A história de um anjo
30/07/2010 às 01h07
Essa bela história nos chegou por email.
É uma daquelas lições de vida que levamos para sempre no coração...
Uma senhora chamada Irena Sendler faleceu há dois anos (no dia 12 de maio de 2008), aos 98 anos de idade.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus sonhos iam além... Sabia quais eram os planos dos nazistas em relação aos judeus (mesmo sendo alemã)!
Irena levava crianças escondidas em caixas sujas de ferramentas e graxa na parte de trás da sua velha caminhoneta.
Também levava ali, atrás do dirigir a vida, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazistas, quando entrava e saía do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar daquele velho viralatas encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter esse trabalho, retirou, sozinha, com Deus, cerca de 2500 crianças salvas dos horrores nazistas.
Por fim os nazistas descobriram e a prenderam. Na tortura partiram-lhe ambas as pernas, pés e a prenderam brutalmente...
Depois de terríveis sofrimentos, sobreviveu. E terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido, reuniu famílias destroçadas, cravou seu nome na história.
A maioria dos pais havia sido levada para as câmaras de gás.
Para aqueles que tinham perdido pais e mães, Irina ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.
Mesmo passados mais de 60 anos desde a guerra, Irina permanece forte e viva na memória de todo um povo.
Quando lembrarem desse ajo, rezem a Deus. Agradeçam por essa luz.
E faça parte da história do mundo, escreva a sua sendo um ser caridoso...
Os filhos sem mãe
17/05/2012 às 18h29
Pelos desígnios de Deus, fui ao Lixão do bairro de Felipe Camarão, ontem.
Um lugar triste – mais um – dessa cidade de tantos prantos, tantos abandonos, tantos lamentos.
Encontrei-me com Seu Deda, um senhor super fofo que cria família e embala sonhos juntando vidros, garrafas e outros cacos.
Sei lá quantos anos conheço Seu Deda.
E sempre o tive no mais terno do meu coração; ele e sua família, aliás.
Depois fui à casa de Dona Francisquinha, mãe de três filhos, acreditem, especiais.
Aos 48 anos de idade, Dona Chica aparenta ter mil.
Mas com um sorriso, um abraço, uma paz no semblante sempre que... sempre emociona.
Na volta que dei pela cidade... o trato, a mãe, a mão que abandona o berço.
Se por Petrópolis, Tirol, Morro Branco, Praia dos Artistas ou Ponta Negra a dor do abando grita – imaginem Felipe Camarão, Cidade Nova, Cidade da Esperança...
Não parecem filhos do Natal, os bairros que vi.
Todos padecidos, com buracos que cabem, pasmem, um carro inteiro.
E muito lixo, muitos mosquitos, tantas doenças.
Chovia, lama cobria, vistas ardiam em dor.
Fico imaginando as escolas, a saúde...
Pobre gente... sempre a margem.
Sonhos poucos, loucos ali.
Parecem sem mães, os moradores de tantos bairros da cidade.
A outra face
12/05/2012 às 00h09
Para meus inimigos – que espero não ter nenhum, sinceramente.
Para os invejosos
Os leprosos d’alma
E os que se acham sem ser
Para os que me odeiam
E que plantam discórdias
Dores e outros fins
Para os colegas da profissão
Que não conseguem disfarçar a má vontade
O recalque
O caráter ralo
Para quem estuda conosco e... não aprende nada
Para quem vive ali ao lado e... esbraveja
Para quem maldade nos deseja
Para os não tão bons assim
E para os ruins, literalmente... ruins
Para quem é falso
Quem mente
Quem rouba
Quem mata
Para quem sofre
E faz sofrer
Para quem dói
E faz doer
Para quem faz o mundo pior
Faz o riso chorar
Para quem blefa
Quem trapaça
Vive a enganar
Para quem finge
Quem grita
Quem humilha
Para quem sente muita raiva da gente...
Dias de luz e paz
Dias de bênçãos
De fé e Deus
Dias de glória
De vitórias
E de muito, muito, muito amor.
Faz de conta
06/05/2012 às 23h13
Resolvi rever muitos dos meus amigos, de uma só vez, no meu Rio de Janeiro, nesse fim de semana.
E por telefone falei horas a fio com quase todos – e são muitos.
Adoro telefonar para estreitar saudades e dizer que mesmo de longe, sumido ou muito ocupado... acho graça em tê-los.
Leonardo estava voando para NY com a milésima namorada.
Julles estava em casa, estudando.
Nila estava na casa de uns amigos, para uns vinhos.
Alessandra, para me fazer raiva, almoçava no Gero.
E Duca dormindo.
Patrícia – a Congallinon – não me atendeu.
Ódio quando ligo e não me atendem!
Foi muito bom encontrar cada um, dividir esperanças e dar boas risadas.
Interessante, a vida.
Seguimos seus cursos e de repente cada um está num percurso diferente, em paisagens que talvez nem nos encaixemos mais, mas ainda assim... vontade grande de viver com eles.
Tenho grandes amigos, no meu Rio de Janeiro.
E, sinceramente, melhor do que muito na vida, reencontrar amizades é uma boa pedida para qualquer domingo; qualquer semana que comece.
Mas as notícias não foram tão boas assim.
E um amigo nosso, querido de toda a turma, com depressão... se foi.
A notícia doeu como um soco no estômago, principalmente, porque, cego no seu mundo, resolveu não receber visitas, atender aos nossos telefonemas e trancar-se aos caminhos da escuridão.
E nesse clima de profunda tristeza, o pai faleceu, a mãe chorou, um grande amor se despediu e nosso amigo... se fez em adeus.
Bebeu o quanto não podia, jogou à revelia – e Deus resolveu chamá-lo.
Era um querido.
Um bom moço, de coração feliz. Tinha uma voz inconfundível, um carinho no nos tratar que sempre emocionava.
Era do bem, ele.
E sempre gentil, solícito, com os olhos que cabiam um Oceano inteiro – ora verde, ora azul, ora os dois tons juntos.
Partiu menino, 36 anos de idade e uma vida inteira pela frente, avante, assim.
Pena, muitas vezes, o fim.
Desde que soube rezo por ele.
Que ficará, tenho certeza, na memória de todos nós com sua voz rouca, seu olhão infindo mar e seu abraço que cabia um mundo inteiro de energia boa.
Deus o abrace.
Um dia como outro qualquer...
24/04/2012 às 20h11
Terminamos ontem, em Macaíba, nossa Páscoa, que esse ano distribuiu 1.873 ovos de chocolates para as crianças carentes dos nossos sertões.
Páscoa deveria ser todo dia, santo ou não.
Ovos de chocolate, que chegaram tardiamente – mas o que vale é que chegaram... pastas de dente e escovas, perfuminhos, sabonetes...
E fizemos uma festa no Orfanato Lírio do Vale, que fica na antiga Estrada Canavial, a caminho de Pajuçara, distante 3 ou 4 quilômetros do Centro de Macaíba.
O lugar é administrado por Jaime e Claudia e abriga, em casas distintas para meninos e meninas, 40 crianças.
Todas abandonadas, largadas por pais e mães ou colocadas ali, sem direito a uma família, graças a irresponsabilidade de tantos que geram e lixo.
O lugar é bem cuidado – mas falta muito.
Ao lado uma escola municipal de Macaíba. Precária e onde a merenda chega vez sim, vez não.
As casas são super coloridas, cheias de vida graças aos sonhos daqueles meninos – muitos crescidos, a espera de um lar que tantas vezes não chega.
Por que a vida é assim?
Por que aquelas crianças têm que passar por tanto?
Ontem conheci “Maria”, o nome fictício de uma menina linda, de 4 anos de idade, agarrada a uma boneca velha e que tem um dos olhares mais tristes que minha vida já alcançou.
“Maria” havia acabo de chegar ali.
Por maus tratos da mãe, não voltará para casa nunca mais.
Tinha um olhar perdido e cheio de dúvidas, de dor. Estava no canto de um sofá, sem ação, sem entender o que acontecia - nesse exato momento eu e Valentina, minha filha, entramos. Ficaram, de cara, amigas de infância, as duas...
Ah, vida - uns com tantos, outros sem pai e mãe...
Pelo Orfanato percorremos horas a fio.
Vimos e vivemos cada cantinho do lugar.
São quatro casas divididas entre meninos, meninas e idades.
Existem crianças para tantos gostos, tantos lares, todos os amores, apesar de tanto sofrimento.
Quatro meninas são especiais – e justamente por isso, vê que paradoxo, foram deixadas de lado por suas famílias.
O lugar, administrado por um casal do bem, tem muitas carências.
Vive com uma verba anual de R$ 104.000,00 reais, do Instituto da Infância, do Governo Federal .
Claro, dinheiro insuficiente para abraçar a vida de tantos filhos.
A prefeitura de Macaíba deveria fazer mais – e fazer dali, um espaço modelo. Ser abandonado por pai e mãe já basta, como dor.
Desenvolver projetos, faver um lindo jardim, pintar as casas e equipar a escola que é... um caco.
No Lírio do Vale existem crianças de, já, 16 anos de idade.
Que nunca tiveram o prazer de ter um pai, uma mãe, uma casinha só sua para morar – e daqui a pouco esses meninos vão embora para o oco, o vazio do mundo.
Deixei o Orfanado arrasado.
Mas vou voltar, muitas vezes...
Ajude.
3271-1900
O castigo
19/04/2012 às 20h45
As pessoas esquecem da volta.
E por voltas, em vezes e dores fazem mal à humanidade, a um vizinho, um colega de ofício, alguém que passa, sei lá, na rua.
As pessoas esquecem que Deus tudo ouve, tudo vê – e, mesmo contra sua vontade, castiga.
Sim, Deus castiga.
As vezes o castigo é uma maneira de nos fazer rever mundos e conceitos, pessoas e caminhos, atitudes e gentes.
Mas castigo é real – e hoje em dia chega a ser visceral.
É que as pessoas esquecem que seus telhados são, sempre frágeis; suas almas carecidas, suas vidas passageiras.
E que o vento vem, leva.
As pessoas esquecem que têm filhos – quem não, mães têm.
Quem não... vida tem.
Mas os filhos, ah, pobres filhos... sempre pagam os erros dos seus pobres pais. Conheço exemplos muitos, de famílias inteiras que pagam malefícios infindos cometidos por seus passados.
As pessoas esquecem que tudo volta.
E que toda palavra maldita, toda agressão feita ao mundo... volta contra si.
Por isso vemos, sempre, a todo instante... tanta gente crítica e ácida, lamúrias e falsas lástimas, gente cheia de maldades na fala e se auto denominando algoz do mundo.
Por isso também, tanta guerra.
E tanta injustiça social, tanta dor no chão, n'almas e corações
As pessoas esquecem de ouvir e falam bobagens a todo instante – por isso, a todo instante também, se vê gente perdida, parida no oco da vida e frugal.
Quando pior somos, pior colhemos.
Quanto mais maldades falamos... mais maldades nos atravessam almas e clarões.
Deus tudo ouve, tudo vê e sente, com seu infindo coração os caminhos ruins que muitos seres humanos escolhem.
Cuidado com um raio – ele pode, sim, sim, sim... cair por sobre sua cabeça!
Cafona é a infelicidade
16/04/2012 às 23h19
Ser cafona é não ser feliz!!
Nunca, na vida, tive vergonha daquilo que me dá prazer.
Nunca me esquivei ou, por exemplo, deixei de assistir a um programa de televisão no SBT, cantar uma música de Jane e Erondy porque tribos outras chegavam ao meu ouvido, como segredos ditos num megafone e diziam...
- Cafona!
Certa feita ouvi uma entrevista da cantora Elba Ramalho, sei lá quantos anos atrás, onde dizia mais ou menos assim – “nunca devemos ter vergonha daquilo que somos”.
Parece clichê, mas valeu!
Talvez uma frase solta no meio de uma entrevista, mas que gravou para sempre na minha vida.
E fui descobrindo, ao longo dos meus caminhos, que cafonice não é roupa, não é uma canção qualquer, um jeito meio sei lá de se vestir.
Ser cafona é fazer o mundo infeliz.
Ou mentir, como tantos fazem.
Ou agredir, como virou moda entre povos.
Cafona é a guerra ou quem vidas e histórias lindas encerra.
Cafona é não cantar, não assumir, não gritar para o mundo suas opções de felicidade.
Ser cafona é escrever bobagens, é ler bobagens é, talvez até... ser oco, bobo, qualquer.
Ser cafona não é usar flores de plástico por sobre a geladeira – mas ser geladeira, apático diante de um mundo cada vez menos solidário, é.
Não é cafona cantar Gabi Amarantos e seus forrós elétricos.
Mas é cafona ridicularizar, deixar o preconceito entrar, invadir-se de indecências do novo mundo, quando tantos, por exemplo, usam Twitters e blogs para humilhar, denegrir, execrar pessoas em praças públicas.
Vivemos como na Idade Média – se não arenas, vivemos em meio a internet que muitos utilizam param lamentavelmente fazer o mal.
Outra: o mal – e o mau... são cafonas.
Humilhar é cafona...
Não se solidarizar é cafona...
Cafona é não ser amigo, é sumir quando o outro precisa, é não colocar em pratos limpos, quando somente assim se é amigo de verdade.
Cafona é incomodar o vizinho, sujar a praia, jogar lixo pela janela do carro.
Cafona é humilhar...
O resto todo é chique, brilha, encanta.
A tal felicidade
10/04/2012 às 00h05
Quais os caminhos existentes para quem é plenamente feliz?
Ah, faça-me o favor: “Momentos felizes existem, felicidade plena não!”
Figa!
Não existe para você: porque para mim existe sim.
Sou absurdamente feliz.
E canto.
Não sinto essas lengas-lengas de que o mundo moderninho (e desocupado) adora cantar: Deprê, dor, tristeza, vazio...
Nós somos aquilo que queremos ser.
E se tem gente por aí dizendo que felicidade plena não existe... meus pêsames! S
ou feliz na plenitude da palavra.
Em demasia.
Claro que já chorei muito... Mas choro e, dez minutos depois, estou lindo.
Cantando Cazuza, comendo um docinho, olhando pra lua.
Quero, sim, um mundo de justiça, sem fome, de vidas respeitadas desde a natureza, passando pelos animais até chegar ao homem.
Claro!
Mas faço a minha parte – e exercito a solidariedade como válvula de escape, eu acho. Mas faço alguma coisa e, braços cruzados?
Nem sei como postá-los, nem combina comigo.
Corro, vou à luta, escrevo, vou atrás.
E por isso também sou feliz.
Para ser feliz, acredito eu, temos que exercitar umas coisas...
E podemos começar rindo.
Deus adora gente bem humorada.
Minha história de Páscoa
06/04/2012 às 18h15
Como todo mundo sabe... não vivo, um dia que seja, sem fazer caridades.
É como o ar que respiro, sei lá.
E não sou melhor por isso.
Acredito, pelo contrário: sou tão ruim, que preciso fazer o bem sempre, como se o bem me redimisse dessa vida, doutras passadas, do mundo e seus caminhos maus.
O bem é meu lema, meu tema, minha nau.
Esses dias de Páscoa – e lá se vão uns vinte anos, eu recolho meus amigos todos, faço uma corrente imensa e saio pedindo a Deus, ao mundo e a uma banda da Lua... Cestas Básicas, Ovos de Chocolate, lanches e amor.
Esse ano foi diferente.
Junto a tantos amigos arrecadamos exatos 1.873 Ovos – um recorde do bem.
Um tanto em Natal, outro tanto em Mossoró.
E desde a semana passada eu e Valentina, sempre com sua Gerlane, nossa babá, percorremos casas, lares sem portas, orfanatos sem luz, sonhos de crianças que, sei lá, nunca ganhariam um Ovo tão especial, tão grande, tão gostoso...
Mas uma história nos comoveu profundamente, hoje.
Em um dos lugares que fomos, voltamos para deixar lençóis, shampoos, perfuminhos, fraldas – essas coisas que toda criança deveria ter e... não tem.
No Góis, a terra esquecida no meio dos matos da cidade de Serrinha, distante uma hora do Natal, umas crianças acharam estranho, o Ovo de Chocolate.
- O que é isso?
- É um confeito grande, para comer um pouquinho hoje, outro pouquinho amanhã... eu disse, quietinho.
- Pois Quinzinho de dona Balé comeu com feijão e farinha; achou que era como rapadura.
Não ri.
Perdi fala e prumos.
Rumos sempre são perdidos, por mim, nem que por instantes seja, quando me deparo com a miséria do mundo, sempre tão minha amiga, tão íntima, tão cúmplice.
No País onde se fará uma Copa do Mundo, mesmo que um mundo de gente não tenha uma escola que preste, uma saúde decente ou qualquer outra coisa que justifique tantos impostos, tanta corrupção, tantos políticos sem norte... uma criança de dez anos de idade nunca teve o direito de ganhar uma bagana qualquer.
Mas era real, aquela situação.
Quinzinho de Balé, aos 10 anos de idade, nunca havia comido um Ovo de Páscoa.
E Páscoa e rapadura, para ele, eram, vê que loucura!, mesma coisa.
Esse é o Brasil.
De tantas disparidades, de tantos Quinzinhos de Balé.
Meus medos
02/04/2012 às 00h09
Adoro novelas – quem quiser, claro, pode me crucificar.
Mas novelas da Rede Globo, claro. E novelas, de preferência, de Gilberto Braga, de Walcyr Carrasco, de Elizabeth Jhim – e, por último, de João Emanoel Carneiro.
São meus preferidos.
Mas novelas estão me dando medo, ultimamente.
Assistir, por exemplo, as ruindades de Avenida Brasil, a nova, das nove, na Globo, tem me tirado sonos.
E transferido umas angustias que dói sentir.
Sou duma época em que a arte imitava a vida; hoje não: a vida, cheia de personagens reais e maus, muito maus, é copiada nas telas dos cinemas e, no caso, das televisões.
O mundo está coberto de personagens como a “Carminha” de Adriana Esteves.
Ou como a “Melissa”, de Kássia Kis Magro, de “Amor eterno amor”.
Daí o medo.
Uma criança abandonada num lixão; o riso sínico de uma irmã ao ver a outra morrer não parecem cenas de novela.
Lembram o real do mundo, o mais absurdo do ser humano que, hoje em dia... chega a ser normal, igual, frugal.
A velha máxima “é coisa de novela” ficou distante da realidade em que vivemos.
E pais matam filhos
E filhos esfaqueiam pais
E filhos e pais se odeiam
E homens querem meninos e meninas
E assaltos, sobressaltos
E guerras.
O mundo mudou junto com as pessoas que esqueceram de Deus
De fazer orações e caridades.
Está aí o caminho para invertes essa situação: Deus, orações e caridades.
Porque é fundamental mudar
30/03/2012 às 00h08
Sinto muitas preguiças na vida.
De gente, muitas vezes.
Mas estava aqui pensando com meus borbotões em como é bom mudar, reciclar pensamentos, sentires. Jogar fora sentimentos e ressentimentos tolos, como cantou Vanuza, tempos áureos dela.
Sinto preguiça de gente fofoqueira, de gente deslumbrada, de gente preconceituosa, de gente invejosa, de gente sem consideração, de gente que não retorna a ligação, de gente feia e de gente que... tem a mesma cara faz anos.
E usa o mesmo corte de cabelo, ah, como sinto preguiça!
A vida é uma roda que gira, que muda.
E ventos trazem e levam a vida da gente que vai, volta, voa...
E tem gente que não sai do canto.
Usa o mesmo cabelo, a mesma barba, o mesmo perfume, a mesma cor – sempre desconfio de gente assim, salvo lá, raríssimas exceções.
Muitos cantores, por exemplo, são assim – daí cantam, sempre, as mesmas músicas. E o sucesso ficou naquela canção, naquele corte de cabelo.
Mude, sempre, seu visual, radicalize no corte de cabelo, use um pink com amarelo, sei lá. E mude os quadros da parede da sua casa, ouse na mudança do sofá de lá pra cá e vá!
Mudar, sempre, é um caminho imprescindível – e fundamental à vida.
Aqueles que não mudam se perdem no tempo, ficam iguais.
Ah, gente igual também da uma preguiiiiiiça...
Outra oração
25/03/2012 às 00h05
Toda vez que sento em frente ao computador disposto a escrever, passo uns bons minutos rezando.
É como se fosse me preparando para chegar até cada um de vocês, leitores do bem do DeSaboya.com.
Agradeço, em primeiro lugar, sempre!
Quantos gostariam de ler, de escrever, de saber, de enxergar... e nada não.
E quantos gostariam de ser felizes e, senões.
Escrever, para mim, é feito o ar que respiro – e me faz bem, desanuvia; euforia n’alma, escrever para mim.
E peço a Deus que me ilumine em cada nota, que eu não agrida ninguém, que cada escrito meu faça o mundo de cada pessoa melhor... e que até na hora que critique, o faça com elegância e amor no coração.
Peço a Deus sabedoria, discernimento, decência.
E pura demência para os assuntos do mau.
E tolerância, ah, Deus, dai-me tolerância...
E peço piedade para as injustiças, piedade, Senhor, piedade...
E por nossos colaboradores...
Que eu não sinta dores, até na hora de chorar horrores quando me emociono com o que brota do DeSaboya.com muitas vezes...
Cada vez que sento para escrever para vocês peço, acreditem, para cada um dos meus leitores...
Que se multipliquem no bem, que cresçam dia a dia, meus leitores!
E que suas famílias estejam na paz...
E que trabalham distantes do venal do mundo.
Que Deus coloque, em cada um, um mar de energia boa...
Porque são vocês que fizeram (e fazem!) do DeSaboya.com um dos maiores sucessos da internet do Rio Grande do Norte...
Com acessos que ultrapassam, dia a dia, as 30 mil visitas diárias.
São para vocês, novamente, a prece de hoje!!!
Viver é muito perigoso
23/03/2012 às 15h00
A frase é dita por Diadorim, personagem enigmático de Graciliano Ramos em “Grande Sertão: veredas”, um dos livros da minha vida e que todo brasileiro deveria ler.
O dito talvez ilustre bem esse momento vivido – ou... morrido, pelo novo mundo.
O mundo, seus intolerantes...
A tolerância, para a imensa maioria das pessoas, deveria ser um exercício diário.
Tolerar, por mais que seja difícil dá, sempre, um alívio imediato.
Tolerar é quase um ato divino.
Nos últimos dias, na linda Tolousse, aos pés d’ Portet-sur-Garonne, um pai como outro qualquer deixava seus filhos no colégio quando um rapaz chegou, arma em punho e... os matou.
Assim, fim.
E fim para uma família inteira de judeus que poderiam ser cariocas, natalenses, moradores da Comunidade do Japão, aqui na cidade.
Ontem li no Le Monde que a mãe das crianças, viúva de dores infindas, está internada desde então, sob efeitos de remédios fortíssimos, amarrada a uma cama num hospital de Paris, onde parte da família materna mora e, hoje, morre aos pouquinhos.
Ontem ainda, aqui no Brasil, dois jovens inteligentes presos porque, pela internet, incitavam dores e desamores, guerras e ódios contra mulheres, homossexuais, negros, gentes.
O que falta no mundo, seja na linda e elegante Tolousse, seja nos rincões dos Brasis... é Deus.
Deus abranda, ameniza, faz-nos tolerantes.
Pena que uns sabem disso – e outros, pobres coitados, vivem na escuridão.
Rezemos pelo mundo... sempre.
E suas gentes sem fé.
O bem... sempre!
20/03/2012 às 09h28
Por que o ser humano é assim, digamos, tantas vezes, tão cruel?
Faz um tempo que decidi, para a vida dos outros, não dizer jamais... “bem feito”.
É que essas duas palavrinhas, que separadas tem uma conotação tão especial, unidas viram um desagravo para com muitos mandamentos de Deus.
Bem feito por quê?
Sei lá: quem roubou e foi preso, quem se desentendeu com você (por pior que seja o motivo) e entrou pelo cano, quem matou – e por aí segue.
Eu não digo “bem feito” nunca – e acho muito, muito, muito feio quem o diz.
Soa, por mais justiceiros que queiramos ser, um tanto que de despeito.
E despeito também é um caminho tristíssimo para quem o sente!
Mas quem somos nós, nessa vida de meu Deus, para festejarmos a desgraça de quem quer que seja?
Aliás, desejar o mal, que geralmente vem antes do fatídico “bem feito” é, também, profunda lástima.
Lembre-se que Deus tudo ouve.
E hoje pode ser com seu vizinho – ou com um político famigerado de Brasília – amanhã pode ser com seu irmão, seu amigo e, até, um tiro, sem querer, acabe acertando seu pé.
Deseje o bem sempre – da uma sensação maravilhosa n’alma!
Bom ar
15/03/2012 às 08h04
Resolvi mudar.
De novo e, sinceramente, acho que essa foi a milésima vez!
Uma das paredes da minha casa já foi vermelha, ocre, marrom, terra, verde, cinza, branca – mudei para off white. E pintei o apartamento inteiro.
E, acreditem, é assim.
Acordo, rezo, resolvo mudar e faço, pode acreditar, tudo, em um dia. Para mim só funciona assim.
Rápido, ansioso para ver como vai ficar, sei lá!
Os sofás eu perdi as contas de quantas vezes cobri na Jocil, minha preferida.
E quantas almofadas já rodaram.
E quantas vezes Arban e Millennium, duas lojas que amo desde as donas já chegaram, em minha casa, com belezarias.
Mas dessa vez radicalizei.
Troquei os móveis quase todos – na Officina, loja que é a minha cara, meu coração e que tem o blog, escrito pelo DeSaboya.com, hospedado aqui, no DeSaboya.com.
Uns, confesso, foi difícil “jogar fora”, já que acompanhavam a mim e a Keity desde o nosso casamento. Mas ainda assim... os troquei.
Ficaram, claro, os móveis da minha família, desses não abro mão. São peças dos meus tataravós, dos meus bisavós, dos meus avós, da minha mãe.
Acredita que temos, aqui em casa, peças de 300 anos atrás, desde quando os Saboya ainda moravam na Itália e nem sonhavam com as Estradas de Ferro no Nordeste?
Ah, me orgulho horrores de tudo isso e valorizo como se jóias fossem e, para mim e para Keity, jóias são!!!
Esses ficaram, o resto quase todo... dançou.
Para uma casa, qualquer uma, mudar é fundamental.
Não precisa ser ensandecido, trocar tudo, sempre... Mas de vez em quando mudar as coisas de lugar, os quadros das paredes, um adorno que era ali botar acolá... ah isso é, também, renovador para a alma!
E se você tiver uma ajudinha de uma arquiteta bacana, classuda com é Kalina Maia, que sempre me acompanhou nesses movimendos desde lá o comecinho...
E a energia da casa gira, desconcerta, desatenta, acreditem, até, espíritos sem tanta luz assim...
Ah, mudar faz um bem danado mudar!
Como mudanças são fundamentais à vida, eu mudo todo ano, tudo, várias vezes, mas de lugar, claro!
Qualquer dia desses Keity chega lá em casa e um dos sofás estará no lavabo – ou, quiçá, na minha cabeça!
Ah, o lavabo já foi de várias cores, vários jeitos, tecidos mis também.
Aliás, mudar faz um bem enorme à cabeça. Desanuvia, sabia?
Mude sempre, troque sempre. Arraste móveis sempre.
A vida respira diferente, você renova as energias da sua casa e, acreditem, à sua vida, isso fará um bem danado!!!
Merecimentos
08/03/2012 às 08h00
Toda mulher merece amor
Se amadas fossem, verdadeiramente, nenhuma mulher era Meduza
Nem a loucas Letuzas, das poesias de Rimbaud.
Toda mulher merece calor
Fossem todas aquecidas, nenhuma à vida sofrida, neste mundo de tanta dor
Toda mulher tem sabor
Fossem todas provadas, povoadas desde o coração
Não existiriam Alfonsinas, mar a dentro, tormentos de solidão
Toda mulher lembra frescor
Seja a idade que tiver, o nome qualquer... mulher remoça, remoçou
Toda mulher merece pudor
Para que a dispamos no real ato do amor
Sem piedades
Sublimações
Ou pudor
Toda mulher merece alegrias
Nunca a morte dum filho, nunca o choro, o clamor
Mulher não merece apanhar
Mesmo que clichê seja, mesmo com uma flor
Mulher merece surras, mas surras de amor
Toda mulher merece fervor
Esfuziantemente tratadas, se todas fossem, nenhuma mulher seria Florbela, a soluçar da dor do amor
Nenhuma mulher merece rancor
Não lhe cabe, se não o amor
Mulher, vamos combinar, deveria ter um sinônimo.
Sei lá qual é...
Mas deveria ser... AMOR
Chrystian
Quando sorrir faz voar
08/03/2012 às 00h09
UM MÊS DE SAUDADE
NOSSA HOMENAGEM A ZEZINHA FERNANDES TEIXEIRA, a mulher que vestiu-se de Primavera e vida inteira
Poucas pessoas, na vida, personificaram tanto o sentido do riso, como Zezinha Fernandes Teixeira.
Vinha das entranhas, seu riso nunca manso, nunca contido, artigo definido.
Era plural, 'desgarrido', florido, os risos da mulher estampada, de coração infinito.
E ecoava feito um canto, seu riso sem pudor nenhum – e para que pudores, quando se canta o mundo dos bons, os sons, os dons, os tons da vida?
Alcançava os céus, decibéis e mel, o sorriso da mulher que ainda tinha, entre a alegria de viver, acolher e vestir-se de arco-íris, a certeza de que era feliz.
E foi.
E é.
Zezinha – e talvez por isso, ria tão alto, mais alto ainda, mais... foi, também, a personificação da alegria.
Uma mulher feito um oceano de riso, cor e luz.
Seus braços cabiam o mundo – e, por isso seus amigos eram tantos.
Os seus, a Infraero, a doce e amiga turma da Maçonaria, os amigos dos seus filhos, os filhos dos outros mundos, as rimas, as sinas, sentires profundos.
Como era querida!
Mais por Sólon, ternura em vida, dois corações num só.
Os dois casaram fugidos.
Era 1964 quando pegaram um avião e sumiram no mundo. Sólon, noivo de dez anos, foi roubado por Zezinha.
E Solon roubou, definitivamente naquele maio de 1964, o amor da sua vida.
Por 48 anos viveram assim, um do outro, o outro sem fim.
Era lindo vê-los juntos – ela num agito interminável, dando ordens, decifrando enigmas, passeando pelo comércio, reclamando... e Sólon, com a paz que invade apenas o coração dos justos, feliz igualmente, olhar perdido e achado no bailar do seu amor, onde quer que estivessem.
Era lindo, vê-los num só.
Na certeza de que seu amor está bem, os sonhos de Sólon com Zezinha seguem.
Eles no Aeroporto que por muitos anos se transformou em sobrenome da família de Sólon do Aeroporto, Zezinha do Aeroporto, Tereza do Aeroporto, Alexandre do Aeroporto...
Foi ali que Sólon sonhou com seu amor, logo em seguida a sua partida. Estavam no quarto da antiga casa, cheios de amigas do casal, revendo e conversando entre os risos altíssimos da luz Zezinha.
Ela vestia um bordô.
É, não estava com aqueles vestidos estampados, cheios de folhas, flores, florestas sem fim.
Zezinha era também assim.
Fosse a estação que fosse, seus risos alcançavam toda a atmosfera, seus trajes multi- coloridos e sua vida por toda a vida venera e Zezinha Fernandes Teixeira, sim, sim, sim... poderia, também, chamar-se Primavera.
Desconsiderações
01/03/2012 às 07h00
Foi no carnaval do ano passado.
Estava “perdido” na Troça Maria Espalha Brasa, no Tibau, do talentoso, carnavalesco – e nem aí – Eduardo Falcão.
Sempre me “perco” em locais onde o álcool canta desenfreadamente, as pessoas por nada se abraçam e felicidade é, na infinda maioria das vezes, somente uma mera pose.
Falávamos sobre as referências que, no novo mundo, se vão – eu e o poeta Aluizio Barros, uma das boas – e verdadeiras – sumidades das terras de Santa Luzia.
Sim, sobre as referências da boa educação, da noção do tempo e do espaço, das referências da vida, da família, da amizade, do coração que... se esvaem com o passar dos anos.
As pessoas ficaram, com o tempo, mais burras – e medíocres, periféricas, tão absolutas que... esqueceram caminhos como solidariedade, abraços, afagos.
Com todo abuso do mundo – há quem acredite que sou somente isso, jamais permiti seguir esse caminho, tantas vezes sem volta.
Consideração é uma palavra constante em minha vida, um dos lemas!
E como precisamos, ao longo da vida e... da morte, de amigos verdadeiros!
Quando morre alguém que amamos, então, nem se fala.
Mas para que mostrar solidariedade se, no fundo, certas figuras sequer sabem o que é... boa educação?
E tem aquelas que falam muito no Senhor, que têm discursos lindos sobre Deus, amizade e gratidão mas no fundo...
É que certas pessoas, tão comuns por aí, não tiveram, sei lá, uma boa criação.
Ou acreditam que (quase) tudo é banal, bobo, sem precisões.
Então não aparecem e ou... somem no vazio do mundo, ocas, sem referências, nem noção do que seja, de verdade, uma amizade.
Agem de qualquer forma porque são, simples assim, quaisquer uma.
Ando impressionado com o comportamento de muitas – cada vez mais distantes, imbuídas de uma certeza de que estão corretíssimas dentro da absoluta falta de atenção, de consideração, de gentileza, de amizade.
Referências as buscamos no decorrer da vida – muitas vezes se aprendem no colo dos pais, n’alma, vem das entranhas.
Referências são sentires que devem nos percorrer sempre, um gesto de carinho, sei lá, com quem passa ali – que dirá com um amigo, uma amiga de luto.
Aprendi com o mundo – e dentro da minha casa, que jamais devemos pecar por omissões.
Os omissos na hora da dor, são omissos por toda vida.
Mas o bom da mesma vida é que ela gira, que máscaras não são eternas e que para termos amigos verdadeiros precisamos, acima de tudo, sermos amigos no sentido literal da palavra.
Sem referências, me disse Aluizio com os olhinhos marejados... as pessoas estão virando, também, pedras.
Pena, delas.
Pedradas, elas.
A vida que cada um merece
27/02/2012 às 00h01
Estávamos em Nice, na Cote D’Azul, na França, onde passamos o Natal.
Era, aliás, véspera de Natal quando resolvemos dar uma voltinha a pé, pela orla, linda, daquele lugar de mar azul – um azul inacreditável de lindo, surreal, bem Matisse.
É que pintou um “amigo oculto” de brincadeirinha e saímos para comprar nossos risos naquela noite fria – e mágica, bela, feliz!
Um climão de Natal, quase 19h, eu, Keity, Valentina e Gerlane, nossa babá, a rir muito de loja em loja, comprando gaiatices.
De repente passamos numa travessa, a Atlanta. Esperamos, eu e Valentina, Keity e Gerlane que saiam de uma farmácia as risadas, onde compraram uns presentes para nossa brincadeira.
De frente para o mar, num prédio elegante, no segundo andar avistei, na varanda, dois velhinhos.
Fofos, com bem mais que 70 anos, de mãos dadas, comendo sei lá o que, rindo muito, algo como uma árvore de Natal piscando na sala e nem aí para o frio gélido daquela noite de 24 de dezembro.
Netos, presumo eu, corriam ao redor.
Adultos com taças nas mãos também faziam parte da cena.
No primeiro andar, logo embaixo daquele casal feliz da vida...
Um senhor, também na varanda, sozinho, comemorava seu Natal.
Estava de pijama – ou com uma roupa que não se recebe visitas.
Não havia correria de crianças, nem luzes piscando – apenas um senhor franzino, de cabelos brancos e nenhum agrado.
Foi impossível não comparar as duas cenas.
Uma família tão feliz, um senhor tão só.
O que fazemos, na vida, para escrevermos nosso fim?
Que atitudes tomar, quem seguir, com quem devemos andar?
Por que um tão feliz, outro tão outro?
Vânia Leite, amiga para sempre querida que estava conosco nesse sonho de viagem, costuma dizer que “temos o fim que merecemos”.
Mas imediatamente a dizer isso, se questiona... “Mas e fulano, tão bom, tão bacana, tão querido... e morrendo assim?”.
Então, nem todo mundo tem o “fim” que merece ter.
Aí saio eu...
Que a gente tem que fazer o bem.
Ser sério no oficio, honesto, incansável, competente.
E ser bom.
Gostar da vida, agradecer por andar, por poder enxergar, ter o que comer.
E a gente tem que cantar.
E amar.
E amar muito. Ser solidário, pedir desculpas quando errar, ser bom filho, bom pai, sei lá...
Se essa não for a receita do bolo inteiro... já dará, certo que sim, uma cobertura linda – e gostosa.
Mais feliz do mundo
13/01/2012 às 00h07
Havia acabado de chegar d’um banho de mar, no Tibau, quando, no meu telefone, um número marcava 11 ligações não atendidas.
Penso logo: Oba, será uma pessoa ávida por me dar boas notícias!
Jamais penso o contrário, porque o “contrário”, atrai!
Não conhecia o número, mas por educação retornei.
Era o filho de um casal amigo que, por motivos óbvios, não direi nomes.
O filho, que era só gratidão, tinha um que de reticente no seus agradecimentos.
"- Chrystian, estou ligando para agradecer tudo o que você escreveu sobre a morte da minha mãe... foi tudo muito bonito, emocionante.
Tão emocionante, Chrystian, que Papai, ao ler, passou mal, teve um pré-enfarto e precisou ser internado. Mas agora está tudo bem. Ele está melhor, já deixou a UTI e está em casa".
Gelei.
Por excesso de amor, meu amigo, o pai, passou mal.
Aí fiquei pensando com meus borbotões quão responsável devemos ser com aquilo que escrevemos.
Claro que não quis, nem quero, que nunca ninguém passe mal ao ler meus textos. Escrevo com a alma, com felicidade seja à mão (que por sinal adoro) ou nas teclas do meu Word.
Mas o mundo não pensa assim.
Por aí desfilam uma série de pessoas cheias de maldade... que escrevem com irresponsabilidade, indecência e ausências de Deus.
E brigam como se na época dos gladiadores vivêssemos.
Escrever maldades faz um mal tão assombroso a quem espalha, escreve... que a vida, sempre, se esvai.
Aliás, a vida sempre se esvai quando a alma não é tão boa assim.
Os venais adoecem.
E morrem junto com suas agressões.
É preciso responsabilidade com tudo na vida – inclusive com o que se escreve.
Ontem, por exemplo, abri meu Twitter e três pessoas se engalfinhavam.
Era sete horas da manhã... como é que três pessoas, com o nascer do sol, começam um dia tão lindo brigando?
Como será o dia dessas criaturas?
E quanta energia ruim trazem para si!
Aliás, o Twitter virou terra de ninguém, de críticos contumazes, ocos. Em Mossoró, existem quatro figuras – interessantemente todas mal resolvidas e cheias de fracassos, que usam o Twitter apenas para criticar, denegrir pessoas, falar mal de fulano e sicrano.
Em Macaíba, um ex-político transformou seu Twitter num mar de amargura...
Em Natal, ah, perdi as contas!
Claro, não sigo nenhum deles.
Tenho mais o que fazer na vida do que experimentar o fel de gentes infelizes – é, quem é feliz, não fica por aí escrevendo bobagens sobre quem quer que seja.
E hoje em dia todo mundo é juiz, promotor, algoz.
Lembrei-me de Eliana Tranchesi, ex-proprietária da Daslu e uma das mulheres mais caridosas que “conheci” na vida.
Seus trabalhos sociais em São Paulo eram lindos... aí veio aquele escândalo todo com a Polícia Federal e... aquela pena absurda de 94 anos de detenção, seu câncer e... Eliana, oh Deus!, como foi apedrejada, como foi humilhada!
Quantos riram com sua prisão e escreveram atrocidades sobre sua pessoa!
E... como escreveram brutalidades, como espancaram a alma dessa mulher!
Que tinha uma família linda, filhos e, repito, um belíssimo trabalho social, onde ajudava milhares de pessoas carentes...
Não vou entrar nos méritos policiais – até porque sou fã da Polícia Federal, uma das poucas instituições sérias desse país. E quem deve tem que pagar...
Mas fiquei pensando – e tenho certeza, que muita gente, e não somente o câncer, matou Tanchesi.
É... palavras malditas também matam!
E deixam feridas latentes, eternas.
Diante disso também, construí uma redoma sobre minha vida – nada, nem ninguém no mundo tem o poder de me atingir.
Só me cerco de gente boa, tenho uma infinidade de amigos, gosto de fazer o bem, de comer bolo e se, por acaso, alguém tenta me agredir... não sei, não li, sabia nem que existia.
E sigo escrevendo somente o bem.
Claro, tenho minhas opiniões – afinal, estamos em um Estado democrático!
Mas... preferi outro caminho na vida... o de fazer bem aos corações do mundo, escrevendo sobre o amor, a amizade, festas, brindes e risos.
A vida, ah se todos soubessem, é infinitamente melhor assim.
Talvez por isso saí com uma camiseta, velhinha, da Yes, ontem, que estava escrito assim...
“Sou a pessoa mais feliz do mundo”.
Outra vez coração - e Feliz Natal
24/12/2011 às 00h01
Estamos em Nice.
Na Côte D’Azul, de frente para os mais lindos dos Mediterrâneos e daqui vai meu abraço, meu beijo e meu laço de Feliz Natal embrulhado com uma história não tão feliz assim, mas, sei lá, que sirva de lição pra gente, para nossas vidas.
A história de Isadora Ducan me foi contada, sei lá quantos anos atrás, por meu Tio Ernesto Galvão de Saboya, meu Tio Dodoi. E mais tarde minha amiga Lib Maurey me deu um livro seu, o My Life, a auto-biografia da bailarina norte americana que teve uma vida linda e tristíssima, que viveu intensamente – e que muitas vezes morreu, em vida, também.
Duncan faleceu aqui em Nice, lá por 1927, mesmo ano de My Life.
Nice é uma cidade linda, das mais belas que já andei. Gosto desse clima de mar infindo e azul, desses chiquês que vão de Matisse a Chacall.
Toda a Côte D’Azul, aliás, é um deslumbramento.
Um mundo charmosíssimo.
Ancorada ao sul da França, abençoada pela Baia dos Anjos em com uma história de guerras e fins entre Itália e França, a cidade tem cerca de 300 mil habitantes, uma história riquíssima e, por onde se anda, mar azul, palacetes, patesseries e monumentos romanos.
Até uns tais, belos, assindos pelos Duques de Saboya, época em que a Itália dominava esses mundos.
Foi nesse mundo deslumbrante que Duncan faleceu...
Angela Isadora Duncan foi a segunda filha das quatro tidas pelo casal Dora Gray Duncan, pianista e professora de música com Joseph Charles, poeta de lindas palavras e uma obra belíssima.
Pioneira da dança moderna, causou polêmica, fechou tempos e nunca rendeu-se aos caminhos da sua época.
Ignorou todas as técnicas do balé clássico, rompeu barreiras, fez sua história.
Com movimentos improvisados, inspirados, firmes e fortes como um pássaro e seus rumos, dançou os movimentos da natureza: vendavais, plantas, animais enfurecidos.
Os pés descalços também faziam parte da personalidade profissional da dançarina.
Ela dançava ao som de Chopin e Wagner, nada usual para seu tempo e a expressividade pessoal e improvisação estavam sempre presentes no seu estilo avaçalador.
Casou três vezes.
Seu primeiro marido foi o designer teatral Gordon Graig, do qual se separou, assim como separou-se do milionário parisiense Eugene Singer (responsável pelas máquinas de costura Singer).
Cansava, ponto.
Isadora teve um filho de cada relacionamento.
Em 1898 Duncan foi para Londres em busca de reconhecimento profissional.
Lá consolidou sua fama.
Sua primeira apresentação em Paris foi no ano de 1902.
Em 1908 escreve The Dance.
Em 1913, uma tragédia tira a vida de seus dois filhos, Deirdre e Patrik e de sua governata, Maria, que morrem afogados no rio Sena gerando comoção nacional.
Foi, aí, sua dor maior.
Trancou-se no mundo e refez pensamentos.
Demorou anos para se apresentar novamente.
E chorou um Mediterrâneo inteiro...
Em 1916 chegou ao meu Rio de Janeiro, onde se apresentou no Theatro Municipal, aos 38 anos de idade.
Foi estpendo, dizem todos que viveu àquele momento.
Chocou!
Seu terceiro casamento foi com o poeta soviético Serguei Iessienin, de quem se separa dois anos depois.
Serguei se matou em 1925 – dizem, de tristeza profunda.
Foi quando Isadora voltou para a França e passou seus últimos anos justamente aqui em Nice.
Em 1927 escreve uma auto-biografia intitulada My Life e morre no mesmo ano, em 14 de Setembro.
Isadora morreu em um acidente de carro conversível, quando a sua echarpe ficou presa a uma das rodas, estrangulando-a abuptamente.
Uma amiga disse que as últimas palavras proferidas antes de entrar no carro conduzido por um jovem anigo foram: "Adeus, amigos! Vou para a glória.".
E o que isso tem a ver com Natal...
Renovações.
Com o viver a vida na sua plenitude.
E que a gente tem que viver na paz, para que a paz nos siga.
Isadora foi uma grande mulher, um ícone.
Viveu sem medidas – e viveu lindamente.
Foi, em vida, uma precursora, uma devoradora.
E viveu.
Que vivamos intensamente. Que nosso Natal seja repleto de intensidades - todas do bem.
Que as desgraças do mundo não nos atinjam, que nossas vidas sigam.
E que sejamos felizes como sao as gaivotas aqui de Nice, nunca
lânguidas, nunca comedidas.
Feliz tudo!
Chrystian