demais. E ficamos curtindo, conversando, falando, rindo, brindando – coisas bem família. Festa? A nossa é infinitamente melhor do que qualquer boate. E isso para mim é o fim – que me perdoem os notívagos. Por atitudes assim, mesmo que nos pareçam mínimas, o mundo está pior, as pessoas menos apegadas à família, o cão solto, fazendo festa. Natal é para ficar em casa, reunir familiares e amigos e esperar Jesus chegar. E isso, sinceramente, não combina com outros caminhos. Quem tem família, valoriza a família... sabe do que estou falando.

Nem mesmo o céu, nem as estrelas

29/11/2006 às 16h13

Nada me emocionou mais nessa viagem. Nem Lisboa, nem Madri, nem Paris todinha. Nenhuma história, nenhum monumento. Nem os mundos desbravadores de Portugal, nem o belíssimo centro de Madri, nem a Avenue Foch, minha preferida, em Paris. Nada. Nada. Nada. Bruno é um brasileiro do Pará. Tem 20 e poucos anos de idade e, por problemas ao nascer, tem algumas limitações. Físicas, apenas. Sobrou para o seu coração, que se fez, ao desenhar da vida, como o mais especial que possa existir. E bater. Eu, que presto atenção a tudo, vi Bruno pela primeira vez em Lisboa - ela fazia parta da excurção que nos levaria a Fátima. Gente boa, Bruno é, antes de tudo, uma lição de vida. Apesar das dificuldades que se mostram a sua frente, vai superando, vai vencendo, vai. Não me lembro de ter visto Bruno olhar para trás. Apenas de seguir. Estudou, fez faculdade, passou num concurso do Banco do Brasil. Hoje ele é um dos meus super-heróis. Dos preferidos da minha vida. Pelo bom coração de Antônio Carlos de Moraes Trindade (todo mundo na vida deveria conhecer esse homem um dia), Bruno foi galgando, subindo degrau a degrau. Antônio é professor, Manda Chuva do Ideal, um colégio que abraçou e acreditou em Bruno. Que agora sonha em fazer Direito, ser advogado. Quem duvida que vai conseguir? Palavras como preconceito, caminhos como dificuldade e paisagens que não lembrem candura não fazem parte da sua vida. Bruno voa, apesar de. É inteligente, bem humorado, quer voltar noutras vidas. Até quando fala nas dificuldades que passou - e que passa, ri. Gargalha. Eu, bobão, caía no choro. Chorava vida - porque é isso que Bruno exprime: VIDA! Se não anda tão bem assim, se a entonação não é tão "normal" assim... dane-se! Bruno tem uma coisa que poucos na vida tem. Aliás, coisas. Vida, força, sensibilidade, amizade, afeto, carinho, abraço, humor... E tudo isso Bruno tem demais. É uma lição de vida - um das mais especiais que vi. E que vivi. Seu Haroldo e dona Nira são, certamente, os pais mais felizes do mundo. Eu, por um bocadinho ao lado de Bruno, já sou.

Nunca senti inveja na vida.

10/11/2006 às 17h27
Esse espaço sou eu, da minha maneira mais parecida comigo. E hoje resolvi escrever sobre a inveja – nenhum motivo me coube: apenas a vontade de ajudar o mundo a ser melhor. Apenas isso. Não entendo como possa existir tal sentimento. Nem como possa existir alguém tão fora de alguém assim. Nunca na vida quis ser ninguém, qualquer um. Nem nunca quis nada que não fosse meu. Trabalho, estudo, rezo: faço tudo (de bom) que o meu caráter permitir para conseguir, mas inveja do outro nunca tive, nunca terei. Acho, também, que me falta tempo para caminhos escusos. Gosto da vida às claras, do mundo na paz, das pessoas íntegras, bem humoradas, gosto daqueles que amam: por isso também, inveja nunca se fez presente na minha vida. Esse caminho, o invejoso, mata duas vezes: quem age assim morre mais rápido. E, querendo o outro, esquece de si. E as energias definham – são canalizadas para o péssimo e morrem na praia. Esse é o caminho natural de quem é menor: morrer antes mesmo que vivo permaneça. Querer ser o outro, querer fazer o que o outro faz, querer realizar o que o outro realiza, ter ódio, maldizer quem que seja... Só os de pequeno coração olham para o mundo assim. O outro feliz é, acredite, minha felicidade também. Em todos os sentidos que a vida possa desenhar. A felicidade de seu ninguém me incomoda. Pelo contrário: me contagia – e a minha alma canta também.

A verdadeira alegria da vida

04/11/2006 às 10h49
Ontem estava passando pela Ladeira do Sol. Linda, mar azul, imensidão: é um dos muitos momentos que percebo realmente que Deus existe: quando me deparo com o mar – e, no caso, a Ladeira do Sol de Natal. Na frente do meu carro uma carroça velhinha, aos cacos, um homem levando a vida no galopar pouco ágil de um trôpego jumento e duas crianças, por cima de muitas madeiras, umas garrafas – essas coisas com as quais a miséria transforma em pão. E, tão lindo quanto o mar azul, ali aos meus pés, eram os sorrisos dos dois meninos. Desliguei o ar condicionado do carro – deixei a vida entrar, o vento levar os papéis, sempre tão meus, empilhados, por onde ando. Os meninos sorrindo, gritavam seus nomes: Francisco e Adão: ótima analogia daria os nomes! E continuavam gritando, brincando, sorrindo muito. Essa é a verdadeira alegria da nossa alma. Sorrir, apesar de tudo. Não buzinei. Passei pelo menos uns 20 minutos atrás da carroça velhinha. Vendo, admirando, louco por uma máquina fotográfica: como seria lindo registrar aquele momento! Não dei a mínima para o celular, que sempre toca – o que odeio! Nem odiei, àquele momento. Os meninos não paravam de brincar. Eu segui minha vida, tão boa que é – eles entraram em Mãe Luiza, tão abandonada que é. Talvez tenham chegado em casa com fome, cansadinhos de tanto lixo, corpo doído por sobre trôpegos galopes de um jumento arrimo de família. Deus abençoe as crianças do Brasil!

O mundo perto do fim

29/10/2006 às 14h08
Uma das maiores angustias que trago n’alma, é a África. – desumanamente falando. Outro dia conversando com o veterinário Diógenes Soares (para mim o melhor de Natal) e, conversa vai, conversa vem: sempre terminamos ou começamos assuntos falando em animais, óbvio! – ele me falou de mais uma dor que vive por sobre os corações africanos: a Raiva. Estudos apontam que cerca de 40 mil crianças por ano morrem por causa da Raiva Animal no continente Africano. Na África – apesar do mundo fazer questão de “não saber”, a Aids mata como se vento venenoso fosse. Um último estudo realizado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (ONUAIDS) e a Organização Mundial da Saúde revelou que durante o ano de 2001 por volta de 3,4 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV na África subsaariana, com o que o número total de pessoas que vivem com o HIV ou com AIDS na região passou a ser de 28,1 milhões, quase dois milhões mais com relação ao correspondente no ano anterior. A tragédia se desenha da seguinte forma: os pais morrem de Aids, a família é destruída, os filhos ou vão para abrigos miseráveis ou ficam pelas ruas. Os filhos e os cães das famílias mortas pela doença. E vagam juntos, passam fome juntos, comem nada juntos. Com o passar de meses nessa vida em morte certa, os cachorros, claro, contraem a Raiva. E mordem, se não seus doninhos, outras crianças na real situação. As cenas doem na alma de uma parede até. Tantos que, na África, morre hoje um novo grupo de pessoas – “órfãos da Aids e vítimas da Raiva”. As raras crianças que sobrevivem perambulam pelas ruas como se no inferno estivem: estão, realmente. Dilaceradas, mutiladas, molambos sem vida, nem direção. Que Deus proteja essa gente - já que os homens querem mesmo é fazer guerras.

Dar o dedo às vezes é ótimo!

20/10/2006 às 19h53
Crônicas, desabafos e declarações de amor: eis os caminhos de “Paz de Chrystian”. Sempre que “der na telha”, a gente escreve aqui o que pensa da vida. Nem aí para normas, formas ou maiorias. Aqui serei eu da forma que mais se parece comigo: emocional, passional, irreverente – e feliz, acima de tudo. Não se assustem com a foto: dar “o dedo”, muitas vezes, é ótimo para desanuviar! Assustados precisamos ser, sim, com a miséria, a fome, as desigualdades sociais. Com os políticos que, mesmo envolvidos em escândalos absurdos, voltam ao poder. Com a ingratidão, a deslealdade, os amigos que a gente pensam que são. Com quem mata, com quem rouba. Com a guerra. As bombas, Hiroshima, meu amor. Com a Amazônia devastada por dinheiro, crueldade e homens-diabos. Com as focas assassinadas no Canadá (um dos maiores absurdos desta vida); ou com as baleias da Noruega, mesmo em extinção, vítimas de caçadores. Isso sim, merece nosso susto! Nosso espanto e revolta! Aguardem cartas!