A espera de (mais) um milagre
02/08/2008 às 01h23
Ando preocupado.
Meio sei lá.
Meio sem prumo.
Na vida, sempre, tudo bem, tudo zen, tudo em paz. E feliz.
Mas lá dentro da alma, uma dorzinha vai se tornando íntima minha, cúmplice minha, minha toda, enfim.
Decidi, finalmente, começar a pensar em fundar minha instituição de proteção aos animais.
Ou faço isso voando, ou acho que piro.
Preciso de uma casa para abrigar tanto animal sem rumo, sem sumo, solto na vida principalmente graças ao desamor, absurdo, que hoje impera no mundo dos homens.
Dos muitos homens sem coração.
E devo tudo isso a Terezinha, minha poodle há oito anos.
Sim, oito anos.
Eis, aí, o motivo da minha dor se formando feito rocha, tocha acesa desde d’alma.
Sempre amei os animais. Todos. Não mato formiga, não mato barata, não como bichos faz um tempo grande. Nenhum. Nem peixe, nem frango, nem nada.
Por amor, simplesmente.
Por respeito, sinceramente.
Por saber que cada bicho que morre, nos abetedouros impiedosos da vida, nas granjas que estressam os frangos para a engorda e socam comida goela a baixo com toda a dor... sentem, sofrem, são vidas como a minha, como a sua.
Mas tudo isso começou com Terezinha.
Foi ela quem me ensinou ser assim: louco pela vida.
Um defensor fervoroso dos animais...
E essa dor vem do fato de ver minha Tereza ficando velhinha, meio fraquinha, cansada, pelos cantos da casa.
Venho percebendo isso faz algum tempo.
E ela apareceu com umas feridinhas que não saram. E anda gorda, estressada, com o humor péssimo.
Aliás, simpática nunca foi.
Até nisso puxou a mim.
Hoje me lembrei quando Tereza adoeceu, seriamente, seis anos atrás.
A tal doença do carrapato – ah, pobre submundo, esse nosso.
Estava angustiado, àquela noite. Muito. E decidi deixar minha aula de filosofia pela metade, quando cursava jornalismo.
E voei para casa. Sentia que algo não estava tão bem assim.
A medida que ia me aproximando a angústia ia me tomando as entranhas.
Quando abri a porta, minha Tereza... cadê?
- Terezinha, seu pai chegou.
E nada.
Comecei, de cara, a chorar.
Mas precisava estar forte. Alguma coisa me dizia que minha filha não estava bem.
E minha filha, realmente, não estava nada bem.
A encontrei no meu banheiro, se espremendo ao lado da banheira.
"Terezinha, o que foi, meu amor?"
Pelo olhar, nos fitamos.
E, descobri, ali, aos seus pés, que corríamos perigo.
Tomei-a em meus trêmulos braços e voei para um veterinário.
Cheguei sabe Deus como.
Arrasado.
Acabado.
Nitidamente.
Ah, não escondo – nem nunca escondi sentimentos.
Era nove horas da noite.
Chovia muito em Natal.
Chuva de chuva e chuva de lágrimas.
Depois de quase quatro horas de exames, o médico disse: "teremos que sacrificar seu animal".
Meu mundo caiu.
Eu virei bicho!
- Jamais, doutor!!! Gritei.
- Existe alguma remota possibilidade do senhor não matar minha filha?
Acho que a frase soou tão forte, que o veterinário resolveu pensar. E disse.
- Ela precisa fazer cocô. Precisa reagir. E urgentemente.
- Pois ela vai fazer cocô!!! Eu disse.
- Saia da sala, deixe ela aqui. Ordenou o médico.
- Não. Fico onde ela ficar.
- Não pode.
- Pode. Onde minha filha ficar, eu fico.
E fiquei.
Dormi, naquela madrugada, sobre as folhas de jornal que Terezinha estava. Toda sujinha, com sangue, tristinha...
Coisa de 4 horas da madrugada ela acordou.
Eu também, depois de rezar muito. Como nunca, àquela época.
Olhos nos olhos, senti que era a hora.
Peguei minha filha nos braços e fomos os dois para o meio da rua.
Era uma madrugada muito fria, tristíssima.
Quatro horas da madrugada, sob uma velha árvore, ao lado da clínica, eu e Terezinha conversamos um bom pedaço.
Disse, olhando na sua alma, que ela precisava fazer cocô.
Que a história de amor de um pai e de uma filha não poderia terminar daquela forma.
Que a vida dela dependia daquela “caca”.
Que eu a amava.
que eu a amava.
Que eu a amava.
Que ela era importante para mim.
E... Terezinha fez cocô.
Não é exagero. Me ajoelhei, aos prantos, e agradeci a Deus.
Veja só. Jamais me imaginei agradecendo a Deus por um... cocô.
Ah, mas o amor pode tudo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Peguei aquela “caca” com as mãos e corri, com minha Tereza no colo, em direção a clínica.
- Acorde o médico! Minha cachorra fez cocô.
E o médico acordou, absurdado com tudo aquilo.
Eu lá me importava! Queria ver minha filha bem.
E ela começava a reagir.
Resolveu tomar água, comer dez grãos de ração e... fomos dar um cochilo até sete horas da manhã.
Ela dormiu.
Eu não.
No dia seguinte, mais exames. E outros tantos.
Era mais de cinco da tarde quando o médico disse que ela estava melhor. "Foi um milagre", disse o veterinário. Eu, assiom com Deus, respondi baixinho.
- Eu sei.
- Pode ir pra casa, Chrystian. Amanhã eu libero ela.
- Não. Voi ficar. Enquanto ela ficar aqui, eu fico.
O médico, espantado, ainda ouviu eu dizer.
- Meu amor, amigo, cura!!!
O médico viu, àquela altura, que eu seria o melhor dos veterinários.
E sentiu, emocioano, eu vi, meu amor incondicional.
E Terezinha ficou foi para casa na noite seguinte. E “curada”.
Apesar da tal doença do carrapato não sarar nunca e eu viver, a qualquer mudança de comportamento, de prontidão.
Tereza, minha Tereza, foi presente do meu amigo Marcelo Duarte.
Chegou, em minha vida, quando morava só, logo após a morte da minha “Tiazinha” Maura Galvão de Saboya, outro grande amor da minha vida.
Terezinha foi ao meu casamento, acompanhou minha vida nos seus melhores momentos e virou parte integrante – e verdadeira – da minha família.
Se viajo, Tereza vai.
Se passeio, Tereza vai.
Se vou curtir uma praia, minha Tereza vai.
Minha poodle é como se fosse uma extensão da minha vida. E é.
E é isso que vejo se esvaindo.
Se indo.
Se tchau.
Apesar de extremamente bem cuidada, minha Tereza anda tímida diante da vida.
O que será de mim um dia, hein?
Acho que desaprendi a viver sem Keity – e sem Terezinha e Maria do Socorro, a filha-poodle caçula. Filha de Terezinha... E uma doidela.
Deus, deixa minha Tereza mais uns anos perto de mim.
Dentro do coração.
Terezinha faz, dia 31 de agosto, dia do meu aniversário, oito anos de vida.
Paz de Ceiça
27/07/2008 às 10h40
Amizade é isso: sinceridade, lealdade, gratidão.
Esqueça dos tais "amigos" que jogam amor no chão, latrina, escuridão.
Amizade é ter palavra, honrar o que se diz, o que se cala.
Outro dia, aqui no site - e também no Diário de Natal, onde assino uma coluna todo-santo-dia, escrevi umas notinhas, sem nenhuma pretensão, sobre o aniversário de Ceiça Marques, uma arquiteta muito querida, fofa, by heart.
Aí, ela se achando, escreveu isso pra mim.
E como amor nós temos mais é que espalhar ao longo da vida...
Eis a Paz de Ceiça.
Nossa, que homenagem linda!
Você apareceu na minha vida como um raio, um trovão!
Você eclodir em minha alma e sentimentos adormecidos...
Faz-me rir
Brinca
Xinga
De brincadeirinha mente
Inventa historinhas...
Não desmente
Explode
Implode
E finalmente
Enche-me de muito amor e carinho...
Esse é o Chrystian que conheço!
Triste aquele que só enxerga os seus defeitos
Que só fala de você com despeito!
Isso é pura inveja do seu sucesso
Você é fugaz
Um furacão de energia e criatividade
És brilhante!
Errante quando não pensa e faz!
Sempre perdoas
Por que o perdão também te refaz
E o amor nutre seu espírito com muita paz!
E “abusado” é apenas um "disfarce" de uma pessoa maravilhosa
Todas as vezes que vou ao Centro São Francisco vejo nos olhinhos das crianças a expressão de encantamento e amor com você.
Nossa, que brilho naqueles olhares tão carentes!
Criança nunca mente!
Desmente!
Meu grande amigo
Irmão que escolhi para admirar
Zelar e respeitar
Aceito você do jeitinho que és...
Com defeitos e muitas qualidades...
Precisa dizer que te amo, hein?
Vá tomar no cu!!!
19/07/2008 às 19h18
Interessante, a vida.
Ontem fui dormir ouvindo, rindo, levinho, levinho graças a Dercy Gonçalves.
Ela estava, na madrugada, sendo entrevistada por alguém que, sinceramente?, não me lembro.
Dercy tinha esse dom, sem nenhuma pretensão: “de apagar luzes alheias”.
Não de propósito, não por maldade, não por inveja.
Porque ela, Dercy, sempre foi de ocupar tudo, preencher tudo, domar o mundo.
Desde quando saiu de casa, aos 17 anos de idade, para virar atriz...
Da pacata Madalena, no interior do Rio de Janeiro, para o mundo, foi um pulo.
Escrevi um pouquinho da sua história, em GAMEI. Vá ler...
Mas, aqui, a conversa é outra.
É sobre Dercy, sim.
Mas é, principalmente, sobre vida.
Ontem Dercy falava em “vovó”.
“Gostaria de viver como minha vovozinha, que faleceu aos 113 anos de vida. Ah, não queria morrer!!! Eu amo a vida, porra!!! Mas sinto que dia a dia a vida se vai...
Fico mais fraca, perco noções, esqueço das coisas e perco sentimentos...
Ando cansada, sabe?”.
Pronto: encontrei meu eixo.
É sobre isso que vamos conversar hoje.
Sobre a tal vida...
E sobre o cansaço.
Dercy, ontem, na TV, mesmo cansada, dava lições.
De como temos que aproveitar o mundo.
Que não podemos sentir inveja de nada, nem de ninguém.
Que não podemos fazer guerra.
Que não podemos espalhar desamor, cara!!!
“Pra gente assim eu mando é dá o cu!!”
“Porque, puta que pariu, nós temos que ser felizes, cara!!!”
“Sem essa de ficar pelos cantos falando de ninguém. Vai trabalhar, seu viado!”
A vida, mesmo para uma pessoa de 101 anos de idade, cansa.
Imagine aí para aqueles que vivem, pelo mundo, a fazer maldades...
Imagine aí para aquele que pega o telefonem para falar mal de alguém.
Ou para fofocar.
Ou para apertar um gatilho e, encerrar a vida sei lá de quem, sei lá de quantos, de tantos.
Imagine aí para quem mente.
Quem rouba.
Quem, pobrezinho, não sente o frescor do amor soprar na sua vida...
Nós nascemos, acredite, para sermos pessoas felizes, realizadas, causadoras e mantedoras do bem, do amor, da solidariedade.
E, quer saber?, quem não for desse bloco faça-me o favor.
“Dercy e quando você se esbarra na vida com gente assim, o que você faz?”, perguntava um repórter.
“- Mando tudo tomar no cu!!!”
Eu nasci para ser feliz.
Quem quiser que me acompanhe.
Ou então, sigam a ordem de Dercy Gonçalves.
Meio Garfield
17/07/2008 às 22h00
Ei, vamos rir?
Rir de quem ri da gente também, claro!
E, numa gaitada do tamanho do mundo, vamos transformando o mundo com bom humor.
Tenho exercitado isso em mim: o bom humor!!!
E tenho tirado dez comigo mesmo. Tenho me saído tão bem, sabia?
E saio rindo de tudo.
De quem pensa que sou idiota, de que tenta me fazer de otário, de quem fala coisa feia a meu respeito, de quem buzina atrás do meu carro, de qual qualquer coisa.
Ando, kkkkkkkkkkkkkkk, rindo de tudo.
Outro dia dei uma entrevista (sem nenhuma pretensão) para Joãozinho Escóssia, no Papo Roxo, que faz todas as semanas, no Jornal Folha Potiguar, pasquim semanal, de Mossoró.
É sobre isso que vou escrever hoje.
As perguntas, capciosas, queriam saber, por exemplo, o que não pode faltar na minha geladeira.
E com que roupa eu vou?
E que sentimento merece isso, aquilo.
O que é preciso para ser seu amigo...
E...
Aí, como faço com tudo na vida: me despi.
E respondi taaaaaaaaaanta besteira... E ri tanto com tudo aquilo.
Foi uma das minhas entrevistas preferidas - acho que Joãozinho vai adorar saber disso!
E, ah, como me diverti!!!
E ri da cara daquela turma que iria ler e... me esculhambar!!!
Aí foi que ri!!!
Adoro ser “esculhambado” também. Ah, unanimidades são burras!!! E até quando me esculhambam tiro proveito para ser melhor, mais feliz. E, quem sabe?, corrigir meus erros?
E faço isso rindo.
Curtindo da cara, até, dessa turma que vive a falar besteira a meu respeito, a respeito da gente, por aí vai.
Vai ler essa entrevista. Está em REFIL, reproduzi aqui, para mais gente falar!
Não sou daquela turma que adora dizer “falem bem ou mau, mas falem de mim!”.
Aliás, clichês também merecem risos...
Mas, sinceridade, não me incomodo. Com nada!!!
Ninguém acaba com meu humor de uns tempos para cá – até sinto uma raivinha. E resolvo na hora. E dou uma gaitada!!!
Prefiro viver assim: rindo. Muito, sempre!!!
Descobri que com bom humor, vivo melhor...
E rir é uma maravilha!
Esquece o que ficou pra trás e vem
13/07/2008 às 01h26
Descobri, há cerca de dois anos, que duas pessoas que sempre quis muuuuuuuuuuuuuuuuito bem – e respeitava, divulgava, cantava aos quatro cantos como pessoas especialíssimas... falavam horrores a meu respeito. E descobri da pior forma: ouvi.
Uma pessoa do Natal.
Uma pessoa de Mossoró.
Trocavam telefonemas e... destilavam maldades e venenos a meu respeito. Aliás, como fazem com o resto do mundo.
Sofri. Ah, como sofri. Mas lembro-me bem: não mais do que uma hora. Ser exagerado é bom até nisso. Sofro por uma hora, lavo o rosto e tchau.
Refeito, pensei: azar das duas pessoas, que perderam minha amizade para sempre.
Logo logo me refiz. E pronto.
Estava diante da luta.
Com isso quero dizer três coisas.
Jamais deixe a energia do outro, por pior que seja, interferir no seu campo vibratório.
Não permita que nada, nem ninguém, use das maldades que a vida lhes entrega, para prejudicar você.
Por mais que a maldade humana doa, seja, acima de tudo, feliz.
A felicidade, entre outros tantos dons, tem um que adoro: neutraliza o ódio, a inveja, a fofoca.
E, acredite: tudo o que é feito contra você, Deus responde “contra” quem o fez.
É a lei do Universo.
E energia, acredite, existe!!!
Outra.
Não deseje o mal a quem o mal lhe causa.
Reze.
De verdade. Desenvolvi isso em mim faz um tempo grande.
Se alguém tenta me derrubar, converso com seu ano da guarda. Aí... seu anjo da guarda vira meu anjo também e quando vejo estou “comandando” um exército de anjos da guarda.
A prece tem esse poder: neutralizar o mau. E o mal.
A última.
Sorria. Sempre.
O bom humor é uma maravilha.
Nada melhor do que o sorriso para você começar a entender que, de tudo isso, o mais importante é o perdão.
Sorrir e perdoar tem muito a ver. São íntimos, sabia?
Não precisa virar amigo novamente, dividir abraços ou sentimentos. Basta sorrir, em abundância. Sorrir sem fim. Um mar de risos...
O sorriso, para essas pessoas, é o fim, eu sei.
Mas para você é a certeza de que está bem, que é além, que na vida, de verdade, o que vale são os améns.
Sorria – você está sendo filmado.
Por Deus, nosso cinegrafista.
Azar de quem não gostar de mim
09/07/2008 às 01h18
Sempre fui estupidamente feliz.
Mas... estou mais.
Aliás, como estou!
Mais leve, menos ranço no olhar, menos abuso e pudor que é bom: nenhum.
Não acredito em receitas – e quem sou eu para tê-las?
Se felicidade sempre foi uma constante em minha vida, por que, então, bem mais?
Que sorriso é esse que não me sai d’alma hora nenhuma?
Que caminho é esse nada tortuoso?
Sabe qual é?
Acho que envelheci – no melhor dos sentidos, é bom frisar.
Caramba: vou fazer 18 anos de coluna social – quase a “mesma idade” da cervical.
Verdade! Comecei a escrever tinha 14 anos, na Gazeta do Oeste, durante as férias no Tibau...
E mais tarde, morando em Mossoró, como colunista d’O Mossoroense...
Com 18 anos assumi minha coluna na Tribuna do Norte – um moleque, realmente.
E foram tantas emoções...
E lá se vão, já, 8 anos no Diário de Natal...
Aff! Um ancião!
E uma coluna sem noticiar maldade, “perigos”, piadas. Uma coluna do bem – que ri todo santo dia... e faz o mundo, vê só, mais feliz também.
Será que a felicidade tem a ver com isso?
Talvez, quem sabe?
Deus sabe.
Sabe que estou mais leve, infinitamente mais tolerante.
Sabe que, se antigamente pouco me incomodava com “A”, “B” ou “C”, hoje nem vejo.
Sabe que estou mais light – aliás, vejo a hora voar.
Nunca fui de guardar rancor... isso também Deus sabe.
E sabe que me coração é imenso...
E sabe que não desejo mal a seu ninguém...
Hum...
A bem da verdade tem um aqui, outro acolá, que não faço, sinceramente, nenhuma questão.
Mas até para esses eu aprendia a rezar.
E Deus sabe que, hoje em dia, minhas preces são mais “ferozes”, mais “vorazes”, menos frugais.
E sabe, o tal Deus, que eu, sem medo de ser feliz, desbravo mesmo todo e qualquer caminho...
E sabe de tudo, Deus meu, Deus nosso.
Ta explicado, então.
Sou mais feliz porque me permiti tudo isso sob o atento olhar dos céus.
Mais uma receita de felicidade
23/06/2008 às 01h54
Decididamente, não nasci pra “derrota”!
Exemplo?
Não me venha, por exemplo, com filminhos de terror, de morte, de gente que mata, tiro, faca – e por aí vai.
O que isso acrescenta em nossa vida, de positivo? Nada!
Verdade: ir, por exemplo, assistir a um filminho assim lhe carrega a alma de coisa ruim. Seu sorriso trava, seu espírito se angustia, você chora por dentro.
E, pior: muitas vezes nem percebe.
Desde que resolvi deixar de falar palavrões (e eu adorava dizê-los!), percebi, também, o poder que tem a palavra.
De transformar.
De destruir.
É assim: se você diz... “azar”... essa palavra forma, ao seu redor, uma energia que ela carrega. É óbvio! Ela tem peso, tem carma...
Aí você fala... “sorte”... vê como soa diferente, com esse dizer trás outro tipo de energia?
Assim é a vida.
Quem se acompanha de gente meio assim, será meio assim o resto dos tempos.
Quem vive se maldizendo... ou denegrido outros... vira um estorvo do mundo...
Quem procura energia ruim... – ou até mesmo as divulga – atraia para si uma dor imensurável.
Mesmo que não se perceba e tal.
É por isso que eu só quero espalhar coisa boa... e só me juntar aos bons... e só olhar para onde haja, pelo menos, amor... e assistir a filmes de felicidade n’alma... e ler aquilo que enobrece minha pobre alma... e ter amigos leais, abraços cordiais ao meu redor.
Talvez – e por isso também – aprendi desde muito moleque, como se faz para ser feliz.
Então...
Não se recinta...
Jamais sinta inveja!!!
Perdão, perdão, perdão: sempre!
Não fique por aí, falando de seu ninguém!
Nem espalhe notícia ruim.
Seja, sempre, o fim da linha para quem chega lhe contando fofocas...
Só escute coisas boas!
Não minta!
Jamais seja ingrato... a ingratidão mata por dentro!
Só deseje o bem!
Ufa!
Assim... você será, de verdade, uma pessoa melhor.
E FELIZ!!!
Como um dia de domingo
15/06/2008 às 23h58
Três histórias escreveram este dia que se vai.
O que têm em comum?
Resolvi descobrir escrevendo, dividindo meu coração com o mundo.
Keity viajou hoje, comecinho da tarde.
Foi para Brasília, participar de umas reuniões. Coisas de trabalho.
Aí...
Meu mundo perdeu a graça.
É impressionante como sua ausência me vira pelo avesso. E me transforma num oco, um toco, um troço, um ser inanimado, sei lá.
Ai, deve ter sido praga, vudu.
Mas que é ruim, ah isso, é!
Quando Keity sai de perto, perco o chão, o prumo, o rumo, a rima, a mão.
É rapidinho, ela volta terça.
Mas e daí?
É assim que me sinto e pronto.
Tentei dormir no final da tarde. E nada.
Aliás, acho essa história de dormir uma grandiosa perda de tempo!
Escrevi um bocadinho, vi a chuva escorrendo pela janela e...
Quer saber?
Acorda!
Clima deprê não tem nada a ver comigo.
Peguei o telefone e liguei para dois amores.
Oi dona Zélia! Fazendo?
Oi dona Cleuze! Topa ir para o cinema comigo?
E fomos assistir, os três, Sexy and the City.
E demos boas risadas.
Adoro as companhias das duas. E da turma inteira de “senhorinhas” que Natal, tão linda, me deu de presente.
E... me lembro das “voltinhas”, maravilhosas, que dava com Tiazinha e Tio Dodôi, dois tios-avós apaixonantes que há dez e oito anos moram nos céus.
Saíamos muito.
Como gosto de sair com minhas meninas.
Tanta história pra contar...
Acho o máximo ouvir tudo.
Ah, e como aprendo!
Pipoca, Coca-Cola e Sexy and the City.
O máximo!
Na volta pra casa, depois de deixar as meninas em casa... surpresa!
Duas orquídeas, lindas, com dois cartões agradecendo notinhas que saíram, uma sexta, outra hoje, no jornal, minha coluna.
Ah, como é bom gente educada, atenciosa!
E... um presente da minha mãe.
Um livro, encontrado entre seus “achados e perdidos”.
Editado pela Guanabara, “Gatos e Pombos” foi presente de uma jornalista amiga minha, Nai Frossard, à época do JB, no Rio de Janeiros. Carioca, linda, loirinha, lá por outubro de 1989.
Com uma dedicatória linda e provocante, vinha assinada por ela, Nai, e por “Aliche”, uma gatinha fofa, fiel amiga da Nai que, quando viajava, ficava aos meus cuidados.
O livro diz que é possível sim o ser humano amar, respeitar e acarinhar os animais.
Aí percebi que faz muito tempo, realmente, que amo os animais...
E no meio dos “perdidos e achados” da minha mãe, cartas de amor.
Muitas. Escritas por mim para meus velhinhos Tiazinha, tio Dodôi e Widinha – esta última vivíssima, que hoje mora em Mossoró.
Ah, como os amo!
Saudades de Keity, Sexy in the City, a amizade de pessoas um bocadinho mais velhas e lembranças do começo da minha adolescência.
O que tem a ver?
Acho que tudo.
São, juntos, mais um desenho da minha vida.
E viver é, sempre, uma delícia!
Seja feliz!
Roda Gigante
12/06/2008 às 01h34
Me pega
Me larga
Me deixa
Não nega
Se esfrega, se esfrega
Se larga
Se deixa
Se faz heroína
Vira gueixa
Não queixa, menina
Que eu te tomo pra dança
Me lança
Minha lança
Perfumes
Tranças
Se faz de brava
De mansa
Requebra
Se quebra
Fingida
Tingida
Fugida
E me alvoroça
Se enrosca
Me enrosca
E me joga na lama
Carrega pra cama
Me estraçalha
Me espalha
Que eu não ligo pra nada
Tarada
Bruxa, remexe seu caldeirão
Arranca a navalha
Estraçalha
Meu vagabundo coração
E me deixa a água e a pão...
Se faz de sim
Se faz de não
Me atiça
Enfeitiça
Razão
Morde meu calção
Frita
Cozinha
Banho-Maria quero não
Me inebria, meu amor
Me inebria
Arrepia a nuca
Aiiiiiiiiiiiiiiii, tesão
Me atenta
Agüenta
Pastilhas Garoto
Menta
Minta
Sinta
E me faz girar
Levitar
Me gira na roda
Me joga no fogo
Me queima as entranhas
Me assanha
Me assanha
Ai, ai...
E começa tudo de novo
Chrystian
Tia Ivanilda, seus beliscões, meu despertar
07/06/2008 às 19h39
Eu e meu amor, no último verão das nossas vidas
Ando travado.
Desde o dia que minha amada Tia Ivanilda partiu para os céus – é lá que ela está – ando meio desligado, nem sinto... meus pés no chão.
Perdi o gosto, esses dias, sei lá.
Perder alguém que a gente ama é uma sensação ingrata, amarga, sem graça, jiló.
Fazia tempo que não sentia minha alma chorar de tanta saudade – apesar do espiritismo me colocar, diante da “morte”, extremamente mais forte.
E ciente.
Mas que dói, ah, isso dói!
Tanto...
Não consegui escrever mais nada. Até tentei, em vão.
No dia da sua Missa de Sétimo dia, rabisquei muito, muitas vezes.
E nada.
E nada.
Nem água, nem vento.
Aí resolvi relaxar.
Não gosto de remos opostos ao curso – nem ventos contra marés.
Espero, agora.
Tia Ivanilda Linhares nunca foi minha tia. A bem da verdade ela foi bem mais do que isso.
A conheci ainda muito moleque, numa das minhas férias em Mossoró.
Mãe de Ivana, Neto, Vanuza e Fafá – amigos queridos, Tia Ivanilda virou “tia” por causa do amor.
Que, sempre tive certeza, era mútuo. É, aliás.
E como era bem casada! Um casamento de amor, desses que não se vê mais por aí.
Com Canindé, ergueu uma belíssima história de amor e vida.
Paciente, sempre me ouviu.
E como geralmente acontece, os pais dos meus amigos tomam o lugar “dos tais amigos” e viram amigos tanto quanto. Sempre foi assim. Com Tia Ivanilda, foi igual. “Ela tomou o lugar” dos meninos.
Casada com Canindé Alves, minha velhinha teve um AVC. E rapidinho, em uma semana, foi brincar nos céus.
Foi, em vida, a pessoa que melhor encarnou, para mim, o ser solidário. Ah, como gostava de ajudar.
Muito.
Juntos, fizemos tanto, aprontamos todas, rodamos bastante!
Fomos colegas de palco na época dos shows do Cursilho de Cristandade de Mossoró – um movimento da igreja católica que marcou época, na cidade, principalmente por causa dos nossos shows, quando senhoras da sociedade faziam verdadeiras obras primas do besteirol na casa de Nilson Brasil e Ione, para uma platéia de 500, mil pessoas.
Juntos, nos engajamos em várias campanhas.
Muitas vezes era com Tia Ivanilda que, no meu carro, percorríamos as casas do abastados de Mossoró pedindo cestas básicas para os doentes do Hospital Rafael Fernandes.
A última vez que nos falamos, eu estava em Tiradentes, eu acho. Estava nas Minas Gerais, certo que sim.
Pedi para ela rezar. Um segredo só meu e dela. Nem os meninos sabem disso. Ainda chorei, ao telefone, um bocadinho. E ela, com aquela voz intensa, rouca, foi me acalmando.
Pediu-me calma, serenidade.
Só eu e ela.
E fui me “serenando”.
Ah, como amo aquela velhinha...
Talvez por isso tenha travado.
E não tenha conseguido escrever mais nada.
Hoje, mais uma vez, passei o dia sonhando com ela. É o terceiro sonho de nós dois.
E ri muito.
Eu, Tia Ivanilda e Maria Fernanda, minha afilhada, filha de Fafá (que é filha de Tia Ivanilda) e Raniere Lima de Oliveira, grande amigo, quase irmão.
Os três andando, vejam só, de mãos dadas por Tibau. Quero que seja Tibau, apesar de nenhuma menção, àquele mar, ter sido feita.
Ah...
Foi no Tibau, na minha casa, no último verão, que fomos mais felizes do que nunca.
Passei o mês de janeiro inteiro na praia.
E todo santo dia via minha velhinha, que passou o verão em uma casa colada a minha.
Saíamos para comprar pão, para passear, para fazer nada. E riamos, muito, de tudo!
Certa vez fomos procurar um amor de Marcio Custódio, um colunista daquele mar. E nos perdemos no meio do mato. Pode?
Tia Ivanilda foi logo dizendo... “Ah, porque não trouxe meu terço!”
Kkkkkkkkkkkkkkkk!!!
Depois de uma hora, no achamos. E o celular não pegava. Foi uma aventura!
Mas passearmos na praia, nunca passeamos.
Tia Ivanilda adorava bater perna. Mas de carro. Andar a pé? Jamais!
Mas no meu sonho passeávamos na praia: eu, ela e Maria, como disse.
O sonho era meu, mas o mar nunca soube onde ficava.
Era meio mar, meio céu, sei lá.
E ríamos tanto, parecíamos três birutas.
Era um caminhar diferente, feliz, feliz, feliz!
De repente acordei, juro, com um beliscão – mania de Tia Ivanilda.
Ah, tinha ódio: ela adorava me beliscar. E como doía.
Dei um grito, acordei, quis ter medo.
Aí me lembrei do sonho, nós três, aquele marzão.
Percebi que era minha velhinha, me acordando.
Graças a esse acordar eu... voltei a escrever palavras de amor.
Só quando comecei a terminar esse texto, entendi.
E chorei.
De saudade.
Muita saudade.
Te amo, Tia Ivanilda!
Para Claudia Rocha
24/05/2008 às 23h37
Que mulher é essa, que faz da caridade sua bandeira maior pelos caminhos da vida?
De onde vem tamanha força?
Força dos braços magrinhos...
Do corpo franzino
Dos olhos de Deus.
Ela nasceu baiana.
E um dia, “sem explicação”, caiu nos braços do Baiano Cláudio Rocha.
E resolveram se casar.
E filhos lindos Deus mandou.
E continua mandando.
Foi em Ceará Mirim que nasceu o Centro de Caridade São Francisco de Assis.
Um local cheio de bondade desde a época que a tal mulher perambulava pelos supermercados e pelas feiras livres da cidade atrás do que havia restado.
De frutas.
De verdura.
De amor.
Ah, o amor...
Foi assim, tão cúmplice do mais nobres dos sentimentos, que seu bem querer pelas crianças nasceu.
Hoje são mais de cem.
Que comem.
E sorriem...
E vivem
Porque ela existe.
Ela, um anjo chamado Antônio...
Um anjo chamado Bartolomeu.
De evangelho nas mãos e o coração a frente dos olhos, Claudia venceu barreiras, se esgotou de sofrimento muitas vezes graças a dor da vida alheia e se transformou numa mulher capaz, através de um simples abraço, fazer nossa vida melhor.
E infinitamente mais feliz.
Hoje o Centro Espírita São Francisco de Assis é uma realidade, sonho consumado em fé.
Que ensina, educa, canta o amor.
Que mulher?
Claudia Rocha, para sempre Claudia, para sempre santa anja do Senhor.
A história de cada um
18/05/2008 às 14h28
A vida de cada pessoa dá uma história. Uma linda história: ora trágica, ora feliz, ora infeliz, ora choro, ora velas, ora tudo isso ao mesmo tempo e não necessariamente nessa ordem.
Outro dia, em um desses engarrafamentos descomunais que tomam conta da cidade de uns anos para cá, parei em frente a uma passarela, entre o Via Direta e o Natal Shopping.
Eram cinco horas da tarde, o sol começava a rosear os céus do Natal e eu, que de uns tempos para cá aprendi até a domar meu stress, liguei o som do carro.
E, ao som de Ella FitzGerald, que cantava somente para mim “It’s all right with me”, CD que foi um presente de Paulo Oliveira, fotógrafo luz, comecei a transportar minha alma para cinco, sete metros acima do carro.
E em seguida “Diva” soprou T'ain't nobody's bizness... Novamente só eu e Ella.
Sobre minha cabeça, o fio aconchegante do meu carro, pessoas voavam de um lado para o outro.
Umas gordas.
Outras magras.
Outras bonitas.
Outras nem tanto assim.
Umas de cor de rosa, outras de azul, um mundo de gente de amarelo.
E de verde.
Umas era tão apressadas.
Outras tão devagarzinho.
Muitas no celular.
Outras feito bailar.
Umas riam, duas passaram chorando.
Passei uns dez minutos ali, observando tudo, cada detalhe, cada pessoa.
E fiquei pensando...
Cada pessoa que vai ali, segue um curso, um rio, uma história na vida. Cada um com seu tormento, seu alento, seu amor – ou não.
Cada um seguindo na vida.
Pais, filhos, mães – e aqueles que nada sabem disso não.
Umas com cachorro.
Outras cachorras.
Uns muito sérios.
Outros sem combinar nada: ah, o que isso importa, não é?
Umas com muitas sacolas.
Outras pobrinhas, levando só o couro e o osso.
Quanta gente passou ali, na minha frente. Cada uma com um coração que sofre, que ri. Cada uma com sua “cruz”, as flores, as dores da vida.
Cada pessoa que passa na nossa frente é assim: dona da sua história e nela desenha, ou não, um caminho feliz a ser seguido.
Acho até que fiquei mais simpático, com vontade de dar bom dia até para a tal passarela. Outro dia me peguei, passando ali, rezando por elas.
Umas cuspindo no chão.
Outras cuspidas pela vida.
Senhoras de bengala.
Gente banguela.
Motos voando. Sim, sim: em cima da passarela.
Uns tirando meleca – eca!
Outras decotadas até onde Deus não vê.
Tinha vendedor de picolé.
Fresco, rapariga, homem, mulher.
E gente.
E gente!
E gente!
Cada uma com seu caminhar.
É por isso que cada pessoa, a boa, a má – todo mundo merece respeito.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiii!
De repente uma buzina mal educadíssima atrás de mim.
Percebi que o trânsito resolvera fluir.
O sol já se espreguiçava longe, cansado da luta, fora dormir.
Aí, mais adiante, vi um corpo estendido no chão.
Era um homem, ouvi os gritos.
Um homem que deveria estar na passarela, mas preferiu jogar a vida fora em meio a carros que voam, com pressa de matar.
Que senhor seria aquele?
Gordo, magro, bonito, feio?
Carregaria sacolas, pediria esmolas, faria o quê?
Morreu assim, tão logo.
Ah, tem gente que prefere a vida assim.
Rápida, fulgaz.
Nosso respeito àquele senhor.
E a todas as pessoas do mundo. Desse mundo, de outros também.
Os Gerais dos meus amores
11/05/2008 às 10h12
São João Del Rei: alumbramento
A lindíssima Igreja de São Francisco de Assis, de 1749: obras de Aleijadinho e túmulo de Tancredo
Os caminhos nos levam ao passado
Em São João Del Rei: Nossa Senhora do Carmo, 1734
A Maria Fumaça desde 1881, coisas de Dom Pedro II
Na terra de Tiradentes: belíssima Matriz de Santo Antônio, 1710, obras de Aleijadinho
Tiradentes: prestou atenção no cachorrinho que anda de charrete?
Prados: existe imagem mais lúdica?
Mais Bichinho: igreja da Santa Cruz, 1911
Bichinho: onde se anda, arte
Cel. Chaves: cidade, límpida, linda, lúdica. Me lembrei de Edward, Mãos de Tesoura
Igreja do Rosário: Coronel Chaves, 1878
Santo Ofício, em Tiradentes: comida ma-ra-vi-lho-sa
Pedacinho do Traga Luz, um restaurante lindo, acolhedor, chique, arte culinária, arte de arte mesmo
Os donos do Lerlequin, em São João Del Rey: comida divina, ambiente abençoado
Devo ter sido escravo, noutras vidas. Escravo sofrido. Aguerrido aos maus tratos, sofridões d’alma.
Acredito nisso, piamente.
Cada vez que caminho pelos Gerais, sinto que, ali, estive noutras paragens da minha vida. Passadas vidas, aliás.
Lembro-me, por exemplo, quando estive em Sabará, a pouco mais de 60 quilômetros de Belo Horizonte, três anos atrás e entrei na Capela de Nossa Senhora do Ó.
Foi como se o mundo caísse por sobre minhas costas.
Realmente caiu.
E eu caí no choro. Compulsivo.
A igrejinha, mínima, cravada no alto de um morro, é um alumbramento – apesar de tanto abandono. Coisas dos Brasis e seus gerenciadores medíocres, de visão rala. Não sei como a Nossa Senhora do Ó anda hoje em dia. Mas àquela época, três anos atrás...
Construída em 1719, a capela é pequena, de aparência singela, guardando no seu interior um esplendor, já que possui uma decoração riquíssima. A talha barroca, de estilo Dom João V, aliada às pinturas de 'chinesices', em ouro, sobre vermelho e sobre azul, imitam as lacas do oriente.
E tudo erguido sobre a agonia, a dor e a escravidão.
Rezar ali é, também, um pedido de perdão.
A todos os escravos, a tantas injustiças sociais.
Passear pelas Minas Gerais é, sempre, um abraço no passado, na história, nessa dor também.
Como escravos conseguiam erguer tudo aquilo? E tudo tão perto do céu, tão cúmplice do inferno.
E na dor de uma gente negra da vida, do trago do chão.
Outros amores: São João Del Rey, nossa Tiradentes. Seria capaz de abandonar tudo e armar vida ali. Com Keity, claro – e minhas duas cachorras.
É tudo tão lindo, tão rico, tão histórico, tão vivo!
E emocionante!!!
São duas cidades verdadeiramente encantadoras!
Descobrir Rezende Costa, Coronel Xavier Chaves – popularmente chamada de Coroas (é, ninguém merece nascer numa cidade com o nome de Coronel...), Bichinho (cada casa transformada em lojas de artesanato).
E tudo por um preço ótimo. E tudo tão lúdico, tão lindo, tão distante do real da vida.
Essas últimas cidades ficam entre São João e Tiradentes. São muito pequeninas. Mas extremamente bem cuidadas, cheias de arte e vida simples, cadeiras às calçadas...
Certa vez, quando cheguei a Coroas... um grupo de várias mulheres conversando no meio da rua. Assim, nem aí. A cena marcou para sempre minhas memórias.
Fora que as cidades são envoltas por auras diferentes, lilases, certamente. É muita arte, muito bom gosto.
A gastronomia é inacreditável de boa.
É uma culinária requintada, respeitada, com chefs ora nacionais, ora importados. E tudo muito caro. Ah, mas essa parte a gente pula.
Tiradentes tem restaurantes carézimos. Outros nem tanto. Mas tudo vale a pena, se a alma não é... lisa, claro!
Quem não pode, se sacode.
Não morra antes de visitar as Minas Gerais.
Fotos: Arquivo Pessoal - 2003
Perder-se em Ouro Preto
11/05/2008 às 10h10
Im possível não se emocionar com esta cidade
A Igreja do Carmo, vista de uma janela: velhos casarios
Igreja de São Francisco de Assis: pórtico de Aleijadinho, de frente para feirin de artes
Se existe uma coisa que tenho abuso na vida é essa colonização portuguesa.
Ai, ai.
Por que não foram os franceses, os ingleses?
Os espanhóis, até?
Maldita sorte, desculpe-me a terrinha, já vêm de priscas eras.
A origem de Vila Rica está no arraial do Padre Faria, fundado pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo padre João de Faria Fialho e pelo coronel Tomás Lopes de Camargo, por volta de 1698.
A vila foi fundada em 1711 pela junção desses vários arraiais, tornando-se sede de conselho, com a designação de Vila Rica. Tudo graças ao ouro, abundante.
Em 1720 foi escolhida para capital da nova capitania das Minas Gerais.
Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro I do Brasil, tornando-se oficialmente capital da então província das Minas Gerais e passando a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto.
Em 1839 foi criada a Escola de Farmácia e em 1876 a Escola de Minas. Foi a capital da província e mais tarde do estado até 1897. Hoje é a capital da juventude. Apesar de tantas antiguidades...
Transformou-se numa cidade universitária, cheia de albergues com nomes irreverentes e com meninos e meninas cheios de espinhas na cara. Esse ar, jovial, com a turma da Acnase “gritando” dá outro charme a Ouro Preto.
Que foi a primeira cidade brasileira a ser declarada pela UNESCO, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, no ano de 1980.
E é, sem favores, uma das mais belas cidades brasileiras.
Visitar Ouro Preto é uma obrigação.
Perder-se em Ouro Poreto, uma tentação.
Para quem curte arte, história, boa gastronomia, festa.
A cidade é belíssima – e como todas as Minas Gerais, tem o povo mais simpático do planeta.
Uma das características mais marcantes de Ouro Preto são suas igrejas construídas durante o período colonial brasileiro. Perder-se na fé, outra delícia!
Para todos os gostos, para todos os santos, para todos os céus. E tudo lindo! Lindo! Lindo!
Igreja de São Francisco de Assis, Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, Igreja Nossa Senhora do Carmo, São Francisco de Paula, Nossa Senhora das Mercês e Perdões, Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, Capela de Padre Faria, de Sao José, Senhor Bom Jesus de Matosinhos, São Sebastião, Santana, São João, Rosário dos Pretos, da Piedade, Capela de Bom Jesus das Flores, Capela Senhor do Bonfim, Nossa Senhora das Dores.
Depois de tudo isso, só nos resta gritar: AMÉM!!!
Fotos: Reprodução
Deixem Ronaldo em Paz!!!
09/05/2008 às 10h02
Na imensa maioria das vezes sinto vergonha.
Da minha profissão, das pessoas alheias a ética, a compaixão, ao que acontece na vida dos outros.
O que tenho visto por aí: programas pseudo jornalísticos, outros de humor (?), donos de filmes pornôs.
Sinto asco. E não vejo.
Aliás, nos meus olhos, só o bom da vida enxergo. Só o bom da vida me cabe.
Por isso não falo com qualquer um.
As pessoas esquecem, muitas vezes da vida, que o que aconteceu com o jogador Ronaldo poderia acontecer, sei lá, com um irmão seu. Seu pai, sua mãe, você, até.
Não, não... não estou aqui dizendo que essas pessoas gostam de travestis, têm essa ou aquela preferência sexual.
Mas uso o caso do Ronaldo para mostrar que é possível, sim. Nós, nessa vida, voluntária ou involutariamente estamos sujeitos a tudo.
Ou a quase tudo.
Portanto, não julguemos. Nada, ninguém.
É ridículo ver as pessoas fazendo piadas com a desgraça alheia. É feio, grosseiro, não é atitude de quem, do lado esquerdo, tem um coração.
E isso não tem graça.
Dói.
E como dói ver pela vida seres humano com atitudes tão toscas, medíocres, infames.
Se era travestis ou não? Dane-se!
Se transou ou não? Dane-se!
Eu, que acredito nas pessoas sempre, acredito em Ronaldo. Acredito sim.
E ninguém tem nada a ver com isso.
Será que tudo o que Ronaldo fez na vida: seus abraços na solidariedade, seus gols... nada disso é lembrado?
Sabe com o que nós temos que nos preocupar?
Com a fome que corre os Brasis, impiedoso apesar da demagogia do governo.
Com o fazendeiro mal caráter absolvido do caso Dorothy Stein.
Com a população, ridícula no meio das ruas, atirando pedras nos Nardoni – e rindo para câmeras, fotografando com celulares...
Com as focas mortas no Canadá, dor absurda que o mundo permite.
Com o pobre Mianamar, abandonado há 50 anos, regido por uma brutal força militar que, pós tragédias da natureza, ainda impedem que comida chegue para suas gentes.
Com a Aids que deixa órfãos, por dia, mais de 50 crianças na África.
Com guerras, que vidas encerram.
Isso sim nós temos que nos meter. E gritar, fazer matérias, pedir socorro.
Deixem Ronaldo em Paz.
Desde a Bíblia que "Deus" avisa...
“Que atirem a primeira pedra”!
Joguem flores, rezem – e vão tomar conta das suas vidas!!!
Prece rapidinha
26/04/2008 às 17h38
Faz dias que sonho escrever isso.
Sei lá os porquês.
Talvez para colocar seu astral sempre lá pra cima.
Mas... o que é a tal felicidade?
Quando você achar que não é feliz...
Acorde, abra o olho. Ver não seria uma imensa alegria?
Aí se levante. Levantar-se também é motivo de felicidade tremenda. E andar? E poder falar?
Sabe de uma coisa: temos mais é que agradecer. Sempre, instantes todos que existam por aí.
Agradecer por ter o que comer, por ter para onde ir.
Agradecer, até, por estar aqui, lendo estas mal traçadas linhas.
Agradeça, até, por aqueles que te fazem mal.
Desde que – mesmo como todos os defeitos do mundo que sei que tenho – descobri que agradecer era uma dádiva (também!), o faço feito ladainha.
Deus ouve.
E adora!
Onde colocar o amor?
19/04/2008 às 13h09
Antes de ontem à noite fui passear em Ponta Negra.
Eu, um grupo de amigos.
E o meu coração – que às vezes, sinceramente?, preferia não ter.
Jogaram uma gatinha, minúscula, no capô do meu carro. Como assim?, jogaram? Sim, sim: jogaram. E pronto.
Estava estacionando o carro quando ouvi o barulho. Seco, sem vida, barulho de dor.
Como pode um ser humano fazer isso com um animal tão indefeso?
A gatinha, tão magrinha, pequenina e com um olhar tristíssimo, gritou de tanta dor.
Foi um grito de pavor, seguido de sucessivos gemidos.
Quem foi?
Quem sabe?
Não fui atrás. Certas coisas, na vida, não me interessam. O que precisava, naquele momento, era dar, um tantinho que fosse, de amor para aquele bichinho tão fraco, tão dolorido, tão dó.
Aí...
Coloquei a gata no meu carro, trouxe aqui pra casa.
E aqui está, desde então, depois de tomar banho no Centro Veterinário São Francisco de Assis, receber vacinas, tomar remedinhos.
Assustada, parece que o mundo lhe caiu sobre a cabecinha.
Mal sabe ela que sobre a minha também...
Em um planeta onde pais matam filhos, filhos assassinam pais – jogar animais deve ser normal, sei lá...
Pois é...
Esse texto é para pedir socorro a você.
Como Maria do Socorro, minha poodle caçula teve três filhinhos – e estão todos aqui em casa esperando a época de ir para suas famílias... todas previamente pensadas e analisadas – não vendemos os filhos dos nossos bichos. Respeitamos nossos animais. E quem compra, nem sempre tem lá tanto amor assim. Quem vende, nem se fala!
Como Terezinha, braba que só, não admite dividir amores e como morar num apartamento me impossibilita de ter mais do que duas cachorrinhas...
Não sei o que fazer com a gatinha preta que me caiu dos céus.
Por favor, me acudam!
Se conhecerem alguém que ame bichos, gritem seu nome aqui para o site.
Sim – e gato preto dá sorte.
Deus não colocaria no mundo nenhum bichinho para não trazer sorte, amor, companheirismo, amizade, lealdade... e vida, alegria, amor, amor, amor...
O que cabe numa cama vazia?
15/04/2008 às 09h54
Entranha sensação, essa.
Me acostumei com o amor.
E não consigo viver sem.
Aliás, quem conseguiria?
Ontem, Keity precisou viajar. Vai voltar somente amanhã...
E eu dormi sozinho, naquela cama imensa.
Quer dizer: eu, Terezinha entre os dois travesseiros e Maria do Socorro no meu travesseiro.
Aliás, no dela. Deixei de ter travesseiro faz tempo, desde que a nossa poodle caçula se apropriou dele.
- Pai, realmente, é besta demais!
Sim! E os três cachorrinhos pequeninos, filhos de Maria do Socorro, numa caminha ao lado dos meus sonhos.
A sensação é péssima – de ficar, digamos, sozinho na vida, perdido na cama.
Faz, talvez uns 18 anos, que sou apaixonado por Keity.
Começamos a namorar ainda moleques e o amor foi nascendo, crescendo, ganhou os céus. Ganha, aliás, dia a dia.
Ela virou meu prumo, meu rumo, meu chão.
Outro dia, conversando com a amiga querida Ana Zélia Facci, soltei essa: “Sem ela, sou nada não!”.
É verdade.
Vou confessar uma coisa: sempre agradeço a Deus. Sempre. Encontrar, tão cedo, um grande amor, é um presente de Deus. Nem sei, sei lá, como seria.
Encontrar um amor tão cedo redimensiona o tempo, nosso espaço, nos faz, no mundo, a pessoa – assim mesmo, no artigo definido.
Aí, se constrói um mundo imbatível, impenetrável, uma rocha com... coração.
Ontem conversava, horas a fio, com um amigo do Rio de Janeiro. Amigo desde o Colégio Andrews, em Botafogo.
Falamos em tudo.
Inclusive no tal do amor.
Robson Maia me disse umas frases que gravei para escrever para vocês.
“O amor é fundamental porque alimenta nossa alma, nos faz homens de verdade e, principalmente, nos coloca diante da vida como pessoas boas”.
“Evite amizade com quem não ama. Quem não ama, deixou de viver. É amargo, mente, sacaneia”.
“Só o amor nos faz gente de verdade”.
Robson casou com Camila aos 16 anos de idade. Tão cedo na vida, que ainda estudávamos juntos. Faz, no ano que vem, 20 anos de casamento apaixonado. Formou-se em medicina, estudou em Loma Linda, na Califórnia e Camila sempre ali. Aos dezessete anos, tiveram gêmeas. E Lara e Chrys (a Chrys foi por minha causa) hoje são “moças feitas”, me chamam de tio, são mulheres super amáveis, lindas.
É o amor.
O amor pode tudo.
Pode chita, pode veludo.
Pode fazer um casal, aos 16 anos de vida, encarar a vida. E vencer na vida.
O amor só não pode com uma cama vazia. Ah, isso não!
Para Isabella Nardoni, com amor
11/04/2008 às 20h58
A morte da menina Isabella, em São Paulo, tem mexido, também, comigo.
Dói a cabeça, choro vira nó, rezo numa compulsão, numa profusão de santos e améns.
Tem sido assim, desde que Isabela Nardoni caiu do sexto andar do edifício onde passava, feliz, tadinha, aquele fatídico final de semana.
Como pode alguém fazer isso com uma criança?
Aliás, como pode existir alguém assim – que simplesmente jogue por uma janela toda a esperança de uma vida?
Uma plantinha que seja, no mundo, carece de amor.
A gente vem para somar, agregar amigos, construir sonhos, erguer bandeiras de paz, amor, escrever uma história sem mentiras, nem subterfúgios.
Sabe qual é a nossa maior missão aqui?
Ser felizes...
E ajudar o mundo a ser melhor...
Àqueles que seguem o caminho inverso jamais serão felizes...
Quem matou Isabella?
Sinceramente? “Não me interessa!”
Calma: quero sim a justiça feita – mas, de verdade, o que gostaria, realmente, era que o Brasil inteiro rezasse por ela. E não somente. Nós precisamos rezar pelos pais dos pais dela, pelos pobres pais da Isabella, a madrasta de cara trancada numa dor infinda. E os dois filhos da madrasta, pequeninos, sem mãe há uma semana – se é que terão uma mãe novamente.
Sim, rezar. Rezar compulsivamente. Deitar a cabeça no travesseiro e pedir a Deus que seus pais – culpados ou não – se transformem.
Como não estão os pais do pai e da madrasta da Isabella?
E os pais de Ana Carolina, mão da menina?
E Ana Carolina, linda, jovem, vida abalada?
Para mim, tão triste quanto o(s) assassino(s) da menina é, por exemplo, os tais inquisitores da sociedade moderna.
Uma gentinha desocupada, desnecessária e agressiva, por exemplo, que vai para porta de uma delegacia onde o pai e a madrasta estavam e gritam: “assassino!, canalha!, morram!”.
Tão cruéis quanto a morte, são esses algozes!
- Que absurdo! Esses sim, deveriam ser presos.
Dão seus shows particulares e vão para casa rezar. Como se pecado não tivessem cometido. Como se purificados fossem.
Eu não julgo. Ou tento não julgar ninguém. Esse foi mais um presente que o espiritismo me deu.
Se minha cabeça dá nós intermináveis, rezo. E rezo. E rezo mais uma vez.
Não podemos nos portar assim, como donos da verdade, emitindo opiniões como se, por exemplo, não tivéssemos família – ou como, no mundo crudelíssimo em que vivemos, não estivéssemos sujeitos a tragédias como a morte da menina que virou anjo dos Brasis.
Por isso, nada de julgamentos, pré-julgamentos, conceitos, preconceitos.
O que Isabella precisa, hoje, é de paz, de tranqüilidade e de orações...
Só assim a pobre menina vai descansar na santa paz.
Me adiciona!!!
11/04/2008 às 15h42
Sabe de uma coisa?
Nunca suportei o tal Orkut – sempre achei muita exposição (eu já vivo numa vitrine) – e os exemplos que o site de relacionamento muitas vezes oferece ao mundo chega a doer: gente que maltrata gente, pedofilia, agressões baratas.
Mas como tudo na vida, o Orkut também tem um lado bom.
Tanto que eu resolvi entrar...
O lado de rever amigos, encontrar pessoas que o tempo levou pra beeeeeeeeeem longe da gente, e, se, mesmo que de cultura não goste tanto assim: ainda assim é um vasto mundo, posto à sua frente.
A ordem para entrar no Orkut veio de Liti Sena, filha de Laudemir e Yone Álvares...
E foi o caçula da família, Júnior, que passou uma tarde inteira me dando aulas...
E aí... sou Orkuteiro!!!
A bem da verdade, engatinhando.
Mas de cara, logo no segundo dia, me acharam.
E, vê só, uma turma do Colégio Rezende, onde estudei parte do meu primário, em Botafogo, no Rio de Janeiro...
A bem da verdade, dali, não trago lá tão boas recordações assim...
Mas reencontrar Andréa Luz, para mim, foi um presentão.
Juntos passamos a trocar e-mails, revisitando o passado com alegria e levando, à vida, um pouco da nossa história...
Pronto: gamei no Orkut “só por causa dela”.
E aí foram chegando outros amigos (sem saber como agir, deletei, pode?, uns 50), e chegaram novas idéias, novos caminhos...
O Orkut, como tudo na vida, tem seu lado de bom.
Que maravilha!
Eu encontrei essa estrada...
Lembra? Na vida a gente sempre tem que encontrar o melhor dos caminhos.
E o lado bom de tudo...